Venha ele donde vier. Quem nos dera ter também um bom acesso, mesmo a
esse, que outro governante rejeitou em tempos idos, muito somítico e desfazedor
de sonhos. Dos seus também, de certeza, mas sem servir de exemplo, que
preferimos opções mais visíveis, como muito bem descreve o nosso João de Deus, conhecedor das nossas dependências
e astúcias.
O Dinheiro
O dinheiro é
tão bonito,
Tão bonito, o maganão!
Tem tanta graça, o maldito,
Tem tanto chiste, o ladrão!
O falar, fala de um modo...
Todo ele, aquele todo...
E elas acham-no tão guapo!
Velhinha ou moça que veja,
Por mais esquiva que seja,
Tlim!
Papo.
E a cegueira da justiça
Como ele a tira num ai!
Sem lhe tocar com a pinça;
É só dizer-lhe: «Aí vai...»
Operação melindrosa,
Que não é lá qualquer coisa;
Catarata, tome conta!
Pois não faz mais do que isto,
Diz-me um juiz que o tem visto:
Tlim!
Pronta.
Nessas espécies de exames
Que a gente faz em rapaz,
São milagres aos enxames
O que aquele demo faz!
Sem saber nem patavina
De gramática latina,
Quer-se um rapaz dali fora?
Vai ele com tais falinhas,
Tais gaifonas, tais coisinhas...
Tlim!
Ora...
Aquela fisionomia
É lábia que o demo tem!
Mas numa secretaria
Aí é que é vê-lo bem!
Quando ele de grande gala,
Entra o ministro na sala,
Aproveita a ocasião:
«Conhece este amigo antigo?»
— Oh, meu tão antigo amigo!
Tlim!
Pois não!
João de Deus, in 'Campo de Flores'
De toda a maneira, é tão escandaloso o
que o Comentador PAULO FERREIRA nos conta
a respeito da dívida ao estrangeiro que nos subsidia, que apetece enfiar-nos
pelo chão abaixo, na inútil interrogação sobre o porquê de sermos assim, aproveitadores
e subservientes, sem que nos surgisse no horizonte governativo um alguém de orientação
mais séria, de trabalho e actuação honestos, palavra, ao que parece, esta
última, em desuso fatal entre nós. Quando recordo o que fui aprendendo, desde
os bancos da primeira escola, sobre uma pátria onde nos integrámos mal ou bem,
mas com amor por ela – e nunca esquecerei o Hino Nacional cantado com lágrimas
de pena e horror, em frente à Câmara Municipal de Lourenço Marques, logo após o
25 de Abril traiçoeiro e destruidor de tais conceitos de orgulho num lato país criado
por homens valentes de um outrora para sempre perdido – sinto de facto,
vergonha por esta redução a pedinchões sem escrúpulo em que nos tornámos.
Definitivamente. E onde existem ainda nomes da nossa veneração, Jaime
Nogueira Pinto, entre outros de seriedade ainda patente, que
a escola preservará. Ou talvez não.
Retrato do subsídio-dependente da Europa
O espírito dos fundos de coesão é
precisamente o de ajudar países ou regiões que partem mais atrás com o
objectivo de, a prazo, deixarem de precisar de ajudas. Também estamos a falhar
nesta matéria.
PAULO FERREIRA Comentador,
colunista do Observador
OBSERVADOR, 23 jun. 2025, 00:2034
Em Junho de 2021 Ursula von der Leyen
veio a Lisboa oficializar a aprovação do Plano de Recuperação e Resiliência
(PRR). Da altura, ficou célebre uma pergunta que António Costa lhe fez, em
jeito de piada: “Já posso ir ao banco?”.
O objectivo era ter graça. E teve.
Mas era humor negro, porque sabemos que a frase é uma boa ilustração de uma
certa forma de estar na governação e de gerir as fontes de receita do Estado.
Sabemos que o investimento público
foi o elo mais fraco dos últimos dez anos, sacrificado à vontade — correcta —
de apresentar contas equilibradas. Ano
após ano, as verbas destinadas ao investimento eram congeladas à medida que a
execução orçamental avançava. De tal forma que os
governos de Costa investiram menos do que o último ano de Pedro Passos Coelho, ainda na ressaca da troika.
Também sabemos que, ao mínimo
sobressalto, era pedida “solidariedade
europeia”. Este é o
eufemismo para pedir fundos a Bruxelas. Com a pandemia veio o PRR, que
arrancou atrasado e com muita dificuldade em executar. Mas, mesmo perante as
dificuldades iniciais e mostrando que temos mais olhos do que barriga, era o
próprio António Costa que em Outubro de 2023 sugeria “um PRR permanente”.
Pois
claro. Há lá melhor coisa para um governante do que andar pelo país a anunciar
obras e a distribuir cheques que, no final, são pagos em larga maioria pelos
contribuintes de outros países?
Sabemos tudo isto, mas, ainda assim,
não deixam de surpreender os dados conhecidos esta semana.
