Linguageiros. Nosso entretenimento-mor.
João Miguel Tavares: "A fúria
revisionista começou à esquerda"
João Miguel Tavares, que há seis anos
presidiu ao 10 de Junho, alerta que não se deve apenas diabolizar o passado
colonial e que se deve celebrar impureza do sangue português. Lembra Calema e
Nininho.
OBSERVADOR, 12 jun. 2025, 20:2327
João Miguel Tavares fez um
discurso no 10 de Junho de há seis anos onde alertou para uma “geração de
adultos desencantados”, que acredita que acabou por se reflectir no crescimento
do Chega, que tem como traço comum dos seus eleitores o “descontentamento”. Em
entrevista à Vichyssoise, o jornalista e
coapresentador do programa E o Resto é História, da Rádio Observador, fala sobre
os discursos de Marcelo Rebelo de Sousa e
Lídia Jorge, a quem elogia a referência à impureza do sangue português, mas diz que é preciso não esquecer o
que de bom se fez no passado colonial. E
não tem problemas em dizer que é claro que a “fúria reviosionista“, denunciada
pela escritora, “começou à esquerda”.
Para João Miguel Tavares, “tão ridícula é a interpretação de uma
expansão feita apenas de glórias como é ridícula a interpretação de uma
expansão feita apenas de horrores e de maldade”. O também
colunista do Público diz que não consegue perceber como há pessoas que dizem
que não vão votar em Henrique Gouveia
Melo, quando nada dele se conhece. E
se, há anos, deixou os filhos com António Costa, garante que não faria o mesmo
com Luís Montenegro, porque não lhe reconhece “sentido de humor”. Ainda assim,
acredita que pode cumprir os quatro anos de mandato.
“A grande força do Chega é ser colocado de lado no prato”
Há seis anos, disse o seguinte no
discurso das comemorações do 10 de Junho: “A
falta de esperança e a desigualdade de oportunidades podem dar origem a uma
geração de adultos desencantados incapazes de acreditar num país meritocrático.”
Já chegámos aí? Esses adultos desencantados são aqueles que agora saíram do
sofá para votarem em André Ventura?
Parte
deles, sim. Esse discurso de 2019 não foi apenas o do ano antes da pandemia, foi
também o do ano zero do Chega, porque o Chega foi oficialmente fundado em 2019. Portanto, o
discurso tem ainda essa ironia de coincidir no tempo com essa ascensão, que
depois seria muito vertiginosa, do André
Ventura. Está lá bem identificado o rumo para o qual o país se dirigia, e esse
desencanto que sempre senti que estava a tomar conta das pessoas. Não acho
que isso seja independente daquilo que foi a ascensão do Chega. E, na altura,
até fui muito criticado, porque nesse discurso também colocava a tónica naquela
divisão entre o “nós” e o “eles”.
Era aí que íamos a seguir. Já vos estou a
estragar as perguntas. Na altura, aquilo foi um bocadinho mal interpretado, mas
eu falava do “nós” e do “eles” e de outra coisa que acho que é um sentimento
muito prevalecente na sociedade portuguesa, que é o elevador social estar francamente avariado. Tenho o
privilégio de ter muitos filhos e noto isso à medida que eles e os amigos à sua
volta crescem. Esta geração já não tem
a garantia que a nossa geração teve, de irmos viver melhor do que os nossos
pais, tal como os nossos pais viveram melhor do que os nossos avós.
Essa interrupção é, evidentemente, uma interrupção traumática, porque,
historicamente, não era assim que acontecia. Agora, de repente, há um
corte que cria muita frustração e que tem
a ver com aquilo que são as condições económicas do país e o seu próprio
envelhecimento, a sua própria demografia. Tudo isto junto são uma série
de desafios a que não sabemos muito bem como responder, e o mais grave é que
acho que muitas vezes não são levados
a sério. Esse discurso depois ganhou o título “Dêem-nos Alguma Coisa em
Que Acreditar”. Há uma geração que
ficou sem uma espécie de horizonte de esperança, e isso é um problema dramático
que implica que a qualidade da política portuguesa suba de nível. Não é
só da portuguesa, porque isto é um fenómeno transversal a outras sociedades,
mas implica que a qualidade dos nossos
políticos suba de nível. Acho que essa subida de nível ainda não é percetível e
isso também explica boa parte do sucesso do Chega.
