segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Violência sempre

 

E mais ameaças num mundo arrogante, imagem contrária à daquela outra de ponderação e serenidade que naturalmente se prefere, a população constituída por maioria de gente que deseja viver a sua própria vida numa paz digna… Mas, do oriente ao ocidente, do norte ao sul, criam-se sempre motivos de intervencionismo espacial, chamariz da admiração dos povos, caso do Trump nos tempos de hoje ou mesmo, ou ainda nos de hoje também, por motivos sardónicos com falsas denúncias castigadoras, caso do Putin, continuam a acontecer. Já ontem, de resto, mais precisamente no século XVI, Sá de Miranda aconselhava os reis a ponderação:


“A dignidade real,
Que o mundo a direito tem,
Sem ela ter-se-ia mal,
É sagrada, e não leal
quem limpo ante ela não vem.

Não falemos nos tiranos,
Falemos nos reis ungidos;
Remedeiam nossos danos;
Socorrem os afligidos;
Cortam pelos maus enganos.”

É claro que eles são protegidos pelos seus governados, na maioria das vezes, como é o caso que vem citado a seguir, prova de que “sem cabeça o corpo é vão”, como também acentuou Sá de Miranda.

Líder supremo do Irão, Ali Khamenei, terá sido levado para um "bunker" por precaução, admitindo-se um ataque norte-americano em breve

IRAN SUPREME LEADER OFFICE / HANDOUT/EPA

Momentos-chave

Há 2hChefe do poder judiciário do Irão promete punir culpados “sem a mínima misericórdia”

Há 2hCanadá clarifica que não assinará acordo comercial com a China após ameaças de Trump

Há 3hComerciantes no Irão podem aceder à internet por 20 minutos após 17 dias de apagão digital

Há 3hOitenta presos políticos libertados na Venezuela

Há 5h"Maior massacre de civis da História". Manifestantes mortos entre 8 e 9 de janeiro foram mais de 36.000, diz nova estimativa

Há 6h"Esmaguem-nos. Disparem a matar e não tenham misericórdia", terá ordenado o líder iraniano, Ali Khamenei, no auge dos protestos

Há 6hZelensky diz que Europa, para seu bem, não pode perder territórios para o controlo russo

Há 10hKremlin recusa negociar com chefe da diplomacia europeia, Kaja Kalla, e "prefere esperar" por um substituto s

Há 10hIsrael apoia, secretamente, milícias palestinianas que combatem o Hamas em Gaza, diz o The Wall Street Journal

Há 11hMais de 30 mil pessoas terão sido mortas em dois dias nos protestos no Irão, segundo dados do próprio governo

Há 11hRússia abateu 52 drones ucranianos na última noite

Há 12h"Os dias de Delcy Rodriguez estão contados", diz a venezuelana María Corina Machado Actualizações em directo

Observador 

O essencial do que aconteceu até agora

Estima-se que mais de 36.000 pessoas tenham sido mortas no auge dos protestos no Irão, entre 8 e 9 de janeiro. Este número, baseado em documentos confidenciais, relatos de testemunhas oculares e dados do próprio Ministério da Saúde iraniano, é cerca de dez vezes superior ao número oficialmente reconhecido pelas autoridades de Teerão.

Ali Khamenei, líder supremo iraniano, ordenou às forças de segurança que fossem usados “quaisquer meios necessários” para “esmagar” os protestos, incluindo ordens de “disparar a matar” e sem mostrar misericórdia. A notícia foi avançada pelo The New York Times.

A Ucrânia continua a sofrer vários ataques aéreos russos. Um drone russo atacou edifícios residenciais na cidade de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, resultando em vários feridos. Além disso, ataques russos em várias regiões da Ucrânia nas últimas 24 horas causaram uma morte e ferimentos em pelo menos nove pessoas.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, apelou a uma Europa “unida e vigilante”, sublinhando a importância de não perder países e territórios para o “inimigo”, tendo em conta o exemplo da Bielorrússia, usada pela Rússia para atacar a Ucrânia. Zelensky destacou que a história pune aqueles que se mantêm indiferentes, apelando a uma acção conjunta para salvaguardar a liberdade e a integridade territorial.

O Kremlin recusou-se a negociar com Kaja Kallas, a actual chefe da diplomacia europeia, optando por “esperar por um substituto”. Esta declaração surge após a União Europeia alocar 10 milhões de euros para lançar um tribunal dirigido a responsabilizar os líderes russos pela invasão da Ucrânia, uma iniciativa encabeçada por Kaja Kallas.

Há 2h19:26 Agência Lusa 

Chefe do poder judiciário do Irão promete punir culpados “sem a mínima misericórdia”

O chefe do poder judiciário do Irão prometeu hoje realizar julgamentos “o mais rapidamente possível” contra os manifestantes detidos durante os protestos contra o regime e punir os culpados “sem a mínima misericórdia”.

