quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Concordo

 

Com o estatuto.

Desde a leitura, já tão antiga, do “Suave Milagre”, que essa história tão poeticamente narrada, por Eça de Queirós, ligada ao povo judeu, me ficou na cabeça e daí que, verdadeira ou falsa, a aceitei como manifestação de um povo espiritual, onde o ser mais espiritual de todos foi criado. Daí que naturalmente concorde o tal estatuto especial proposto pelo Presidente da Associação Judaica Europeia a esse povo que, pelo menos entre nós, portugueses, tirante os arremedos de Eça, se soube sempre impor por uma certa superioridade, julgo.

Presidente da Associação Judaica Europeia, sediada em Bruxelas, representando mais de 650 comunidades judaicas em toda a Europa Nunca mais? Para que assim seja, é tempo de conceder aos judeus um estatuto especial de minoria protegida

Hoje restam menos de dois milhões de judeus na Europa. Representamos cerca de 0,2% da população. E hoje os judeus vivem a pior crise desde a Segunda Guerra Mundial.

RABBI MENACHEM MARGOLIN

OBSERVADOR, 27 jan. 2026, 00:1534

Rabbi Menachem Margolin: Presidente da Associação Judaica Europeia, sediada em Bruxelas, representando mais de 650 comunidades judaicas em toda a Europa

Nunca mais? Para que assim seja, é tempo de conceder aos judeus um estatuto especial de minoria protegida.

Hoje restam menos de dois milhões de judeus na Europa. Representamos cerca de 0,2% da população. E hoje os judeus vivem a pior crise desde a Segunda Guerra Mundial.

27 jan. 2026, 00:1534

Hoje, 27 de Janeiro, Dia Internacional de Memória do Holocaustos, em parlamentos e instituições internacionais de todo o mundo aqueles em posições de poder levantar-se-ão novamente e declararão solenemente “nunca mais” — duas palavras pronunciadas com grande cerimónia, mas ditas apenas neste dia. Mas o que significam estas palavras na realidade?

Antes da Segunda Guerra Mundial, os judeus eram cerca de 9,5 milhões na Europa. O Holocausto levou ao assassinato em massa de 6 milhões de nós. A vida judaica foi destruída, a nossa continuidade cultural e religiosa reduzida a uma sombra do que fora, e em muitas partes da Europa tornou-se apenas uma memória, sussurrada em voz baixa quando se passa por uma antiga sinagoga ou se tropeça num velho cemitério judaico. Pior ainda: em demasiadas regiões da Europa, os habitantes locais desconhecem completamente que ali viveram judeus antes de serem deportados para campos de concentração. É como se nunca tivessem existido.

Hoje restam menos de dois milhões de judeus na Europa. Representamos cerca de 0,2% da população. E hoje os judeus vivem a pior crise desde a Segunda Guerra Mundial. Todos os anos, os governos anunciam com orgulho que as taxas de criminalidade estão a diminuir. No entanto, o antissemitismo continua a aumentar — cada vez mais, ano após ano. Hoje, tal como nos dias sombrios que antecederam a Segunda Guerra Mundial, judeus são assassinados na Europa e nos Estados Unidos apenas por serem judeus. São agredidos em plena luz do dia, cuspidos, insultados e retratados como monstros. As nossas sinagogas são atacadas, incendiadas ou vandalizadas. Marchas de ódio e protestos universitários negam o nosso próprio direito de existir. Muitos judeus têm medo de parecer visivelmente judeus ou de usar símbolos judaicos.

Também se abriu a época de caça contra o único Estado judeu do mundo — que, há pouco mais de dois anos, sofreu o pogrom mais brutal desde o Holocausto. Milhares de judeus já escolheram partir. A maioria para Israel. Pense nisso por um momento: escolheram mudar-se para uma zona de guerra activa em vez de permanecer em supostos bastiões das democracias liberais ocidentais.

Pergunto novamente: o que significa “Nunca Mais”?

Governos de todo o mundo adoptaram a definição de antissemitismo da IHRA, nomearam enviados especiais para o combate ao antissemitismo e publicaram estratégias nacionais para enfrentar esta maré crescente de ódio contra judeus. Isto deveria proteger-nos. Não protegeu. Na prática, tudo se revelou uma série de palavras bem-intencionadas no papel que, em muitos países, nunca se traduziram em leis, estatutos ou acção policial real; e noutros resultaram apenas em medidas limitadas que falharam em produzir qualquer diferença significativa no terreno. Uma importante declaração de intenções, sim — mas sem implementação eficaz e concreta, acaba por ser inútil.

Isto pode soar ingrato. Pode até soar duro. Mas é a verdade. Tente encontrar um judeu que possa dizer que qualquer uma destas declarações, estratégias ou assinaturas de definições fez uma diferença real na sua vida hoje.

Se os planos e estratégias comprovadamente não estão a funcionar, então qual é a resposta para tornar “Nunca Mais” mais do que um slogan — uma política verdadeiramente significativa?

Para isso, precisamos olhar para o povo SAMI. Vivem na Noruega, Suécia, Finlândia e Rússia. Tal como os judeus, têm uma cultura e língua próprias. Tal como os judeus, defendem os seus direitos e herança. Tal como os judeus, são poucos — uma fração de 1% da população dos países onde vivem. Mas, ao contrário dos judeus, não são agredidos nas ruas. Nem os seus edifícios parecem fortalezas guardadas 24 horas por dia. Tal como os judeus, são reconhecidos oficialmente como povo nativo e apoiados pelos seus governos na preservação da sua língua e cultura. Mas, ao contrário dos judeus, o direito internacional reconhece o seu direito à autodeterminação.

