domingo, 11 de janeiro de 2026

Lideranças

 

Em crise, num país que se esforça por possuir um rótulo partidário, por falta de amor pátrio.


 O problema da direita é que tem votos mas não tem um líder

A direita precisava de um Sá Carneiro, mas só tem um Cotrim Figueiredo; precisava de um Cavaco Silva, mas só tem um Marques Mendes; precisava de um Passos Coelho, mas só tem um André Ventura.

MIGUEL PINHEIRO Director executivo do Observador

OBSERVADOR, 10 jan. 2026, 00:22106

De repente, sem que ninguém estivesse verdadeiramente à espera, a campanha eleitoral abriu as portas pesadas do Grande Museu das Conquistas da Direita Portuguesa. João Cotrim Figueiredo, que vem da Iniciativa Liberal e, por isso, só poderá, eventualmente, chegar a Presidente da República com os votos dos laranjinhas, foi o primeiro a entrar no mausoléu: com o fervor religioso de um vendedor de velinhas, invocou a maneira de estar na política” de Francisco Sá Carneiro, o “reformismo” de Aníbal Cavaco Silva e a “coragem política extraordinária” de Pedro Passos Coelho. André Ventura, que lidera um partido que nasceu anteontem, explicou a um país perplexo que, apesar das aparências, Sá Carneiro é o seumodelo político”. Luís Marques Mendes, que pertence à agremiação social-democrata, apressou-se, naturalmente, a fazer o mesmo — e levou atrás de si meio PSD, que se apoquentou com esta súbita devoção das variadas figuras da direita pelo seu fundador, como se tivesse receio de que ele pudesse ser sequestrado pelos adversários numa noite de Inverno.

À primeira vista, parece estranho ver os candidatos da direita de 2026 a procurarem banhar-se nas águas do Plioceno político, buscando inspiração nas brumas do passado — mas, quando pensamos melhor, percebemos que isso é normalíssimo. A evocação de Sá Carneiro, de Cavaco Silva e de Passos Coelho não acontece porque os actuais candidatos da direita cultivam um especial gosto pela arqueologia ou pela História. Acontece porque até eles reconhecem que o povo da direita tem votos, tem influência e tem poder; mas não tem um chefe, e muito menos um líder. Naquele que devia ser um dos seus momentos de força, a direita está dispersa e perdida. Precisava de um Sá Carneiro, mas só tem um Cotrim Figueiredo; precisava de um Cavaco Silva, mas só tem um Marques Mendes; precisava de um Passos Coelho, mas só tem um André Ventura. Como os eleitores de direita não têm um líder à frente deles, vão inevitavelmente procurá-lo no retrovisor.

Já existiram situações tristemente semelhantes noutros hemisférios. Nos anos 80, Ronald Reagan ressuscitou a direita nos Estados Unidos e no mundo ocidental com a promessa de “uma cidade luminosa no topo de uma colina”. Quando chegou à presidência, liderou essa direita ao mostrar um caminho claro para a liberdade, para a prosperidade e, usando a expressão da Declaração de Independência, para a “busca da felicidade”. Já o seu sucessor, George Bush pai, atolou-se em hesitações e em indefinições e nem conseguiu ser reeleito. A dada altura, confessou que lhe faltava “essa coisa da visão”.

É assim que estamos em Portugal. Se Cotrim Figueiredo não tem “essa coisa da visão”, precisa de pedir emprestada a “visão” de Sá Carneiro; se Marques Mendes não tem “essa coisa da visão”, precisa de pedir emprestada a “visão” de Cavaco Silva; se André Ventura não tem “essa coisa da visão”, precisa de pedir emprestada a “visão” de Passos Coelho. É por isso que, numa das campanhas mais renhidas de sempre, nos encontramos subitamente a perder horas a falar sobre o passado.

O problema quando alguém se tenta aspergir com a água benta de terceiros é a credibilidade. Uma pessoa ouve Cotrim, Mendes e Ventura a falarem sobre Sá Carneiro, Cavaco e Passos e, inevitavelmente, lembra-se do debate entre os dois candidatos a vice-Presidente dos Estados Unidos em 1988. Quando lhe fizeram uma pergunta sobre a sua falta de experiência política, o republicano Dan Quayle comparou-se a John Kennedy. Na resposta, o seu opositor, Lloyd Bentsen, espetou a faca com implacável frieza: “Eu servi com John Kennedy. Eu conheci John Kennedy. John Kennedy era meu amigo. O senhor não é nenhum John Kennedy.” Realmente, não era.

