Com uns pozinhos de orgulho pátrio
disfarçado em sorriso crítico, do Dr. Salles. Da INTERNET extraímos o resto, incompletamente,
mas com muito prazer…
NAS AREIAS DO
GOLFO DE CÁDIS - 1
HENRIQUE SALLES DA FONSECA
A BEM DA NAÇÃO, 09.08.25
O Golfo de Cádis começa na Ponta de
Sagres, vai até Gibraltar, «salta» para Ceuta e vai até ao Cabo Bojador. E como
a Nau Catrineta, também este tem muito que contar…
***
Corria
o ano de 1637 quando Filipe III
de Portugal (IV de
Espanha) nomeou *D. Francisco de Almeida como Governador de Ceuta. Chegada
a Revolução de 1640, este nomeado
não reconheceu D. João IV como novo Rei de Portugal e manteve a lealdade a quem
o nomeara.
Ou
não estava à altura da História ou era apenas mais um traidor. … e morreu,
claro! Mas Ceuta
continua ainda hoje em mãos Espanholas, apesar de continuar a ostentar os
símbolos da heráldica Portuguesa. Peso
na consciência ou nostalgia do passado?
* * *
*Não confundir com esse Português de
corpo inteiro e alma maiúscula, D. FRANCISCO DE ALMEIDA que foi o
primeiro Vice-Rei da India (1504-1509).
SUGESTÃO: Conduzamos Ceuta para o estatuto de Cidade Internacional da Paz sob a
égide solidária de Portugal, Marrocos e Espanha.
Agosto de 2025 HSF
NOTAS DA INTERNET:
O POEMA;
(in MENSAGEM)
Ó mar salgado, quanto do teu
sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Pessoa, F. Mensagem. Poema X Mar Português. Edições
Ática: Lisboa. 1959
E outras notas (Sobre o Cabo
Bojador)
Localizado na costa
ocidental africana, no Saara Ocidental, o Cabo Bojador (26° 07' 37"N; ° 29' 57"O)
representou durante largos anos um obstáculo, físico e conceptual, ao progresso
das navegações portuguesas no Atlântico. O feito da sua
passagem, protagonizado por Gil Eanes, foi um passo decisivo na ultrapassagem
das barreiras mentais herdadas da Antiguidade e um marco no movimento de
expansão ultramarina. Desde os geógrafos da Antiguidade, como Ptolomeu no
século II d.C., até aos autores medievais, como Sacrobosco
no século XII d.C., o pensamento geográfico e
cosmográfico foi marcado por interdições espaciais, quer ao nível da geografia
física, quer ao nível das mentalidades. O mundo habitável era entendido como
uma simples parcela de uma realidade maior, impossível de ser explorada e
conhecida, marcada por oceanos intransponíveis e terras inabitáveis. Os limites
do mundo habitado constituíam verdadeiras barreiras conceptuais, estreitamente
ligadas ao sagrado, que assombravam o imaginário dos europeus. O imaginário
geográfico moldava e influenciava, assim, de forma indelével a construção de um
entendimento do Mundo. Este entendimento era por sua vez caracterizado
por uma visão compartimentada e hierárquica que opunha um mundo conhecido e
ordenado, ao caos do desconhecido onde os elementos naturais se extremavam.
Perante esta dicotomia, o mar surgia como uma fronteira.
Pela sua posição costeira, na passagem para o mundo
desconhecido da África Subsaariana, caracterizada como sendo uma zona tórrida e
inabitável, o Cabo
Bojador
constituiu tradicionalmente uma destas barreiras sacras que povoavam o
imaginário geográfico da Idade Média tardia. A navegação para
lá desta latitude era considerada perigosa, senão mesmo impossível. Para tal
contribuíram, em grande medida, os ventos e correntes que, em conjunto com os
baixios e falésias, tornavam arriscada a tradicional navegação costeira.
Perante estas dificuldades,
a passagem do Cabo em 1434, representou o corolário de
um processo moroso, impulsionado pelo patronato do Infante D. Henrique. São,
de facto, mencionadas diversas tentativas fracassadas de ultrapassar este
obstáculo, de encontrar uma passagem segura através de uma região interdita, ao
longo de mais de uma década, antes da bem-sucedida expedição de Gil Eanes. O feito, atingido
através de uma navegação afastada da costa que permitiu evitar os maiores
perigos do local, representou um verdadeiro salto conceptual uma vez que não só
eram levantadas as interdições mentais associadas do Cabo Bojador, como se
provava igualmente que o mar a sul desta região era navegável e não um mundo de
caos que, povoado por monstros, fervia.
A passagem do Cabo
Bojador veio, então, a constituir um passo fundamental no longo e progressivo
processo de remissão dos medos tradicionais associados ao imaginário herdado da
Antiguidade perante o conhecimento adquirido através das navegações de
exploração ultramarina. Tornou-se, desta forma, um marco num
processo de evolução, no tempo longo, das representações mentais do
desconhecido e da geografia terrestre. A dobragem do Cabo permitiu
igualmente a continuação das navegações portuguesas na costa ocidental
africana, que viriam a ganhar cada vez maior dimensão ao longo das décadas
subsequentes.
Bibliografia:
COSTA, João Paulo, Henrique, o Infante, Lisboa, Esfera
dos Livros, 2009. RANDLES, W. G. L., "La signification cosmographique du
passage du cap Bojador" in Studia, nº 8, 1961, pp. 221-256.
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