terça-feira, 26 de agosto de 2025

Nos caminhos da Semântica

 


Extraio da INTERNET:

1 - “Os antigos romanos usavam a palavra latina virtus (derivado de vir, a sua palavra para homem) para se referir a todas as "excelentes qualidades dos homens, incluindo força física, conduta valorosa e rectidão moral". As palavras francesas vertu e virtu vieram desta raiz latina. A palavra virtude "foi emprestada para o inglês no século XIII. Em português a palavra "virtude" tem origem no latim” virtus” »

2 - «Dans la mythologie romaine, Virtus est la déesse de la bravoure, de la force militaire et de la virilité. La divinité équivalente grecque était Arété

 

VIRTUDE, tem a a ver, pois, com “virtus”, que é um derivado de “vir”, homem. E bem assim, os outros derivados- VIRTUOSO, VIRTUOSISMO, VIRTUOSE,  - afinal, de idêntica raiz etimológica, e que são desempenhos propalados frequentemente nos discursos de ANDRÉ VENTURA, .

 

Os excertos precedentes e mais o argumento anterior, que acrescentei, vêm, pois, no intuito de apoio à argumentação filosófica de MIGUEL MORGADO, que no seu extraordinário texto de seriedade e ironia bombástica define argutamente os políticos ambiciosos e sobretudo esse Homem Ventura, que os nossos olhos não param de encontrar na televisão, ardendo na sua febre de exaltação dos bons costumes, a aplicar por si próprio, ao que parece, caso o povo o escolha para governar, o qual o acarinhará, dadas as suas múltiplas demonstrações de afectos, em relação com as suas próprias ambições, há muito manifestadas, mas sem os resultados decisivos a que aspira, usado que é mais como apoio colateral, vá-se lá saber porquê. Nem a exaltação por via dos fogos serviu para um novo arranque de carreira.

Todavia, outros comentários são perfeitamente lúcidos, na avaliação das nossas pobres gentes – como o comentário de MARIA TUBUCCI, que nos define na nossa estreiteza, de ambições e invejas, único que acrescentarei ao texto de MM, os seguintes ficando para o texto a seguir:

«BONS SENTIMENTOS»

Hoje, é André Ventura quem aspira a ser o mestre desse fogo-de-artifício emocional. Foi isso que ficou demonstrado no último vídeo divulgado nas redes sociais do Chega sobre os fogos.

MIGUEL MORGADO, Colunista do Observador

OBSERVADOR, 24 ago. 2025, 00:03138

O truque mais velho na política democrática é simular um amor imorredoiro dos políticos pelo povo. Sucede que o amor pode assumir muitas formas. O político que quer vencer descobre que o caminho mais curto para o poder aponta para a exibição do amor pelo povo governado enquanto compaixão. É um caminho mais curto porque não exige competências, conhecimentos nem qualificações. Exige sobretudo um certo talento de encenação e uma considerável falta de vergonha.

O amor que politicamente conta é o amor-compaixão. Isto quer dizer que o político ama o povo porque é capaz de se compadecer dele, sentindo verdadeiramente a dor que o povo sente. Escusado é dizer que o amor que este político nutre pelo povo é, no jogo de aparências, tanto maior quanto menor for comprovadamente o amor dos restantes políticos pelo povo sofredor. Como é difícil mostrar o amor que se sente, é mais aliciante mostrar o contraste entre, por um lado, o político bom que sofre com o sofrimento do seu povo, e, por outro, o político mau que é “insensível” às dores populares. A alquimia do sucesso na política das emoções está na exaltação da superior compaixão que uns sentem e na acusação incessante de que os outros não a sentem.

Ora, como é que o político mostra que sente as dores populares mais autenticamente do que os outros seus adversários que competem com ele pelo favor – pelo amor – do povo? Tem de mostrar que está mais próximo do povo do que os seus competidores. O político “sensível” é aquele que está “próximo”; o “insensível” é o que está “distante”. Pelo contrário, a distância demonstra a insensibilidade, e, portanto, a indiferença perante o povo, porque a partilha da dor só é possível em proximidade. Afinal de contas, não nos compadecemos de puras abstracções. Precisamos de estar próximos da experiência concreta de sofrimento. Uma experiência de sofrimento que possamos pelo menos ver.

