domingo, 10 de agosto de 2025

EM ÁFRICA


Construíram-se, em tempos, países INDEPENDENTES, julgo que também graças a pruridos russos (mas não só), defensores das independências dos povos da negritude. Na Europa, anos depois, pruridos contrários pretendem riscar países do mapa das independências. Sem pesos nas consciências. Talvez a questão seja mesmo um caso de cores, pois se permite que os mais poderosos o façam e até se reúnam para discutir as novas dependências? Mas, sim, os europeus protestam contra isso, devagarinho embora, ocupados a digerir as invasões dos seus próprios espaços pelos povos desses países agora independentes… As poderosas contradições das almas boas…

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Líderes europeus rejeitam proposta de cedência de território ucraniano e defendem presença da Ucrânia na reunião entre Trump e Putin

MUNDO/ GUERRA NA UCRÂNIA

OBSERVADOR, 10/8/25

Líderes europeus defendem que o "futuro da Ucrânia não pode ser decidido sem os ucranianos", aludindo à reunião de dia 15, onde poderá ser discutida uma "troca de territórios" com a Rússia.

Vários líderes europeus, assim como o próprio Volodymyr Zelensky, têm-se mostrado contra a proposta da Rússia para um cessar-fogo que incluiria a cedência de território por parte da Ucrânia, respondendo à mesma com uma contraproposta, avança o Washington Post. Defendem ainda que a Ucrânia deve estar presente no encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin marcado para a próxima sexta-feira, 15 de agosto, no Alasca.

Segundo o jornal norte-americano, que cita autoridades europeias familiarizadas com as negociações, o plano europeu rejeita o acordo entre os EUA e a Rússia, que pode incluir a anexação da Crimeia e do Donbass — de que fazem parte as províncias de Donetsk e Lugansk. Donetsk ainda não está totalmente controlada pelos russos, mas a Ucrânia teria de retirar as tropas da província.

A proposta inclui assim exigências para que seja estabelecido um cessar-fogo antes de serem tomadas quaisquer outras medidas. Também afirma que o território só pode ser trocado de forma recíproca, o que significa que, se a Ucrânia se retirar de algumas regiões, a Rússia deve retirar-se de outras, e estipula que qualquer concessão territorial por parte de Kiev deve ser salvaguardada por garantias de segurança, incluindo a potencial adesão da Ucrânia à NATO.

Este sábado de manhã, Volodymyr Zelensky veio reagir às notícias do encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin, no Alasca, na próxima sexta-feira, e não poupou nas críticas à exclusão dos ucranianos de uma solução para o fim da guerra. Numa sequência de várias mensagens partilhadas na rede social X, Volodymyr Zelensky garantiu que uma ausência da Ucrânia no encontro é uma decisão “contra a paz” e rejeitou ainda qualquer cedência territorial a Moscovo.

A Ucrânia está pronta para decisões reais que possam trazer a paz. Quaisquer decisões que sejam contra nós, quaisquer decisões que sejam sem a Ucrânia, são ao mesmo tempo decisões contra a paz. Elas não vão conseguir nada. São decisões mortas à nascença. São decisões impraticáveis. E todos nós precisamos de uma paz real e genuína. Uma paz que as pessoas respeitem”, afirmou.

A resposta à questão territorial ucraniana já está na Constituição da Ucrânia. Ninguém se desviará disso — e ninguém será capaz de o fazer. Os ucranianos não darão a sua terra ao ocupante”, acrescentou ainda o líder ucraniano.

Os líderes europeus vieram depois expressar mais uma vez o apoio à Ucrânia. No X, O Presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu, após um telefonema com o homólogo da Ucrânia sobre “a situação diplomática” do país, que o conflito com a Rússia não pode ser decidido sem os ucranianos, aludindo à cimeira dos líderes norte-americano e russo.

“O futuro da Ucrânia não pode ser decidido sem os ucranianos, que lutam pela sua liberdade e segurança há três anos. Os europeus também são necessariamente parte da solução, porque a sua segurança depende disso”, afirmou na rede social X o Presidente francês, que também manteve contactos os chefes de Governo da Alemanha, Friedrich Merz, e do Reino Unido, Keir Starmer.

Na mesma linha, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, reiterou o apoio de Espanha à Ucrânia perante a reunião de Trump e Putin, defendendo “nada de Ucrânia sem a Ucrânia”.

Este sábado, Volodymyr Zelensky desdobrou-se ainda em contactos com a Dinamarca (Mette Fredriksen) e Estónia (Kristen Michal), além do Presidente da Finlândia (Alexander Stubb).

Em resposta, o representante especial de Vladimir Putin, Kirill Dmitriev, veio acusar “certos países de esforços titânicos” para atrapalhar a reunião de 15 de agosto, acusando-os de procurarem prolongar a guerra.

“Sem dúvida, vários países interessados em continuar o conflito farão esforços titânicos para atrapalhar a reunião planeada entre o presidente Putin e o presidente Trump”, disse, citado na Reuters. Não especificou a quais países se referia nem que tipo de “provocações” que poderiam realizar.

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COMENTÁRIOS (de 3)

Lúcio Monteiro: O que pretendem Trump e Putin, no seu agendado encontro, é o desmantelamento do território ucraniano, para entregar uma grande parcela ao invasor Putin. Trump, com este seu vergonhoso papel de intermediário, vai, na realidade, servir-se de lacaio do ditador e terrorista Putin. Putin e Trump representam um gravíssimo retrocesso civilizacional, na medida em que espezinham aquilo que ainda restava do direito internacional. Ao fim e ao cabo, estamos perante dois refinados e execráveis pulhas.

 

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