Extraio da INTERNET:
1 - “Os antigos romanos usavam a
palavra latina virtus (derivado de vir, a sua palavra para homem) para se referir a todas as
"excelentes qualidades dos homens, incluindo força física, conduta
valorosa e rectidão moral". As palavras francesas vertu e virtu vieram
desta raiz latina. A palavra virtude "foi emprestada para o inglês no século XIII. Em português a palavra "virtude" tem origem no latim” virtus”
»
2 - «Dans la mythologie romaine, Virtus est la déesse de la bravoure, de la force militaire et de la virilité. La divinité équivalente
grecque était Arété.»
VIRTUDE, tem a a ver, pois, com “virtus”, que é um derivado de “vir”, homem. E bem assim, os outros derivados-
VIRTUOSO, VIRTUOSISMO, VIRTUOSE, -
afinal, de idêntica raiz etimológica, e que são desempenhos propalados frequentemente
nos discursos de ANDRÉ VENTURA, .
Os excertos precedentes e mais o argumento anterior, que acrescentei,
vêm, pois, no intuito de apoio à argumentação filosófica de MIGUEL MORGADO, que
no seu extraordinário texto de seriedade e ironia bombástica define argutamente
os políticos ambiciosos e sobretudo esse Homem Ventura, que os nossos olhos não
param de encontrar na televisão, ardendo na sua febre de exaltação dos bons
costumes, a aplicar por si próprio, ao que parece, caso o povo o escolha para
governar, o qual o acarinhará, dadas as suas múltiplas demonstrações de afectos,
em relação com as suas próprias ambições, há muito manifestadas, mas sem os
resultados decisivos a que aspira, usado que é mais como apoio colateral, vá-se
lá saber porquê. Nem a exaltação por via dos fogos serviu para um novo arranque
de carreira.
Todavia, outros comentários são perfeitamente lúcidos, na avaliação das
nossas pobres gentes – como o comentário de MARIA TUBUCCI, que nos
define na nossa estreiteza, de ambições e invejas, único que acrescentarei ao
texto de MM, os seguintes ficando para o texto a seguir:
«BONS SENTIMENTOS»
Hoje, é André
Ventura quem aspira a ser o mestre desse fogo-de-artifício emocional. Foi isso
que ficou demonstrado no último vídeo divulgado nas redes sociais do Chega
sobre os fogos.
MIGUEL MORGADO,
Colunista do Observador
OBSERVADOR, 24 ago. 2025, 00:03138
O truque mais velho na política
democrática é simular um amor imorredoiro dos políticos pelo povo. Sucede que o
amor pode assumir muitas formas. O político
que quer vencer descobre que o caminho mais curto para o poder aponta para a
exibição do amor pelo povo governado enquanto compaixão. É um caminho mais curto porque não exige
competências, conhecimentos nem qualificações. Exige sobretudo um certo talento de encenação e uma
considerável falta de vergonha.
O amor que politicamente conta é o amor-compaixão. Isto quer
dizer que o político ama o povo porque é capaz de se compadecer dele,
sentindo verdadeiramente a dor que o povo sente. Escusado é dizer que o amor
que este político nutre pelo povo é, no jogo de aparências, tanto maior quanto
menor for comprovadamente o amor dos restantes políticos pelo povo sofredor.
Como é difícil mostrar o amor que se sente, é mais aliciante mostrar o
contraste entre, por um lado, o político bom que sofre com o sofrimento do seu
povo, e, por outro, o político mau que é “insensível” às dores populares. A alquimia do sucesso na política das
emoções está na exaltação da superior compaixão que uns sentem e na acusação
incessante de que os outros não a sentem.
Ora, como é que o político mostra que sente as dores populares mais
autenticamente do que os outros seus adversários que competem com ele pelo
favor – pelo amor – do povo? Tem de mostrar que está mais próximo do
povo do que os seus competidores. O
político “sensível” é aquele que está “próximo”; o “insensível” é o que está
“distante”. Pelo contrário, a
distância demonstra a insensibilidade, e, portanto, a indiferença perante o
povo, porque a partilha da dor só é possível em proximidade. Afinal de
contas, não nos compadecemos de puras abstracções. Precisamos de
estar próximos da experiência concreta de sofrimento. Uma experiência de
sofrimento que possamos pelo menos ver.
