Que o provérbio “Cada macaco no seu galho”, designativo de independência crítica que esta época democrática, para mais, diligentemente reivindica, (em contradição com a ideologia do seu postulado que aparentemente informa que ”o povo é quem mais ordena”), foi escandalosamente abalroado pelos oportunistas das objecções autoritárias, quais sejam as do Tribunal Constitucional, a coberto das do PR, na tal questão migratória, exigente de regras de comedimento por este governo, que foram, contudo, benemeritamente seguidas pelo governo anterior, com o apoio do PR, de resto, a isso forçados, não só para efeitos de demonstração da tal exemplaridade descolonizadora, como para adopção do trabalho prestado pelos imigrantes, facilitador da mândria nacional, além de uma demonstração de altruísmo prestigiante na aceitação do “outro”. Daí que as medidas restritivas da imigração impostas pelo novo governo merecessem o desacordo do PR e do TC - de que trata o texto de Miguel Morgado.
A jurisprudência da ignomínia
A maioria de juízes conselheiros
esticou-se e retorceu-se, deu piruetas e saltos mortais, para garantir um
resultado político. O objectivo era claro: embaraçar e humilhar o Governo.
MIGUEL MORGADO Colunista do Observador
OBSERVADOR, 10 ago. 2025, 01:00194
Foi com honras de conferência
de imprensa, aparentemente reservada para momentos de significado político
particular de que só algumas votações se podem revestir, que o colégio de juízes conselheiros do
Tribunal Constitucional anunciou ao País o seu essencial acordo com as queixas
do Presidente da República no que toca às mudanças na chamada “lei dos
estrangeiros”. Com um presidente do TC menos exuberante e mais
contido do que no passado, a encenação repetiu, no entanto, um alinhamento que
o País já conheceu. Uns dias antes, num gesto que o define, o PR
proclamara que a actual maioria seria “julgada” por isto. Ele esqueceu-se de que o julgamento
político, quando nasce, nasce para todos – para ele inclusivamente. Desse
julgamento, ainda que já não eleitoral, ele também não se livra.
Previsivelmente, o TC, em aliança
mais ou menos tácita com o PR, resolveu abrir uma guerra contra o Governo e
iniciar a resistência ao fascismo a partir das trincheiras abertas no Palácio
Ratton. O assunto
em mãos parecia proporcionar o guião com que as esquerdas em frangalhos, na sua
imaginação essencialmente maniqueísta, gostam de sonhar: a
humanidade contra a crueldade; a boa consciência da esquerda contra a opressão
das direitas.
Com maiorias variáveis nas diferentes
votações, o TC mostrou no acórdão que, no essencial, ainda que
não inteiramente, concordou com as acusações do PR. Não digo “dúvidas”, nem “suspeitas”. Digo
acusações de desconformidade com a Constituição porque Marcelo, co-patrocinador
político do estado a que as coisas chegaram em Portugal em matéria de
migrações, pretende derrotar politicamente o Governo neste assunto. Anulado
o poder de ameaçar o governo com dissoluções da AR, Marcelo arrastar-se-á até
ao final do seu mandato para conservar estas relíquias do governo de Costa, sem
glória pessoal, nem proveito nacional. Erro dele que julga que ainda está em
2016.
Mas, por enquanto, é sobre o acórdão que
é preciso falar. No
exercício das suas funções públicas, em que exerce um inequívoco poder
político, um juiz
constitucional não é chamado a pronunciar-se sobre a bondade ou a eficácia das políticas públicas,
cuja responsabilidade de preparação, execução e avaliação pragmáticas pertencem
aos outros órgãos de soberania. Os juízes terão todos, sem excepção,
as suas inevitáveis preferências políticas e ideológicas – e nalguns casos
inflexivelmente partidárias –, para não dizer que têm diferentes percursos
intelectuais e experiências de vida diversas. Daí que as interpretações constitucionais que levam a cabo, aqui ou
noutras democracias, se dividam tanto. No actual
acórdão, as interpretações divergiram profundamente. O ponto fundamental é que o respeito pela
separação dos poderes, o reconhecimento de limitações ao que os juízes podem
competentemente saber sobre a realidade que julgam e a proibição democrática de
não usurpação de poderes que eles manifestamente não têm, impõem que sejam
apresentadas boas razões, jurídica e publicamente válidas, que fundamentem as
suas interpretações e as suas decisões. Quando isso não acontece, então o juiz
torna-se um usurpador.