O Tribunal de
Contas Europeu fez a avaliação do pacote de fundos de coesão entre 2014
e 2020 – em Portugal recebeu o nome de Portugal 2020 – e concluiu que:
Nesse
período, Portugal foi o país europeu onde o investimento público mais dependeu
dos fundos europeus;
Essa
dependência foi de 90%;
A
média europeia é de 14%;
Espanha, que
aderiu à então CEE no mesmo dia que Portugal e com quem gostamos de nos comparar,
teve nos fundos europeus 25% do seu investimento público;
Os segundo e terceiro lugares deste
ranking de dependência são ocupados pela Croácia e pela Lituânia, mas a larga
distância. A Croácia, com 69%, aderiu à UE em 2013. E a Lituânia, com 60%,
aderiu quase 20 anos depois de nós, em 2004.
A despesa do Estado não parou de
aumentar nesse período, requerendo receitas fiscais cada vez maiores para a
pagar. A prioridade foi a de atribuir o essencial da despesa do Estado aos gastos
correntes, sacrificando o investimento. E este, sabemos agora, foi suportado
quase exclusivamente por fundos comunitários.
Isto até poderia não ser grave se a
qualidade dos serviços públicos tivesse reflectido de forma notória a
prioridade dada à despesa corrente. Mas sabemos que não foi isso que aconteceu,
antes pelo contrário.
Outra atenuante podia ser o retorno
desse investimento pago com fundos europeus. É suposto que, a prazo, o
investimento se reflita em melhores condições económicas e sociais, mais
competitividade, melhores salários. Também sabemos que não é esse o nosso caso.
Desde o início do século que o país estagnou no PIB per capita. Umas décimas
para cima, outras para baixo, mas não saímos da cepa torta.
Aliás, o espírito dos fundos de coesão é
precisamente esse: ajudar países ou regiões que partem mais atrás com o
objectivo de, a prazo, deixarem de precisar de ajudas.
Sabemos também que não estamos a ser bem
sucedidos nesta matéria quando países que aderiram muito depois de nós e numa
posição muito mais recuada se mostram já menos dependentes das ajudas de
Bruxelas do que nós.
Para maximizar o encaixe de ajudas até
nos tornamos peritos no redesenho das regiões estatísticas. A antiga região de
Lisboa e Vale do Tejo ultrapassou os limites de PIB per capita que dão acesso a
fundos? Não há problema. Partimos esta
região em três para isolar zonas mais pobres que assim mantêm o acesso a fundos.
Incapazes de fazer a coesão
internamente, esperamos sempre que sejam os fundos de países terceiros a
fazê-lo.
E assim vamos andando. Se isto não é o
retrato de um país que se tornou subsídio-dependente, então é o quê?
FUNDOS COMUNITÁRIOS UNIÃO
EUROPEIA EUROPA MUNDO INVESTIMENTO PÚBLICO PAÍS SOCIEDADE
COMENTÁRIOS (de 34)
Silva: O MONSTRO: A
designação não é minha, é do Prof. Cavaco e foi o seu alerta antigo para a
total dependência do Estado de cerca de 60% das famílias Portuguesas. Uma dependência que foi cavada e aumentada cinicamente
por sucessivos governos PS de forma a capturar largas franjas de eleitores
durante mais de duas décadas. Por
causa deste Partido Estado, o país não se reforma e por causa de ser irreformável
não cresce economicamente e por isso não paga salários que hoje permitam fazer
face a um custo de vida, habitação incluída, tremendamente inflacionado pelo
turismo e que só se irá agravar. Chegámos a uma encruzilhada que, ou acabamos com o
monstro ou o monstro acaba com o que ainda resta do país. Isso vai implicar sanear todo o sector económico do Estado,
extinguir serviços e empresas públicas, reformar antecipadamente e despedir na
função pública. Que políticos
estarão disponíveis para o fazer? Afonso Soares: Portugal subsidio-dependente? Subsidio-dependente é
uma parte da população portuguesa. Depende de subsídios para tudo: renda de
casa, IRS jovem, compra de casa jovem, isenção de propinas, habitação dos
universitários, rendimento mínimo, etc, etc. K dinheiro não estica. Ou gastamos
em consumo ou investimento. Infelizmente optou-se pelo consumo para se manterem
no governo. Na prática é a fábula da cigarra e a formiga. Francisco Bandeira:
É um país
governado há mais de duas décadas por socialistas, e na última por o mais medíocre
(em todas as dimensões, com excepção da habilidade saloia) governante. Ricardo Ribeiro: Está à vista de todos que o
subsídio é o ópio do povo português. Desde os nossos governantes, às suas
políticas, ao modo de controlarem o eleitorado, as empresas sempre muito
dependentes do Estado, até ao cidadão comum, trabalhador ou não, anda tudo
viciado no subsidiozinho...isto só avançará quando se fizer o desmame ou o
tratamento da dependência como nas drogas... até lá um subsídio para mim, um
subsídio para ti, olá olá e a vida sorri!