Este truque foi sempre praticado na experiência relativamente longa da democracia ateniense nos tempos da Antiguidade. Ficava normalmente a cargo dessa figura peculiar a que os gregos chamavam o demagogo. Mas, desde a Revolução Francesa, o jogo tornou-se mais permanente e intenso. A Revolução democrática moderna alargou o palco da exibição da compaixão. Desde então, à esquerda e à direita despontaram estes corações “sensíveis” e dolentes no peito daqueles que queriam votos e aplausos. Em particular, a esquerda política apostou na divisão de classes para levar mais longe a identificação da “sensibilidade” com a “proximidade”. O rico, representante de ricos, levava uma existência separada e, por conseguinte, distante do pobre. Não podia, assim, conhecer as suas dores, partilhar o seu sofrimento. A riqueza era essencialmente distância da realidade da esmagadora maioria das outras pessoas. Logo, o rico não podia ser um bom governante. No limite, desprezaria o bom povo, traduzindo o inultrapassável ódio de classe.

A democracia do nosso tempo diluiu o esquema da esquerda. Contornou de vários modos a refutabilidade política da origem social do candidato a eleito do povo, abrindo o jogo das emoções exibidas a toda a gente sem grande discriminação. De resto, foi sempre uma história familiar a renúncia – havia quem chamasse “traição” – à sua origem social para beneficiar do favor popular. O rico, e até o nobre, que se desfaziam em juras de amor aos pobres, denunciando com horror os seus pares pela sua vil “indiferença” e “insensibilidade” fizeram as crónicas da Revolução em França e das suas imitações posteriores pelo continente até recentemente.

Hoje, a hipermediatização da política permitiu subir (ou descer, depende da perspectiva que se tem sobre o tema) vários patamares nas técnicas que este exercício envolve. Se o que conta é apenas a pureza deste sentimento de amor-compaixão, o segredo está em saber exibi-la. Se, como a pureza é invisível, e portanto insusceptível de ser exibida aos olhos do povo, então resta comprovar a sinceridade desse amor-compaixão. Uma vez mais, a sinceridade é difícil de comprovar porque a possibilidade da hipocrisia, do fingimento e da pura mentira está sempre à espreita. Diante dos ecrãs de televisões e telemóveis é, pois, crucial exibir por gestos e expressões faciais essa indesmentível sinceridade. Políticos a chorar, ou perto disso, com rostos fechados ou indignados semelhantes aos dos profetas de outrora, com gestos de identificação total do sofrimento que o povo experimenta, tornaram-se frequentes e bem-sucedidos.

Em Portugal já tivemos uma longa procissão de demagogos sentimentais que fizeram carreira fabricando o contraste com o vilipendiado coração de pedra dos seus adversários. Enquanto secretário-geral do PS e primeiro-ministro, António Guterres foi talvez o caso mais vexante da democracia portuguesa, mas não foi o único. No PS teve vários imitadores com maior ou menor sucesso. Os outros partidos, à direita e à esquerda, acabaram por lhes seguir o rasto com medo de ficar para trás, encerrados na jaula fria da distância e da “insensibilidade”. O PSD não teve tantos demagogos sentimentais nas suas fileiras como o PS e talvez por isso adquiriu uma certa reputação de nasty party. Mas também conta com uns quantos candidatos a essa duvidosa categoria, receosos de perder o comboio da deseducação sentimental.

Contudo, hoje, é André Ventura quem aspira a ser o mestre desse fogo-de-artifício emocional operando exibições meticulosamente encenadas para simular uma superior proximidade às dores do povo português em contraste com a cruel indiferença dos seus adversários, aqueles que habitam a redoma do privilégio protegidos do sofrimento que não é o seu. Foi isso que ficou demonstrado no último vídeo divulgado nas redes sociais do Chega. Ali se confirma o abnegado heroísmo de Ventura, não pela exibição de supostas superioridades pessoais, mas antes através da experiência de comunhão no sofrimento com as gentes fustigadas pelos incêndios deste Verão, traduzida em gestos evidentemente encenados e dolorosamente despudorados. É um daqueles casos em que temos de nos preparar para a convivência sem conflitos do mais puro ridículo com a persuasão política eficaz.

Paradoxalmente, a descida cada vez mais funda ao jogo emocional em política cria o contrário do que se pretendia inicialmente, e que era garantir a proximidade entre políticos e governados. É mesmo o contrário que daqui resulta porque o prémio para a hipocrisia tecnicamente elaborada e mediaticamente bem-sucedida passou a ser enorme. Quanto mais insistirmos em políticos “autênticos”, aqueles que são “cá dos nossos”, mais hipócritas os teremos. Quanto mais recompensarmos experiências emocionais imediatas, menos disponíveis estaremos, como povo eleitor, para premiar o político bem preparado, consciente da sua tarefa e eficaz na obtenção de resultados práticos. Vivemos tempos em que todos se torturam para ter, de preferência especados a mirar um telemóvel, uma pequena experiência emocional de manhã e uma pequena experiência emocional à noite. A política penetrou esse festival ininterrupto. Mas neste domínio a fasquia é mais alta. A democracia depende da preservação de um mínimo de racionalidade na estrutura do seu debate público. De razão fria. Daquela que não faz acelerar o coração, mas brota da parte mais nobre da nossa natureza.