Este truque foi sempre praticado na
experiência relativamente longa da democracia ateniense nos tempos da
Antiguidade. Ficava normalmente a cargo dessa figura peculiar a que os gregos
chamavam o demagogo. Mas, desde a
Revolução Francesa, o jogo tornou-se mais permanente e intenso. A Revolução
democrática moderna alargou o palco da exibição da compaixão. Desde então, à
esquerda e à direita despontaram estes corações “sensíveis” e dolentes no peito
daqueles que queriam votos e aplausos. Em
particular, a esquerda política apostou na divisão de classes para levar mais
longe a identificação da “sensibilidade” com a “proximidade”. O rico,
representante de ricos, levava uma existência separada e, por conseguinte,
distante do pobre. Não podia, assim, conhecer as suas dores, partilhar o seu
sofrimento. A riqueza era essencialmente distância da realidade da
esmagadora maioria das outras pessoas. Logo, o rico não podia ser um bom governante. No limite, desprezaria
o bom povo, traduzindo o inultrapassável ódio de classe.
A democracia do nosso tempo diluiu o
esquema da esquerda. Contornou de
vários modos a refutabilidade política da origem social do candidato a eleito
do povo, abrindo o jogo das emoções exibidas a toda a gente sem grande
discriminação. De resto, foi sempre uma história familiar a renúncia
– havia quem chamasse “traição” – à sua origem social para beneficiar do favor
popular. O rico, e até o
nobre, que se desfaziam em juras de amor aos pobres, denunciando com horror os
seus pares pela sua vil “indiferença” e “insensibilidade” fizeram as crónicas
da Revolução em França e das suas imitações posteriores pelo continente até
recentemente.
Hoje, a hipermediatização
da política permitiu subir (ou descer, depende da perspectiva
que se tem sobre o tema) vários patamares nas técnicas que este exercício
envolve. Se o que conta é
apenas a pureza deste sentimento de amor-compaixão, o segredo está em saber
exibi-la. Se, como a pureza é invisível, e portanto
insusceptível de ser exibida aos olhos do povo, então resta comprovar a
sinceridade desse amor-compaixão. Uma vez mais, a sinceridade é difícil de comprovar
porque a possibilidade da hipocrisia, do fingimento e da pura mentira está
sempre à espreita. Diante dos
ecrãs de televisões e telemóveis é, pois, crucial exibir por gestos e
expressões faciais essa indesmentível sinceridade. Políticos a
chorar, ou perto disso, com rostos fechados ou indignados semelhantes aos dos
profetas de outrora, com gestos de identificação total do sofrimento que o povo
experimenta, tornaram-se frequentes e bem-sucedidos.
Em Portugal já tivemos uma longa
procissão de demagogos sentimentais que fizeram carreira fabricando o contraste
com o vilipendiado coração de pedra dos seus adversários. Enquanto
secretário-geral do PS e primeiro-ministro, António Guterres foi talvez o caso mais vexante da
democracia portuguesa, mas não foi o único. No PS teve vários
imitadores com maior ou menor sucesso. Os outros partidos, à direita e à
esquerda, acabaram por lhes seguir o rasto
com medo de ficar para trás, encerrados na jaula fria da distância e da
“insensibilidade”. O PSD não teve tantos demagogos sentimentais nas
suas fileiras como o PS e talvez por isso adquiriu uma certa reputação de nasty
party. Mas também conta com uns
quantos candidatos a essa duvidosa categoria, receosos de perder o comboio da
deseducação sentimental.
Contudo, hoje, é André Ventura quem aspira a ser o mestre desse fogo-de-artifício
emocional operando exibições meticulosamente encenadas para simular uma
superior proximidade às dores do povo português em contraste com a cruel
indiferença dos seus adversários, aqueles que habitam a redoma do privilégio
protegidos do sofrimento que não é o seu. Foi isso que ficou
demonstrado no último vídeo divulgado nas redes sociais do Chega. Ali se
confirma o abnegado heroísmo de Ventura, não pela
exibição de supostas superioridades pessoais, mas antes através da experiência
de comunhão no sofrimento com as gentes fustigadas pelos incêndios deste Verão,
traduzida em gestos evidentemente encenados e dolorosamente despudorados. É um daqueles casos em que temos de nos
preparar para a convivência sem conflitos do mais puro ridículo com a persuasão
política eficaz.
Paradoxalmente,
a descida cada vez mais funda ao jogo emocional em política cria o contrário do
que se pretendia inicialmente, e que era garantir a proximidade entre políticos
e governados. É mesmo o contrário que daqui resulta porque o prémio para a
hipocrisia tecnicamente elaborada e mediaticamente bem-sucedida passou a ser
enorme. Quanto mais insistirmos em políticos “autênticos”,
aqueles que são “cá dos nossos”, mais hipócritas os teremos. Quanto mais recompensarmos experiências
emocionais imediatas, menos disponíveis estaremos, como povo eleitor, para
premiar o político bem preparado, consciente da sua tarefa e eficaz na obtenção
de resultados práticos. Vivemos tempos
em que todos se torturam para ter, de preferência especados a mirar um
telemóvel, uma pequena experiência emocional de manhã e uma pequena experiência
emocional à noite. A política penetrou esse festival ininterrupto. Mas neste
domínio a fasquia é mais alta. A democracia depende da preservação
de um mínimo de racionalidade na estrutura do seu debate público. De razão
fria. Daquela que não faz acelerar o coração, mas brota da parte mais nobre da
nossa natureza.
