Quando iremos a direito?
A segunda volta das legislativas de Maio?
A direita já cometeu muitas vezes o erro de subestimar presidentes
de esquerda. Pagou-o sempre da maneira mais cara.
RUI RAMOS Colunista
do Observador
OBSERVADOR,30 jan.
2026, 00:2216
No debate de terça-feira, André Ventura tirou a conclusão errada de uma
observação certa. A observação certa é que
António José Seguro nunca provou, na sua carreira política, ter força perante
os seus correligionários, nem é capaz de criticar as políticas falhadas que
eles seguiram. A conclusão errada é que, por isso, será um presidente passivo,
que “não fará nem bem nem mal”. A direita já cometeu muitas
vezes o erro de subestimar presidentes de esquerda. Pagou-o sempre da maneira
mais cara.
Todos os presidentes
socialistas foram um problema para governos e maiorias de direita, mesmo quando
iniciaram mandatos com o apoio da direita, como Mário Soares em 1991, ou sem a
sua mais forte oposição, como Jorge Sampaio
em 2001. Soares fez a vida
negra a Cavaco Silva, e Sampaio sabotou o governo
de Durão Barroso e destruiu o de Santana Lopes. Porque é que Seguro, se obtiver a enorme maioria
que lhe prometem, seria diferente? A esse respeito, a suposta personalidade de Seguro
pode funcionar ao contrário do que se pensa. Admitamos que é fraco. Uma coisa a
que um fraco, por definição, nunca resiste são
as circunstâncias. E não é difícil de prever
circunstâncias que levem Seguro a ser o Sampaio da maioria de direita saída das
eleições de Maio.
Reparem bem: não estou a atribuir essa intenção a Seguro. O que estou a dizer é que se ele é tão fraco
como dizem, acabará por ir por aí, queira ou não, se as circunstâncias forem
propícias. Ora, parte das
circunstâncias já são propícias.
O estado do país convida o presidente
a ser “exigente”, isto é, a constituir-se em provedor-mor do descontentamento.
A esquerda não está conformada nem
corrigida com a derrota de Maio (por exemplo, ainda não desistiu de ilegalizar o Chega, como se viu esta semana).
Se os problemas no SNS e arredores se
empilharem, como se estão a empilhar, acusará a actual maioria, paralisada
pelas “linhas vermelhas”, de apenas representar um impasse. A partir daí, intimará um presidente Seguro a
“resolver” esse impasse, como Jorge Sampaio fez em 2004. Seguro precisaria de muita força e firmeza para se
opor a esta deriva. Precisamente o que nos dizem que ele não tem.
O que pode ajudar António José
Seguro, no caso de ser eleito, a resistir? Para começar, uma forte votação em André Ventura, que
permita a Seguro convencer-se e argumentar que o país não está pronto para a
“viradeira”. Só a força
da direita, demonstrada pela votação de Ventura, poderá contrabalançar a
pressão que a esquerda fará sobre um Seguro vitorioso. Se Seguro
tiver a votação que o carnaval antifascista gostaria de lhe dar, não conseguirá
persuadir ninguém, a começar por si próprio, de que os seus votos não são um
sinal de que a maioria parlamentar faliu e está madura para ser varrida à
primeira oportunidade. Digamos que será preciso votar Ventura para ajudar
Seguro, se eleito, a ser o presidente imparcial que diz querer ser. Porque
se ele é fraco, como tanta gente alega, guiar-se-á apenas, como todos os
fracos, pela correlação de forças.
Há quem meta medo ao governo com a votação de André Ventura: se for muito grande, ei-lo “líder da direita”. Ninguém
reparou que uma votação muito grande de António José Seguro será pior. Os votos
darão a Ventura, quando muito, uns galões simbólicos: a “liderança da direita”
não é um órgão de soberania. A
Seguro, uma grande votação dará uma autoridade acrescentada como presidente, e deixá-lo-á refém das expectativas e
pressões da esquerda. Estas eleições presidenciais
vão ser a segunda volta das legislativas de Maio. Ou os eleitores confirmam a
decisão de romper com trinta anos de poder socialista, ou começarão a preparar
o seu regresso.
PRESIDENCIAIS ELEIÇÕES POLÍTICA ANTÓNIO JOSÉ SEGURO PS ANDRÉ VENTURA PARTIDO CHEGA
COMENTÁRIOS:
João Santos - A lucidez cristalina de Rui Ramos é um alerta a todo os eleitores não
socialistas. Depois do erro estratégico clamoroso das linhas vermelhas de
Montenegro, contribuir agora para a entronização de Seguro com uma
votação de 60% será estender o tapete vermelho ao regresso do PS e de toda a
tralha geringoncista à área da governação.Com o cortejo de vassalagem a Seguro
por parte de figuras da área não socialista assiste-se ao maior erro
estratégico das Direitas desde a primavera marcelista.