Nesse mesmo discurso, há a ideia da
distinção entre o “eles” — que seriam os
políticos, as instituições, as várias autoridades, as altas entidades do Estado
— e o “nós”, que seriam as pessoas das
nossas relações pessoais. Entre as várias críticas feitas ao Chega, o
chamado populismo de André Ventura não ajudou a fazer essa aproximação entre o
“nós” e o “eles” para as pessoas que desacreditavam completamente o “eles”?
Acho que sim. Quando os
tempos se extremam e sentimos que há algo muito fundamental que começa a estar
em causa, dá-se este paradoxo em que achamos que as pessoas estão desencantadas
com a política, mas, ao mesmo tempo, a abstenção está a descer. Há uma maior intervenção das pessoas,
politicamente, na sociedade. E, por esse aspecto, pode-se considerar que isso é
positivo. Agora, é uma intervenção zangada, muitas vezes, não é uma
intervenção sensata, se for verdade que esses “nós” estão mais próximos da
política. Mas esse “eles” nesse discurso não são só os políticos e as
instituições. É mesmo uma espécie de elite cultural de um país dual, que
dialoga mal um com o outro. O
“nós”, muitas vezes, é aquele povo sem voz, enquanto “eles” são, não só os
políticos, mas também nós, jornalistas, comentadores, as pessoas que têm acesso
ao espaço público. Muitas vezes, aí, também temos falhado. Não fazemos
o devido esforço para compreender o mundo em que estamos, neste momento, a
viver. Há um esforço de compreensão em que nós, jornalistas, também temos um
grande papel a desempenhar. Isso para mim é muito claro.
Mas também disse que há aqui uma
responsabilidade também de jornalistas e comentadores no estado da situação. No
programa da SIC Notícias, disse que este grupo não conseguiu furar a bolha e
não perceberam a razão pela qual os portugueses votaram no Chega. O que é que
fez, afinal, os portugueses votarem como votaram?
Os votantes no Chega são tão diversos
entre si que é difícil uni-los numa coisa que não seja só o descontentamento. Isto não
tem nada de original, toda a gente o diz e é verdade. É por isso que sempre fui
muito céptico em relação às linhas vermelhas, praticamente desde o surgimento
do Chega, porque sempre me pareceu muito claro que a grande força do Chega é
o facto de ser colocado de lado no prato. Isso faz com que uma
personalidade carismática e populista como o André Ventura seja um íman que
atrai todo o tipo de descontentamento. É a única coisa que une aquelas pessoas
que votam no Chega.
"É melhor assimilar André Ventura no sistema para lhe tirar força"
É
melhor introduzi-lo no sistema? Normalizá-lo?
Sim, é melhor assimilá-lo para lhe tirar
força. Sei que isto é uma coisa não só chocante para muita gente, como pode ser
paradoxal. Inevitavelmente, acabamos sempre a fazer aquelas comparações ad
hitlerum. Ou seja, olhamos para uma direita radical em ascensão e somos
todos remetidos para a Alemanha da década de 30. Podes ter razão, nunca
sabemos o que é que estes líderes políticos dão até se aproximarem do poder. E
entre Adolf Hitler, Orbán ou Meloni há uma escala gigantesca de intervenção. As
pessoas dizem-me “cuidado com o ovo da serpente”. É evidente que se um dia
chegasse ao poder e acabássemos todos numa ditadura ou numa autocracia muito
musculada, teria de dizer aos meus amigos, sobretudo de direita e pró-linhas
vermelhas, que eles tinham razão. Não
me parece que Ventura seja isso, mas aquilo de que eu estou bastante convicto é
que, enquanto as cercas sanitárias e as linhas vermelhas estiverem muito
traçadas, André Ventura vai continuar a crescer. Os seus inimigos
são aqueles que lhe estão a fazer o seu maior favor. Essa sempre foi a
minha tese. Posso estar errado. Às vezes, gostava era que o outro lado
estivesse um bocadinho mais atento a este tipo de argumentação, em vez de
cairmos naquelas dualidades de índios de um lado e cowboys do outro. O
grande problema da nossa situação actual é que, se não elevarmos o nível da
discussão e se não tivermos conversas mais sofisticadas, não vamos chegar a
nenhum lado brilhante.
“O país está mais agressivo”
Passemos
de uma espécie de populismo mau, assente em xenofobia, racismo e discriminação,
para um populismo um bocadinho mais benigno, de loucura, afectos, selfies.
