O que é isso?
O Dr. SALLES
explica: Nas questões cerealíferas, o que parece de utilidade
nacional, está visto.
Entre tantas outras
mais questões de transparência. A do foro pessoal também parece importante. O DR.
SALLES poderá justificar, com idêntica precisão.
HENRIQUE SALLES DA
FONSECA
A BEM DA NAÇÃO, 02.01.26
Começo por louvar a iniciativa governamental «Programa Mais Cereais» que sendo imprescindível, parece não ser suficiente.
A autossuficiência cerealífera nacional (19% do
consumo) tem a ajuda dos preços determinados pelas Bolsas de Paris e de
Chicago como mais um complemento distorçor da racionalidade.
Os custos de
contexto das agriculturas francesa e americana são muito diferentes dos
homólogos portugueses, daí, ser absurdo
praticar em Portugal os preços de formação alienígena.
Quanto aos locais
onde se combinam preços para certos produtos (v.g. porco no Montijo vaca
e cereais em Lisboa,…) não garantem a transparência do método de
formação dos preços pois que se trata apenas de saber qual o «lobby» mais forte – os lances são nominais (em nome de cada
Associação/empresa representada na mesa da negociação), consideram apenas mercadoria à vista
(não fazem operações sobre futuros), não criam o verdadeiro garante da transparência que é o
mercado secundário. Ou
seja, não são Bolsas, são locais de
primarismo mercantil que, para além do já referido, não dão acesso ao crédito
bancário – nas Bolsas, as operações efectivadas são tituladas por documento endossável e
descontável.
Só em mercados transparentes se formam
preços efectivamente consensuais: um mercado é transparente
quando a Oferta e a Procura se encontram livre e anonimamente (sem condicionantes administrativas ou legais
e sem pressões lobistas), com divulgação pública das cotações de venda,
de compra e efectivadas tanto para mercadorias à vista como para futuros e
derivados (combinações de várias
mercadorias). Ora, nada disto existe em Portugal pelo que podemos
afoitamente afirmar que os nossos mercados não
são transparentes com evidente prejuízo
da Oferta /produção como os
baixíssimos níveis de autossuficiência demonstram.
PRIMEIRA
CONCLUSÃO - Urge instituir a Bolsa de Mercadorias seja ela pública, privada ou mista.
A independência hídrica nacional pode ser alcançada com a dessalinização por alambiques
solares-eólicos, ou seja, sem a aleatoriedade da chuva
ou a chantagem espanhola. Mais: utilizando apenas energias
gratuitas e não consumindo as dispendiosas membranas para a osmose, o custo da
água é assim quase nulo. Estes baixos custos correspondem
apenas à amortização do investimento
(~20 anos) e as despesas de manutenção. Tudo isto pode ser mais do que
compensado pela comercialização da salmoura/sal gerando custo negativo (lucro) para a água dessalinizada à
saída do alambique.
Considerando que
a Produção Interna de Cereais (PIC) em níveis de razoabilidade económica (não
entrando por terras de marginalidade evidente) nunca ultrapassará o nível de ~50% do consumo de
cereais, parece necessário passarmos
a pensar nos moldes de Produção Nacional de Cereais
(PNC) procurando
produzir lá fora o que não conseguimos produzir cá dentro. Estou a pensar no sul da Tunísia e na Líbia Sirenaica.
Concluo
renovando o louvor ao «Programa Mais Cereais»
1 de Janeiro
de 2026, no 22º aniversário deste blog
HENRIQUE
SALLES DA FONSECA
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