A maioria de juízes conselheiros
esticou-se e retorceu-se, deu piruetas e saltos mortais, para garantir um
resultado político. Fê-lo de diversos modos e em vários pontos
diferentes da análise do decreto da Assembleia da República. Mas o objectivo
era claro. Embaraçar e humilhar o Governo, contribuindo para a
cenarização que a esquerda tenta construir depois das suas derrotas eleitorais:
opor-se politicamente a uma tenebrosa aliança – real ou fictícia – entre o PSD
no Governo e o fascismo (ou o Chega). Sobre o tema da imigração ou sobre outro
qualquer.
No acórdão, o TC só podia corresponder às normas que o PR
explicitara no seu requerimento. Foi então
direito à questão do reagrupamento familiar e ao recurso de intimação administrativa, isto é,
uma complexa questão de recurso
aos tribunais administrativos para ultrapassar os congestionamentos decorrentes
do caos a que os canais institucionais da imigração ficaram entregues com os
governos Costa. No meio disto, ao Tribunal nem a realidade
concreta da situação do País em matéria de imigração, nem do acesso dos
imigrantes aos serviços do Estado, importou minimamente. Optou por uma retirada falsamente heróica
e hipocritamente humanista para princípios e padrões que os restantes países
europeus não acompanham. Teve
o atrevimento de, em parágrafos avulsos, se pronunciar sobre a eficácia da
política migratória do Governo para os objectivos politicamente determinados
por quem vence eleições, não para quem exerce o poder judicial-constitucional. E, sem
consciência de que se estava a supor
técnica e politicamente superior ao Governo e ao poder legislativo para fazer
o que os juízes não podem fazer – isto é, governar –, lá foram deixando com
sentido político inequívoco aquilo que os juízes conselheiros vencidos Gonçalo Almeida Ribeiro e José António Teles
Pereira chamaram, na sua declaração de voto, um “caderno de encargos” ao
poder executivo.
Ao
Tribunal também não importou a verificação elementar da congruência do direito
europeu com as teses que quiseram fazer vingar. Pior, invocaram jurisprudência do
Tribunal de Justiça da União Europeia e do Tribunal Europeu dos Direitos
Humanos que não corrobora as suas veleidades. Veleidades, de resto, que não podiam
remeter para uma jurisprudência inexistente em Portugal, nem para um pensamento
jurídico que a comunidade jurídica portuguesa ainda não teve a experiência para
produzir. Criticaram a formulação das normas pelo Governo
português que transcrevem quase palavra por palavra o texto das diretivas
europeias relevantes que constituem autoridade explicitamente confirmada pelo
próprio Tribunal. Ora a
maioria de juízes disse que estava a interpretar deferentemente o direito
europeu na análise das normas em apreço – o que fez erradamente –, ora sugeriu
que estava a elevar Portugal muito acima dos padrões dos outros países europeus
porque aqui moram uns juízes moralmente destacados dos restantes mortais, e que
não se rendem a não se sabe bem que forças demoníacas. Flutuando entre uma
coisa e outra morreu a consistência jurídica de uma decisão gravíssima.
