E mais ameaças num mundo arrogante, imagem contrária à daquela outra de
ponderação e serenidade que naturalmente se prefere, a população constituída
por maioria de gente que deseja viver a sua própria vida numa paz digna… Mas, do
oriente ao ocidente, do norte ao sul, criam-se sempre motivos de
intervencionismo espacial, chamariz da admiração dos povos, caso do Trump nos
tempos de hoje ou mesmo, ou ainda nos de hoje também, por motivos sardónicos com
falsas denúncias castigadoras, caso do Putin, continuam a acontecer. Já ontem,
de resto, mais precisamente no século XVI, Sá de Miranda aconselhava os reis a
ponderação:
“A dignidade real,
Que o mundo a direito tem,
Sem ela ter-se-ia mal,
É sagrada, e não leal
quem limpo ante ela não vem.
Não falemos nos tiranos,
Falemos nos reis ungidos;
Remedeiam nossos danos;
Socorrem os afligidos;
Cortam pelos maus enganos.”
É claro que eles são
protegidos pelos seus governados, na maioria das vezes, como é o caso que vem
citado a seguir, prova de que “sem cabeça
o corpo é vão”, como também acentuou Sá de Miranda.
▲Líder
supremo do Irão, Ali Khamenei, terá sido levado para um "bunker" por precaução,
admitindo-se um ataque norte-americano em breve
IRAN SUPREME LEADER OFFICE /
HANDOUT/EPA
Momentos-chave
Há 2hChefe do poder
judiciário do Irão promete punir culpados “sem a mínima misericórdia”
Há 2hCanadá clarifica que
não assinará acordo comercial com a China após ameaças de Trump
Há 3hComerciantes no Irão
podem aceder à internet por 20 minutos após 17 dias de apagão digital
Há 3hOitenta presos
políticos libertados na Venezuela
Há 6hZelensky diz que Europa,
para seu bem, não pode perder territórios para o controlo russo
Há 11hRússia abateu 52 drones ucranianos na última noite
Há 12h"Os dias de Delcy
Rodriguez estão contados", diz a
venezuelana María Corina Machado Actualizações
em directo
O essencial do que aconteceu até agora
Estima-se que mais de 36.000
pessoas tenham sido mortas no auge dos protestos no Irão, entre 8 e 9 de
janeiro. Este
número, baseado em documentos confidenciais, relatos de testemunhas oculares e
dados do próprio Ministério da Saúde iraniano, é cerca de dez vezes superior ao
número oficialmente reconhecido pelas autoridades de Teerão.
Ali Khamenei, líder supremo iraniano, ordenou
às forças de segurança que fossem usados “quaisquer meios necessários” para
“esmagar” os protestos, incluindo ordens de “disparar a matar” e sem mostrar
misericórdia. A notícia foi avançada pelo The
New York Times.
A Ucrânia continua a sofrer vários
ataques aéreos russos. Um drone russo atacou
edifícios residenciais na cidade de Kharkiv,
no nordeste da Ucrânia, resultando em vários feridos. Além disso, ataques
russos em várias regiões da Ucrânia nas últimas 24 horas causaram uma morte e
ferimentos em pelo menos nove pessoas.
O Presidente ucraniano, Volodymyr
Zelensky, apelou
a uma Europa “unida e vigilante”, sublinhando a importância de não perder
países e territórios para o “inimigo”, tendo em conta o exemplo da
Bielorrússia, usada pela Rússia para atacar a Ucrânia. Zelensky destacou que a história pune aqueles que se
mantêm indiferentes, apelando a uma acção conjunta para salvaguardar a
liberdade e a integridade territorial.
O Kremlin recusou-se a negociar
com Kaja Kallas, a actual
chefe da diplomacia europeia, optando por “esperar por um substituto”. Esta declaração surge após a União
Europeia alocar 10 milhões de euros para lançar um tribunal dirigido a
responsabilizar os líderes russos pela invasão da Ucrânia, uma iniciativa
encabeçada por Kaja Kallas.
Há 2h19:26 Agência Lusa
Chefe do poder judiciário do Irão promete punir
culpados “sem a mínima misericórdia”
O chefe do poder judiciário do
Irão prometeu hoje realizar julgamentos “o mais rapidamente possível” contra os
manifestantes detidos durante os protestos contra o regime e punir os culpados
“sem a mínima misericórdia”.
“O povo exige, com razão, que os acusados e os principais instigadores
dos tumultos e actos terroristas e violentos sejam julgados o mais rapidamente
possível”, declarou Gholamhossein Mohseni-Eje’i, citado pela agência Mizan, órgão do poder judiciário.
Prometendo “o máximo rigor” nas investigações, Mohseni-Eje’i disse
que “a justiça envolve julgar e punir sem a mínima misericórdia os criminosos
que pegaram em armas e mataram pessoas ou propagaram incêndios, destruição e
massacres”.