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COMENTÁRIOS (de 106)

DC Cruz: Caro. Miguel Pinheiro, a direita tem um líder, chama-se André Ventura. O problema é que a sua liderança é tão forte e marcante que os outros da dita direita têm receio da sua magnitude. Esta é a pura e dura realidade.               Glorioso SLB: E os jornalistas tb ñ ajudam à festa. Obriguem os candidatos a responderem a questões: aborto, casamento gay, doutrinação nas escolas, eutanásia, sustentabilidade da SS, drogas leves, 5% para a defesa, PPPs, etc, etc. Parte do q fizeram no votómetro, mas q ñ conseguem claramente retirar da boca dos candidatos.                  António Soares: Miguel Pinheiro não tem feito outra coisa senão acender velinhas a Seguro, cuspindo na cara da maioria dos assinantes do Observador que lhe pagam o salário.               Alfaiate Tuga: A direita não tem por agora um líder, mas anda por ai um com provas dadas, que quando regressar vai conseguir os votos necessários para liderar a direita e o país, Pedro Passos Coelho.  Por agora temos o spinunviva que mais não fez do que aumentar a despesa pública a distribuir dinheiro pelos funcionários públicos, sem reformar rigorosamente nada, continua tudo igual ou pior, mas com uma diferença, mais caro ao contribuinte. O minorca pensava que ir para a SIC ao domingo à noite dizer baboseiras e servir de ventríloquo do selfies, seria suficiente para chegar a PR, pois enganou-se.  Há muitos tugas como eu que já topavam o Minorca a léguas, mas muitos outros perceberam  agora de onde vinha o guito, os portugueses não querem um facilitador em Belém, as gémeas já saíram caro que chegue .  O capitão iglo quando abriu a boca deu a perceber que percebe menos de política do que eu de lagares de azeite, mas quando apareceu com o riacho ao lado, conseguiu fazer um enorme rombo no casco do navio, que até agora não parou de meter água. O Aventureiro segue a cartilha do costume, imigração, corrupção, imigração, corrupção, reformar o estado? ZERO, não dá votos, por isso rio-me quando dizem que o Chega é um partido de direita. No meio disto tudo resta-me o Cotrim, ganhou a vida no privado a trabalhar, quando veio para a política já estava bem de finanças, tem ideias para o país com as quais me identifico, portanto terá o meu voto. Para terminar, espero que o Minorca fique já pelo caminho, para que o spinunviva tenha uma derrota clara e perceba que os portugueses no geral não gostam de gente que ganha muito dinheiro, mas não sabe explicar como. PS. Escusam de perder tempo a chamar-me invejoso, o meu problema não é dinheiro, é a desfaçatez com que alguns me querem enganar, ganham a vidinha a fazer consultoria, sem que se lhes conheça especial competência em nada, a não ser no tráfico de influências. Não é por acaso que o Passos Coelho não apoia esta gentalha, topa-os a léguas …             António Lamas: Senhor Miguel, tenho 76 anos sempre votei PSD, não sou "laranjinha", mas quero ver em Belém alguém com qualidade para substituir o pior Presidente da República desde o 25 Abril que pense no futuro dos meus filhos e netos, liberal, defensor do direito do indivíduo. Por isso voto Cotrim.                 Maria Emília Santos: Não concordo com o autor! Não creio que igualar tudo resolva alguma coisa! A direita cresce espantosamente, sobretudo a direita de André Ventura, com Passos Coelho ou sem ele, porque os portugueses já não vão atrás da influência da CS. Já todos sabemos quanto vale cada partido e em quem devemos votar, e quanto mais a CS e os media promovem os deles, mais os portugueses se afastam desses partidos! Creio na estrondosa vitória de André Ventura!           Tim do A: Sá Carneiro foi líder apenas porque havia o perigo de o comunismo se implantar em Portugal. Se o fosse hoje era mais um. Aliás, Sá Carneiro não era de direita, era do PSD. Portanto, de centro-esquerda. Ademais, Sá Carneiro votou favoravelmente a terrível descolonização, num acto de traição aos portugueses que lhe ficou muito mal e originou a tragédia em África que se seguiu até  aos dias de hoje. Sá Carneiro é um mito,  embora tenha tido o mérito de combater o comunismo, e bem. Esse é o seu legado bom. Mas não foi o único.  