Construíram-se, em tempos, países INDEPENDENTES, julgo que também graças
a pruridos russos (mas não só), defensores das independências dos povos da
negritude. Na Europa, anos depois, pruridos contrários pretendem riscar países
do mapa das independências. Sem pesos nas consciências. Talvez a questão seja
mesmo um caso de cores, pois se permite que os mais poderosos o façam e até se reúnam
para discutir as novas dependências? Mas, sim, os europeus protestam contra
isso, devagarinho embora, ocupados a digerir as invasões dos seus próprios espaços
pelos povos desses países agora independentes… As poderosas contradições das almas
boas…
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Líderes europeus rejeitam proposta de cedência de
território ucraniano e defendem presença da Ucrânia na reunião entre Trump e Putin
OBSERVADOR, 10/8/25
Líderes europeus defendem que o "futuro da Ucrânia não pode ser decidido sem os ucranianos",
aludindo à reunião de dia 15, onde poderá ser discutida uma "troca de territórios" com a Rússia.
Vários líderes europeus, assim como o
próprio Volodymyr Zelensky, têm-se mostrado contra a proposta
da Rússia para um cessar-fogo que incluiria a cedência de território por parte
da Ucrânia, respondendo à mesma com uma contraproposta, avança o Washington
Post. Defendem ainda que a Ucrânia
deve estar presente no encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin marcado
para a próxima sexta-feira, 15 de agosto, no Alasca.
Segundo o jornal norte-americano, que
cita autoridades europeias familiarizadas com as negociações, o plano
europeu rejeita o acordo entre os EUA e a Rússia, que pode incluir a anexação
da Crimeia e do Donbass — de que fazem parte as províncias de Donetsk e Lugansk. Donetsk ainda não está totalmente
controlada pelos russos, mas a Ucrânia teria de retirar as tropas da província.
A proposta inclui assim exigências para
que seja estabelecido um cessar-fogo antes de serem
tomadas quaisquer outras medidas. Também afirma que o território só pode ser trocado de forma
recíproca, o que significa que, se a Ucrânia se retirar de algumas regiões, a
Rússia deve retirar-se de outras, e estipula que qualquer concessão territorial
por parte de Kiev deve ser salvaguardada por garantias de segurança, incluindo
a potencial adesão da Ucrânia à NATO.
Este
sábado de manhã, Volodymyr
Zelensky veio
reagir às
notícias do encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin, no Alasca, na próxima sexta-feira, e não poupou nas críticas à exclusão
dos ucranianos de uma solução para o fim da guerra. Numa sequência de várias mensagens
partilhadas na rede social X, Volodymyr Zelensky garantiu que uma ausência da Ucrânia no
encontro é uma decisão “contra a paz” e rejeitou ainda qualquer cedência
territorial a Moscovo.
“A Ucrânia está pronta para decisões reais que possam trazer a paz.
Quaisquer decisões que sejam contra nós, quaisquer decisões que sejam sem a
Ucrânia, são ao mesmo tempo decisões contra a paz. Elas não vão conseguir nada.
São decisões mortas à nascença. São decisões impraticáveis. E todos nós
precisamos de uma paz real e genuína. Uma paz que as pessoas respeitem”,
afirmou.
“A resposta à questão territorial
ucraniana já está na Constituição da Ucrânia. Ninguém se desviará disso — e ninguém será capaz de o fazer. Os ucranianos não
darão a sua terra ao ocupante”, acrescentou ainda o líder ucraniano.
Os líderes europeus vieram depois
expressar mais uma vez o apoio à Ucrânia. No X, O
Presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu, após um telefonema com o
homólogo da Ucrânia sobre “a situação diplomática” do país, que o conflito com
a Rússia não pode ser decidido sem os ucranianos, aludindo à cimeira dos
líderes norte-americano e russo.
“O futuro da Ucrânia não pode ser
decidido sem os ucranianos, que lutam pela sua liberdade e segurança há três
anos. Os europeus também são necessariamente parte da solução, porque a sua
segurança depende disso”, afirmou na rede social X o Presidente
francês, que também manteve contactos os chefes de Governo da Alemanha,
Friedrich Merz, e do Reino Unido, Keir Starmer.
Na mesma linha, o primeiro-ministro
espanhol, Pedro Sánchez, reiterou o apoio de Espanha à Ucrânia perante a
reunião de Trump e Putin, defendendo “nada de Ucrânia sem a Ucrânia”.
Este sábado, Volodymyr
Zelensky desdobrou-se ainda em contactos com a Dinamarca (Mette
Fredriksen) e Estónia (Kristen
Michal), além do Presidente da
Finlândia (Alexander Stubb).
Em resposta, o representante especial de Vladimir Putin, Kirill
Dmitriev, veio acusar “certos países de esforços titânicos” para atrapalhar a
reunião de 15 de agosto, acusando-os de procurarem prolongar a guerra.
“Sem
dúvida, vários países interessados em continuar o conflito farão esforços
titânicos para atrapalhar a reunião planeada entre o presidente Putin e o
presidente Trump”, disse, citado na Reuters. Não
especificou a quais países se referia nem que tipo de “provocações” que
poderiam realizar.
GUERRA NA UCRÂNIA UCRÂNIA EUROPA MUNDO
COMENTÁRIOS
(de 3)
Lúcio Monteiro: O que pretendem Trump e Putin, no seu agendado
encontro, é o desmantelamento do território ucraniano, para entregar uma grande
parcela ao invasor Putin. Trump, com este seu vergonhoso papel de
intermediário, vai, na realidade, servir-se de lacaio do ditador e terrorista
Putin. Putin e Trump representam um gravíssimo retrocesso civilizacional, na
medida em que espezinham aquilo que ainda restava do direito internacional. Ao
fim e ao cabo, estamos perante dois refinados e execráveis pulhas.
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