“O povo exige, com razão, que os acusados e os principais instigadores dos tumultos e actos terroristas e violentos sejam julgados o mais rapidamente possível”, declarou Gholamhossein Mohseni-Eje’i, citado pela agência Mizan, órgão do poder judiciário.

Prometendo “o máximo rigor” nas investigações, Mohseni-Eje’i disse que “a justiça envolve julgar e punir sem a mínima misericórdia os criminosos que pegaram em armas e mataram pessoas ou propagaram incêndios, destruição e massacres”.

Há 2h18:57 Agência Lusa

Canadá clarifica que não assinará acordo comercial com a China após ameaças de Trump

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou este domingo que não tem qualquer intenção de assinar um acordo de comércio livre com a China, após o presidente norte-americano, Donald Trump, ter ameaçado impor tarifas de 100% se assinasse. “De acordo com o USMCA [acordo comercial trilateral que inclui o México, o Canadá e os Estados Unidos], estamos empenhados em não procurar acordos de comércio livre com economias não de mercado sem notificação prévia. Não temos qualquer intenção de o fazer com a China ou qualquer outra economia não de mercado”, explicou, citado pela agência Efe.

As suas declarações surgem um dia depois de Trump ter afirmado nas redes sociais que, se o Canadá concordar com um acordo de comércio livre com a China, irá impor “uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadianos que entrem nos Estados Unidos”. Carney especificou que o objetivo dos acordos assinados durante a sua recente visita a Pequim é “corrigir alguns problemas que surgiram nos últimos anos” no comércio com o gigante asiático em setores como a agricultura, as pescas e os veículos elétricos.

O líder canadiano salientou ainda que Otava acabara de concordar com uma quota anual máxima de 49.000 de automóveis elétricos para entrar no Canadá com tarifas reduzidas. “Isto está totalmente de acordo com o acordo USMCA, com as nossas obrigações, que respeitamos profundamente ao abrigo deste acordo”.

Questionado sobre a razão pela qual Trump, que há menos de dez dias tinha manifestado apoio a um acordo entre o Canadá e a China, atacou subitamente Otava, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, pareceu aludir ao recente discurso de Carney no Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça. “Não tenho a certeza do que o primeiro-ministro Carney está a fazer, além de tentar parecer virtuoso aos seus amigos globalistas em Davos. Não creio que esteja a fazer o melhor pelo povo canadiano”, disse Bessent em entrevista à ABC, também citada pela agência Efe.

Há 3h17:59: Agência Lusa 

Médicos Sem Fronteiras diz que vai divulgar o nome de funcionários palestinianos para continuar a poder operar em Gaza e na Cisjordânia

A organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou hoje que partilhará com as autoridades israelitas uma lista dos seus funcionários palestinianos, condição exigida para continuar a trabalhar em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental.

Em comunicado, a organização lamenta que Israel “tenha deliberadamente colocado” a organização e os seus colegas palestinianos “na posição impossível de fornecer esta informação ou abandonar as centenas de milhares de palestinianos que necessitam de cuidados médicos vitais”.

No final do ano passado, Israel anunciou a revogação das licenças de funcionamento das ONG internacionais por não cumprirem novos requisitos que os trabalhadores humanitários descreveram como praticamente impossíveis de cumprir.

As autoridades israelitas tinham solicitado às ONG que apresentassem, no prazo de dez meses, uma série de documentos sobre a sua organização e operações, incluindo uma lista de todos os funcionários, no âmbito de um novo regulamento de registo que permite a rejeição de licenças se houver suspeita, por exemplo, de colaboração com “organizações terroristas” designadas como tal por Israel, como o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).

Agora, e como “medida excecional”, a MSF informou que vai fornecer a Israel “uma lista definida com os nomes dos funcionários palestinianos e internacionais, sujeita a parâmetros claros, dando prioridade à segurança do pessoal”.

“Esta decisão é o resultado de extensas discussões com os nossos colegas palestinianos e só será adoptada com o consentimento expresso das pessoas envolvidas”, acrescenta a MSF, na mesma nota, citada pela Europa Press.

A organização não-governamental explica ainda o motivo para a sua relutância: “Estamos legitimamente preocupados em fornecer esta informação num contexto em que 1.700 profissionais de saúde foram mortos, incluindo 15 membros da equipa da MSF, desde outubro de 2023”.

A decisão de partilhar a informação já foi saudada pelo Governo israelita. “O anúncio da MSF é um passo na direcção certa”, afirmou o ministro israelita dos Assuntos da Diáspora e da Luta contra o Antissemitismo, Amichai Chickli, em comunicado hoje divulgado, citado pela agência EFE.

“Temos pelo menos dois casos documentados de activistas da MSF que estiveram directamente envolvidos em terrorismo, nas organizações Hamas e Jihad Islâmica Palestiniana”, acrescentou.