Pinheiro de Azevedo também,  por exemplo. Até Mário Soares,  nessa altura. Mário Soares não era comunista,  como é o PS de hoje. Mário Soares era favorável ao 25 de Novembro que evitou que Portugal viesse a ser um país comunista satélite da URSS. O PS de hoje é alérgico ao 25 de Novembro.  É  comunista,  portanto. É mais um partido radical de esquerda.  E corrupto, também.               Por8175: Lixo: propaganda esquerdalha com o rancor imenso de ver quem está à frente nas sondagens. É preciso cuidado com estes pseudo independentes que disfarçadamente se apresentam como analistas daquilo em que parecem acreditar sem terem a coragem de dizer claramente aquilo em que acreditam. MP é a imagem clara daquilo em que o Observador se tornou: um defensor da esquerda a quem só interessa que exista uma direita fofinha que siga os princípios woke da esquerda que vai desde o defunto CDS ao PS, e que obviamente inclui o PSD(ois). Temos de ter cuidado com estas aves disfarçadas! Não se deixem enganar!            António Soares > António Soares: Miguel Pinheiro, para além de escorregadio, padece do mesmo síndrome de toda a xuxalhada e esquerdalha. Superioridade moral, intelectual. E nós que pagamos isto, uns alarves uns analfabetos, a manada. Não há dúvida, caro Orwell. Uns mais iguais que outros. O que eles não suportam é que Sá Carneiro, Cavaco e Passos, vivem no imaginário da escumalha. Porque será? Melhor mesmo é retirar o voto a tão ingrato povo.        Fernando Matos: Este cronista está a ficar piurso com a direita, só não sei porquê.            João Alves: A culpa é dos eleitores que o PSD tenha proposto um candidato sem qualquer tipo de perfil como Marques Mendes? Pelo menos surgiu Cotrim que tem o perfil e lhe falta apoio. Neste momento o voto útil é em Cotrim e Miguel Pinheiro deveria também ele apoiar essa candidatura, para o bem do país. Precisamos de alguém que lance os temas para que a sociedade portuguesa perceba os desafios e se modifique estruturalmente por um futuro melhor.                  Manuel Magalhaes: Nesta crónica também se deveria referir a Montenegro, que escolheu o pior candidato para supostamente liderar a tal direita e exactamente porque ela já não existe no PSD, apenas lá estão os complexados de esquerda que ainda não perceberam que isso de centrão  já não nos leva a nada e a prova são 50 anos de estagnação num mundo que já não se compadece com isso…                      Rosa Silvestre: Está-me a parecer que com tantos votos à direita vamos ter um presidente socialista...           José Paulo Castro: Qual direita ? A 'direita' social democrata de centro-esquerda e a globalista do PPE? A direita liberal globalista da IL? A direita nacionalista? A direita conservadora? Se tem quatro 'direitas' que chegam a ser antagónicas entre si, como quer colocar tudo no mesmo campo? Ao menos, na esquerda são todos marxistas de diferentes tons. Concordam sempre que o dos outros é deles. O que é absurdo é as direitas não se juntarem para eliminar de vez o marxismo das leis (culpa da 'direita' de centro-esquerda...). Uni-las em mais do que isso, é difícil.                 Vasco R > Mário Costa: Correcção - o que a esquerda precisava Este idiota tem as ideias baralhadas.                  Carlos Chaves > João Proença: Caro João Proença que análise tão simplista e errada a sua! Veja lá que até o partido do arco da governação mais à direita que temos, se chama de centro... CDS! Até um seu fundador foi ministro de Sócrates... E outro candidato presidencial, acabou na Câmara de Sintra eleito pelo PS... Sintomático não acha? Nós temos um sistema político com um entorse (trauma de esquerda desde 1974) quando nos comparamos com as grandes democracias Europeias! Nenhuma delas tem um partido socialista e outro social-democrata, na prática na Europa significa a mesma coisa... Aqui o PS é (sempre foi apesar de nos quererem convencer do contrário), de esquerda, e bem esquerda, veja lá que até se opôs à liberalização da comunicação social (feita num governo de Cavaco Silva)! Ou seja, o PSD tem feito o papel de partido de direita, que na realidade não é, Rui Rio bem avisou... e também estamos a vê-lo a cada dia que passa, no Governo de