J. D.L.: Conclusão: Seguro, Seguro, ... é Ventura!
observador censurado: António
José Seguro: mediocridade e Maçonaria É
verdade a publicação de Carlos Coelho na sua página de Facebook, transcrita com
cortes a seguir?
1. Entrou na Juventude Socialista
e por ela trepou por falta de concorrência.
2. Em 1990, acabou por liderar a
juventude partidária nacional numa lista que não teve concorrente sequer.
Cumpriu dois mandatos, sem profissão conhecida.
3. Em 1991, começa a sua carreira
de deputado do Partido Socialista. Depois disso, os tachos por conta do cartão
partidário sucederam-se: deputado, eurodeputado, secretário de Estado,
Ministro-adjunto.
4. Em 2011, com a vitória de
Passos Coelho, as raposas no PS deixaram essa travessia no deserto para os
inofensivos hamsters políticos se divertirem a andar na roda do dia-a-dia,
enquanto eles tratavam do seu futuro.
5. E foi assim, mais uma vez por
falta de comparência dos adversários (o melhor que se arranjou foi Francisco
Assis), que venceu a liderança do PS.
6. Durante a sua liderança, era
confrangedor até para o PS ver como Seguro se dividia entre não renegar a
herança de Sócrates e tentar fazer oposição a Passos Coelho - mas não
muita, pois ele próprio sabia que nunca
seria eleito, não tinha competência nem duraria uma semana como Primeiro
Ministro.
7. No fim da primeira legislatura
de Passos Coelho, as raposas socialistas rapidamente apearam Seguro do lugar
onde nunca o quiseram. E é aí que se vê obrigado a pensar na vida.
8. Casado com Margarida Maldonado Freitas, da milionária e maçónica família das
Farmácias Maldonado Freitas, nunca iria passar fome e a teia de conhecimentos,
interesses e favores das elites política e maçónica nunca deixaria um súbdito obediente para trás.
9. Primeira tarefa de político apeado: comprar um curso numa Universidade
privada. Foi fazer uma Licenciatura em Relações Internacionais na Universidade
Autónoma de Lisboa (UAL) para criar uma aura
de intelectual.
10. Concluída a Licenciatura, onde a maioria dos professores era colega de
copos, seguiu-se um mestrado no ISCTE, o feudo académico socialista.
11. Com Mestrado e sem qualquer tipo de investigação científica produzida,
foi convidado para dar aulas na
(UAL). Sem doutoramento, sem prestar provas, sem concurso e sem concorrência,
ao contrário da carreira docente universitária pública.
12. A segunda tarefa de político apeado que pensa regressar é simular actividade empresarial privada.
Os seus Alojamentos Locais que serviram para sacar fundos europeus estão sempre
às moscas. Portanto, ninguém paga contas com este "investimento".
13. A produção de azeite também é incipiente e não paga as contas a
ninguém.
14. Mora nas Caldas da Rainha, terra da esposa, onde esta é directora da
famosa Farmácia e sede das farmácias da família
Maçónica que rendem fortunas e sustentam Seguro como Karl Marx era
sustentado pela esposa Jenny von Westphalen.
15. Dispensou uma subvenção política porque não precisava dela, mas
politicamente iria precisar de poder dizer que a dispensou, para que a narrativa de homem sério fosse
tão vendável quanto artificial.
Paul C. Rosado: Exactamente. Se o tal centro-direita votar em peso em Seguro, estará a
assinar a sua sentença de morte. Parecia ser o PS o condenado ao
desaparecimento, mas com mais de um milhão de novos "portugueses",
obviamente clientes da esquerda, a ter acesso ao voto em breve, quem se vai
tramar é o PSD. É triste ver parte da direita, estupidamente, a cair na
armadilha das linhas vermelhas, enquanto a esquerda faz abertamente geringonças
com partidos anarquistas, trotskistas, maoistas, estalinistas, alguns
deles defendendo a "ditadura do proletariado". Gente de
direita: abram os olhos enquanto é tempo!
graça Dias: Caríssimo Rui Ramos Que análise fascinante numa narrativa
arrebatadora e mordaz. Simplesmente hilariante. Deliciosa referência neste texto: " Se Seguro tiver a votação que
o carnaval antifascista gostaria de lhe dar [ ... ] " Independentemente do resultado desta
eleição, não deixámos
de assistir à " falência da ética politica e moral em
desfile " das elites políticas do status quo. Um espectáculo ao nível do
Circo Soledad Cardinali. Caríssimo Rui Ramos, obrigada. Esta leitura foi um momento de lazer e
animação.
