sexta-feira, 27 de junho de 2025

Verduras

 

E as duplicidades habituais, sinalizadas metodicamente – embora inutilmente - por MARGARIDA BENTES PENEDO. De facto, o mal é que tal categoria de verduras, não há sol que as amadureça.

A esquerda quer proteger os "nativos"

O que o PEV diz no seu documento oficial está inteiramente certo. Fosse o parágrafo apresentado por um partido de direita e estava instalado o escândalo por "racismo" e "xenofobia".

MARGARIDA BENTES PENEDO Arquitecta e deputada municipal

OBSERVADOR, 26 jun. 2025, 00:1832

Terça-feira desta semana, dia 24 de Junho, Assembleia Municipal de Lisboa. Debate sobre a Moção (do PEV) “Prioridade aos incentivos à habitação acessível”.

Assente nas habituais mentirolas e caricaturas, o documento do PEV pedia mais habitação pública, menos alojamento local, mais construção a custos controlados, enfim: mais Estado. Ou seja, mais burocracia, mais concursos e contratos, mais obras públicas, mais esquerda a mandar; fatalmente, mais corrupção e menos liberdade individual.

Temos um problema grave de habitação, é uma verdade indesmentível. É também verdade que não se resolve desta maneira, como de resto os últimos anos se encarregaram de mostrar. E ainda é mais verdade que a esquerda não está disposta a aceitar as políticas que poderiam contribuir para o resolver, já que todas essas políticas embatem nos interesses da esquerda, diminuem-lhe os poderes, e ferem-lhe as crenças que ela embala no fundo do coração.

Mas este texto não é sobre o preço das habitações: é sobre a duplicidade da esquerda. Regressando ao documento do PEV (Moção nº 182/02) a chave encontra-se no seguinte parágrafo:

“Quando uma cidade assiste à debandada dos seus nativos e dos seus residentes, por muito “lavada” e renovada que esteja, passa a estar reconhecida como uma comunidade sem alma, socialmente descaracterizada e com uma economia depauperada.”

Assim, letra por letra, “nativos” e tudo. Não interessa a gramática, nem a prosódia, nem o facto de sermos oprimidos pela prosa semi-instruída que a esquerda produz. Aqui, o PEV tem toda a razão. O que o PEV diz no seu documento oficial está inteiramente certo. Fosse o parágrafo apresentado por um partido de direita e estava instalado o escândalo por “racismo” e “xenofobia”.

Efectivamente, a cidade, como o país, é um conjunto constituído por um território e um determinado grupo de pessoas. Sobretudo por pessoas. Quando as pessoas mudam, e se mudam bruscamente, e em números tão elevados quanto 10 a 20 por cento da população, o país deixa de ser o mesmo – como a cidade deixa de ser a mesma.

O PEV compreendeu que os noruegueses e gregos, como os nepaleses, paquistaneses ou bengalis não querem saber do Santo António. Não ouvem a Amália, não marcham Avenida abaixo nos Santos Populares, não jogam as damas ou a sueca no jardim público e não frequentam a Sociedade Recreativa de que a esquerda tomou conta. Os estrangeiros são uma massa de gente incompreensível cujos comportamentos a esquerda não compreende nem prevê. E foi por esta via, não pelos bons sentimentos de “humanismo”, que a esquerda se apercebeu de uma alteração social. Mais: a esquerda, que em larga medida ainda manda nos bairros mais pobres, vê os eleitores dela a queixar-se, e a mudar de bairro assim que podem, e a serem substituídos por gente incompatível com os modelos habituais.

Que a esquerda consiga constatar o problema, é uma boa notícia. Mas dispensamos que se apresentem armados em virgens púberes quando ele aparece, posto pela direita, em termos rigorosamente iguais.

