Para
mim, que sempre analisei – nas minhas aulas - o Amor segundo indicações
superiores de gente mais sabedora, o tal Amor foi encarado nas perspectivas vagas
de “fogo que arde sem se ver, ferida que dói, e não se sente; um
contentamento descontente, dor que desatina sem doer…” embora de
estranheza também “como causar pode seu favor nos corações
humanos amizade, se tão contrário a si é o mesmo Amor’?”, os motivos de
maior sensualidade, nas aulas de literatura sendo, pois, naturalmente postos de
banda, o professor, conhecedor ou não desses dados, inibido, contudo, de os
aprofundar, mau grado os esforços para tal de alguns escritores de um neorrealismo
de maiores extremismos culturais e linguísticos. Felizmente que não fui
professora de Biologias e sempre pensei com piedade nesses professores, que
eram forçados a penetrar em pormenores biológicos e anatómicos fora do meu
alcance cultural que se contentou, no capítulo existencial, por seguir na senda
das virtudes pedagogicamente praticadas, ciente da incapacidade de abarcar toda
a ciência da vida, e preferindo optar por aquela que não colidisse com os meus
preconceitos espirituais, de pessoa com direito às obscuridades que o seu desinteresse
– não virtuoso, mas seguidor das normas educativas do seu atavismo – e do seu
pudor - e dentro de pruridos de uma liberdade opcional, creio que democrática,
embora reconhecesse que outras opiniões pudessem ser mais inteligentes - de
resto, indiferente a isso. Educação sexual nas escolas? Apenas dentro de
conceitos de respeito pelo ser humano, sem necessidade de excessos no
aprofundamento dos dados, poupando a sensibilidade das crianças, que aprenderão
à medida do seu crescimento. Como sempre foi. Não me lixem! Todos temos direito
à nossa reserva mental.
Educação sexual: a melhor aula
de sempre!
A pureza não
é acanhamento, não é inibição, não é vergonhosa proibição de amar, nem
estúpido medo do prazer. Não é limite, mas perfeição, beleza e força.
P. GONÇALO PORTOCARRERO DE ALMADA
Colunista
OBSERVADOR, 02 ago. 2025, 00:1624
A propósito da reforma do currículo
da disciplina Cidadania e Desenvolvimento, muito se tem falado de educação
sexual.
À conta desta polémica, ressuscitaram vários fantasmas, como o do serôdio anticlericalismo que,
disfarçado de laicismo, não perde uma oportunidade para atacar a Igreja.
Houve até quem, no seu histerismo
anticristão, tenha defendido que o actual Governo, ao tomar a sensata medida de
retirar do programa dessa disciplina conteúdos sem qualquer fundamento
científico, estava a fazer o país regredir 40 anos e a remeter a educação
sexual para os confessionários! Na realidade, o Ministro da Educação mais não
fez do que cumprir a Constituição, que exclui as ideologias dos programas
escolares.
Há já quase vinte anos, foi
publicado um texto (*) em que se recolhe a pregação de uma novena a Nossa
Senhora da Conceição, Padroeira e Rainha de Portugal. Nessa obra
propõe-se a contemplação de várias mulheres anónimas dos Evangelhos: a
hemorroíssa, a sogra de Pedro, a viúva do óbolo, a adúltera, a cananeia, a
samaritana e a viúva de Naim. Essa publicação conclui com uma meditação sobre Maria, a quem se atribuem doze ‘defeitos’ que,
na realidade, são virtudes. Esta ironia, que nem todos compreenderam, destinava-se
aos que fingem que são virtudes os seus vícios …
No episódio da adúltera apanhada em
flagrante (Jo 8, 1-11), transcreve-se um caso relatado por um teólogo leigo norte-americano, Scott Hahn, na
obra em que relata a sua conversão ao catolicismo, depois de ter sido pastor
protestante. Trata-se de um acontecimento real, que teve como protagonista
o Dr.
Francis Schaeffer, prestigiado
professor e fervoroso cristão não católico, por ocasião de uma sua viagem a
França, com alunos finalistas do liceu. Não será exagerado supor que esta foi,
decerto, a melhor aula de educação sexual jamais dada, pelo que vale bem a pena
transcrever aqui o que então, surpreendentemente, aconteceu.
“Uma noite, [o professor e dois
alunos], passeando pelas ruas de Paris, viram uma prostituta parada numa
esquina. Para espanto dos alunos, o seu professor dirigiu-se à mulher:
– Quanto é? – perguntou-lhe.
– Cinquenta dólares.
O professor olhou-a de cima a
baixo e disse-lhe:
– Não pode ser, é muito pouco!
– Ah é?! Pois então, para os
americanos são cento e cinquenta dólares!
Mas ele continuou a insistir:
– Continua a ser muito pouco!
Ela retorquiu rapidamente:
– Pois é, esquecia-me que a
tarifa de fim-de-semana, para americanos, é de quinhentos dólares.