Os absurdos lógicos, textuais, jurídicos
e políticos no acórdão de 8 de Agosto de 2025 são
tantos que não cabem num texto deste tipo. Desde o prazo de
2 anos como período de autorização de residência ser, na
opinião do TC, excessivo – apesar de ser
exactamente o período constante da directiva europeia (2023/86/CE) que baseia
toda a legislação dos Estados-membros da EU e que já foi confirmada por
jurisprudência do Tribunal de Justiça da EU – até aos
requisitos de aprendizagem da língua portuguesa e adesão aos valores
constitucionais da república serem interpretados como condição do reagrupamento, e não
posteriores a esse reagrupamento, todos
os sofismas valeram para obter o resultado político pretendido.
Para
cima do assunto puseram a necessidade de o reagrupamento do cônjuge ser
indispensável, dispensando qualquer tipo de prazo, e não apenas dos filhos
menores; acrescentaram a acusação de que o período de 2 anos era cego, sem
permitir condições excepcionais de suspensão desse prazo, quando os artigos
122º, 123º e, finalmente, o nº 3 do artigo 106º da mesma lei proporcionam a
chamada “válvula de
escape” que os
nossos perspicazes juízes juram não existir; tudo tinha de ser tentado e
forçado.
No acórdão, o TC chega mesmo a invalidar
uma norma por causa de uma interpretação prejudicial da palavra “designadamente”. Sim, exactamente
isso que leu. A palavra
“designadamente” teria, na cabeça da maioria dos juízes, um sentido gramatical
equivalente ao exemplificar, ao invés da juridicamente obrigatória determinação
taxativa, de requisitos a cumprir para obtenção do respectivo reagrupamento
familiar, em que os membros do agregado familiar seriam aparentemente obrigados
a cumprir um número infinito de obrigações impostas com prazer masoquista por
governos maléficos de direita. Para cúmulo, na complicada questão da
intimação administrativa, que gerou um colapso da resposta da AIMA e uma
flagrante situação de iniquidade entre os imigrantes com acesso a advogados e
aos que não o têm, fazendo, entretanto, estes juristas um negócio chorudo, a
maioria do colégio de juízes ignorou a
formulação do Governo que praticamente copia o artigo 20º, nº 5 do texto da
Constituição da República Portuguesa.
O que o Tribunal Constitucional, aliado ao
Presidente da República, fez não foi apenas usar o poder jurisdicional para se
opor politicamente ao governo e a uma maioria parlamentar. Infelizmente, isso tem sido moeda
corrente em algumas democracias ocidentais para prejuízo grave da qualidade e
credibilidade das mesmas. Fez pior. Quis
proibir um País de ter uma política de migração que contrarie o desastre
recente, e que, curiosamente, nunca encontrou objecção destes nossos arautos do
direito e da civilização. Nem
sequer quando, por colapso dos serviços do Estado, o direito de reagrupamento
familiar, o mesmo agora sacrossanto direito de unidade familiar, foi
sistematicamente negado aos nossos imigrantes, impossibilitados de sequer
iniciarem o procedimento burocrático, e que encontram no TC o único protector
ungido que lhes resta. A tentativa de regramento de tudo isto é
inconstitucional. O colapso de tudo isto é uma vitória dos bons sentimentos
humanitários.
Tal
como no famoso livro do jovem Frederico, herdeiro do trono da Prússia, os
juízes conselheiros portugueses também “ousam tomar a causa da humanidade
contra um monstro que as quer destruir”. Mas
sucede que eles não são reis absolutos da Prússia no século XVIII – nem sequer
herdeiros de um trono desse tipo. Nem os seus inimigos são Maquiavel que devora
criancinhas ao pequeno-almoço, mas antes uma maioria
democraticamente eleita pelo povo português com a responsabilidade de exercer o
poder legislativo e executivo, tendo em mãos um problema real e urgente, e que
exigem constitucional e democraticamente respeito de um poder jurisdicional tal
como está instituído no TC.