Marcelo Rebelo de Sousa, que o convidou para essa cerimónia em 2019, deixa o
país pior do que encontrou e tem alguma responsabilidade nisso?
Acho que tem.
O
país está melhor ou pior?
Esse melhor e pior também é difícil de
classificar. O país está certamente mais agressivo, como estamos a ver ainda
nesta semana. Os níveis de violência, seja a pequena, seja a grande, realmente
tenderão a aumentar. As pessoas estão mais zangadas e existem, hoje em dia, pólos
políticos definidos aos quais as pessoas aderem e acho que esses polos tenderão
sempre a esbarrar uns com os outros. Pode dizer-se que o nível de agressividade
da sociedade aumentou e, nesse sentido, isso é mau. Há um lado que pode ser
positivo a médio prazo – isto é a minha opção optimista e a minha tendência
para ver copos meio cheios –, que é obrigar o centro a mudar e obrigar os
governantes a governarem-nos melhor. Quando eu digo “governarem-nos melhor”
é não caírem naquilo que, para mim, foi a
armadilha de António Costa, foi a armadilha de Marcelo Rebelo de Sousa e está a
ser também, em boa parte, a armadilha de Luís Montenegro, mas vamos ver o que é
que ele vai fazer. É gente que acha que estar no Governo é uma mera gestão
do poder e que não acredita em nada de substancial. Nenhum
deles tem a ambição de levar o país do ponto A para o ponto B. Para eles, governar era ir gerindo as pratas
da melhor maneira possível. Não estou a dizer que as pessoas não tentam mudar
uma coisinha aqui, outra coisinha ali. Mas
Marcelo não esteve à altura do tempo em que vive, acho que António Costa não
esteve à altura do tempo que viveu, e tenho muitas dúvidas de que Luís
Montenegro esteja à altura desse tempo. Enquanto, durante muitos anos,
estivemos num país mais ou menos conformado com a sua estagnação, de repente
há uma espécie de aval, que não sabemos bem de onde vem, chamamos-lhe o zeitgeist,
este espírito do tempo que abana tudo. Não
acho que as pessoas e o país possam novamente ficar nesta espécie de paralisia
em que nada de substancial vai sendo alterado.
"Para Costa, Marcelo e agora
Montenegro, governar era ir gerindo as pratas da melhor maneira possível"
O
discurso e os actos agressivos dos últimos dias têm a ver com esse estado das
coisas ou com o crescimento dos extremismos e com a definição de polos de que
estava a falar?
São
as duas coisas. Não tenho a menor dúvida de que a agressividade verbal de André
Ventura, os seus maus modos, a sua má educação, levem a uma deterioração do
espaço público. E que hoje haja elementos de extrema-direita e neonazis –
imagino que nem sequer pertençam ao Chega, que sempre tentou manter à parte as
suas franjas mais radicais, porque isso estragava o seu projecto político –
que, de repente, se sintam mais libertos para enfiar umas chapadas e uns murros
em pessoas que vão a passar com aquele tipo de leveza. Isso é
evidentemente grave e não pode ser desculpável. Temos sempre de ter cuidado com
o que vem a seguir, porque depois vem o “mas”. Temos de sublinhar que isso não é
desculpável, que tem de ser combatido e que a polícia tem de estar realmente
atenta a isso. Agora, é verdade que o Chega, nomeadamente, é a resposta a um
mal-estar que estava subjacente e a coisas que nós, jornalistas, temos de
prestar atenção. Eu brincava a dizer que o Chega, quando nasceu, se tinha entretido a atacar os ciganos porque
não tinha imigrantes. Como não havia imigração, como existia em França
ou na Alemanha, aqui sobravam os ciganos para o Chega tentar dar nas vistas com
o seu discursozinho de ódio em relação àquilo que é uma minoria em Portugal. De repente, temos um Governo de esquerda,
nomeadamente de António Costa nos tempos da “geringonça”, que, nas costas do
país, lhe oferece os imigrantes. E um milhão de imigrantes, que André Aventura
não tinha em 2019. Isso é realmente prodigioso. Ao mesmo tempo que a
esquerda andava a combater a extrema-direita e dizia as piores coisas da
ascensão da direita radical, estava a oferecer-lhe de mão beijada os argumentos
que a viriam a fortalecer. Isso é uma coisa absolutamente chocante e pela qual
eu acho que o governo anterior tem mesmo de ser responsabilizado.
