Um Primeiro-Ministro apeado há anos pelo próprio Aníbal Cavaco Silva, homem sério e aparentemente exigente em compostura, sabendo quanto o País necessitava de equilíbrio governativo, de que Passos Coelho dera já boas provas em governo anterior exigente de seriedade, mas que Cavaco Silva, pressionado, preteriu, a favor de António Costa. Não, nunca poderei esquecer a decepção que senti com a sua decisão de repúdio de Passos Coelho para PM, a favor de A. Costa, decisão comprovativa da definitiva pequenez de um povo que Passos Coelho tentara anteriormente dirigir com mais hombridade - inadequada no país dos pobres diabos do “cantando e rindo” bem demonstrativo de ausência de ponderação na forma de progredir sem tanto apelo ao exterior: PPC, bem merecedor de uma crónica como a que segue, de Maria João Avillez, que ironiza sobre quem dele precisa hoje, para apoio eleitoral…
Não
me parece que
To make a long story short: acusar Pedro Passos Coelho de reticências ou ausências da campanha
de Marques Mendes releva da vergonha: então agora precisam dele, afinal
precisam? Sejamos sérios.
MARIA JOÃO
AVILLEZ Jornalista, colunista do
Observador
OBSERVADOR, 14 jan. 2026, 00:228
1Não me parece que seja como por
“aí” se apregoa. Pelo contrário: não é Pedro Passos Coelho – sempre ele – que
“não quer” ir dar uma mão a Marques Mendes numa semana crucial: é uma grande
parte do PSD que desde há anos – imensos anos – não quer ouvir falar de Pedro
Passos Coelho: pô-lo de parte. Ano
após ano o seu legado ficou vazio – ou
disfarçado como um embaraçoso constrangimento, talvez até como um pecado –
quando Passos pegou Portugal de caras em 2011 e deixou-o, quatro anos depois,
mais robusto de saúde nacional e internacional, mas eles não deram por isso.
(E quem deu, não gostou e não esqueceu). Um
inexplicável desrespeito pela herança deixada ao próprio PSD e à história do
partido. Claro que o CDS
fez parte da coligação que levou a troika às costas. Mas não
esqueço um sempre (ou quase, quase sempre ) recalcitrante CDS, acolitado por
centristas queixosos e demasiadas vezes acometidos de “estados de alma”:
perguntem a Luís Montenegro, então (excepcional) líder parlamentar da
bancada PSD/CDS o que passou com o parceiro, que ele lembra-se. (Eu também.)
De modo que nem Passos Coelho, nem o seu
entendimento de “serviço”, nem a resiliência que mostrou até à “saída limpa” do
processo de ajustamento, com Portugal a crescer desde o fim de 2013,
interessaram por ali além aos barões do PSD. Até
hoje. E a Belém ainda menos: o Palácio foi sempre uma máquina trituradora da
governação 2011/2015 e mais tarde o “soprador” de falsas intenções atribuídas
ao ex-primeiro ministro. Também até hoje. É obra.
To make a long story short: acusar
Passos Coelho de reticências ou ausências da campanha de Marques Mendes releva
da vergonha: então agora precisam dele, afinal precisam? Sejamos sérios. A História é o que foi e
não uma conveniência para uso do dia ou da circunstância. O que parece – e isso
sim, seria sério – é que o PSD tem de começar a olhar melhor para dentro de si
mesmo. Há o início de um processo de decadência que não será invertido ao de
leve, nem abrandado com inoperantes clichés do género “o partido sempre foi
assim”.
Alguém será capaz de tal empreitada
nos amanhãs não cantantes que se anunciam?
2Não me parecia nada. Ou não
parecia tanto: quem havia
de dizer que um militar de boa aparência, formado numa escola que sempre se
recomendou no país, seria capaz do indigesto espectáculo com várias sessões de
insulto grátis? Gouveia e Melo aterrou como auto-impoluto “out-sider” na
política portuguesa para a salvar – e nos salvar – de uma democracia suja e da
poluição doentia do seu ar (as palavras são minhas). Fê-lo olhando para tudo e
todos – da esquerda à direita – com uma pena autoritária e um gelado desdém que
camuflava de confiança em si mesmo.
Quem diria que preferiria afinal a via do insulto, da suspeita, da
difamação, da acusação? (Diz-me que via política escolhes, dir-te-ei quem és?)
Numa semana crucial, o tom de
Gouveia e Melo tem subido como um febrão no termómetro do escárnio e mal dizer
e Gil Vicente que me desculpe por sugerir uma comparação entre o génio que ele
era e um candidato autoritariamente acusativo e acusador.