TRIBUNAL
CONSTITUCIONAL TRIBUNAL JUSTIÇA IMIGRAÇÃO MUNDO GOVERNO POLÍTICA
COMENTÁRIOS (de 194)
Ana Lucas: Excelente artigo! Marcelo Rebelo de Sousa é um homem sem estatura
para ser PR, incoerente e vergonhoso. Razão tinha o Pedro Passos Coelho! Este senhor não teve qualquer pejo em promulgar
a extinção do SEF e o escancarar de portas à imigração propostos pelo
António Costa e os seus amigos da extrema-esquerda. Não parou para pensar,
nem teve dúvidas, sobre as consequências para Portugal. Agora, com o estado a
que as coisas chegaram, há alguém - Luís Montenegro - que quer, a bem do país e
dos portugueses, pôr ordem no desastre a que o PS/Marcelo deixaram chegar o
país e Sua Excelência tem muitas dúvidas, que deveria ter tido antes, manda
para o Tribunal Constitucional (o que se entende), mas também faz múltiplos
comentários ofensivos sobre a lei! Vai, seguramente, ficar na história como
o pior presidente da república da nossa democracia. Paulo
Valente: Do TC não esperava outra
coisa! De Marcelo, que algumas vezes
elogiei, hoje escrevo apenas uma frase em inglês que lhe serve na perfeição e
que resume o seu pontificado/reinado/ whatever: 'Marcelo, from greatness to
zero!' Greatness porque teve a audácia de nos enganar, zero porque depois do
engano, foi acrescentado zeros atrás de zeros à esquerda da vírgula! Enganou-nos
tão bem, não foi MRS? Você odeia mesmo os
portugueses! E é mais socialista que o próprio Costa (o que não é difícil já
que Costa não é não será, nem nunca foi alguém com integridade. É que se fosse
digno nunca seria político. Dois trastes! Gonçalo
Santos (GJPSANTOS): Concordo com
a análise de Miguel Morgado. A decisão do Tribunal Constitucional, tal como
descrita, ultrapassa a função de controlo de constitucionalidade e entra no
campo da interferência política. A fundamentação apresentada parece ter
sido moldada para produzir um efeito político específico, enfraquecendo a
separação de poderes e diminuindo a confiança na neutralidade da jurisdição
constitucional. Em matérias de política migratória, o legislador
democraticamente eleito tem legitimidade para definir opções e prioridades,
cabendo ao TC apenas verificar a sua conformidade com a Constituição, sem
substituir-se ao legislador na definição de políticas públicas. Quando a
interpretação jurídica se afasta do quadro normativo europeu aplicável e ignora
a prática comum nos Estados-membros, a decisão deixa de ser apenas jurídica
para se tornar uma intervenção política disfarçada de sentença. Alfaiate Tuga: O diagnóstico está há muito
feito, temos um PR de esquerda e um TC de esquerda , já sabemos, mas temos um
parlamento com maioria de direita e com 2/3 dos deputados, estão à espera de
quê? Mudanças na constituição já. Luisa
Lourenço: Depois de Augusto Santos Silva agora é o tribunal constitucional a dar gás
ao Chega Paulo Orlando: Para todas as vozes que se
levantaram contra a emergência de uma revisão constitucional, eis a prova o
quão urgente é neste momento. Desperdiçar oportunidades é a principal
característica do povo português. A falta de coragem, muitas vezes escorada no
medo do confronto e juízo alheio, condenou-nos à contemporização e inépcia.