"O
Chega, quando nasceu, entreteve-se a atacar os ciganos porque não tinha imigrantes"
“A
fúria revisionista começou à esquerda”
O
João Miguel faz o programa “O Resto é História” com Rui Ramos, na Rádio
Observador, onde tenta abordar os episódios históricos de uma forma
despudorada. Lídia Jorge está certa quando diz que existe uma fúria
revisionista que nos assalta pelos extremos nos dias de hoje?
A ideia da fúria revisionista, neste
caso, é muito clara: ela começou à esquerda. Vivemos muitas décadas de ditadura
em que os Descobrimentos e a expansão portuguesa era ensinada nas escolas e
estava nos livros das escolas primárias como uma espécie de maravilha, para
sublinhar a grandiosidade e o carácter único do povo português. Isso era,
evidentemente, uma caricatura daquilo que tinham sido os Descobrimentos e a
expansão. Mas depois, nos últimos anos, especialmente com a ascensão do wokismo, que já estava também, em boa parte, às
vezes de outra maneira, na historiografia portuguesa do pós-25 de Abril,
tivemos uma espécie de caricatura contrária, em que, para tornar abjeto o que
se passou durante a ditadura de Salazar, decidiu-se sublinhar a traço grosso o
contrário. Então, os Descobrimentos e a expansão perderam todo o seu
caráter heróico para se tornarem em algo apenas puramente infame. Tão
ridícula é a interpretação de uma expansão feita apenas de glórias como é
ridícula a interpretação de uma expansão feita apenas de horrores e de maldade.
Ainda por cima porque dá-me a ideia de que é uma espécie de etnocentrismo ao
contrário. As mesmas pessoas que
achavam que eram as melhores do mundo, hoje em dia acham que são as piores do
mundo, no sentido em que fomos nós, com a nossa super capacidade de actuar na
história da humanidade, que causámos todos os males nos países em que tocámos.
Isso é, obviamente, também um total absurdo.
Neste 10 de Junho, a escritora Lídia
Jorge (e o Presidente Marcelo também) contestou a ideia de uma espécie de puro
sangue lusitano. Sobre essa referência, escreveu no Público que até
concorda com essa frase, mas depois diz que o excesso de passado apenas serve
para manipular politicamente o presente. Critica-os por não darem o outro lado
e por se focarem apenas na parte dos horrores dos Descobrimentos. Estão a
falhar e só a contar a história pela metade, estão a tentar, de alguma forma,
manipular politicamente o presente?
Na parte do sangue puro, não se trata apenas
de concordar. Eu celebro isso. Porque, como bom cosmopolita que também sou, celebro
evidentemente o encontro de culturas. Fico muito contente que a seleção
portuguesa tenha pessoas de diferentes cores de pele. Só lamento genuinamente
que os boards de administração das
nossas empresas não tenham a mesma diversidade de pele. Aquilo que eu às vezes
contesto é que essa diversidade seja feita à custa de quotas e de um certo tipo
de discriminação que vai funcionar contra as pessoas. Nomeadamente, pessoas de ascendência ou que vieram de países que, em
tempos, foram colónias portuguesas e cuja integração na sociedade portuguesa é
uma dívida que temos para com elas e que não é bem feita.
"Ao mesmo tempo que André Ventura
andava a dizer mal dos ciganos, Nininho Vaz Maia estava a encher o Pavilhão
Atlântico."
