Desconstruída realisticamente, através do
relato das agruras mofinas ou rocambolescas de uma vivência menos apurada nos
artifícios dramáticos enternecedores, mas quem sabe se mais penosa ainda. Mas
saímos enriquecidos, com o relato desmistificador das atribulações vividas e
trazidas ao nosso prazer pelo aprofundamento histórico – quando não divertido,
sabendo do choque que provocava – do Dr. Salles, simultaneamente sério e
travesso.
NA OCIDENTAL
PRAIA LUSITANA - 6
HENRIQUE SALLES DA FONSECA
A BEM DA NAÇÃO, 03.08.25
HISTÓRIAS CARISMÁTICAS
Reinava D. João III quando, lá para
as bandas da Córsega, o então jovem adulto D.
Manuel de Sousa Coutinho foi
pirateado e levado para Argel na precária condição de «alimento» do negócio do
resgate de cristãos cativos em terras de Mafamede. No cativeiro, teve a companhia de um tal Miguel de Cervantes y Saavedra… um, escreveu em reconhecidas maiúsculas; o outro, tem
quem o recorde; um descreveu
o mundo fantasioso e inútil em que vivia a elite espanhola por contraste com o
rude pragmatismo popular; o outro, não.
Depois de resgatado, D. Manuel
ficou-se pelas Espanhas… até que regressou à sua Lisboa natal. Casou com D.
Madalena de Vilhena, tida por viúva de D. João de Portugal, desaparecido em
Alcácer Quibir. O novo casal teve uma filha que não vingou.
Grassando
a peste em Lisboa, refugiaram-se em Almada instalando-se confortavelmente.
Educado e activo, D. Manuel desempenhou diversos cargos de nomeação régia, mas,
sobretudo, foi escolhido por três vezes pelos seus pares mesários para Provedor
da Santa Casa da Misericórdia de Almada.
Mas
a História nem sempre parece ser como no-la contam e …
* * *
…
neto de D. Manuel I de Portugal, a Filipe II de Espanha meteu-se-lhe na cabeça
que havia de reinar em toda a Península pelo que o jovem Rei D. Sebastião era um empecilho que tinha de ser arredado. Começou por
fazer com que a mãe do jovem Rei regressasse à sua Espanha natal deixando o
Monarca infantil de Portugal entregue à educação ministrada por tutores
escolhidos por si, Filipe II, a
fim de imbecilizarem a imatura real cabeça lusa com sonhos de cruzada e glória
cristã contra o famigerado Islão.
E também havia que evitar que o rapaz
se virilizasse pondo mais algum herdeiro a caminho. A expedição contra a moirama tinha de ser
gloriosa. A força portuguesa de combate incluía a fina-flor da heráldica
militar do Reino. Avisadas,
preparadas e quiçá apoiadas pelos espanhóis, às forças sarracenas foi fácil
atrair as nossas tropas para um atoleiro onde ficaram à mercê da adaga inimiga…
quem sobreviveu rumou ao cativeiro. Só
o poder do Rei de Espanha conseguiria fazer as delícias dos mouros pagando-lhes
um real resgaste por D. Sebastião. E, se assim foi, assim terá começado o
cativeiro espanhol do Rei português. Este, sim, o cativo que interessava a
Filipe II; todos os demais que servissem o negócio da moirama. O Cardeal Rei, D. Henrique exauriu as
finanças da Coroa de Portugal no resgate de captivos em Marrocos. Mesmo
assim houve quem penasse mais de uma vintena de anos. Terá sido o caso
de D. João de Portugal que, depois de desaparecer e ter sido dado como morto,
surgiu em Almada sem outro propósito que não fosse o de infernizar
a vida do inocente casal. Deixou também no ar a possibilidade de tão longos
cativeiros não serem de martírio, mas sim de luxo.
O
próprio «Infante Santo» poderá ter-se «convertido ao Islão» passando a
constituir peça triunfal dos Marroquinos. Sim? Não?
Talvez!
E não bastara esta «ressurreição» de D.
João e logo de Lisboa lhes surgiu um oficial da justiça requisitando a mansão
para uso de importantões que fugiam da peste que matava na cidade-capital.
Furioso, D. Manuel deitou fogo à casa e pôs-se a milhas. Os importantões que se
aquecessem ao borralho! E os tempos passaram… Foram ao Panamá e ao Peru e
voltaram a Lisboa para abraçarem a vida religiosa. D. Madalena ingressou no Convento do Sacramento, à Pampulha, assim
passando ao esquecimento do mundo; ele rumou a Benfica para se fazer dominicano
passando a denominar-se Frei Luiz de Sousa.
* * *
E assim fica escrito o que João
Baptista. Visconde de Almeida Garrett, não escreveu.
Julho/Agosto de 2025
Henrique Salles da Fonseca
BIBLIOGRAFIA: Wikipédia
COMENTÁRIOS:
Henrique Salles da Fonseca 04.08.2025 18:12: Que factos! Que vississitudes!!! Elli os
Henrique Salles da Fonseca 04.08.2025 18:14: Descrição viva e entusiasmante dos factos históricos E
foi já como Frei Luís de Sousa que escreveu a biografia do nosso santo Frei.
Henrique Salles da Fonseca 04.08.2025 18:16: Bartolomeu dos Mártires, activo participante do
concilio de Trento onde bradou em alta voz " que os reverendíssimos cardeais
precisavam de uma reverendíssima reforma' MARIA JOÃO BOTELHO
Anónimo
06.08.2025 12:33: A Batalha de Alcácer-Quibir
também grafada Alcácer-Quivir, foi a antevisão do que iria ocorrer no século XX
na Índia e em África. Não há povos estúpidos que admitam ser colonizados. Mas
Salazar que era um labrego da província não tinha entendido. ANTONIO TÁVORA
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