Falamos demasiado e agimos pouco, não percamos mais outra oportunidade, por
vezes temos de ser pouco simpáticos e nem sempre temos de dar esmola a todos os
que nos pedem… observador
censurado: O tribunal constitucional é composto por 13 membros, sendo que 10 são boys/girls
dos Partidos Socialistas (um e dois) nomeados pela Assembleia da
República. Gostaria de ser informado
sobre a quantidade dos membros que pertence à casa mãe socialista: a Maçonaria. observador censurado observador censurado: Se o tribunal
constitucional, em vez de utilizar a lógica matemática, utiliza achismos,
opiniões pessoais/políticas então isso indicará que deverá ser colocado na
lista de centenas de entidades públicas a extinguir. Zita
Silva: Miguel Morgado, como sempre, brilhante. Artigo muito bem escrito, com fina
ironia, bem fundamentado. Muito pertinente quando indica a arrogância da
esquerda portuguesa e de seus aliados e simpatizantes em quererem impor ao país
uma moralidade superior, mais realistas que o rei, que os países europeus e os
tribunais europeus não seguem. Vários países europeus (que a nossa tão “humanista”
esquerda não pode rotular de fascistas) já impõem prazo de um ano para o
reagrupamento familiar. Com tanto desprezo pelo Chega, estão mesmo a acelerar a
corrida de Ventura a primeiro-ministro deste país. Manuel: Brilhante Miguel Morgado! Na
mouche. Estes juízes não lhe chegam aos calcanhares e muito possivelmente não
entenderão o seu texto, tão fracos que são. Quanto ao inquilino de Belém, está
quase a ser despejado com justa causa e vai sair pela porta do gato ou mesmo
pela toca dos ratos... Que tristeza de país. Que gentinha tão ordinária e quiçá
bandalha? Investigue-se como dizia o outro... António
Duarte: Artigo manifestamente certeiro, mas que deixa no ar uma questão óbvia: o
Tribunal Constitucional é um monstro político pois de jurídico praticamente
nada tem e isso é erro. Mas não foi o PSD e o PS que quiseram esta aberração?
Agora o PSD prova o veneno que semeou e, pior, pretende manter já que recusou
liminarmente rever a Constituição tal como propôs o Chega… Maria
Tubucci: Excelente Sr. MM. Os dados estão lançados. Agora vamos ver se o PSD é mesmo
PSD, ou se pelo contrário é apenas um PS2. Este PSD tem melhores condições para
fazer o que não foi possível fazer no tempo do Passos. Tem a faca e o queijo da
mão para iniciar o processo de revisão da constituição, ontem já era
tarde. A presente composição e “importância” do TC em 2025 faz o papel que o
conselho de revolução fazia nos anos oitenta, é lastro que apenas quer conduzir
Portugal ao fundo. Resta saber se há coragem para fazer uma revisão da
constituição, para resolver os actuais problemas dos portugueses. Caso
contrário, situações deste género apenas aceleram a subida do CH e o CH
agradece! Francisco
Ramos: Só não percebo é porque é que a AD não inicia de imediato uma revisão da
constituição, que permita acabar com estas macacadas do TC. Antonio
Rodrigues: Partilho
novamente um comentário que fiz noutro artigo. Estamos a assistir à
transformação de algo com 900 anos em outra coisa diferente, embora seja
fascinante como 'Historiador' é muito triste como Português. Esta nova atitude
do sr Marcelo em relação a tudo relativo à actividade do Governo explica-se
pelo choque sofrido quando reparou que ninguém lhe liga nenhuma. É um clássico.
Depois de salvar o mundo dos nazis e de se tornar o ícone da “resistência
britânica”, Churchill descobriu, já nos anos 50, que governar um país em tempos
de paz não tinha a mesma graça nem o mesmo aplauso. Volta ao cargo como quem
regressa ao palco para um encore... mas com a orquestra desafinada e metade da
plateia já a caminho de casa. Ainda discursava como se estivesse a comandar
batalhas épicas, mas a guerra agora era contra a fadiga, a surdez e a
impaciência dos ministros mais jovens, que olhavam para ele como quem olha para
uma fotografia amarelada numa parede do Parlamento. A comparação é cruel, eu
sei, o sr Marcelo nunca salvou ninguém, nem aquela adolescente no mar, e só
comandou uns jornalistas imberbes num comentário semanal em que se convencia, a
si e aos outros, que lia dezenas de livros por semana ao mesmo tempo que
escrevia outras dezenas de artigos e corrigia dezenas de provas de alunos. Mais
um mito muito Português que se perde, é pena. Acrescento que a Esquerda se
tornou ainda mais perigosa depois de perder as últimas eleições. Numa lógica de
'não venci vou destruir tudo', escuda-se numa moral superior que sempre
acreditou possuir e alia-se a alguns sectores da Igreja, órfãos de Francisco. O
resultado não vai ser bonito.