A imagem que usou até foi a dos Calema no
Estádio da Luz, que fizeram mais por uma pacificação desse passado com o
presente do que propriamente os discursos de Marcelo e Lídia Jorge. Não é bem uma pacificação. Os Calema são um duo de irmãos de São Tomé e são os primeiros
artistas em nome próprio que conseguem tocar num estádio como o da Luz, ou
seja, isso nunca aconteceu com portugueses de Portugal, originariamente de
Portugal. Eu celebro isso e o que achei é que as pessoas que dizem que
nós não temos sangue puro, muitas vezes, esquecem-se de celebrar isso. Estamos
tão ocupados a apontar o dedo às desgraças, que muitas vezes somos cegos às
coisas que acontecem de positivo à nossa volta. Ao mesmo tempo que André Ventura
andava a dizer mal dos ciganos, Nininho Vaz Maia estava a encher o Pavilhão
Atlântico. E isso é muito curioso, não é? As pessoas querem enfiar-nos pela goela uma espécie de racismo estrutural e
dizem que as pessoas estão agarradas aos ecrãs, e hoje em dia só veem as coisas
nos pequenos ecrãs de telemóvel. E, no entanto, temos dezenas e
dezenas de milhares de pessoas, não no ecrã de telemóvel, mas nas ruas, a
celebrar conquistas artísticas e culturais daquelas pessoas que supostamente
são vítimas desse racismo cultural e estrutural. Nós, muitas vezes, estamos desatentos à complexidade do mundo. E
exactamente porque não temos sangue puro, temos de celebrar essas conquistas
desses sangues impuros, que felizmente são todos nós. Muitas vezes, o que
acontece, para voltar à história do “nós” e do “eles”, é que temos elites que
acham que estão muito atentas ao mundo, mas, na verdade, estão elas próprias
fechadas na tal bolha. Todos nós, eu também não me estou a pôr fora disso, temos
de furar a tal bolha para ir ao encontro do mundo que estamos a ter muitas
dificuldades em compreender. Tendemos, até porque isso acontece sempre
nestas alturas de urgência e de radicalismos, a enfiar-nos na nossa trincheira,
e o que vai acontecer é cada um a disparar do seu lado. Não existe nenhum espaço de encontro,
enquanto cada um apenas se mantiver na sua trincheira. Não tenho a menor dúvida
de que André Ventura quer cavar aquela trincheira. É naquela trincheira que ele
se enfiou. Está cada vez mais acompanhado nessa trincheira e, portanto, não
tem nenhum interesse particular, neste momento, em sair dela. São as pessoas
mais abertas, mais cosmopolitas — e que também se acham mais progressistas —
que, provavelmente, têm de fazer esse esforço, e muitas vezes não fazem.
“É extraordinário que as pessoas
tenham grandes conclusões sobre Gouveia e Melo quando ainda não sabemos nada
dele”
O
presidente Marcelo está a terminar o mandato. Henrique Gouveia Melo é, neste
momento, o favorito à vitória nas eleições de janeiro do próximo ano. É
preocupante, como alguns dizem, ter um militar na Presidência?
Não acho preocupante, mas as pessoas
perguntam-me muitas vezes em quem vou votar e digo que há pessoas em que não
vou votar de certeza, porque conheço-as e acompanho o seu percurso ao longo de
décadas. Acho difícil dizer que não vou votar numa pessoa que não conheço. É
o problema.
É
mais fácil dizer que se vota numa pessoa de quem não se conhece o pensamento e
que, do pouco que se conhece, também ainda é muito pouco definido?
Exactamente, muito pouco. Portanto, eu
não faço ideia. Agora, o que eu acho, às vezes, extraordinário é que as
pessoas tenham grandes conclusões sobre Gouveia e Melo quando nós ainda não
sabemos nada dele. Espero que se faça uma campanha eleitoral, entrevistas,
perguntas duras em relação ao senhor e outras coisas que ele cometa pelo
caminho, e quando chegar o dia das eleições eu já possa dizer: “Bom, eu conheço
agora este senhor um bocadinho melhor e vou decidir se voto nele ou não voto.”
Mas faz-me genuinamente confusão a quantidade de gente que é alérgica a Gouveia
e Melo, porque não sabem nada dele.
A
questão de ser militar é uma questão que não pesa?
É uma questão que não é relevante, desse
ponto de vista. Ele vai trazer os submarinos e os militares para dentro do
Palácio de Belém? Que eu saiba, não. Ele anda a fazer campanha de farda? Não
anda. Saiu de militar e agora apresenta-se de gravata. Portanto, foi uma
profissão que desempenhou e na qual se destacou verdadeiramente, numa altura em
que — convém recordar — os civis, de facto, falharam. E, portanto, essas coisas
de desvalorizar, muitas vezes, também o papel dele na história da vacinação… O
que é que os portugueses viram? O que os portugueses viram é que havia um
senhor chamado Francisco Ramos, que estava a liderar a campanha da vacinação de
uma forma trágica e que teve de ser colocado de lado e vir este senhor. Felizmente, as pessoas – e isso é bom –
ainda atribuem ao militar uma espécie de ética diferente, de alguém que tem uma
espécie de educação que o faz ser uma pessoa mais séria, mais preocupada, mais
justa, com as suas regras, daquelas regras da hierarquia militar, e que, ao
aplicar essa cultura, fez com que o processo de vacinação corresse bem.
E
organizaria um 10 de junho a convite do Almirante?
