terça-feira, 10 de junho de 2025

Não é, pois, de estranhar

 

Sendo cerimónia anual, executada neste mesmo dia de Camões. E se não lhe faltou o almoço de encerramento, terá tudo para ser um natural e importante pátrio evento. Quanto a isso de traidores, tenho dúvidas sobre a direccionalidade desses epítetos.

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Gouveia e Melo ouve gritos de traição em homenagem a ex-combatentes. "O almirante Gouveia e Melo está entregue aos traidores", ouviu-se

O candidato presidencial Gouveia e Melo participou numa cerimónia de homenagem aos ex-combatentes em Lisboa, à mesma hora em que Marcelo Rebelo de Sousa estava a discursar.

AGÊNCIA LUSA: TEXTO

10 jun. 2025, 14:45 27

O candidato presidencial HENRIQUE GOUVEIA E MELO participou nesta terça-feira, em Lisboa, numa cerimónia do 10 de Junho de homenagem aos ex-combatentes, na qual ouviu gritos de traição e insultos racistas devido à presença do imã de Lisboa.

A cerimónia, intitulada XXXIII Encontro Nacional de Homenagem aos Combatentes, realizou-se, como todos os anos, no Monumento aos Combatentes do Ultramar, em Belém, Lisboa, e foi igualmente acompanhada pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e por centenas de pessoas, a maioria das quais ex-combatentes.

Com início às 12h00, precisamente na altura em que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, fazia o seu tradicional discurso do 10 de Junho em Lagos, a cerimónia contou com os discursos do presidente da Comissão Executiva que organizou este encontro, major-general Avelar de Sousa, e do coronel comando Paulo Pipa de Amorim.

Gerou-se, contudo, alguma tensão quando o imã da Mesquita Central de Lisboa, sheik David Munir, subiu ao palanque à frente do monumento, num momento que a organização apresentava como “uma cerimónia inter-religiosa católica e muçulmana”. Quando o sheik se estava a dirigir para o palanque, um homem vestido com uma farda caqui insurgiu-se, aproximando-se do local e começando a gritar que a presença do imã de Lisboa nesta cerimónia era “uma traição ao povo português”.

Isto é uma vergonha, pá. Isto não é a tua pátria”, gritou outro homem no final da breve intervenção de David Munir, antes de se dirigir a Gouveia e Melo, que se encontrava à sua frente, a poucos metros de distância.

O almirante Gouveia e Melo está entregue aos traidores”, acusou, continuando com insultos de carácter racista durante largos minutos, antes de as autoridades intervirem – numa altura de quase confronto físico com outras pessoas que lhe pediam para se calar – e o retirarem para um espaço mais recuado, onde alguns cidadãos faziam a saudação nazi.

No final da cerimónia, em declarações aos jornalistas, Gouveia e Melo foi questionado sobre este incidente, mas não se quis pronunciar, afirmando apenas que “estes momentos são de união e não de desunião”.

“E é isso que é importante manter”, defendeu, pouco depois de, no final da cerimónia, ter sido rodeado por muitas pessoas que o cumprimentaram e lhe pediram para tirar fotografias.

Sobre a mensagem que pretendia passar aos portugueses neste dia, Gouveia e Melo frisou que a cerimónia foi de “gratidão às pessoas que combateram em África” e a “todos os outros combatentes”.

“São aqui respeitados e lembrados na nossa alma e espírito e isso é importante porque um povo sem memória é um povo que, depois, também perde o seu futuro”, considerou.

Interrogado sobre porque é que optou por marcar presença nesta cerimónia em vez de participar na que se realizou em Lagos, Gouveia e Melo respondeu que esta cerimónia em particular lhe “diz bastante”.

“O respeito aos antigos combatentes é importante e, tendo eu disponibilidade para também dar alguma visibilidade a esta cerimónia, predispus-me e julgo que é muito importante para estas pessoas que estão aqui sentirem-se acarinhadas por todos”, considerou.

Questionado, contudo, se esta sua presença não pode ser interpretada como uma tentativa de utilizar o 10 de Junho para fazer campanha junto de ex-combatentes, Gouveia e Melo respondeu apenas: “É a sua interpretação.”

Este encontro de ex-combatentes é organizado todos os anos no Dia de Portugal pela Comissão Executiva para a Homenagem Nacional e tem contado com a presença do imã de Lisboa, sheik David Munir.

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COMENTÁRIOS (de 27)

Ludovicus: O imã da Mesquita Central de Lisboa, sheik David Munir sempre participou nesta cerimónia em Belém. A razão tem a ver com o facto de milhares de africanos muçulmanos terem participado no conflito ao lado das Forças Armadas portuguesas. Nomeadamente os comandos africanos.               Carlos Chaves: Que grande militar este! Que grande falta de respeito pela  instituição que pretende ocupar! Com meu voto nem no caixote do lixo do palácio cor-de-rosa teria lugar! Também lá estava o Cardeal-Patriarca? Não aprendem com o que se está a passar em França e na Bélgica?                        Nuno Borges: O golpe de 1974 foi uma traição do exército à nação. A entrega do império ao inimigo.        José Costa: Que grande pouca vergonha: o almirante das vacinas e o muçulmano. A decadência em dose dupla!            Luis Silva > Ludovicus: Foi apenas na Guiné-Bissau e eram algumas centenas não mais. A participação deles nada teve a ver com o islamismo propriamente dito e foram considerados traidores pelas autoridades da Guiné-Bissau. Nada justifica o convite do Imã.                 Carlos Ferreira: O sheik Munir é bastante moderado e tem sido, na minha opinião, uma das razões por que não tem havido radicalizações por cá. Temos que saber separar o trigo do joio.               António Fernandes: Sem vergonha, candidato em campanha!        Paulo Salvador > João Alves: duas coisas que Portugal nunca foi                  GateKeeper: Há - de ouvi-los mais algumas vezes e de outras bocas de Portuguesas e Portugueses. E, sempre que vestir o avental, claro. E há-de ter que vesti-lo muitas vezes.                m s: Cinismo. Os ex-combatentes foram excomungados pelo regime dos capitães e dos almirantes de Abril que para a guerra mandavam os milicianos. Homenagem inócua e barata porque os que ainda não morreram estão lá próximo. Eu, que ainda não morri, recebo 70 euros anuais.O Sheik Munir pode granjear muitos votos.

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