Na era do império da imagem como é a
nossa, é fácil perceber como certas imagens têm forçado guinadas, por vezes
bruscas, nas escolhas políticas das democracias ocidentais. Imagens verdadeiras ou imagens encenadas – imagens que
nos “impressionam” – formam uma experiência emocional que nos leva automática e
irreflectidamente a exigir uma resposta política directa. Agora
que uma outra era emerge, a da multiplicação das imagens forjadas por
tecnologias novas, a credibilidade insubstituível da imagem vai lentamente
esboroando-se sem que tenhamos nada para a substituir. Será mais um contexto de
desorientação a juntar aos que já temos.
INCÊNDIOS ACIDENTE SOCIEDADE POLÍTICA
COMENTÁRIOS (de 138):
Maria Tubucci: Hoje sr. MM dou-lhe os meus sentimentos, viu mas não
observou. Viu o aproveitamento político do AV que estava a fazer o seu
trabalho, mas não observou a manipulação e falta de vergonha do PS, nem inoperância
e incompetência do PSD. Vamos a factos. No dia 13 de Agosto começou o fogo em
Arganil, estavam os bombeiros no terreno e disseram “que poderiam ter apagado o
incêndio, mas não tinham ordem, a ordem quando chegou já o incêndio estava
incontrolável”. Alguém no comando central, Lisboa, queria este incêndio a
bombar, foi um incêndio político, Operação Chamuscar o PM, usando a Festa do
Pontão, 14 de Agosto, contra o governo. Pois imediatamente nas TVs foi
distribuído o guião para se construir a narrativa, o PS tem uma máquina da
propagando capaz de fazer isto, pois 90% de jornalistas/comentadores são de
esquerda e todos falaram a uma só voz, usando o mesmo argumento, a
insensibilidade política, o governo não queria saber do sofrimento das pessoas
para nada, era isto que estava no guião. Depois com os écrans das TVs divididos
ao meio, mostravam a festa do PSD e o incêndio a carburar na máxima potência,
imagens poderosas que justificavam a insensibilidade política, onde a
conferência de imprensa da ministra foi a cereja no topo do bolo. Pela direcção
do vento alguém observou que este incêndio poderia causar mossa em
território do PSD, para passar a ser território do PS. Vejamos, o incêndio
de Arganil (PSD) começou no Piódão (PSD), Pampilhosa da Serra (PSD), Sabugal
(PSD), Fundão (PSD), parando em Figueira de Castelo Rodrigo (PSD). O que fez
o PSD? Jogou à defesa, nunca atacando o PS, que é o principal responsável pela
situação calamitosa da “protecção” civil que criou, tão incendiário é quem
acende o lume como quem deixa arder. A protecção civil não apaga
incêndios, deixa arder tudo, a esta entidade socialista só interessa haver
vítimas, logo há que criar vítimas deixando arder tudo. Para
seguidamente o ICNF, outra instituição socialista, fazer nacionalizações
encapotadas da propriedade privada, com as suas expropriações administrativas,
querem construir faixas primárias de combustíveis só ao pé das estradas, nos
pinhais que estão limpos, como os meus. O que o fogo não destruir as
instituições socialistas destroem, para transformar Portugal num deserto,
escorraçando as populações rurais ao diminuírem o seu rendimento,
empobrecendo-as sob a capa do humanismo e da “proteção civil”. O socialismo às
claras ou às escondidas está a matar Portugal. E mais, antigamente não
se podia fazer aproveitamento político dos incêndios. Por exemplo, o incêndio
de Monchique, dito por RRio, intimidado pelo PS, em que “o apuramento das
responsabilidades seria feito à posteriori”, ainda estou à espera deste
apuramento. O PSD vai continua a dormir? Ou vai à luta?
Hugo Silva: Uns são apanhados a jogar voleibol, em Fátima a saudar
a esposa, na praia a apanhar sol, a beber um gin na festa dos
"betos", em funerais a fingir sofrimento..... Outros, na praia a
salvar banhistas indefesos, nos bairros abraçado a bandidos, numa tenda a comer
ao lado dos sem abrigo....
Mas o problema é o Ventura, mais uma vez o Ventura.
(CONTINUA)
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