Manuel Magalhaes:
Artigo
certeiro e verdadeiro, os nossos governantes (com Costa à cabeça) apenas sabem
viver à custa dos países e dos povos que trabalham e ao que parece não têm
emenda nem vergonha!!!
Paulo Machado: Peiesse, Peiesse Joao
Cadete: E ainda me admira que escreva isso e defenda em muitas ocasiões os
socialistas que nos governaram nestes anos. Maria Emília Ranhada Santos: O ter aparecido na política o Chega, foi a sorte de Portugal, pois o desejo
dos socialistas e sociais-democratas era entregar de vez o País aos lobbies da
NOM, para ficarmos escravos deles! Então sim, a subsídio
dependência seria total, como na China! Se não tivesse sido o entrave
de Ventura, hoje estaríamos a rezar a Alá de rabo para o ar! João Barreira: Há quem não tenha vergonha,
talvez até orgulho, em passar a vida da mão estendida. O socialismo acaba, quando
acaba o dinheiro dos outros.
Carlos Chaves: Caro Paulo Ferreira, ainda ontem aqui neste mesmo espaço a sua colega
Helena Matos denunciou o OMO-Jornalismo, exactamente o que você aqui está a
fazer! O sacripanta do Costa nunca admitiu que o que orçamentava de investimento
público, não era a miséria que era executada! Mentia com quantos dentes tinha
na boca, tal como você está a fazer agora quando diz que foi para equilibrar as
contas públicas, como se isso nos tivesse sido dita na altura! País de
jornalistas e políticos mentirosos! Contudo agradeço-lhe os números vergonhoso que nos
traz aqui hoje, pena é não os ter denunciado na altura, alto e bom som!
L Faria: Mas nesse período eram dadas
salvas a excelência do governo Costa e Mário centeno. Quem dizia que os números
estavam todos martelado será logo catalogado de fascista. Agora é tarde
camaradas. Isto é o retrato do socialismo. Fazer figura com o dinheiro dos
outros. A dama de ferro é que tinha razão. Daniel José: socialismo, é isto Paulo Almeida: E quem anda há anos a dizer que o Estado anda sempre de mão estendida? Que
os políticos usaram todos esses fundos não em prol do país? E de que não
investiram nada no interior, pois fazem mal as aplicações, são apenas palavras?
Chega. Não é preciso um relatório para vir dizer isso. Durante décadas PS e PSD
usaram e cultivaram uma político de fundos, de dependência, mas os serviços não
melhoraram. Foi um duplo falhanço. Esses partidos deviam ser responsabilizados,
nem que seja nas urnas. A subsídio-dependência corrói o ser humano e a
sociedade. Mas uma certa nata safa-se sempre financeiramente. Antonio C.: Portugal é como um drogadito -
habituou-se à dose regular e à sala de xuto e não há programa de reabilitação
que o salve a não ser com desintoxicação forçada e radical. Manuel Matos: Mais um artigo pérola que
devia abrir todos os telejornais João Das Regras: Mas já todos sabíamos isso, só
que a CS resolveu branquear a governação do Costa. E esquerda actual continua q
pedir mais subsídios, mais manuais gratuitos para todos, mais saúde grátis até
para aqueles que cá vêm só para se tratarem e depois voltam para os seus
países, mais cirurgias ao sábado pagas a peso de ouro, ou seja, continuamos a
ser o país do estado social avançado com tudo gratuito só que depois não há
dinheiro pra pagar a festa, mesmo sugando a riqueza criada pelos impostos. Por8175: PF mostra mais uma vez a sua
forte convicção socialista: o que lhe interessa é o investimento público, ou
seja, mais estado, mais desperdício, mais incompetência, mais descontrole, mais
corrupção! Ou seja, mais socialismo. Joaquim Silva: E depois lá andam os europeus
a viver carregados de impostos pois o dinheiro europeu provém dos impostos,
políticos incompetentes e do mais rasca que proliferam na Europa, um exemplo é
a reindustrialização, vamos pagar para industrializar e não incentivar a
industrialização, isto para haver competitividade é só mais do mesmo, é gente
que não foi eleita a desgovernar como por exemplo o português " Costa o
destruidor", é esta gente que nos dá cabo desta Europa que poderia ser uma
economia saudável mas só que não. Pedro Afonso: Excelente! Mais uma vez
certeiro! Infelizmente é o que somos, o que temos! GateKeeper: Tugalândia : the paradise for
the "subsidiocaína traffickers" and their acomodados. As simple as
that. Jorge
Espinha: Quem mais
conhecedor do que eu num livro que explora as razões do atraso Português, chama
aos fundos de coesão o “novo ouro do Brasil”. Luís
Martins: Apanhámos o
jeito e agora para sair daqui? Estamos tramados. Talvez fosse melhor não termos
subsídios...
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