Há 2h18:57 Agência Lusa
Canadá clarifica que não assinará
acordo comercial com a China após ameaças de Trump
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou este domingo que
não tem qualquer intenção de assinar um acordo de comércio livre com a China,
após o presidente norte-americano, Donald Trump, ter ameaçado impor tarifas de
100% se assinasse. “De acordo com o USMCA [acordo comercial trilateral que
inclui o México, o Canadá e os Estados Unidos], estamos empenhados em não
procurar acordos de comércio livre com economias não de mercado sem notificação
prévia. Não temos qualquer intenção de o fazer com a China ou qualquer outra
economia não de mercado”, explicou, citado pela agência Efe.
As suas declarações surgem um dia depois de Trump ter afirmado nas
redes sociais que, se o Canadá concordar com um acordo de comércio livre com a
China, irá impor “uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadianos
que entrem nos Estados Unidos”. Carney especificou que o objetivo dos acordos
assinados durante a sua recente visita a Pequim é “corrigir alguns problemas
que surgiram nos últimos anos” no comércio com o gigante asiático em setores
como a agricultura, as pescas e os veículos elétricos.
O líder canadiano salientou ainda que Otava acabara de concordar com
uma quota anual máxima de 49.000 de automóveis elétricos para entrar no Canadá
com tarifas reduzidas. “Isto está totalmente de acordo com o acordo USMCA, com
as nossas obrigações, que respeitamos profundamente ao abrigo deste acordo”.
Questionado sobre a razão pela qual Trump, que há menos de dez dias
tinha manifestado apoio a um acordo entre o Canadá e a China, atacou
subitamente Otava, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent,
pareceu aludir ao recente discurso de Carney no Fórum Económico Mundial, em
Davos, na Suíça. “Não tenho a certeza do que o primeiro-ministro Carney está a
fazer, além de tentar parecer virtuoso aos seus amigos globalistas em Davos. Não
creio que esteja a fazer o melhor pelo povo canadiano”, disse Bessent em
entrevista à ABC, também citada pela agência Efe.
Há 3h17:59: Agência Lusa
Médicos Sem Fronteiras diz que vai
divulgar o nome de funcionários palestinianos para continuar a poder operar em
Gaza e na Cisjordânia
A organização não-governamental
Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou hoje que partilhará com as autoridades
israelitas uma lista dos seus funcionários palestinianos, condição exigida para
continuar a trabalhar em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental.
Em comunicado, a organização
lamenta que Israel “tenha deliberadamente colocado” a organização e os seus
colegas palestinianos “na posição impossível de fornecer esta informação ou
abandonar as centenas de milhares de palestinianos que necessitam de cuidados
médicos vitais”.
No final do ano passado, Israel
anunciou a revogação das licenças de funcionamento das ONG internacionais por
não cumprirem novos requisitos que os trabalhadores humanitários descreveram
como praticamente impossíveis de cumprir.
As autoridades israelitas tinham solicitado às ONG que apresentassem, no
prazo de dez meses, uma série de documentos sobre a sua organização e
operações, incluindo uma lista de todos os funcionários, no âmbito de um novo
regulamento de registo que permite a rejeição de licenças se houver suspeita,
por exemplo, de colaboração com “organizações terroristas” designadas como tal
por Israel, como o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).
Agora, e como “medida excecional”, a MSF informou que vai fornecer a
Israel “uma lista definida com os nomes dos funcionários palestinianos e
internacionais, sujeita a parâmetros claros, dando prioridade à segurança do
pessoal”.
“Esta decisão é o resultado de
extensas discussões com os nossos colegas palestinianos e só será adoptada com
o consentimento expresso das pessoas envolvidas”, acrescenta a MSF, na mesma
nota, citada pela Europa Press.
A organização não-governamental
explica ainda o motivo para a sua relutância: “Estamos legitimamente
preocupados em fornecer esta informação num contexto em que 1.700 profissionais
de saúde foram mortos, incluindo 15 membros da equipa da MSF, desde outubro de
2023”.
A decisão de partilhar a
informação já foi saudada pelo Governo israelita. “O anúncio da MSF é um passo
na direcção certa”, afirmou o ministro israelita dos
Assuntos da Diáspora e da Luta contra o Antissemitismo, Amichai Chickli, em
comunicado hoje divulgado, citado pela agência EFE.
“Temos
pelo menos dois casos documentados de activistas da MSF que estiveram directamente
envolvidos em terrorismo, nas organizações Hamas e
Jihad Islâmica Palestiniana”,
acrescentou.