Carlos Chaves: Seguro está a ser levado ao colo, pela CS e
pelos idiotas uteis da “direita”, espero que venham a pagar muito caro por esta
traição! Tanta miséria que o PS tem trazido à nossa Nação, e mesmo assim
não aprendem! Depois de décadas a votar no PSD/CDS/AD e ter sido
traído vergonhosamente por esta área política, o meu voto dia 08 é no Ventura!
Vitor Batista > Rosa Lourenço : Sampaio também era, e quando foi eleito
tornou-se no capo da esquerda e pariu Sócrates. Nojo dessa gente.
Vitor Batista: Grande análise! os eunucos de centro direita já se esqueceram dos
presidentes xuxalistas. Seguro é como
os terrenos por estes dias,muito permeáveis.
Glorioso SLB: Esta crónica vai levar o Pedro Marques Lopes a
dizer q o Observador é financiado pelo Chega.
Paulo Nunes: Incrível como Rui Ramos é, no meio de tantos
delirantes comentadores, o único sóbrio é realista. Digo isto desde o início: Seguro será o fim de
Montenegro.
Humilde Servo: É o que vai acontecer. À primeira oportunidade
Seguro dissolverá a Assembleia da República e convocará eleições para favorecer
a esquerda.
MariaPaula Silva: Completamente de acordo. A melhor explicação sobre a situação
"presidencial" actual. No entanto, se falta força a Seguro, não deixa de ser verdade que falta um
pouco de comedimento e classe a Ventura.
Maria Francisca Mamede: Muito
bom!!! É sempre um enorme prazer ler Rui Ramos!!
Jacinto Leite: Um socialista como o Poucochinho apenas usa a
democracia para chegar à ditadura do proletariado. O socialismo é uma fraude.
Rosa Silvestre: Estando já António José Seguro eleito por larga maioria, segundo todas as
sondagens, qual é o problema de votar André Ventura para aqueles que não se
revêem nem num nem noutro? Não é preferível não dar força excessiva a qualquer
um deles?
Joaquim Albano Duarte: Excelente, concordo inteiramente!
8Responder
Paul C. Rosado > Filipe Paes de Vasconcellos: Mas qual "Trumpismo"? Isso não
existe, nem nunca existiu! E quanto à "ordem mundial" que trouxe
"paz e progresso", ela já não existe. Morreu quando as nações unidas
passaram a ser governadas, não pelos blocos Ocidental e de Leste, mas sim por
uma maioria de estados ditatoriais e seus acólitos anti-ocidentais, encabeçados
pela China, Rússia e Irão. Puseram-lhe na cabeça que a culpa é do
"Trumpismo", quando a Rússia, o Irão e a China já se andam a expandir
brutalmente há décadas, promovendo ditaduras e ateando fogos por Africa, Asia e
agora até na Europa.
Carlos F. Marques: Muito bem.
Gabriel Madeira > Jorge Espinha: É sério. Como homem, em termos individuais, e
como membro do PS. E é esta última qualidade que o país dispensa, rejeita.
Filipe Paes de Vasconcellos: VENTURA/TRUMP
Não nos podemos sujeitar aos desvarios da extrema direita submissa à
ideologia trumpista.
É urgentíssimo travar este movimento ideológico absolutamente fratricida
para o Mundo Livre e Democrático.
Ventura, com os seus seguidores e
ideólogos, faz parte e segue a cartilha ideológica de Trump que quer impor ao
Mundo Livre e Democrático.
Isto tem de ser dito em voz alta e a toda a hora.
Ventura e o Chega (o partido “patriota “ de Trump) não representam nem tão
pouco lideram a Direita em Portugal.
Era o que mais faltava a Direita Livre e Democrática ser representada
por um Trumpista/ Putinista, que Ventura ainda não acha oportuno revelar. Mas,
por enquanto, não se assume. É o cinismo, a sonsice e a cobardia dos seus
“valentes”. A “direita” que Ventura diz querer liderar é a direita extremista
que pretende fazer o contraponto com a extrema-esquerda que, entretanto, já lá
foi. Só que esta extrema-esquerda já não existe e, portanto, Ventura
vai perder o chão à medida que o governo AD continue a resolver os problemas
gravíssimos que o Costismo (extrema esquerda PS+BE+PCP) deixou a Portugal. Assim,
Ventura deixará gradualmente de “ter as cartas” que alimentam o populismo. Deixará
de “ter as cartas” mas, atenção, porque financiamento não lhes faltará.
Portanto, o que parece ser importante clarificar (desmascarar) é que o projecto da direita que Ventura, na
sua narrativa mentirosa diz representar, é o mesmo que Trump quer impor
para rebentar com a Ordem Internacional que ao longo dos últimos 80 anos
trouxe Paz e Progresso ao mundo livre e democrático. Não basta rezar e bater no
peito para as televisões. A política nacional e internacional não pode ser
dirigida por gente revoltada, armados em “patriotas“ submissos ao trumpismo.
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