Com delicadezas (falsas?) de parte a parte, retratos de um mundo igual
a si mesmo, não se estranhe, pois, ambições e invejas complementando-se,
naturalmente.
I - Nobel da paz
Corina Machado agradece a Trump
captura de Maduro e diz que regressa em breve ao país
Em entrevista, a vencedora do
Prémio Nobel da Paz e líder da oposição afirmou que planeia regressar à
Venezuela o mais rápido possível e admitiu que não falou com Trump desde a
captura de Maduro.
OBSERVADOR, 06 jan. 2026, 07:33 1
A líder da oposição da Venezuela, María Corina Machado, agradeceu ao Presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, pelas “acções
valentes” que levaram à captura do líder venezuelano, Nicolás Maduro.
Durante uma entrevista ao apresentador Sean Hannity, na Fox News, Machado
recordou que, em outubro, dedicou a Trump o Prémio
Nobel da Paz que lhe foi atribuído.
Machado salientou que teve de
deixar a Venezuela em segredo para viajar
até Oslo para receber o galardão, embora tenha chegado demasiado tarde para assistir à cerimónia oficial.
A líder da oposição declarou que planeia
regressar à Venezuela o mais rápido possível e afirmou que não falou com Trump desde a captura
de Maduro de
Caracas pelos Estados Unidos.
Machado
disse ainda que a oposição que lidera
transformaria a Venezuela num centro energético para as Américas,
restabeleceria o Estado de direito para garantir a segurança do investimento
estrangeiro e facilitaria o regresso dos venezuelanos que, segundo diz, fugiram
do país desde que Maduro chegou ao poder, em 2013.
A líder da oposição indicou que o
movimento que representa alcançaria “mais de 90% dos votos” em eleições livres
e justas.
Donald Trump recusou-se publicamente
a respaldar María Corina Machado, dizendo, no fim de semana, que esta não tem
apoio suficiente na Venezuela para liderar o país.
Os Estados Unidos lançaram no sábado
“um ataque em grande escala
contra a Venezuela” para
capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás
Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir
uma transição de poder.
Maduro
e a mulher prestaram, na segunda-feira, breves declarações num tribunal de Nova Iorque para responder às acusações de tráfico de droga, corrupção e
branqueamento de capitais e ambos
declararam-se inocentes. A próxima audiência está marcada para 17 de
março.
A vice-presidente executiva Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina do país com
o apoio das Forças Armadas.
A comunidade internacional dividiu-se
entre a condenação ao ataque dos Estados Unidos a Caracas e saudações pela
queda de Maduro.
A
União Europeia defendeu que a transição política na Venezuela deve incluir os
líderes da oposição María Corina Machado e Edmundo González.
O secretário-geral da ONU, António
Guterres, alertou que a acção militar dos EUA poderá ter “implicações
preocupantes” para a região, mostrando-se preocupado com a possível “intensificação da instabilidade
interna” na Venezuela.
VENEZUELA MUNDO DONALD TRUMP
ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA AMÉRICA
COMENTÁRIOS:
Prémio Nobel Mario Figueiredo
Há um texto extraordinário sobre ela
no Financial Times de hoje: "The Long Wait of María Corina Machado".
Para além de relembrar quem é a e a sua luta pela liberdade do seu povo
e posterior exílio, explora o elefante na sala que é a falta de apoio de Trump
e as palavras pouco elogiosas. Mesmo no contexto de uma possível estratégia de
transição mais lenta, seria de esperar que a Administração Norte Americana
olhasse para ela com reverência e respeito, alinhando-se mas dizendo que este
não era o momento. Mas nada disso: declara formalmente que a vencedora das
últimas eleições na Venezuela não tem o apoio do povo.
Curiosamente -- e de forma similar -- todos os que nos jornais
portugueses têm apoiado entusiasticamente a acção norte-americana e manifestado
grande entusiasmo pela prisão de Maduro e alegria pelo povo Venezuelano, removem
silenciosamente o nome dela dos seus textos.
María Corina Machado. Está agora no limbo opinativo. Uma figura
muito incómoda para as narrativas que se pretendem tecer e para os anúncios
pomposos de alegria pelo povo venezuelano. Por outras palavras, ela é uma
chatice.
Lúcio Monteiro: Nos dias que correm, há uma dúvida pertinente
que a muitos incomoda: "Será que a comunicação verbal perdeu o seu
significado, já que se vai tornando normal alguém afirmar uma coisa, quando
todo o mundo sabe que está a pensar precisamente o seu contrário? Como neste
caso de Trump que, como inveterado
ressabiado que é, encara Corina Machado como "aquela que lhe
"roubou" o Prémio Nobel da Paz". Mas, como bom cara de
pau que é, ele diz precisamente o contrário.
II Trump nega ter excluído Corina Machado da liderança da
Venezuela por esta ter aceitado o Nobel da Paz
Presidente norte-americano mantém opinião de que opositora venezuelana
"não devia ter ganho" o Nobel da Paz. Mas garante que decisão sobre
governo da Venezuela não se baseou na distinção.
OBSERVADOR, 06 jan. 2026,
00:33
O
Presidente dos EUA, Donald Trump, negou, esta segunda-feira, que a rejeição de María Corina Machado para ser a futura governante da Venezuela esteja
relacionada com a sua vitória no Nobel da Paz em 2025, prémio que o líder
norte-americano cobiçava abertamente.
“Ela
não devia ter ganho. Mas não, não tem nada a ver com a minha decisão”,
afirmou Trump, rejeitando a informação avançada pelo jornal norte-americano
The Washington Post, que este domingo citava duas fontes próximas da Casa Branca que
davam conta das reservas
do Presidente dos EUA em guiar a política venezuelana para a liderança do país
por esta ter aceitado o prémio.
Corina Machado chegou até a dedicar a distinção ao Presidente norte-americano, mas
mesmo assim, segundo uma das fontes, isso não chegou para que o prémio não se
tornasse no “pecado capital” da venezuelana aos olhos de Trump.
“Se ela tivesse recusado e
dito: ‘Não posso
aceitar porque é de Donald Trump’, ela seria hoje a Presidente da Venezuela”, garantiu
a outra fonte próxima da administração norte-americana ouvida pelo
The Washington Post.
Esta segunda-feira, Corina
Machado agradeceu abertamente ao Presidente dos EUA e à
sua administração “pela firmeza e determinação no cumprimento da lei”. “A Venezuela será o principal aliado dos
Estados Unidos em matéria de segurança, energia, democracia e direitos
humanos”, acrescentou na rede social X.
“A
liberdade da Venezuela está próxima e em breve vamos celebrar na nossa terra.
Vamos gritar, rezar e abraçar-nos em família, porque os nossos filhos vão
voltar para casa”, referiu
também a política venezuelana.
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