Há 3h17:53 Agência Lusa
Comerciantes no Irão podem aceder à internet por
20 minutos após 17 dias de apagão digital
Os comerciantes iranianos
podem ligar-se à internet durante 20 minutos por dia, na presença de um
observador, quando se regista o 17.º dia de apagão digital no Irão, abalado nas últimas semanas por manifestações
anti-regime.
“Os
comerciantes devem registar-se para usar a Internet e, sob a supervisão de um
observador, podem aceder durante cerca de 20 minutos”, anunciou
o chefe da Câmara de Comércio Irão-China, Majid Reza Hariri, citado pelo meio
Asriran.
Hariri comentou que o limite
de tempo “não é ideal” e que, em 20 minutos, os comerciantes só podem consultar
alguns e-mails.
A medida para controlar o
acesso à Internet responde à preocupação das autoridades com possíveis
ciberataques.
No entanto, não se conhece que órgão
supervisiona a utilização da rede ou o tipo de conteúdo que pretende controlar.
“Este método não é uma solução
adequada para o problema do corte da internet”, observou Hariri, acrescentando
que as aplicações de mensagens se tornaram a principal ferramenta de
comunicação com parceiros estrangeiros.
“Toda
a nossa comunicação com outros países é feita através destas plataformas”,
disse o responsável.
Afirmou ainda que é necessário
encontrar soluções que protejam a infraestrutura do país sem dificultar a actividade
económica.
“Devemos permitir que as
empresas operem, protegendo ao mesmo tempo a segurança do país”, concluiu.
As autoridades iranianas dizem
que ainda não têm dados sobre o custo económico do corte da Internet, que já
dura há 17 dias.
No entanto, a NetBlocks, um grupo
que monitoriza a Internet, relatou nos primeiros dias após a desconexão que
cada dia de interrupção custa ao país mais de 37 milhões de dólares (cerca
de 31,3 milhões de euros, ao câmbio atual).
Há 3h17:47 António Moura dos Santos
Oitenta presos políticos libertados
na Venezuela
Esta
operação, revelada pela ONG Foro Penal, sinaliza um avanço no processo de
libertação de detidos, que tem decorrido de forma lenta e sob a pressão de
Washington.
“Pelo menos 80 presos políticos, cujos casos estamos a verificar,
foram libertados hoje em todo o país. É provável que ocorram outras
libertações”, escreveu o director da Foro Penal, Alfredo Romero, numa publicação na rede social X.
Uma das pessoas libertadas,
refere Romero noutro post, é Kennedy
Tejeda, “advogado, defensor dos direitos humanos e preso político em
Tocorón desde 2 de agosto de 2024”, sendo que “já está em casa com a sua
família”.
Há 4h17:23 Agência Lusa
Damasco abre corredor
humanitário para cidade de maioria curda
O
Exército sírio anunciou hoje a abertura de um corredor
humanitário para Kobané, uma cidade predominantemente curda no norte da
Síria, para onde se dirigiram recentemente deslocados que fogem dos combates e
um comboio da ONU com ajuda humanitária.
O Governo sírio anunciou no sábado o prolongamento por mais 15
dias do cessar-fogo com as forças curdas para
facilitar a transferência pelos Estados Unidos de detidos do grupo extremista
Estado Islâmico para o Iraque.
No início desta semana,
habitantes de Kobané disseram à AFP que faltava
comida, água e electricidade e que a cidade estava inundada de pessoas que
fugiram do avanço do Exército sírio.
Em comunicado, o Exército indicou
que vai abrir dois corredores, um para Kobané e outro na província
vizinha de Hassaké, a fim de permitir “a entrada de ajuda”.
“Graças à cooperação do governo sírio (…) um comboio de 24 camiões
transportando alimentos essenciais, artigos de emergência e gasóleo” partiu
para Kobané, “para fornecer ajuda vital aos civis afectados pelas
hostilidades e pelo clima invernal”, declarou Gonzalo Vargas Llosa,
representante da agência das Nações Unidas para os refugiados na Síria, citado
pela AFP.
Há 5h16:24 Agência Lusa
Irão.
Manifestantes pedem em Lisboa intervenção internacional contra repressão
Mais de 200
pessoas manifestaram-se hoje em Lisboa contra a repressão dos protestos no
Irão, que já causou milhares de mortes, e a pedir a intervenção da comunidade
internacional para travar o “holocausto iraniano”.
Os manifestantes empunhavam
bandeiras do Irão, de Portugal, Israel e Estados Unidos, bem como cartazes com
o rosto do príncipe herdeiro Reza Pahlavi, filho do xá deposto em 1979 pela
Revolução Iraniana, e do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A presidente
da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, e outros membros do partido participaram
na marcha, que partiu do Marquês de Pombal em direção ao Terreiro do Paço pouco
depois das 15h00, sob uma chuva intensa.
CONTINUA
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