Não me é difícil imaginar a fúria homérica que, onde esteja, o dr.
Soares deve ter tido ao ouvir-se invocado como modelo ou referência por este
candidato; ou do sorriso de desgostada ironia de Sá Carneiro ao ver-se o
inspirador de uma extraordinária frisa de apoiantes que o país ficou a conhecer
um dia destes. Devem estar aflitos
ou muito aflitos: só isso explica que não se tenham importado de parecer uns
deserdados em vez dos herdeiros (?) inspirados que julgam ser, de duas figuras
políticas excepcionais do passado recente. Que confusão, santo Deus.
3Não tenho qualquer antipatia
pelo cidadão António
José Seguro. Conheço-o há muitos anos, somos vizinhos na
minha segunda morada “oestina” que muito frequento (e sabe-se como ser
“vizinhos” confere desde logo uma espécie de estatuto especial entre os
próprios).
Aprecio – já as conhecia – as boas maneiras que pratica, uma natural
moderação, uma natural afabilidade, o modo discreto como saiu de cena após ter
sido, sem sombra de razão política, enxotado publicamente por António Costa que
não via outro modo de “lá” chegar. E que mais? É que
nunca a figura de António José Seguro me surgiu com a indiscutibilidade de um
líder: aquela inconfundível
capacidade – misto de energia política, autoridade própria, poder de decisão,
rumo, agilidade tática, visão estratégica – que fazem um líder, interpelam os
povos e conduzem os países. Talvez os seus votantes achem que não tem muita
importância, a Presidência não tem responsabilidades executivas, Seguro se for
eleito ouvirá, fará pontes, construirá consensos, tem bom presença. Os
serviços mínimos, portanto.
E
se forem precisos os máximos? Haverá discernimento,
conhecimento, resiliência? E se aquela parte do PS que lhe quer a pele, mesmo
dando hoje (fictícios) “ares” de família unida, decidir fazer-lhe a vida negra,
seja de que modo for e há muitos modos? E se – caso vença – a relação do “seu” PS consigo vier a ser
impositiva, demasiado exigente? Ter um socialista em Belém é a
última das últimas bóias do PS: o partido não lhe perdoaria se a bóia não fosse
dar a lado nenhum.
Mais “ses” assaz plausíveis:
se a relação com o governo lhe reclamar mais que fazer pontes e pôr
litigantes face a face, Seguro-Presidente será capaz de mediar, decidir, usar
de autoridade institucional? Se face à Europa e ao Mundo de hoje, Portugal tiver
que ter um verbo, um gesto, uma intervenção, forte ou muito forte e as opiniões
públicas e publicadas entrarem em transe, o que soará com Seguro em Belém?
Por menos, já o vimos recuar politicamente.
Alguns amigos meus de centro-direita e de direita andam enlevados.
Não é preciso justificarem-se, era só tomarem nota de que nunca por nunca ser a
esquerda seria capaz do anúncio público da sua mudança de território.
Cá estarei para com eco e contrição reconhecer o engano. Mas não me
parece que.
4E
o resto? Ah, o resto. Ou fica para depois ou não valia a pena ter escrito nada.
5Mudando
de assunto: deixo notícia de um grande acontecimento e não penso estar a ser excessiva:
no próxima semana (terça-feira) a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e o
Conselho Português de Igreja Cristãs (COPIC) farão uma conferência de imprensa
apresentada pelo Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério.
O pretexto é sólido e bom – o
lançamento em Portugal da “Charta Oecuménica 2025” – e o tema, aliciante: saber
as igrejas cristãs em diálogo ecuménico.
A própria apresentação da “Charta
Œcumenica” devidamente actualizada é um momento relevantíssimo – e oh
quão amparador – na incerteza sofrida dos dias de hoje e na sombra que os
cobre: reunir Igrejas cristãs de toda a Europa num compromisso comum pela
unidade, a paz, a dignidade humana não é todos os dias mas foi admirável.
A Charta de que falo (também tive que me informar…)
é o fruto de um amplo, longo, maturado, processo de consulta ecuménica no
termo do qual as assinaturas postas no documento final falam pelo seu valor
intrínseco: a do Council of European Bishops’ Conferences e
a da Conference of European Churches. Ou seja: o
padrão de um imenso acontecimento, um marco histórico no diálogo entre Igrejas.
Posso também sublinhar – como me fizeram a mim – o
especial significado deste texto por surgir ele no ano dos 1700 anos do
Concílio de Niceia, evocando as raízes comuns da fé cristã e o apelo actual à
comunhão vivida: “Num
contexto europeu marcado por guerra, migrações, fragmentação social e desafios
éticos ligados às novas tecnologias, o documento oferece uma leitura cristã
conjunta sobre temas tão centrais da nossa atualidade.”