Montenegro! Ainda ontem anunciaram o apoio incondicional à candidatura do criminoso político do Mário Centeno, aliás como já fizeram, apoiando o outro criminoso político, António Costa! Sempre socialistas... Um em tribunal, este para as instituições Europeias, estamos bem entregues! Vou recorrer também à análise simplista. Para mim um partido de direita, é liberal na economia, o Estado apenas presente nas áreas estritamente necessárias, como a Defesa da Segurança interna, as funções de Soberania, a Justiça, eventualmente a Educação e a regulação e inspecção, e conservador nos costumes, defendendo a vida, a família tradicional e defendendo e promovendo a nossa base religiosa Judaico-Cristã! Como um partido como este não existe em Portugal, nunca existiu (como existe e sempre existiu noutras democracias Europeias), volto a reafirmar que não temos uma verdadeira direita em Portugal! Tenho andado a votar por aproximação. Como vê, não tem nada a ver com concordância ou discordância com a minha opinião! Se  se pudesse juntar a parte do CHEGA (conservador nos costumes), e deitar fora a parte socialista da economia, com a parte liberal da economia da IL, e deitar fora o liberalismo nos costumes, teríamos um partido de verdadeira direita conservadora! É pena, mas não temos!      Carlos Ferreira > victor guerra: O tal que abandonou a liderança da IL (enterrando o partido) porque queria abandonar a política, depois reconsiderou e foi para eurodeputado porque se ganha muito bem e agora descobriu que afinal quer é ser PR? É esse que refere?     Manuel Pinheiro: Claro que tem um líder e forte. Muito forte E chama-se André Ventura, goste-se ou não dele.             David Antunes: Parei de ler ao “Só tem Cotrim…” Só?? Miguel Pinheiro julga-se o GOAT do jornalismo? Lamentável viés.                   Manuel Pinheiro > SDC Cruz: Tem toda a razão. No dia 18 vamos ver. E vai ser preciso todos os outros partidos juntos para lhe fazerem frente.             Vasco R > Mário Costa: Este lixo comunista enganou-se no jornal. A latrina do avante ou o aterro do público não é aqui            Tristão: O Miguel parte de uma premissa pelo menos duvidosa e apressada para mim: A ideia de que Portugal virou à direita Para que essa leitura seja correcta, é necessário concluir que os partidos populistas são, em sentido substantivo, partidos de direita, o que a meu ver é discutível. André Ventura apresenta-se como de direita, isso é indiscutível. Mas os partidos populistas têm uma matriz ideológica híbrida e pouco coerente, difícil de encaixar nos eixos clássicos. Não basta dizer que se éNo plano económico e social, o Chega é frequentemente estatistas  protecionistas (ex.TAP) e hostil ao liberalismo (apoio à greve geral), traços historicamente mais associados à esquerda do que à direita liberal ou conservadora.  Isso ajuda a explicar um facto muitas vezes ignorado: uma parte significativa do eleitorado do Chega vem do PCP e do PS, ou seja, de eleitorados tradicionalmente de esquerda. Esses eleitores não esperam políticas de direita. Não esperam maior flexibilidade laboral como se viu, liberalização económica, reformas para incrementar a competitividade, nem uma redução estrutural do papel do Estado. O que esperam é outra coisa: protecção, intervenção estatal, discurso punitivo, e uma resposta emocional a frustrações acumuladas. Não estão à espera de liberalismo económico, estão à espera de estatismo com outra linguagem. Por isso, concluir que Portugal está numa deriva de direita exige um pressuposto discutível: o de que o populismo equivale automaticamente a direita. Se esse pressuposto falhar, e há bons argumentos para que falhe, então o diagnóstico também falha. Em suma: Ventura pode dizer-se de direita; o seu eleitorado, maioritariamente, não o é. E enquanto isso não for devidamente compreendido, o debate continuará a confundir rótulos com realidade. Invocar nomes do passado do psd é acima de tudo para se credibilizarem  e caírem nas graças do eleitorado do psd. Simples.              josé cortes: Fraquinho, o sumário executivo do artigo. Aquela impressão de se tentar enfiar um casaco quando já temos outro vestido: "enchouriçam-se" pessoas dentro de outras, só para a frase sair catita.                