Um jogo
/desporto que tanto aprecio e religiosamente vejo no meu canal televisivo 38,
pois que o Ricardo logo me avisa, sobretudo quando está o Sullivan a jogar. Nunca
pensei em manchá-lo com especulações mediáticas que trouxessem o tema da MULHER
à baila, mas aqui deixo o testemunho, que prova que, pelo menos em termos do
desporto, a Mulher assim nascida e a recriada pelo Homem, não são de facto do
mesmo carisma – sexual ou genérico, por muito que se pretenda equipará-las.
E o Supremo Tribunal britânico criou a mulher…
Para jogar snooker, também eu fui
forçado a aldrabar a minha identidade. Na adolescência, tive de falsificar o
meu cartão de cidadão, porque o salão de jogos da Ericeira era para maiores de
16.
JOSÉ DIOGO QUINTELA Colunista do
Observador
OBSERVADOR, 29 abr. 2025, 00:161
De vez em quando, a tendência portuguesa
de auto-crítica exagerada, o godinhiano só neste país é que dizemos só nesse
país, é confrontada com exemplos de bandalheira estrangeira que colocam em
perspectiva a nossa própria incompetência. Aconteceu recentemente um desses
episódios que ajudam a relativizar as nossas falhas, cotejando-as
favoravelmente com defeitos de outros países: o Supremo Tribunal do Reino Unido
pronunciou-se sobre a interpretação dos termos “mulher” e “sexo” no âmbito do
Equality Act, a lei contra a discriminação. Segundo
os juízes, os termos referem-se exclusivamente ao sexo biológico. Ou seja, se
um espaço é considerado apenas para uso de mulheres (uma prisão, por exemplo),
só mulheres é que o poderão usar. Homens que dizem que são mulheres são
excluídos, mesmo que tenham um certificado que reconheça que são “homens que
dizem que são mulheres” oficiais, mesmo que tenham sido submetidos a
tratamentos que lhes conferem traços femininos, mesmo que esses tratamentos
sejam tão perfeitos que os façam passar por mulheres. As intervenções hormonais ou
cirúrgicas não transformam um homem numa mulher, da mesma maneira que acender a
luz de presença no quarto do meu filho não afasta o papão. Alivia-lhe a
angústia, é certo. O rapaz convence-se que está protegido. Mas não é a luz de
presença que mantém o papão fora do quarto, é a realidade. É que o papão não
existe.
O Supremo começou a apreciar este
caso em Novembro do ano passado e chegou agora a uma decisão. E está aqui a razão para o nosso júbilo
patriota. Nós, que nos envergonhamos do tempo absurdo que a nossa Justiça
demora a actuar, temos de nos sentir orgulhosos face a isto. É verdade
que os nossos tribunais são lentos e que, por exemplo, estamos há mais de dez
anos para julgar José Sócrates, mas este caso no Reino Unido é muito mais
escandaloso. Para decidir
se Sócrates é ou não corrupto há que preciso ler dezenas de milhar de páginas,
consultar centenas de caixotes cheios de documentos, ouvir semanas de escutas e
interrogatórios. Para saber que quando uma lei refere “mulher” se está a
referir a uma mulher, basta consultar um manual de biologia do 8º ano na parte
em que se ensina que o sexo é binário, uma realidade definida pela função
reprodutiva humana e pelos gâmetas produzidos: óvulos no caso das mulheres,
espermatozoides no dos homens. Demorar 6 meses a chegar a esta conclusão que
um estudante atinge no fim de uma aula de 50 minutos não abona muito a favor
dos tribunais ingleses.
Um exemplo prático em que esta decisão
do Supremo Tribunal poderá ser usada é o caso chocante de competições
desportivas de snooker que mulheres trans disputam contra mulheres mesmo.
Ainda tremo ao ler esta frase que acabei de redigir. “Competições
desportivas de snooker”. É vergonhoso que, em 2025, haja quem considere que o
snooker é um desporto. É um jogo, pá. Em princípio, se é uma actividade
praticada numa cave cheia de fumo, num tapete com manchas de cerveja, não é
desporto. Apesar disso, há uma parte de mim que compreende a situação destes
praticantes homens que se dizem mulheres. Para jogar snooker, também eu fui forçado a aldrabar a minha
identidade. Na adolescência, tive de falsificar o meu cartão de cidadão, porque
o salão de jogos da Ericeira era para maiores de 16. (Lá
está, outra prova de que o snooker não pode ser considerado um desporto: num
desporto verdadeiro, os jovens mentem na data de nascimento para parecerem mais
novos, não o contrário). Portanto, há uma parte de mim que está solidária
com os marmanjos que insistem em jogar contra senhoras. Desejo-lhes boa sorte
no embuste e espero que, se forem apanhados como eu fui, consigam escapar aos
carolos do Sr. Manuel. Sacana do pequenote, tinhas os nós dos dedos mesmo
rijos.
Os defensores da integração de homens que dizem que são mulheres no snooker
feminino afirmam que, ao contrário de outras actividades, nesta não existe
vantagem física masculina. O
que só pode ser defendido por quem nunca teve de dar uma tacada equilibrado só
num pé, completamente debruçado na borda da mesa. Se já é difícil para
quem tem maior envergadura, imagine-se para quem tem braços e pernas mais
curtos e ainda duas maminhas a atrapalhar.
Mas é verdade que não é obrigatório que
um homem que diz que é mulher ganhe sempre as competições de snooker feminino
em que participa. Ainda recentemente, Lucy Smith, um homem que diz que é mulher, foi derrotado na final de um
torneio em Wigan. E não é por ter sido contra Harriet Haynes, outro homem que
diz que é mulher, que deixa de ser um homem a não ganhar a competição feminina.
O
curioso nestes casos é que os homens que dizem que são mulheres insistem em
jogar snooker em competições femininas, mas se por acaso uma das adversárias
enfiar a bola azul quando devia ter enfiado a verde e disser que isso é válido,
que a azul afinal é verde, vão protestar e chamar-lhe batoteira.
IDENTIDADE DE
GÉNERO SOCIEDADE DESPORTO
COMENTÁRIO:
Maria Paula Silva: Quando o menino tinha 16 anos
ainda não havia C.C. :) era BI.
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