– Mesmo assim – retorquiu o
professor – é baratíssimo.
Nessa altura, a mulher começou a
ficar francamente irritada e, como quem quer pôr um ponto final na conversa,
disse-lhe:
– Então, na sua opinião, quanto é
que eu valho?!
– Minha senhora, eu nunca poderia
pagar o que a senhora vale, mas permita-me que lhe fale de Alguém que já o fez.
E os dois alunos, estupefactos,
viram como o seu professor, ali mesmo, se ajoelhou com aquela mulher no passeio
e a ajudou a fazer uma oração de oferecimento da sua vida a Cristo”.
Como então escrevi, “o mal daquela mulher
não era amar demais, mas, pelo contrário, não ter noção do seu valor, do valor
do seu corpo, do valor da sua alma, da dignidade da sua condição de ser humano,
criado à imagem e semelhança de Deus e chamado à sublime dignidade de seu
filho!”
Já na altura fiz notar “um
pormenor particularmente encantador neste relato: o tratamento que aquele homem
dispensa à mulher e que resume toda a grandeza da sua condição: ‘minha senhora’! Sim, não é a fulana, nem
a sicrana, não é uma qualquer, nem muito menos uma pecadora, ou uma adúltera,
por muitos adultérios ou pecados que tivesse cometido na sua vida. Não! É uma
senhora, porque é uma criatura de Deus, porque vale todo o Sangue de Cristo e
porque, eventualmente, precederá, no Reino dos Céus, muitos do que se consideram
justos 3cz(Mt 21, 31).”
Há quem pense que a Igreja católica não quer educação sexual nas
escolas porque teme que se quebre o tabu que envolve o sexo e que a Igreja
explora para manter na ignorância os seus fiéis. É exactamente o contrário:
Cristo é a verdade (Jo 14, 6), a
verdade que nos faz livres (Jo 8, 32).
Por isso, foi a Igreja, e não o iluminismo, que criou as universidades, e foi
também por isso que eram católicos muitos dos principais cientistas, como por
exemplo o ‘pai’ do Big Bang.
O que os pais
cristãos temem não é a verdade, que sabem que liberta, mas a sua contrafacção,
ou seja, uma versão rasteira da sexualidade que ignore a riqueza e
sublimidade do amor, tal como foi revelado por Cristo e os cristãos procuram
viver. A educação sexual
cristã é uma aprendizagem para a excelência, segundo a lógica da dignidade
humana e do amor como dom de si mesmo, mas, na sua versão laica, mais não é do
que uma técnica que em pouco ou nada distingue a sexualidade humana da vida
animal, como se o ser humano pudesse ser reduzido à sua dimensão corpórea.
“A pureza não é acanhamento, não é inibição, não é vergonhosa proibição
de amar, nem
estúpido medo do prazer ou qualquer outra idiotice. A pureza não é
limite, mas perfeição, é grandeza e graça, é beleza e força. Um coração puro
não é apenas um coração imune ao mal, sem mancha, imaculado, porque nenhuma
virtude se reduz à mera ausência do vício oposto, mas é sublimação: é amar mais e amar melhor. Ser puro é ser mais homem ou melhor
mulher, é ser autêntico e genuíno, no corpo e no espírito. Os seres
magnânimos, como os santos, foram capazes de acometer grandes obras e de dar
corpo a grandes ideais, precisamente porque eram puros de coração (Mt 5,
8), enquanto, pelo contrário, a pusilanimidade estigmatiza os impuros. Ser
puro (…) é ter garra ou, como disse a
poetisa, ‘é ser mais alto, é ser maior do que os homens’, é ‘ter fome e sede de
infinito’.”
(*) Os defeitos de Maria e as virtudes de outras mulheres dos Evangelhos
foi publicado pela Lucerna, chancela da Editora Principia, em 2007. Esta obra,
que foi prefaciada pelo Cónego Armando Duarte, Pároco da Basílica de Nossa
Senhora dos Mártires, em Lisboa, recebeu o “nada
obsta”, ou “nihil obstat”,do Cónego José Manuel dos Santos Ferreira, Doutor
em Teologia pela Universidade Gregoriana e Pároco de Santa Maria de Belém,
vulgo Jerónimos, e foi mandada imprimir pelo então Vigário-Geral do Patriarcado
de Lisboa, o Cónego Dr. António da Franca Melo da Horta Machado Marim.
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COMENTÁRIOS (de 24)
João Reis: Como é seu apanágio, o
P. Gonçalo traz-nos um tema de difícil abordagem nos tempos que correm, difícil
mas não impossível como tão bem fica demonstrado neste texto escrito com
rigor e absolutamente respeitador da perene doutrina da Igreja. Não é instrução
técnica, mas a **formação do carácter** que reconhece: - O valor infinito de
cada pessoa. - A sexualidade como expressão de amor ordenado à transcendência.
- A família cristã como ambiente natural para esta formação. Obrigado!
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