Não faço ideia, sei lá. Primeiro tenho de
o conhecer, mas não tenho nada contra. Eu não aceitei logo o convite. Na altura
em que Marcelo Rebelo de Sousa me convidou, pensei um pouco, mas depois já
estava como o Ruben Amorim depois de chegar ao Sporting: “E se correr bem?” Já
sabia que havia muita gente que eu irritava, mas isso também era para mim uma
motivação, que era poder irritá-los mais um bocadinho. Tenho esta costela de
contrariar, às vezes gosto de chatear pessoas.
“Não
deixaria os meus filhos com Montenegro porque não tem sentido de humor”
Deixaria
os seus filhos com Luís Montenegro ou, como eles já têm 12, 17, 19 e 21 anos,
tem medo que ele fizesse dos dois mais velhos sócios da Spinumviva?
Não deixaria. Quer dizer, acho que não
deixaria. Com o António Costa, na altura, deixei lá os miúdos por uma razão
simples, porque o António Costa mostrou ter sentido de humor. E isso é uma
característica dele, que às vezes até é perigosa, porque torna as pessoas mais
sedutoras. Sobretudo quando as pessoas não fazem as coisas mais certas, isso
pode ser um perigo. Nunca notei que Luís Montenegro tivesse esse sentido de
humor. Portanto, nunca deixaria. Até porque nunca seria convidado.
Acredita
que Luís Montenegro tem condições para ficar lá os quatro anos?
Tem condições, até pela fraqueza do
próprio PS e até porque o Chega também vai estar a meditar sobre qual é que
deve ser o seu caminho. Ou seja, o Chega
está, neste momento, na encruzilhada que é: vou ser mais Orbán ou vou ser mais
Meloni? É isso que está na cabeça de André Ventura, que, mais uma vez, é uma
pessoa que não acredita em nada. Note-se que isso tem sido a nossa
desgraça. Até os nossos líderes mais conhecidos são líderes que, na verdade,
quando se lhes pergunta “o que é que tu queres para o país?”, acho que querem poder, é isso que querem.
Luís Montenegro quer muito poder e é esperto. Pode ser que se aguente, mas é
imprevisível.
Escreveu
um dia que ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente
quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina, entre outros mimos com
que o brindou nesse artigo de opinião que até lhe valeu um processo, que foi
arquivado. Sendo uma das vozes no espaço público mais críticas de José
Sócrates, sente-se vingado por o antigo primeiro-ministro ir a julgamento no
âmbito da Operação Marquês?
Não, vingado é uma péssima expressão. Não
tenho nenhuma acrimónia em relação a José Sócrates. O meu problema não foi
tanto com o homem que nos enganou, mas com o país que se deixou enganar. Foi
mais uma vez a bolha, o “nós” e o “eles”. Foi a quantidade de gente distraída
em relação a alguém que não era sério e que não estava em condições de exercer
aquele cargo. Embora tivesse qualidade políticas bastantes visíveis.
Era
uma questão de ideias e não propriamente da pessoa, ainda que as ideias daquela
pessoa também tivessem a ver com o carácter?
Exacto, ali era também uma questão de
comportamento daquela pessoa. Acho que, evidentemente, José Sócrates tinha de
ser julgado por tudo aquilo que fez. Acho um escândalo estar a ser julgado mais
de 10 anos depois de ter sido detido no aeroporto da Portela.
"Acho um escândalo José Sócrates
estar a ser julgado mais de 10 anos depois de ter sido detido no aeroporto da Portela."
“O Marques Mendes já o topo a léguas”
Vamos
agora passar para a parte final, do Carne ou Peixe. Com quem é que deixava os
seus filhos: Marques Mendes ou Henrique Gouveia e Melo?
Com Henrique Gouveia e Melo, para eles
depois me contarem. O Luís Marques Mendes já o topo a léguas. O Gouveia e Melo
ainda é um mistério.
Quem
levaria a ver um jogo do Benfica no Estádio da Luz: André Ventura ou Rui Rio?
Rui Rio.
Tinha de substituir o Ricardo Araújo
Pereira no “Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer”. Escolhia
Henrique Raposo ou Rui Vieira Nery?
Escolhia
o Henrique Raposo.
A quem faria uma visita guiada no Museu
José Régio, em Portalegre: José Sócrates ou Lula da Silva?
Talvez a José Sócrates. Não
conheço pessoalmente José Sócrates e nunca quis propriamente conhecer, mas já
começo a ter uma componente de nostalgia em relação às nossas batalhas
passadas.