Uma luminosa oportunidade.
Poder testemunhar um acontecimento que
ultrapassa o âmbito religioso, oferecendo matéria de reflexão cultural, social
e política sobre o futuro da Europa – e o nosso –é uma oportunidade, quem sabe
se única. Por outras palavras: vai ser preciso fazer caso dela e
bom uso das suas páginas.
PEDRO PASSOS
COELHO POLÍTICA PRESIDENCIAIS
2026 ELEIÇÕES
COMENTÁRIOS
NUNO SILVA
O que teria Carmona Rodrigues, seu apoiante, a dizer sobre o que a MJA
escreve sobre HGM? Vejo com pena tanta gente a preferir mais do mesmo. J.
Gabriel: Consciência
tranquila, FICO EM CASA, nunca faltei, mas não me revejo em nenhum, para que o
invoque antes Outro porque não quero outro fala barato. Ou porque É UM PERIGO
PARA O PAÍS, O restante BARALHA -SE não sabe e se com o pé OU COM A MÃO, não
exijo, não critico, Fico , ou boa música. Miguel
Seabra: O CÚMULO
da HIPOCRISIA, Marques Mendes é o candidato da brigada do reumático, Marcelo,
Cavaco, Ferreira Leite e muitos outros que faziam fila para espetarem facas nas
costas de Passos Coelho quando este tentava salvar o País. Agora elogia, sem
vergonha. O povo está farto destes charlatões que estão na política há 50 anos
e não largam o osso… Rui
Lima: Só
iria Votar se Pedro Passos Coelho fosse candidato lamento que o PSD tenha
escolhido o cavalo errado. O problema está em SALVAR O PS, porque o PS se
salvou e SALVOU OS SEUS, MAS ENTERROU PORTUGAL várias vezes , e vai ACONTECER NOVAMENTE, A
máquina está montada um pouco de óleo E VOLTA A FUNCIONAR. Cisca
Impllit: À espera de Godot. Eu sei em quem votar convictamente sem a
desajuda dos jornalistas / comentadores. Desnorteados a apontarem os cardeais. Mário Rocha: É extraordinária a suposta surpresa dos
comentadores com o comportamento do almirante como se não fosse conhecido o seu
passado autoritário, egocêntrico e conflituoso, desde o tempo da distribuição
dos experimentos e de outros episódios durante a sua carreira militar. Mas
claro, nesse tempo era preciso vender um salvador do grande terror de uma
doença para satisfazer os interesses de grandes negócios que governam o mundo
ocidental, e que permanecesse na memória do povo para lá dos anos de propaganda
mais intensiva do medo. Mas para azar do sistema, aquela imagem de confiança
fabricada pelos media, rapidamente se esvaziou, logo que começou a ser
confrontado com a responsabilidade de tomar decisões políticas com validação
pública, revelando que tal não condizia nada com a sua personalidade de sempre,
de poder e comando autoritário.
André Ondine: O silêncio de Passos Coelho e a arrogância truculenta do
almirante, a par de outras desventuras desta campanha miserável, são o sinal de
que, de facto, este era mesmo o momento em que Portugal precisava de um
candidato como Pedro Passos Coelho. A lista de escolhas é deprimente. Grande parte
dos eleitores escolherão o mal menor. A campanha é o espelho dos candidatos. E
daqui a dez anos, provavelmente, levaremos com o João Ferreira, o Costa ou o
Nuno Santos, para baixar ainda mais a fasquia. Portugal, hoje, precisa de coragem e de ousadia. Isso não está na
previsibilidade calculada de Marques Mendes, na decência mínima de Seguro, no
charme de Cotrim, na arrogância ignorante do almirante, nos gritos agora
disfarçados de Ventura ou no calculismo partidário dos outros “concorrentes”. Estaria em Passos e em poucos, muito
poucos, mais.
Compreendo o seu silêncio. Se o quebrar até Domingo, será sempre pelo mal
menor. Como quase todos nós.
JOHN MARTINS: Há
análises que sugerem que Maria João escreve com a lucidez de quem
percebe o que muitos no PSD evitam admitir: com Ventura e Seguro a dominar
as sondagens, a derrota de Marques Mendes parece cada vez mais provável. E
nesse contexto, há quem veja no silêncio de Passos Coelho não desinteresse, mas estratégia. Se o Partido passou anos a afastá-lo,
não faria sentido que fosse ele a carregar o peso de uma derrota anunciada. Sem
me querer alongar sobre o que vai por toda a parte...creia-me seu admirador.
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