Com o estatuto.
Desde a leitura, já tão
antiga, do “Suave Milagre”, que essa história tão poeticamente narrada,
por Eça de Queirós, ligada ao povo judeu, me ficou na cabeça e daí que,
verdadeira ou falsa, a aceitei como manifestação de um povo espiritual, onde o
ser mais espiritual de todos foi criado. Daí que naturalmente concorde o tal
estatuto especial proposto pelo Presidente da
Associação Judaica Europeia a esse povo que, pelo menos entre nós, portugueses,
tirante os arremedos de Eça, se soube sempre impor por uma certa
superioridade, julgo.
Presidente da Associação Judaica
Europeia, sediada em Bruxelas, representando mais de 650 comunidades judaicas
em toda a Europa Nunca mais? Para que
assim seja, é tempo de conceder aos judeus um estatuto especial de minoria
protegida
Hoje
restam menos de dois milhões de judeus na Europa. Representamos cerca de 0,2%
da população. E hoje os judeus vivem a pior crise desde a Segunda Guerra
Mundial.
RABBI MENACHEM MARGOLIN
OBSERVADOR, 27 jan. 2026, 00:1534
Rabbi Menachem Margolin: Presidente da Associação Judaica Europeia, sediada em
Bruxelas, representando mais de 650 comunidades judaicas em toda a Europa
Nunca mais? Para que assim seja, é tempo de conceder aos judeus um
estatuto especial de minoria protegida.
Hoje restam menos de dois
milhões de judeus na Europa. Representamos cerca de 0,2% da população. E hoje
os judeus vivem a pior crise desde a Segunda Guerra Mundial.
27 jan. 2026, 00:1534
Hoje, 27 de Janeiro, Dia
Internacional de Memória do Holocaustos, em parlamentos e instituições internacionais
de todo o mundo aqueles em posições de poder levantar-se-ão novamente e declararão
solenemente “nunca mais” — duas palavras pronunciadas com grande cerimónia, mas
ditas apenas neste dia. Mas o que significam estas
palavras na realidade?
Antes da Segunda Guerra Mundial, os judeus eram cerca de 9,5 milhões na
Europa. O Holocausto levou ao assassinato em massa de 6 milhões de nós. A vida
judaica foi destruída, a nossa continuidade cultural e religiosa reduzida a uma
sombra do que fora, e em muitas partes da Europa tornou-se apenas uma memória,
sussurrada em voz baixa quando se passa por uma antiga sinagoga ou se tropeça
num velho cemitério judaico. Pior ainda: em demasiadas regiões da Europa, os
habitantes locais desconhecem completamente que ali viveram judeus antes de
serem deportados para campos de concentração. É como se nunca tivessem
existido.
Hoje restam
menos de dois milhões de judeus na Europa. Representamos cerca de 0,2% da
população. E hoje os judeus vivem a pior crise desde a Segunda Guerra Mundial.
Todos os anos, os governos anunciam com orgulho que as taxas de criminalidade
estão a diminuir. No entanto, o antissemitismo continua a aumentar — cada vez
mais, ano após ano. Hoje, tal como nos dias sombrios que
antecederam a Segunda Guerra Mundial, judeus são assassinados na Europa e nos
Estados Unidos apenas por serem judeus. São agredidos em plena luz do dia,
cuspidos, insultados e retratados como monstros. As nossas sinagogas são
atacadas, incendiadas ou vandalizadas. Marchas de ódio e protestos
universitários negam o nosso próprio direito de existir. Muitos judeus têm medo
de parecer visivelmente judeus ou de usar símbolos judaicos.
Também se abriu a época de caça contra o único Estado
judeu do mundo — que, há pouco mais de dois anos, sofreu o pogrom mais brutal
desde o Holocausto. Milhares de
judeus já escolheram partir. A maioria para Israel. Pense nisso por um momento:
escolheram mudar-se para uma zona de guerra activa em vez de permanecer em
supostos bastiões das democracias liberais ocidentais.
Pergunto
novamente: o que significa “Nunca
Mais”?
Governos de todo o mundo adoptaram a definição de antissemitismo da IHRA,
nomearam enviados especiais para o combate ao antissemitismo e publicaram
estratégias nacionais para enfrentar
esta maré crescente de ódio contra judeus. Isto deveria
proteger-nos. Não protegeu. Na prática, tudo se revelou uma série de
palavras bem-intencionadas no papel que, em muitos países, nunca se traduziram
em leis, estatutos ou acção policial real; e noutros resultaram apenas em
medidas limitadas que falharam em produzir qualquer diferença significativa no
terreno. Uma importante declaração de
intenções, sim — mas sem implementação eficaz e concreta, acaba por ser inútil.
Isto pode soar ingrato. Pode até soar duro. Mas é a verdade. Tente
encontrar um judeu que possa dizer que qualquer uma destas declarações,
estratégias ou assinaturas de definições fez uma diferença real na sua vida
hoje.
Se os planos e estratégias
comprovadamente não estão a funcionar, então qual é a resposta para tornar
“Nunca Mais” mais do que um slogan — uma
política verdadeiramente significativa?
Para isso, precisamos olhar
para o povo SAMI. Vivem na
Noruega, Suécia, Finlândia e Rússia. Tal como os judeus, têm uma cultura e língua próprias. Tal
como os judeus, defendem os seus direitos e herança. Tal como os judeus, são
poucos — uma fração de 1% da população dos países onde vivem. Mas, ao
contrário dos judeus, não são agredidos nas ruas. Nem os seus edifícios parecem
fortalezas guardadas 24 horas por dia. Tal como os judeus, são
reconhecidos oficialmente como povo nativo e apoiados pelos seus governos na
preservação da sua língua e cultura. Mas, ao contrário dos judeus, o direito
internacional reconhece o seu direito à
autodeterminação.
