quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

A esperança é a última a desaparecer

Concordando com o sentido pessimista da mensagem de Salles da Fonseca – sobre a inanidade – que é vento – da situação da Embaixada Portuguesa – em Itália, no caso presente – discordo do comentário de Anónimo, sobre a atribuição a todos os políticos do epíteto “perfunctório” em análise. Mau grado tanto de negativo existente na actuação dos nossos políticos, a verdade é que, segundo a sentença “da discussão nasce a luz”, os comentadores das várias facções políticas despertaram no país um fervilhar mais ou menos emocionado de consciências críticas, que se repercutem nos muitos analistas que povoam o nosso jornalismo e não só. E por isso devemos ser gratos a uma abertura democrática no país, que o possibilitou.

Quanto à questão da Embaixada nos espaços do Quirinal - « No nosso caso, ambas as Embaixadas estão instaladas principescamente mas não investiguei se o seu périplo também se pode fazer perfunctoriamente. A ver…» - do cepticismo de Salles da Fonseca,  procurei, na Internet, traços da passagem do último Embaixador por lá, que transcrevo, ciente de que, apesar da sua convicção optimista, nem tudo corre segundo modelos de correcção. Mas há sempre um amanhã…
 HENRIQUE SALLES DA FONSECA
A BEM DA NAÇÃO 25.12.18
 Foi preciso ter uns maduros 73 anos para hoje ver pela primeira vez uma palavra tão portuguesa como eu, mas com que nunca me tinha cruzado: «perfunctório».
 Caramba, estou sempre a aprender!
 Ofereço-me esta lição como presente de Natal mas, como sou magnânimo, divido-o equitativamente com quem ler este escrito.
 Ido ao Dicionário Priberam, fiquei a saber que palavra tão estranha significa algo que dura pouco, que é leve, passageiro, por oposição a duradouro ou a permanente; que é pouco importante ou pouco aprofundado, que é ligeiro, superficial, por oposição a profundo; que se faz só para se dizer que se fez e não por necessidade ou com algum fim útil, por oposição a essencial, a indispensável.
 Parece que estou a ler uma frase jocosa do Eça em que, pela fonética, se assemelha a «supositório». Mas também poderia ser o nome de algum instrumento próprio para ele limpar as fossas nasais. Esta última hipótese deve ser por causa da sílaba «func» e, claro está, pela sonoridade inerente à draconiana função naso-expiratória.
 Mas não, a frase que li é a tradução portuguesa da que presumo sua homóloga inglesa escrita por um americano judeu auto-exilado em Roma na sequência do suicídio da mulher duma ponte abaixo algures na Carolina do Sul.
 Para começo de livro[1] – e isto passa-se logo na primeira página do primeiro capítulo - acho «especial» para não dizer macabro.
 Então, foi pelas seis da manhã que os dois carabinieri de guarda à Embaixada de França acenderam cigarros e puseram em marcha o carro de serviço em que se preparavam para fazer «a perfunctória ronda ao Palazzo Farnese».
 E duma assentada fiquei a saber que a Embaixada de França junto do Quirinale está instalada no Palácio Farnese cujo périplo se pode fazer perfunctoriamente.
 A talhe de foice, o facto de uma Embaixada estar «junto do Quirinale» não tem qualquer significado de proximidade geográfica mas sim de «acreditado junto da República Italiana», ou seja, do palácio que é a residência oficial do Chefe do Estado Italiano.
 Mais: qualquer país que se preze tem duas Embaixadas em Roma sendo uma «junto do Quirinale» e outra «junto da Santa Sé» (do Vaticano).
 No nosso caso, ambas as Embaixadas estão instaladas principescamente mas não investiguei se o seu périplo também se pode fazer perfunctoriamente. A ver
24 de Dezembro de 2018
Henrique Salles da Fonseca
  [1] - «MÚSICA DE PRAIA», Pat Conroy,  Círculo de Leitores, ed. Setembro de 1996, pág. 27

Um comentário
 Anónimo  25.12.2018  12:57
Os políticos é que deviam ser definitivamente perfunctórios!

Mensagem do Embaixador
 Ao assumir, com grande satisfação, as funções de Embaixador de Portugal em Itália, gostaria de vos saudar e dar as boas vindas a este espaço de encontro virtual da nossa Embaixada.
As relações entre Portugal e a Itália, apesar de milenares, conhecem hoje uma dinâmica de aprofundamento e intensificação assinaláveis, não só no plano institucional, como também no relacionamento entre os nossos dois povos. Além da importância económica e cultural das relações luso-italianas, por todos reconhecida, é notável o reforço do intercâmbio entre os cidadãos dos dois países, seja no quadro laboral, na mobilidade de jovens estudantes universitários, ou nos cada vez mais importantes fluxos turísticos, como atesta o número cada vez maior de italianos que redescobrem Portugal, encontrando um país moderno, inovador e acolhedor.
Um dos grandes contributos para este reencontro vem, estou certo, da Comunidade Portuguesa em Itália, a quem quero deixar uma palavra de profundo apreço e agradecimento pelo esforço, dedicação e sucesso com que diariamente contribuem para o reconhecimento, elevação e dignificação do nosso país aqui.
Nesta época em que os meios de comunicação ao nosso dispor nos permitem chegar directamente a um número cada vez maior de pessoas, quero reafirmar o empenho desta Missão na disponibilização destes canais não apenas como espaços de informação e divulgação, mas também como plataformas para acolher sugestões e comentários que possam contribuir para a melhoria do serviço público que aqui prestamos.
Aproveito para reiterar o meu empenho pessoal e de todos os colaboradores desta Missão na prossecução destes objectivos.
Francisco Ribeiro Telles
Embaixador de Portugal

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