Há 3h17:53 Agência Lusa 

Comerciantes no Irão podem aceder à internet por 20 minutos após 17 dias de apagão digital

Os comerciantes iranianos podem ligar-se à internet durante 20 minutos por dia, na presença de um observador, quando se regista o 17.º dia de apagão digital no Irão, abalado nas últimas semanas por manifestações anti-regime.

“Os comerciantes devem registar-se para usar a Internet e, sob a supervisão de um observador, podem aceder durante cerca de 20 minutos”, anunciou o chefe da Câmara de Comércio Irão-China, Majid Reza Hariri, citado pelo meio Asriran.

Hariri comentou que o limite de tempo “não é ideal” e que, em 20 minutos, os comerciantes só podem consultar alguns e-mails.

A medida para controlar o acesso à Internet responde à preocupação das autoridades com possíveis ciberataques.

No entanto, não se conhece que órgão supervisiona a utilização da rede ou o tipo de conteúdo que pretende controlar.

“Este método não é uma solução adequada para o problema do corte da internet”, observou Hariri, acrescentando que as aplicações de mensagens se tornaram a principal ferramenta de comunicação com parceiros estrangeiros.

“Toda a nossa comunicação com outros países é feita através destas plataformas”, disse o responsável.

Afirmou ainda que é necessário encontrar soluções que protejam a infraestrutura do país sem dificultar a actividade económica.

“Devemos permitir que as empresas operem, protegendo ao mesmo tempo a segurança do país”, concluiu.

As autoridades iranianas dizem que ainda não têm dados sobre o custo económico do corte da Internet, que já dura há 17 dias.

No entanto, a NetBlocks, um grupo que monitoriza a Internet, relatou nos primeiros dias após a desconexão que cada dia de interrupção custa ao país mais de 37 milhões de dólares (cerca de 31,3 milhões de euros, ao câmbio atual).

Há 3h17:47 António Moura dos Santos 

Oitenta presos políticos libertados na Venezuela

Esta operação, revelada pela ONG Foro Penal, sinaliza um avanço no processo de libertação de detidos, que tem decorrido de forma lenta e sob a pressão de Washington.

“Pelo menos 80 presos políticos, cujos casos estamos a verificar, foram libertados hoje em todo o país. É provável que ocorram outras libertações”, escreveu o director da Foro Penal, Alfredo Romero, numa publicação na rede social X.

Uma das pessoas libertadas, refere Romero noutro post, é Kennedy Tejeda, “advogado, defensor dos direitos humanos e preso político em Tocorón desde 2 de agosto de 2024”, sendo que “já está em casa com a sua família”.

Há 4h17:23 Agência Lusa 

Damasco abre corredor humanitário para cidade de maioria curda

O Exército sírio anunciou hoje a abertura de um corredor humanitário para Kobané, uma cidade predominantemente curda no norte da Síria, para onde se dirigiram recentemente deslocados que fogem dos combates e um comboio da ONU com ajuda humanitária.

O Governo sírio anunciou no sábado o prolongamento por mais 15 dias do cessar-fogo com as forças curdas para facilitar a transferência pelos Estados Unidos de detidos do grupo extremista Estado Islâmico para o Iraque.

No início desta semana, habitantes de Kobané disseram à AFP que faltava comida, água e electricidade e que a cidade estava inundada de pessoas que fugiram do avanço do Exército sírio.

Em comunicado, o Exército indicou que vai abrir dois corredores, um para Kobané e outro na província vizinha de Hassaké, a fim de permitir “a entrada de ajuda”.

Graças à cooperação do governo sírio (…) um comboio de 24 camiões transportando alimentos essenciais, artigos de emergência e gasóleo” partiu para Kobané, “para fornecer ajuda vital aos civis afectados pelas hostilidades e pelo clima invernal”, declarou Gonzalo Vargas Llosa, representante da agência das Nações Unidas para os refugiados na Síria, citado pela AFP.

Há 5h16:24 Agência Lusa 

Irão. Manifestantes pedem em Lisboa intervenção internacional contra repressão

Mais de 200 pessoas manifestaram-se hoje em Lisboa contra a repressão dos protestos no Irão, que já causou milhares de mortes, e a pedir a intervenção da comunidade internacional para travar o “holocausto iraniano”.

Os manifestantes empunhavam bandeiras do Irão, de Portugal, Israel e Estados Unidos, bem como cartazes com o rosto do príncipe herdeiro Reza Pahlavi, filho do xá deposto em 1979 pela Revolução Iraniana, e do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A presidente da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, e outros membros do partido participaram na marcha, que partiu do Marquês de Pombal em direção ao Terreiro do Paço pouco depois das 15h00, sob uma chuva intensa.

CONTINUA


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