Vamos andando: com maior ou menor optimismo, segundo os temperamentos
dos donos das verdades.
Lisboa, Madrid e Washington: desafios e
oportunidades da híper-urbanização global
Neste campeonato da hiper-urbanização mesmo a Europa
está a ficar para trás, e Lisboa ainda mais.
BRUNO CARDOSO
REIS Historiador e especialista em segurança internacional
OBSERVADOR, 22 ago. 2025, 00:0411
Estive
este ano a viver na capital dos EUA. Esta coluna esteve generosamente suspensa,
provavelmente para felicidade de alguns, inclusive minha. Mas é bom regressar a
Portugal e ao convívio por escrito com quem sabe ler e debater ideias. Entre
Washington DC e Lisboa passei por Madrid. O que me fez pensar na complexa, mas
indispensável ligação entre cidades e Estados, e no que estará em jogo para
estas três cidades.
Não é por acaso que foi à cidade que
fomos buscar as palavras civilização e cidadania. Elas sempre foram locais privilegiados de
trocas de bens e ideias, motores indispensáveis de dinamismo económico e
inovação tecnológica. Concentram recursos e competências indispensáveis para
gerir vastos territórios, também por isso, tiveram capacidade de negociar
direitos de cidadania com diferentes soberanos. No
entanto, em 1900, estima-se que apenas 15% da população global vivia em cidades. O peso civilizacional das cidades sempre
foi grande, o seu impacto na vida da maioria das pessoas era limitado. Em Portugal, em 1973, 60% das pessoas ainda
viviam no campo (eu era uma delas). Só desde 2007 é que mais de
metade da população global vive em cidades, mas o protagonismo das cidades tem
continuado a reforçar-se.
A urbanização traz evidentes vantagens
de escala e eficiência. Mas este
êxodo rural global também tem desvantagens, desde perda de qualidade de vida
(nomeadamente a minha) até ser um dos factores potenciadores de massivos
incêndios rurais na América do Norte e na Europa. É evidente, no
entanto, que esta hiper-urbanização global é um processo difícil de travar e
impossível de reverter. Em Portugal e Espanha fala-se no interior
vazio. Mas ninguém deportou essas
pessoas. Elas saíram (como eu saí) à procura de mais oportunidades em cidades
maiores. E é difícil convencer muita gente a regressar aos campos, excepto para
férias. Certamente não regressarão para mal sobreviver em pobres leiras.
Não que se deva desistir da ruralidade, teremos de a ir reinventar. Mas culpar Lisboa ou Madrid é não
perceber que esta é uma tendência global, que continua a acentuar-se: em 2050
cerca 70% das pessoas viverão em cidades. Esta tendência global de híper-urbanização
reflecte-se também no peso crescente das megalópolis na geopolítica e
geoeconomia globais. Entre as 10 maiores áreas metropolitanas do Mundo, 9 têm
mais de 20 milhões de habitantes.
Neste campeonato da hiper-urbanização
mesmo a Europa está a ficar para trás, e Lisboa ainda mais. A ideia repetida no debate público
nacional de que Lisboa é grande demais é um completo disparate. Grande
demais comparada com o quê, a Merdaleija? Na verdade, é cada vez mais pequena
no Mundo e até na Europa. Lisboa tem cerca de 500.000 habitantes, a sua área
metropolitana andará em torno dos 3 milhões. Washington DC tem 700.000, e sua
zona metropolitana (apelidada de DMV) tem 7 milhões. O município de Madrid tem
3,5 milhões de habitantes, a comunidade madrilena vai nos 7 milhões e está a
crescer 100.000 ao ano. Madrid já será a segunda área metropolitana mais
rica da União Europeia. E procura
competir com cidades como Paris ou Londres como pólo regional e global.
Parece cada vez mais dominante na Península face a Lisboa ou a
Barcelona, a quem tem ganho em dinamismo e eficácia de gestão. Tem como
objectivo afirmar-se na América Latina, com a força de cerca de 1 milhões de
latino-americanos a viver aí, competindo com Miami, algo que a hostilidade de Trump a muitos emigrantes provavelmente
facilitará. O historiador Fernand Braudel considerou que o rei Filipe
II errou ao escolher Madrid para capital, devia ter apostado em Lisboa. No
entanto, hoje, mesmo com o Estado espanhol num impasse, Madrid mostra um
dinamismo e um optimismo que parecem faltar a Lisboa, ou até a Washington DC.