Não basta ter
um estatuto especial de minoria. Os judeus precisam de ser reconhecidos com
um estatuto especial de protecção:
um estatuto que salvaguarde um povo, uma cultura e um modo de vida.
O que
significa isto na prática?
Significa segurança planeada,
financiada e garantida pelo Estado — e não paga pelas vítimas.
Significa que a nossa fé e prática não são atacadas por leis que ditam como
comemos ou se podemos circuncidar os nossos filhos. Significa que as escolas
ensinam sobre nós — as nossas raízes, os nossos valores, o nosso passado e o
nosso futuro. Significa que escolas judaicas, centros culturais e museus são devidamente
financiados e apoiados. Significa que a nossa herança não fica escondida atrás
de cercas e guardas armados, mas é celebrada e valorizada como parte da
história da humanidade. Significa que o direito judaico de viver — e o modo de
vida judaico — deixam de estar em debate.
Precisamos urgentemente de ser protegidos no direito nacional e
internacional através de um estatuto especial de protecção. Isto não é sobre
privilégio. É sobre a própria sobrevivência de um povo e a integridade de um
continente. Acima de tudo, trata-se de garantir que aqueles que hoje se
levantam e nos juram “nunca mais” mostram que realmente o dizem com intenção
verdadeira.
HOLOCAUSTO HISTÓRIA CULTURA JUDAÍSMO RELIGIÃO SOCIEDADE
COMENTÁRIOS:
Paul C. Rosado: Devem ser protegidos
como quaisquer cidadãos. Sem estatuto especial. Os governos da Europa têm é de
deixar de ser subservientes ao Islão e têm de passar a punir seriamente a
violência islâmica. Para isso os cidadãos terão de deixar de votar nos
cúmplices esquerdalhas do islão. Vai ser difícil. Ainda agora andam todos entusiasmados
com mais um socialista, que acredita que o islão é uma "religião da
paz" em vez de uma ideologia fascista. Mesmo com 14 séculos de evidências! Rui Lima: Hoje restam poucos
judeus na Europa, muitos vivendo com receio, em vários países, o poder
político fecha os olhos ao antissemitismo por puro cálculo eleitoral? Em França, por exemplo, onde o voto muçulmano
representa milhões, defender abertamente a comunidade judaica é visto como
risco político. O nazismo foi um fenómeno brutal, mas limitado no tempo, já o
antissemitismo actual é estrutural e crescente, acompanhando o aumento
demográfico muçulmano na Europa e a normalização do ódio sob diferentes
pretextos. Quase nunca se fala de uma das
maiores limpezas étnicas do século XX: a
expulsão dos judeus do Norte de África e do Médio Oriente, onde viviam há
séculos. A Europa perde e o mundo também, o progresso europeu
esteve historicamente ligado à presença da comunidade judaica a sua
marginalização empobrece o continente. Associo, em particular, o declínio da
França à fuga e à perda de confiança da sua comunidade judaica. graça Dias: A EUROPA CAMINHA SONÂMBULA:
As sociedades ocidentais, o
antissionismo parece ser a raiz "politicamente
correcta" do conflito social
onde quer que os islamitas se estabeleçam. Infelizmente, como essas sociedades
ocidentais ainda não descobriram, o desejo de eliminar os “indesejáveis” não se
limita a Israel e aos judeus, mas se estende aos cristãos e a todos os outros “infiéis”. " As esquerdas querem
a decadência europeia e associaram-se ao
islamismo ". Uma repercussão de
lideranças medíocres e frouxas, em que cedem à loucura dos
preconceitos ideológicos das esquerdas marxistas e woke, que pretendem
corromper valores, instaurar a ignorância
rumo ao obscurantismo, silenciar o
debate, punir pessoas ou instituições que não cedem aos seus inauditos e
sórdidos conceitos/ caprichos e que até organizam campanhas de
cancelamento!... são os " idiotas úteis", são os que manifestam
uma obsessão -- anti-Israel
e antiamericana. São selectivos nos seus
alvos, porque tanto Israel como USA são sistemas democráticos pelos
quais as esquerdas progressistas olham com um sentimento misto: invejaja,
desprezo e ódiiooo. Esta gentinha é e sempre foi admiradora
incondicional de déspotas, de sistemas totalitários, aliás, ao que tanto
aspiram vir a alcançar -- uma DITADURA em
nome do bem e da justiça social !...
ps. a)Moralidade selectiva: muitos influencers e órgãos de
comunicação “independentes” trocaram o jornalismo por discursos favoráveis a
regimes, culpando a Mossad, a CIA ou qualquer um, menos os homens que realmente
apertam os gatilhos. b) Liberdade de expressão onde fica ou onde está!... provando mais uma vez que, para alguns, os
direitos humanos só importam quando podem ser usados como arma contra o Estado
de Israel e ao seu povo.
José Roque: Não sou anti-semita, mas sou anti qualquer forma de excepcionalidade
baseada na religião (ou no sexo, ou na raça, ou na nacionalidade). E também não
acho que tenhamos todos de andar a "pagar" ad aeternum a "dívida
moral" do extermínio de há quase 100 anos. Ricardo Ferreira: Pensei que era um artigo a demarcar-se do que
o judeu que nos chamou de "velhos europeus". Mas não. É o coitadinho
do costume que já ninguém compra. Cada vez há menos pachorra para os
"velhos fariseus" Lily Lu: Muito bem.
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