Não basta ter um estatuto especial de minoria. Os judeus precisam de ser reconhecidos com um estatuto especial de protecção: um estatuto que salvaguarde um povo, uma cultura e um modo de vida.

O que significa isto na prática?

Significa segurança planeada, financiada e garantida pelo Estado — e não paga pelas vítimas. Significa que a nossa fé e prática não são atacadas por leis que ditam como comemos ou se podemos circuncidar os nossos filhos. Significa que as escolas ensinam sobre nós — as nossas raízes, os nossos valores, o nosso passado e o nosso futuro. Significa que escolas judaicas, centros culturais e museus são devidamente financiados e apoiados. Significa que a nossa herança não fica escondida atrás de cercas e guardas armados, mas é celebrada e valorizada como parte da história da humanidade. Significa que o direito judaico de viver — e o modo de vida judaico — deixam de estar em debate.

Precisamos urgentemente de ser protegidos no direito nacional e internacional através de um estatuto especial de protecção. Isto não é sobre privilégio. É sobre a própria sobrevivência de um povo e a integridade de um continente. Acima de tudo, trata-se de garantir que aqueles que hoje se levantam e nos juram “nunca mais” mostram que realmente o dizem com intenção verdadeira.

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COMENTÁRIOS:

Paul C. Rosado: Devem ser protegidos como quaisquer cidadãos. Sem estatuto especial. Os governos da Europa têm é de deixar de ser subservientes ao Islão e têm de passar a punir seriamente a violência islâmica. Para isso os cidadãos terão de deixar de votar nos cúmplices esquerdalhas do islão. Vai ser difícil. Ainda agora andam todos entusiasmados com mais um socialista, que acredita que o islão é uma "religião da paz" em vez de uma ideologia fascista. Mesmo com 14 séculos de evidências!                    Rui Lima: Hoje restam poucos judeus na Europa, muitos vivendo com receio, em vários países, o poder político fecha os olhos ao antissemitismo por puro cálculo eleitoral?  Em França, por exemplo, onde o voto muçulmano representa milhões, defender abertamente a comunidade judaica é visto como risco político. O nazismo foi um fenómeno brutal, mas limitado no tempo, já o antissemitismo actual é estrutural e crescente, acompanhando o aumento demográfico muçulmano na Europa e a normalização do ódio sob diferentes pretextos. Quase nunca se fala de uma das maiores limpezas étnicas do século XX: a expulsão dos judeus do Norte de África e do Médio Oriente, onde viviam há séculos. A Europa perde e o mundo também, o progresso europeu esteve historicamente ligado à presença da comunidade judaica a sua marginalização empobrece o continente. Associo, em particular, o declínio da França à fuga e à perda de confiança da sua comunidade judaica.            graça Dias: A EUROPA CAMINHA SONÂMBULA: As sociedades ocidentais, o antissionismo parece ser a raiz "politicamente correcta" do conflito social onde quer que os islamitas se estabeleçam. Infelizmente, como essas sociedades ocidentais ainda não descobriram, o desejo de eliminar os “indesejáveis” não se limita a Israel e aos judeus, mas se estende aos cristãos e a todos os outros “infiéis”.  " As esquerdas querem a decadência europeia e associaram-se ao islamismo ". Uma repercussão de lideranças medíocres e frouxas, em que cedem à loucura dos preconceitos ideológicos das esquerdas marxistas e woke, que pretendem   corromper  valores,  instaurar a  ignorância  rumo  ao obscurantismo, silenciar o debate, punir pessoas ou instituições que não cedem aos seus inauditos e sórdidos conceitos/ caprichos e que até organizam campanhas de cancelamento!... são os " idiotas úteis", são os que  manifestam uma obsessão -- anti-Israel e antiamericana. São  selectivos nos seus alvos, porque tanto Israel como USA são sistemas democráticos pelos quais as esquerdas progressistas olham com um sentimento misto: invejaja, desprezo e ódiiooo. Esta gentinha é e sempre foi admiradora incondicional de déspotas, de sistemas totalitários, aliás, ao que tanto aspiram vir a alcançar -- uma DITADURA em nome do bem e da justiça social !... ps.   a)Moralidade selectiva: muitos influencers e órgãos de comunicação “independentes” trocaram o jornalismo por discursos favoráveis a regimes, culpando a Mossad, a CIA ou qualquer um, menos os homens que realmente apertam os gatilhos. b) Liberdade de expressão onde fica ou onde está!... provando mais uma vez que, para alguns, os direitos humanos só importam quando podem ser usados como arma contra o Estado de Israel e ao seu povo.                    José Roque: Não sou anti-semita, mas sou anti qualquer forma de excepcionalidade baseada na religião (ou no sexo, ou na raça, ou na nacionalidade). E também não acho que tenhamos todos de andar a "pagar" ad aeternum a "dívida moral" do extermínio de há quase 100 anos.                Ricardo Ferreira: Pensei que era um artigo a demarcar-se do que o judeu que nos chamou de "velhos europeus". Mas não. É o coitadinho do costume que já ninguém compra. Cada vez há menos pachorra para os "velhos fariseus"                  Lily Lu: Muito bem.

 

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