São para as mãos de quem tem ambos. De facto, nem sempre coexistem, faca
e queijo, há mulheres a quem falta o queijo, embora homens também. Mas estes
não precisam da faca, para as suas demonstrações de força, fortes que são, e
valentes, mesmo sem essa. Quanto à mulher, nunca falta a faca, para cortar a
hortaliça da sua sopa para a família, ou para cortar na reputação de alguém que
poderá ser mesmo um familiar. É certo que os homens já aprenderam a cozinhar e
cozinham, usando a faca para a sua sopa, e tirando, nisso, o lugar às mulheres
extraordinárias a quem falta o tempo para as sopas próprias.
Quanto a mim, acho que elas, as MULHERES, são todas extraordinárias, e só
pelo facto de serem mães. Merecem esse seu Dia, 8 de Março que seja. Só por
isso, mereciam ganhar tanto como os homens… mas lá se ia, a desigualdade
requerida pelo domínio do fisicamente mais forte. Embora não mais valente,
necessariamente.
Dia das Mulheres
Extraordinárias
Em que mundo é que a dra. Alexandra
Leitão é extraordinária? Ou a dra. Inês Pedrosa, autora dos livros e dos
comentários mais deprimentes de Portugal? Ou @s sr@s. Ministr@s que menstru@m?
MARGARIDA BENTES PENEDO Arquitecta e deputada municipal
OBSERVADOR, 17 abr. 2025, 00:1883
A ONU estabeleceu que o Dia
Internacional das Mulheres passava a ser celebrado anualmente, a 8 de Março. Também na
Assembleia Municipal de Lisboa vários partidos apresentaram documentos oficiais
com votos de saudação. Por
dificuldades de agenda, capítulo que a sra. Presidente da Mesa domina com
esforço, só se discutiu no último dia do mês.
Primeiro comentário. É preciso reconhecer que ainda hoje há
mulheres a ganhar menos do que os homens em trabalhos iguais, para desempenhar
as mesmas funções. Existe sobretudo em algumas das escassas fábricas que nos
restam, em indústrias de baixo valor acrescentado, tecnologia básica, em
lugares de operários pouco especializados e com baixo nível de instrução.
Mantém-se uma injustiça que é preciso combater e para a qual é preciso
encontrar uma resposta.
Os donos dessas fábricas são por
regra gente corajosa, apertada entre margens de lucro estreitíssimas, regulação
implacável, rapacidade fiscal, e responsabilidade de prover a famílias
inteiras, cujos membros muitas vezes são todos seus empregados. Talvez a resposta à injustiça passe por
aceitar que não podem pagar o mesmo a todos; e explicar-lhes que devem pagar
mais aos operários que produzem mais, independentemente de serem homens ou
mulheres. Ou seja, mostrar-lhes que as diferenças de
salário devem assentar nas diferenças de produtividade, e não no sexo dos
operários. Isso motiva as pessoas a trabalhar melhor e pode contribuir para
subir o rendimento da empresa. O maior amigo da igualdade ainda é o capitalismo: interessa
o dinheiro, interessa a respeitabilidade social, não interessam as
circunstâncias – sexo, origem, cor,
religião, ou costumes – de quem produz.
Segundo comentário. Incide sobre a tese em voga este ano,
segundo a qual “o voto das mulheres é uma conquista da revolução” (ou “do 25 de
Abril”). Toda a esquerda se juntou num coro para explicar ao
povo que “o Estado Novo tratava mal as mulheres, veio a revolução e deu-lhes o
direito de voto”. Das teses
mais estúpidas de sempre, e Deus sabe como a esquerda é perita em estupidez. Até parece
que os homens votavam durante o Estado Novo, e as mulheres eram discriminadas.
Peço licença para informar a nossa querida esquerda do seguinte: o Estado
Novo restringiu o direito de voto das mulheres, mas também dos homens. Nesse capítulo, o dr. Salazar estabeleceu
em Portugal uma ditadura bastante democrática: recusou eleições livres, tanto
aos homens como às mulheres (o Estado Novo aconteceu num tempo em que o sexo
era binário).
A I República, sim, negou o voto às
mulheres. E mesmo sabendo que não serei excessivamente
carinhosa com a esquerda, trago algumas outras ilustres memórias para
recordar. A I
República foi o regime mais sangrento que houve em Portugal durante os últimos
200 anos. Restringiu o direito de voto em 1913; tinha mais de dois mil presos
políticos nas cadeias em 1912; reprimiu brutalmente os sindicatos; massacrou em
Angola, em 1915; e negou o voto às mulheres. É neste
nobre regime que a esquerda portuguesa ainda hoje se reconhece e se inspira.
Entre todas as outras recomendações, a I República também foi um regime mais
misógino do que o Estado Novo.
Terceiro comentário. Vai
para a ideia de que as mulheres formam um bloco homogéneo e coeso, com as
mesmas emoções, os mesmos pensamentos, as mesmas preocupações e aspirações, as
mesmas mundividências e as mesmas ideias políticas. Pior. A juntar à sopa turva
de mulheres equivalentes, as mulheres são também todas extraordinárias. Se a ideia anterior era a mais estúpida, esta é a mais
irritante. Não, não somos todas extraordinárias. Há mulheres anti-fascistas,
outras não querem saber disso para nada; há mulheres despóticas, mulheres
liberais, e grandes estupores; há oportunistas, há malcriadas, e há senhoras
encantadoras. Em que mundo é que a dra. Alexandra Leitão
é extraordinária? Ou a dra. Inês Pedrosa, autora dos livros e dos comentários
mais deprimentes de Portugal? Ou @s sr@s. Ministr@s que menstru@m? Safa!,
quando se fala dos homens, alguém imagina que são todos iguais?