COMENTÁRIOS (de 27)
Maria: Quem aplaude o
discurso miserável da Lídia jorge no 10 junho, não precisa de dizer mais nada. Manuel Lourenço: Mais um tonto que se acha mais esperto que os outros
tontos. João
Das Regras: Mais um que diz que quer sair da
bolha, mas depois diz tudo o que a bolha pensa. Parem com essa M….a de que as pessoas estão zangadas
e etc e tal. As pessoas estão fartas da imigração, das facilidades aos PALOPS,
das casas quase de borla para as minorias, dos subsídios que levam a que muitos
se recusem a trabalhar, do wokismo, do revisionismo histórico, das reparações
do Marcelo, da cada vez maior influência na cultura portuguesa dos brasileiros,
do bar aberto que é o SNS para os estrangeiros, da nacionalidade atribuída sem
qualquer critério, da corrupção e das cunhas dos que estão a gerir a coisa
pública. São da bolha, rapaz. Maria: Então
ele deixa os filhos com o golpista do costa, que deu golpe na democracia quando
perdeu as eleições e para reinar aliou se à extrema-esquerda, mas como se ri
muito e tem 'humor' os filhos ficam entregues!!! Apesar de ser um erudito , sem
dúvida alguma, não é credível, e confia mais em quem se ri e atraiçoa do que em
quem não faz palhaçadas
David Pinheiro: Nininho!
Só pode ser gozo.
Português de bem: Só acredito
nestes paspalhos ideológicos e na veracidade das suas opiniões, quando algum
começar a dizer que o sangue dos senegaleses, dos Ruandeses e demais africanos
é impuro e que são mistura com brancos. Ou então que critiquem o sangue dos
africanos por não serem impuros o suficiente e por não serem muito inclusivos.
Esta gente mete nojo.
Hugo Silva > Carlos Ramos: Cada
um enxerga à sua maneira. A sua, não faz fé nem transitou em julgado.... Para
doutrinar já temos a comunicação social e os avençados que por lá pululam. Luis Freitas: Este animal, e já estou a ser muitíssimo simpático de o
classificar como animal, pois se dissesse o que ele é seria banido deste
espaço, não percebeu o grande crime de alta traição praticado pelo PS de
Sócrates que deixou Portugal na bancarrota e depois pelo mesmo PS de António
Costa e pelos partidos da geringonça que em 7 anos deixaram entrar 1 milhão
de imigrantes na sua grande maioria asiáticos sem qualquer controlo? A
geringonça assassinou o SEF para não
haver qualquer controlo na imigração. Se a AD que pactuou com a geringonça nesta catástrofe
que destruiu o SNS, o ensino e o acesso à habitação dos portugueses nada fizer
para resolver o grande problema da imigração ilegal e estancar este flagelo nas
próximas eleições, o Chega terá maioria absoluta. Trump infelizmente ganhou as eleições porque os
democratas com Biden cometeram o mesmo erro da geringonça, deixaram entrar
milhões de imigrantes ilegais nos EUA o resultado está à vista e agora é muito
complicado resolver essa situação. João Floriano: Temos aqui a prova que uma entrevista grande não é a
mesma coisa que uma grande entrevista. E a cereja no topo do bolo é ter ido
buscar como exemplo o Nininho. Por sinal o André Rieu, o tal das valsas,
também encheu o pavilhão Atlântico durante vários espectáculos. E daí? p a: JMT quer uma cravo outra na ferradura infelizmente tem
sido nos últimos três ou quatro anos a sua maneira de estar. Sr JMT em caso
algum temos que nos envergonhar da nossa história, muito pelo contrário.
Pessoas com você, Mrs, Lj, etc,etc, não representam de maneira nenhuma o povo,
fogem cada vez mais dele.
João Floriano > João: Então não vão!!!! Havia de ver se essa gente se ralava
se em vez de um actor woke fosse algum militante do CHEGA a apanhar. Até batiam
palmas e falavam em cumprir Abril. Está a ver o Marcelo a fazer um telefonema
para o Ventura a informar-se sobre o estado de saúde do militante do CHEGA?
Isto é tudo hipocrisia e cada vez maior porque a esquerda está desesperada. João: Eu tenho é medo do populismo, do Chega e dos neonazis.
Felizmente o Livre, o bloco, as forças democráticas e o governo vão-me proteger
desse flagelo.
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