José B Dias: Já
deram conta que o tal de Povo "que mais ordena" e a quem cabe
conferir legitimidade às instituições do Regime olha para os disparates feitos,
supostamente em seu nome, como se se tratasse de inevitabilidades sem qualquer
possibilidade de alteração? Se a maioria da população quer um maior controle
sobre o seu território, o seu estilo de vida, a sua segurança e cultura, o que
impede que esse mesmo Povo o imponha? Não é o Governo, o Presidente ou os
juízes do Constitucional que mandam. É o Povo que manda e que decide o seu
destino! E os deputados são supostos representar esse mesmo Povo.... não
impor-lhe o que ele não quer!!
Ruço Cascais: Muito
bem. Faltava o contraditório aos arautos da vitória desta nova geringonça entre
o Presidente da Republica e o PS. Vítor
Araújo: E não tenhamos
ilusões, no dia em que a mesma direita quiser mudar o texto constitucional, os
juízes do ratton Irão declarar o chega como um partido ilegal. Quando o TC que
já anda a ensaiar essa medida há algum tempo assumir aquilo que é, então é que
a situação social deste país irá aquecer drasticamente. Queira Deus que não
tenhamos que regressar aos tempos do prec, em que o povo saiu à rua para
colocar o então todo poderoso partido comunista no seu devido lugar. Vitor
Batista: Torna-se
muito fácil vaticinar uma maioria absoluta do Chega nas próximas legislativas. Todas
as forças neo-fascistas e esquerdalhada nazi se têm alinhado para tornar isso
possível. É que além de tolos são burros como uma porta, mas isso já sabíamos,
não sabíamos era ser tudo isto tão flagrante. Têm os dias contados. Jorge Tavares: Não se percebe para que é que AD+IL+Chega têm maioria
acima de 2 terços do parlamento... Não se sentem com legitimidade eleitoral
para mudar a constituição, sem mais ninguém? A Esquerda não hesitaria em
fazê-lo. Por esta altura, a propriedade privada e as habitações estariam
confiscadas ou sua posse extremamente limitada. Todo o sector da saúde e da
educação estaria nacionalizado (provavelmente sem indemnizações). Os impostos
estariam perto dos 100%. A direita está com medo de quê? Da deputada única miss
Antipatia? Do comentadeiro Jonet? AD+IL+CH podem tornar constitucional o que o
TC decretou que era constitucional. AD+IL+CH podem extinguir o TC e
substituí-lo por uma secção constitucional do Supremo Tribunal de Justiça
(sempre me fez confusão a existência de dois tribunais
supremos). Tenham coragem. Ouçam a população. Vocês têm uma maioria sociológica
esmagadora a apoiar-vos e que seguramente aumentou ainda mais com este episódio
do chumbo do TC. Mário Rodrigues:
Foram muitos anos seguidos do mesmo
partido, o PS neste caso, e por isso vai demorar a recuperarmos bons hábitos
democráticos e de separação de poderes. helder
carvalho: O que é que
vou comentar perante o seu texto que já li duas vezes, vou ler muitas mais e
vou guardá-lo religiosamente. Ao lermos o que escreve, e com a clareza como o
faz, ficamos destroçados. Disse-lhe, não há muito tempo noutro contexto,
que o considerava um homem da esquerda do PSD. Agora só posso acrescentar que
independentemente ser da esquerda ou da direita é um HOMEM com muita coragem ao
enfrentar este Marcelo e seus comparsas. Miguel Morgado, com o devido respeito,
o meu muito obrigado.
(CONTINUA)
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