Da sabedoria popular, resultante da experiência vivida: “No poupar é que vai o ganho”.
Segundo a definição da Internet, “O programa Erasmus, acrónimo do nome oficial em língua inglesa, European
Region Action Scheme for the Mobility of University Students, é um plano de gestão de diversas
administrações públicas, que apoia e facilita a mobilidade académica dos
estudantes e professores universitários através do mundo inteiro.”
Ficamos, pois, gratos a quem promoveu desta forma a experiência
cultural dos nossos estudantes, limitados, nos países de escassez de recursos, ao
seu espaço cultural, não fossem as vantagens concedidas por esse tal Programa,
provindo de superiores desígnios de povos mais avançados económica e
culturalmente.
A notícia que segue informa, todavia, sobre a substituição desse
programa naturalmente custoso, por um ensino de menor mobilidade física e por
consequência económica, atido que está ao ensino proporcionado por esse
programa “BIP” de menor mobilidade pessoal.
Talvez, todavia, esse facto pudesse proporcionar uma maior relevância de
atenção dos seus naturais em torno do desenvolvimento do nosso país cuja
marginalização crescente em termos de reconhecimento dos seus valores, resulta
também dessas fugas para o estrangeiro, julgo.
Estamos a matar o Erasmus para poupar dinheiro?
O crescimento acelerado dos BIPs está
a canibalizar a mobilidade tradicional do Erasmus. Estamos a trocar
experiências transformadoras por mobilidades "low cost".
OBSERVADOR, 22 jul. 2025, 00:13
Recentemente, as universidades
portuguesas foram informadas sobre o financiamento Erasmus que lhes será
atribuído para o ano letivo 2025/2026. As
notícias não são boas. O financiamento atribuído às Instituições de
Ensino Superior para este tipo de mobilidade, é inferior ao número de
candidatos.
O
Programa Erasmus é um dos maiores símbolos da integração europeia. Desde 1987, mais de 13 milhões de
estudantes viveram experiências únicas noutros países, estudando, convivendo e
crescendo em ambientes culturais diversos. Esta mobilidade de média e longa
duração é transformadora e deixa marcas profundas.
Contudo, nos últimos anos, a Comissão
Europeia tem vindo a promover os Blended Intensive Programmes
(BIPs), uma
modalidade que mistura ensino virtual com uma curta mobilidade física, normalmente de apenas uma semana.
Embora promovidos como mais inclusivos
e sustentáveis, os BIPs
estão a substituir — e não a complementar — a mobilidade tradicional.
Em 2023, foram realizados mais de
3.000 BIPs, com cerca de 60.000 estudantes. Por comparação, em 2022, o Erasmus tradicional envolveu 615.000
estudantes. O custo dos BIPs é bastante inferior, o que os torna
financeiramente apelativos. Esta
diferença está a levar muitas instituições a desviar fundos da mobilidade
clássica para estas novas modalidades, que permitem “fazer mais com menos” e
cumprir objectivos numéricos com menos investimento.
Na
prática, os BIPs tornaram-se uma forma conveniente da Comissão Europeia
inflacionar os números de mobilidade. Custam
menos, são mais fáceis de organizar e projectam uma imagem de sucesso político.
Mas esta engenharia estatística tem um custo real:
estamos a trocar qualidade por quantidade. Os
estudantes têm menos tempo para se adaptar, aprender a viver noutra cultura ou
criar redes duradouras. O impacto formativo e humano é incomparavelmente
inferior.
Sem debate público, a internacionalização
está a tornar-se uma experiência light. A
essência do Erasmus — tempo, imersão e transformação pessoal — está a ser
substituída por mobilidades rápidas e superficiais. O Erasmus não pode ser reduzido a uma experiência
virtual com uma semana de viagem. O que torna este programa
especial é a profundidade da experiência:
viver noutro país, integrar-se numa nova cultura, adaptar-se a novos métodos de
ensino, sair da zona de conforto. Isto não se faz em cinco dias.
A Comissão Europeia deve reavaliar
urgentemente o equilíbrio entre os BIPs e a mobilidade clássica. Os BIPs devem continuar a existir — mas como
complemento estratégico e bem estruturado. Se continuarmos a apostar numa mobilidade light, corremos o risco
de destruir uma das mais bem-sucedidas políticas europeias de sempre.
A Europa que inspira não se constrói com
pressa, nem com atalhos. Constrói-se com experiências que mudam vidas — e
nisso, o Erasmus tradicional continua a ser insubstituível.
ERASMUS ENSINO
SUPERIOR EDUCAÇÃO
Da INTERNET:
Experiência Erasmus"
Fenómeno cultural
Para muitos estudantes Europeus,
o programa Erasmus é a primeira vez que vivem e estudam noutro país. Por isso,
tornou-se um fenómeno cultural e é muito popular entre os estudantes europeus,
passando a ser objecto cinematográfico como o filme francês L'Auberge espagnole, e o documentário Erasmus 24 7. O
programa promove a aprendizagem e compreensão do país anfitrião. A experiência
Erasmus é considerada tanto um tempo para aprender como uma oportunidade para
socializar.
Os tutores costumam fazer com que
os estudantes de Política ou Relações Internacionais participem no
programa. É visto como uma grande oportunidade para estudar no estrangeiro
sem ter o custo de viver fora da União Europeia, uma vez que as bolsas
disponíveis para estudantes Erasmus não estão disponíveis para aqueles que
optam por deixar o continente para estudar.
Alguns académicos especularam que os antigos alunos Erasmus provarão ser
uma força poderosa na criação de uma identidade
pan-europeia. O
cientista político Stefan Wolff, por exemplo, argumentou que "Dê 15, 20 ou
25 anos, e a Europa será dirigida por líderes com uma socialização completamente
diferente da de hoje", referindo-se à chamada "geração Erasmus
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