quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

TEXTOS COMPLEMENTARES


Com delicadezas (falsas?) de parte a parte, retratos de um mundo igual a si mesmo, não se estranhe, pois, ambições e invejas complementando-se, naturalmente.

I - Nobel da paz

Corina Machado agradece a Trump captura de Maduro e diz que regressa em breve ao país

Em entrevista, a vencedora do Prémio Nobel da Paz e líder da oposição afirmou que planeia regressar à Venezuela o mais rápido possível e admitiu que não falou com Trump desde a captura de Maduro.

AGÊNCIA LUSA: Texto

OBSERVADOR, 06 jan. 2026, 07:33 1 

A líder da oposição da Venezuela, María Corina Machado, agradeceu ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas “acções valentes” que levaram à captura do líder venezuelano, Nicolás Maduro.

Durante uma entrevista ao apresentador Sean Hannity, na Fox News, Machado recordou que, em outubro, dedicou a Trump o Prémio Nobel da Paz que lhe foi atribuído.

Machado salientou que teve de deixar a Venezuela em segredo para viajar até Oslo para receber o galardão, embora tenha chegado demasiado tarde para assistir à cerimónia oficial.

A líder da oposição declarou que planeia regressar à Venezuela o mais rápido possível e afirmou que não falou com Trump desde a captura de Maduro de Caracas pelos Estados Unidos.

Machado disse ainda que a oposição que lidera transformaria a Venezuela num centro energético para as Américas, restabeleceria o Estado de direito para garantir a segurança do investimento estrangeiro e facilitaria o regresso dos venezuelanos que, segundo diz, fugiram do país desde que Maduro chegou ao poder, em 2013.

A líder da oposição indicou que o movimento que representa alcançaria “mais de 90% dos votos” em eleições livres e justas.

Donald Trump recusou-se publicamente a respaldar María Corina Machado, dizendo, no fim de semana, que esta não tem apoio suficiente na Venezuela para liderar o país.

Os Estados Unidos lançaram no sábado “um ataque em grande escala contra a Venezuela para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.

Maduro e a mulher prestaram, na segunda-feira, breves declarações num tribunal de Nova Iorque para responder às acusações de tráfico de droga, corrupção e branqueamento de capitais e ambos declararam-se inocentes. A próxima audiência está marcada para 17 de março.

A vice-presidente executiva Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina do país com o apoio das Forças Armadas.

A comunidade internacional dividiu-se entre a condenação ao ataque dos Estados Unidos a Caracas e saudações pela queda de Maduro.

A União Europeia defendeu que a transição política na Venezuela deve incluir os líderes da oposição María Corina Machado e Edmundo González.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a acção militar dos EUA poderá ter “implicações preocupantes” para a região, mostrando-se preocupado com a possível “intensificação da instabilidade interna” na Venezuela.

VENEZUELA        MUNDO       DONALD TRUMP       ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA       AMÉRICA 

COMENTÁRIOS:

Prémio Nobel  Mario Figueiredo

Há um texto extraordinário sobre ela no Financial Times de hoje: "The Long Wait of María Corina Machado".

Para além de relembrar quem é a e a sua luta pela liberdade do seu povo e posterior exílio, explora o elefante na sala que é a falta de apoio de Trump e as palavras pouco elogiosas. Mesmo no contexto de uma possível estratégia de transição mais lenta, seria de esperar que a Administração Norte Americana olhasse para ela com reverência e respeito, alinhando-se mas dizendo que este não era o momento. Mas nada disso: declara formalmente que a vencedora das últimas eleições na Venezuela não tem o apoio do povo.

Curiosamente -- e de forma similar --  todos os que nos jornais portugueses têm apoiado entusiasticamente a acção norte-americana e manifestado grande entusiasmo pela prisão de Maduro e alegria pelo povo Venezuelano, removem silenciosamente o nome dela dos seus textos.

María Corina Machado. Está agora no limbo opinativo. Uma figura muito incómoda para as narrativas que se pretendem tecer e para os anúncios pomposos de alegria pelo povo venezuelano. Por outras palavras, ela é uma chatice.

Lúcio Monteiro: Nos dias que correm, há uma dúvida pertinente que a muitos incomoda: "Será que a comunicação verbal perdeu o seu significado, já que se vai tornando normal alguém afirmar uma coisa, quando todo o mundo sabe que está a pensar precisamente o seu contrário? Como neste caso de Trump que, como inveterado ressabiado que é, encara Corina Machado como "aquela que lhe "roubou" o Prémio Nobel da Paz". Mas, como bom cara de pau que é, ele diz precisamente o contrário.

 

II Trump nega ter excluído Corina Machado da liderança da Venezuela por esta ter aceitado o Nobel da Paz

Presidente norte-americano mantém opinião de que opositora venezuelana "não devia ter ganho" o Nobel da Paz. Mas garante que decisão sobre governo da Venezuela não se baseou na distinção.

MARINA FERREIRA: Texto

ANDRÉ CERTÃ: Texto

OBSERVADOR, 06 jan. 2026, 00:33  

O Presidente dos EUA, Donald Trump, negou, esta segunda-feira, que a rejeição de María Corina Machado para ser a futura governante da Venezuela esteja relacionada com a sua vitória no Nobel da Paz em 2025, prémio que o líder norte-americano cobiçava abertamente.

“Ela não devia ter ganho. Mas não, não tem nada a ver com a minha decisão”, afirmou Trump, rejeitando a informação avançada pelo jornal norte-americano The Washington Post, que este domingo citava duas fontes próximas da Casa Branca que davam conta das reservas do Presidente dos EUA em guiar a política venezuelana para a liderança do país por esta ter aceitado o prémio.

Corina Machado chegou até a dedicar a distinção ao Presidente norte-americano, mas mesmo assim, segundo uma das fontes, isso não chegou para que o prémio não se tornasse no “pecado capital” da venezuelana aos olhos de Trump.

“Se ela tivesse recusado e dito: ‘Não posso aceitar porque é de Donald Trump’, ela seria hoje a Presidente da Venezuela”, garantiu a outra fonte próxima da administração norte-americana ouvida pelo The Washington Post.

Esta segunda-feira, Corina Machado agradeceu abertamente ao Presidente dos EUA e à sua administração “pela firmeza e determinação no cumprimento da lei”. “A Venezuela será o principal aliado dos Estados Unidos em matéria de segurança, energia, democracia e direitos humanos”, acrescentou na rede social X.

“A liberdade da Venezuela está próxima e em breve vamos celebrar na nossa terra. Vamos gritar, rezar e abraçar-nos em família, porque os nossos filhos vão voltar para casa”, referiu também a política venezuelana.

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