Na era do império da imagem como é a nossa, é fácil perceber como certas imagens têm forçado guinadas, por vezes bruscas, nas escolhas políticas das democracias ocidentais. Imagens verdadeiras ou imagens encenadas – imagens que nos “impressionam” – formam uma experiência emocional que nos leva automática e irreflectidamente a exigir uma resposta política directa. Agora que uma outra era emerge, a da multiplicação das imagens forjadas por tecnologias novas, a credibilidade insubstituível da imagem vai lentamente esboroando-se sem que tenhamos nada para a substituir. Será mais um contexto de desorientação a juntar aos que já temos.

INCÊNDIOS       ACIDENTE       SOCIEDADE       POLÍTICA

COMENTÁRIOS (de 138):

Maria Tubucci: Hoje sr. MM dou-lhe os meus sentimentos, viu mas não observou. Viu o aproveitamento político do AV que estava a fazer o seu trabalho, mas não observou a manipulação e falta de vergonha do PS, nem inoperância e incompetência do PSD. Vamos a factos. No dia 13 de Agosto começou o fogo em Arganil, estavam os bombeiros no terreno e disseram “que poderiam ter apagado o incêndio, mas não tinham ordem, a ordem quando chegou já o incêndio estava incontrolável”. Alguém no comando central, Lisboa, queria este incêndio a bombar, foi um incêndio político, Operação Chamuscar o PM, usando a Festa do Pontão, 14 de Agosto, contra o governo. Pois imediatamente nas TVs foi distribuído o guião para se construir a narrativa, o PS tem uma máquina da propagando capaz de fazer isto, pois 90% de jornalistas/comentadores são de esquerda e todos falaram a uma só voz, usando o mesmo argumento, a insensibilidade política, o governo não queria saber do sofrimento das pessoas para nada, era isto que estava no guião. Depois com os écrans das TVs divididos ao meio, mostravam a festa do PSD e o incêndio a carburar na máxima potência, imagens poderosas que justificavam a insensibilidade política, onde a conferência de imprensa da ministra foi a cereja no topo do bolo. Pela direcção do vento alguém observou que este incêndio poderia causar mossa em território do PSD, para passar a ser território do PS. Vejamos, o incêndio de Arganil (PSD) começou no Piódão (PSD), Pampilhosa da Serra (PSD), Sabugal (PSD), Fundão (PSD), parando em Figueira de Castelo Rodrigo (PSD). O que fez o PSD? Jogou à defesa, nunca atacando o PS, que é o principal responsável pela situação calamitosa da “protecção” civil que criou, tão incendiário é quem acende o lume como quem deixa arder. A protecção civil não apaga incêndios, deixa arder tudo, a esta entidade socialista só interessa haver vítimas, logo há que criar vítimas deixando arder tudo. Para seguidamente o ICNF, outra instituição socialista, fazer nacionalizações encapotadas da propriedade privada, com as suas expropriações administrativas, querem construir faixas primárias de combustíveis só ao pé das estradas, nos pinhais que estão limpos, como os meus. O que o fogo não destruir as instituições socialistas destroem, para transformar Portugal num deserto, escorraçando as populações rurais ao diminuírem o seu rendimento, empobrecendo-as sob a capa do humanismo e da “proteção civil”. O socialismo às claras ou às escondidas está a matar Portugal. E mais, antigamente não se podia fazer aproveitamento político dos incêndios. Por exemplo, o incêndio de Monchique, dito por RRio, intimidado pelo PS, em que “o apuramento das responsabilidades seria feito à posteriori”, ainda estou à espera deste apuramento. O PSD vai continua a dormir? Ou vai à luta?

Hugo Silva: Uns são apanhados a jogar voleibol, em Fátima a saudar a esposa, na praia a apanhar sol, a beber um gin na festa dos "betos", em funerais a fingir sofrimento..... Outros, na praia a salvar banhistas indefesos, nos bairros abraçado a bandidos, numa tenda a comer ao lado dos sem abrigo.... 

Mas o problema é o Ventura, mais uma vez o Ventura.

(CONTINUA)

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