Quem se ri disto tudo é PPC, a ver passar o andor.               Hugo Silva > Mário Costa: Isso de votar nos próprios comentários é  narcisismo doentio                 Vitor Batista > Mário Costa: Pensei que estivesse a falar da esquerda xuxa.               N A: Cotrim tem visão. Não terá país (ainda), nem comentadores, nem comunicação social com ele. Tudo o que tem feito é dar visão, com opinião e não com lugares comuns ou taticismos.        João Proença: E a esquerda? Tem?             David PinheiroFrancisco Almeida: Fugiu com um bom salário.    Francisco Almeida > Glorioso SLB: Assino por baixo.                  MariaPaula Silva: mas que salganhada de texto. Resumindo e concluindo, a única coisa que importa dizer é que o aproveitamento que está a ser feito com a figura de Sá Carneiro é deplorável. Foi o Luisinho Monte Rosa que começou, comparando-se com quem nunca viu na vida, atreveu-se a re-usar a sigla AD (despropositado e inadequado) e agora vai daí todos se querem equiparar a Sá Carneiro. A verdade é que nenhum, nenhum, se equipara a Sá Carneiro e nenhum sabe quem foi Sá Carneiro. À excepção de Marques Mendes (que tb não vale a casca de um caracol), nasceram todos depois de 1973. Tal como Dan Quayle, nenhum dos actuais politecos nesta corrida, concurso de misses à PR, nenhum sabe quem foi Sá Carneiro. Por isso, o uso e abuso do nome de Sá Carneiro é  vergonhoso e piroso. A verdade é que não têm nada para dar, senão faziam campanha a mostrar o que valem e não a falarem dos que já cá não estão. Conhecendo ou não Sá Carneiro, a melhor maneira de honrar a sua memória é trabalharem e reformarem. E falarem menos. Sá Carneiro era extremamente comedido com as palavras, e trabalhava mesmo  muito. Não sofria de verborreia.                Francisco Almeida:  Só gostava de perguntar ao cronista quem é o líder da esquerda.                    António Soares: É então para votar Seguro, Miguel Pinheiro?        Mário Rocha: A direita na realidade só tem dois candidatos nestas eleições presidenciais: Cotrim e Ventura, embora Cotrim, seja mais do centro do que da direita, conforme assumido pelo próprio no passado. M. Mendes representa apenas os vícios dos partidos, no seu caso do seu próprio partido, por lugares e negócios com o Estado, sendo politicamente apenas um comentarista de notícias sem pensamento ou visão sobre o país. Cotrim é claramente o candidato à direita de toda a esquerda, com mais sentido das ideias para o futuro do país e com mais noção do equilíbrio entre poderes, ao contrário de Ventura que se destaca sempre pela radicalização e pelo confronto institucional.                    David Antunes David Antunes: Acrescento, alguém que tinha 6 anos quando Sá Carneiro faleceu. Um pouco mais de modéstia por favor.         GateKeeper: O que não existe não pode ter "leader".             com o País.  Portugal tem hoje políticos que se preocupam apenas com o seu umbigo. Por isso a campanha para as presidenciais, parece mais um dia passado no mercado do Bolhão onde cada um grita: - Ó freguês olhe esta pescadinho de rabo na boca. Ou seja. Nada tenho para lhe oferecer a não ser aconselhá-lo  a alimentar-se do que expele.              Tristão >  Tone da Eira: Percebo o seu ponto, mas chama a sua atenção  que  o PCP sempre foi economicamente à esquerda, mas conservador nos costumes. Durante décadas rejeitou causas LGBT, desconfiou da imigração enquanto fenómeno cultural e combateu políticas identitárias, vistas como distracções da luta de classes. Não é um partido progressista nos valores sociais,  está preso a uma matriz comunista clássica, hoje claramente ultrapassada. A própria União Soviética perseguiu homossexuais, ciganos e diversas minorias étnicas, criminalizando comportamentos e promovendo deportações e repressão em massa. Este legado ajuda a explicar o conservadorismo social e a hostilidade à diferença presentes nos partidos comunistas de matriz soviética……          Nuno Abreu: O problema é muito simples. Portugal não tem políticos que se preocupem com o País.  Portugal tem hoje políticos que se preocupam apenas com o seu umbigo……..

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