Quarto comentário. As sacrossantas cotas, porque “as cotas
favorecem as mulheres”. A sério? Quais mulheres? Sim, as cotas favorecem as
incompetentes e prejudicam as mais capazes. Mais
uma vez, tratam as mulheres como se fossem iguais entre si, apenas diferentes
dos homens, velhacos sem emenda que só pensam em achincalhá-las. Na
verdade, é precisamente o contrário. Ser
contra as cotas é compreender que homens e mulheres têm a mesma aptidão para
atingir o mérito. Os homens
não são à nascença mais capazes do que as mulheres, portanto, as mulheres não
precisam da condescendência dos homens para chegar aos lugares reservados pela
esquerda. Nenhum cidadão merece ser castigado por nascer homem.
E nenhum cidadão, homem ou mulher, precisa de ser protegido com paternalismo.
As cotas são uma forma de infantilização.
COMENTÁRIOS:
Maria Paula Silva: Muito bom! A clarificação
sobre o Estado Novo é muito importante. A maioria desta gente(alha) que bota faladura a torto
e a direito em todo o lado fala sem saber do que fala, não estudam e não têm
cultura. Nem se percebe como e porque têm tanto tempo d'antena. Maria Nunes: Grande artigo. Obrigada, MBP. Coxinho
> Maria Paula Silva: "porque têm tanto tempo d'antena" -- aliás "por que" --
creio que posso avançar uma pista válida na maioria dos casos: porque os
detentores e distribuidores do "tempo de antena" são iguaizinhos a
essa "gente(alha)". E se não forem iguaizinhos, pelo menos são muito,
mas muito parecidos. Pedro
Belo: QUE GRANDE TEXTO! 👏🏻👏🏻👏🏻 Que todas as mulheres
tivessem essa clareza de pensamento. São um sexo maravilhoso e indispensável. klaus
muller: eheheh!!! Esta Margarida deve ser odiada por todas as nossas feministas de
esquerda. Devem fazer-lhe a vida negra lá nas reuniões da Câmara. Dá-me cá um
gozo só de pensar na pressão arterial dessas figurinhas a subir sempre que
M.B.P. fala ou escreve.
Rosa Graça: Excelente, excelente, excelente. Maria
João Teixeira da Costa: Mulheres extraordinárias são
as que formam a maioria das familias monoparentais que preenchem a maior parte
da quota da pobreza em Portugal, desde que a esquerda colocou a mulher e o
homem em igualdade no divórcio. Fenómeno exponenciado por uma justiça
absolutamente incompetente. É por isso que existem tantas crianças pobres em
PT. Razão tinha o Prof Cavaco qd aprovaram a lei: isto vai resultar mal. Mais
uma vez acertou. Luís
Rosado: É por artigos como este que ainda assino este jornal, apesar de já pouco se
distinguir na linha editorial de um qualquer "Expresso" ou
"Visão". Maria
Augusta Martins > Maria Paula Silva: E como são ignorantes não
sabem nem procuram saber. Olhe, na aldeia onde nasci em zona fronteiriça do
Alto Minho nos anos 50 e até início dos 60 a presidente da junta de freguesia
era uma senhora, penso que deveria ser a única no país. Mas esta era! Também
havia deputadas á Assembleia Nacional e á Câmara Corporativa, A tão democrática
1ª ministra nomeada pós 25 A, foi uma delas, mas houve mais. Mas disso não
interessa falar. Henrique
Mota:
Minha senhora
com um comentário tão certeiro, arrisca-se a ser queimada na fogueira (em sentido
figurado, espero) Não que algumas não sonhassem fazê-lo noutro sentido, se
pudessem. Carlos
Chaves: Cara Margarida Bentes Penedo, vindo e estando eu numa família matriarcal,
concordo em absoluto com todos os comentários e ideias que aqui nos trouxe, de
maneira frontal e sem papas na língua! Obrigado. Ana
Torres: Parabéns! Completamente de acordo! Amei o artigo! O mérito não se mede pelo
sexo biológico, as mulheres extraordinárias não precisam de "quotas". Maria
Paula Silva > Thiago M. Clayton, credo! onde vc vê raiva, eu
vejo uma lucidez acutilante que, obviamente, desagrada à maioria das pessoas. D. Garcia: EXCELENTE TEXTO !!! Obrigada
MBP pela sua imensa coragem ! Lily Lx: Maravilhosa! Manuel F: Do melhor que li no Observador
nos últimos tempos! Maria
Cordes: Estupendo, o que escreve, vou dar mais uma achega. No Prec, conheci várias,
pelas Faculdades, de dia, revolucionárias, de socos, à noite de vison. A
esquerda caviar, tem uma característica, sofre de metamorfoses, como o sapo que
muda de cor, conforme o meio em que está. São virulentas, aí há uniformidade. PS. Os socos, calçado barulhento,
estavam nessa altura na moda.
Filipe Costa: Excelente comentário, gostei muito, vou aconselhar a
sua leitura a umas amigas bloquistas que tenho, sei que não adianta nada, mas
pelo menos. tento. António Alberto Barbosa Pinho:: Louvo a coragem e concordo. José Paulo Abreu: Cota? Não quererá dizer quota? Maria Paula Silva > Luís Rosado: é verdade, mas felizmente
ainda temos aqui uma boa meia dúzia
de bons cronistas que não dispenso. O resto nem vale a pena perder tempo. Jorge Cardoso: Haja quem relembre o que foi a
1ª.Republica aonde os Socialistas actuais vão buscar a sua Ética ... Meio Vazio: ('tás logo na fogueira, Margarida!..)
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