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COMENTÁRIOS (de 32)

João Queiroz e Lima: Odeia-se o turismo massivo porque destrói a cultura local mas adora-se a imigração massiva que destrói a cultura local.                            Ricardo Ribeiro: Pois é, de vez em quando aos "fascistas, racistas e xenófobos" esquerdolas sai da boca a verdade...mas depois sai também palavras e acções estapafúrdias e completamente manipuladas e enviesadas pela sua ideologia. Não dá para mais e ainda bem que cada vez são menos...                      Maria João Pestana: Tudo o que sai das boquinhas Santas e inteligentes da esquerda é sagrado e inquestionável. O resto, refiro-me a cerca de 80%, somos burros e fascistas. Claro que isto tem de rebentar. Temos mais que fazer do que cacarejar, mas a paciência tem limites.          fonseca 07 > Pedra Nussapato: Realmente é verdade, deveria era enaltecer a esquerda que tão bons resultados tem trazido à nossa praça? Só não vê quem tem palas, a esquerda nada trouxe de positivo, pelo contrário.                     Ruço Cascais: Pois muito bem apanhada. O termo nativos numa ideia de direita levava automaticamente com o carimbo do racismo e xenofobia. A esquerda com esta ideia de "nativos" começa a dar um passo no tema da imigração. A sobrevivência da esquerda eleitoralmente em próximas eleições obriga à abordagem do tema da imigração, e, a uma abordagem diferente. Vai doer-lhes na alma, mas, mais tarde ou mais cedo lá terão que dobrar o discurso. NATIVOS é um começo.                    SDC Cruz: Pois é, cara Margarida, a esquerdalha, com tempo irá reconhecer (será que irá?) que os tempos mudaram e as pessoas também. Concordo inteiramente consigo. Se o mesmo parágrafo fosse, nem vou tão longe, do PS2, estava instalada mais uma peixeirada! Obrigado e até para a semana.           José Tomás > Pedra Nussapato: Errado. "A sua função aqui é manifestar" a miséria moral da esquerda, por exemplo, de gente que, num dia, chama "racistas" aos outros, e, no dia seguinte, quer proteger os "nativos" dos "de fora" (ou de gente que, confrontada com essa evidência, comenta que a autora devia era ter falado do tempo, dos joanetes, ou de "políticas de habitação").                  Luis Figueiredo: A esquerda, mais uma vez, criou um sério problema de co habitação nas nossas grandes metrópoles. Mas não assume a questão. O habitual nesta gente. Nada de novo. A realidade chegou e eles esbarram contra o muro, mas de tão "inteligentes" não se apercebem...                    Manuel RB > Novo Assinante: Você deve estar aqui por pouco tempo. O BE perdeu muita subvenção depois das últimas eleições e a "Nova Assinatura" custa dinheiro e dá lucro a interesses capitalistas. A menos que se tenha passado para o partido do Tavares, agora com muito mais subvenções. De qualquer modo, você vive de subvenções, não tem o mínimo interesse no que aqui se escreve e só bota discurso pré-formatado. Pelos "likes" que traz consigo, presume-se que os "Novos Assinantes" se multiplicam.                    José Nicolau > Novo Assinante: Já cá faltava o Neo-Lelo! É tão idiota que quando ia fazer a assinatura no Avante, sem ter tomado os comprimidos, enganou-se e assinou o Observador.                 Francisco Almeida: Foi pela autora que soube a sombria realidade dos governos de António Costa, que teve o apoio da extrema-esquerda, terem construído anualmente 17 fogos de construção pública. Por outro lado é também dp governo de António Costa a política de fronteiras abertas que fez entrar em Portugal 1 milhão de imigrantes em 7 anos. Quer dizer a esquerda tornou a oferta irrelevante e fez explodir a procura. Deviam ficar impedidos de se pronunciar sobre habitação pelo menos durante os próximos dez anos.                  GateKeeper: Top 10.           António Costa e Silva: Querem que sejamos estrangeiros na nossa terra.                Manuel Filipe Correia de Araújo: "A Esquerda quer proteger os "nativos". Finalmente, a Esquerda acordou para os temas e problemas da Imigração... Pois mais vale tarde do que nunca!                  m s: Portanto se os "nativos" partem, os velhos morrem, as crianças não nascem, não houve sismo ou bombardeamento que demolisse as casas, e os emigrantes na França continuam a construir as maisons, afinal para quem são os milhares de casas que dizem que são precisas?               Lidia Ricardo: Eu entendo os interesses que se defendem, só dá vontade de rir o espectáculo do cinismo. Já estou como Alexandre Herculano, a respeito do país" Isto dá vontade de morrer!" Como eu o compreendo pois de lá para cá a mesma vesguice nas políticas de desenvolvimento, a mesma ganância boçal, ah e o mesmo compadrio.

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