Em
Washington DC o maior desafio actual é um Presidente Trump determinado a usar e abusar dos seus poderes para se
vingar dos seus ódios de estimação. Eles abundam na capital
norte-americana, desde eleitores
do Partido Democrata até um grande
número de funcionários públicos e universitários. Mais, na
capital dos EUA, o Presidente tem poderes significativos. Entre os
territórios dependentes do governo federal norte-americano estão ilhas
distantes (Puerto Rico ou Samoa), mas, também, a própria capital. Na verdade, o Distrito
de Columbia (DC) só passou a ter, por
concessão do Congresso e do Presidente, um regime de autogoverno limitado desde
o Home Rule Act de 1973. Aos despedimentos de funcionários, pressão sobre
universidades e museus, veio agora acrescentar-se o policiamento agressivo das
ruas e a crescente ameaça de eliminação do autogoverno local. Para isso, Trump
precisará, em princípio, do acordo do Congresso, veremos se os parlamentares
norte-americanos resistem deste vez. Estes factos deixam claro, porém, que
até o mais suburbano dos presidentes precisa de uma cidade capital, não lhe
bastam campos de golfe e condomínios.
Quanto a Lisboa veremos o que nos dizem
os candidatos autárquicos. A minha esperança é escassa de ver uma visão
estratégica atenta às tendências globais e eficaz na resposta aos problemas
concretos. Os líderes que temos
tido parecem incapazes de responder eficazmente a um desafio tão fácil de
antecipar como: mais turistas, mais actividade económica significam mais gente,
mais lixo, mais ruído. Isso
implicaria mais funcionários, mais recolhas, mais caixotes, mais fiscalização
eficaz de abusos. Em Madrid é
possível ver isso a funcionar melhor. Lisboa dificilmente será uma
grande cidade da globalização para que tanto contribuiu no passado, mas poderá ser uma grande cidade média na
Europa e no espaço Atlântico, apostando numa qualidade de gestão e de vida que
lhe desse vantagem relativa. Por
este caminho, Lisboa – entre barulho, lixo, trânsito e aeroporto caóticos,
bêbados barulhentos e nómadas digitais que não se fixarão – nem como uma
espécie de Disneylândia, com um castelo um pouco mais genuíno, se safa.
CIDADES SOCIEDADE LISBOA PAÍS MADRID ESPANHA EUROPA MUNDO…..WASHINGTON ESTADOS
UNIDOS DA AMÉRICA AMÉRICA GEOPOLÍTICA
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Duarte Cabral: Washington, uma cidade pouco maior que Lisboa, tem o
dobro dos assassinatos que Portugal inteiro, mas o Trump é que é fascista por
querer trazer segurança a uma cidade que devia ser um exemplo mas não é por
causa da bandalheira provocada pelos "democratas". Mais um infectado Jorge Ferreira: Senhor Historiador, Como bom Esquerdista, do alto do
seu convencimento de superioridade moral, face aos grunhos da Direita (que na
sua cabecinha "iluminada" é sempre Extrema....), procura não perder
uma oportunidade, por menor que seja, para tentar "malhar" no Presidente
Trump! Como ele
ganhou as eleições de forma "fair & square", vai ter de continuar
a "xuxar" nos dedinhos mais uns aninhos! Habitue-se.... Tim do A: Mais um globalista Woke totalitário a escrever por
aqui. madalena
colaço: Enaltece a
prosperidade da comunidade de Madrid e o seu dinamismo e esquece-se de referir
quem a gere desde 2021? porque se esquece de referir Isabel Ayuso? Será porque
não é socialista nem corrupta como os socialistas corruptos que estão no
governo de Sanchez? Escandaliza-se com um Trump vingativo. Como refere esteve
até agora a viver em Washington e veio de lá e não ouviu nada sobre o
Russiagate? Não se escandaliza de o ex-presidente Obama ter obrigado a CIA a
manipular a informação contra Trump? Como não havia nada que o incriminasse,
obrigou a CIA a arranjar factos que o incriminassem. Porque nunca se conta o
que Obama e Biden andaram a fazer na Ucrânia? Porque nunca se fala na
ingerência dos democratas nesse país? O papel de Victoria Nuuland do governo de
Obama disse no congresso que os EUA gastaram cinco mil milhões para ajudarem na
revolta de Maidan, isso não interessa? Francisco
Almeida: De
facto Lisboa não tem hipóteses. Seria bom o cronista mudar-se já para
Washington DC ou mesmo para Washington.
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