O nosso Mundo, baixado a um rosto
erguido, na importância do seu espaço de movimentação, concedida pelos seus
antepassados batalhadores. Mundo de cimeiras, de pedantismos e de consensos mais
ou menos ditados pelos equilibrismos da prática política mais ou menos
convencional em função de defesas contra presunções ou puras prepotências próprias
do ridículo humano pretensioso ou deseducado – pese embora os que se afastam dos
servilismos. Mas a arrogância americana mostra-se igualmente servil, por
conveniência própria, a Rússia no esplendor do seu poder, a que ninguém chega, afinal…
O SMS bajulador, o "problema"
Espanha e a ameaça russa. Qual é a importância desta curta cimeira da NATO,
além de agradar a Trump?
A cimeira da NATO é a primeira
do segundo mandato de Trump e europeus querem que seja "doce e
positiva" para o Presidente. Espanha quebrou unidade, mas a reunião será
com "mais acção e menos conversa".
JOSÉ CARLOS DUARTE
Texto
OBSERVADOR, 24
jun. 2025, 19:581
ÍNDICE
Uma cimeira
da NATO importante. Líderes europeus não querem irritar Trump. Não irritar
Trump e realçar a importância da NATO: a missão da Europa nesta cimeira
5% do PIB. A
meta com que muitos parecem concordar
Espanha e
Eslováquia. Os dois países que discordaram Trump
O teste para
a Ucrânia e as simpatias de Trump pela Rússia
Fortalecido por terminar uma guerra
no Médio Oriente. É com este
estado de espírito que o Presidente norte-americano chega à cimeira da NATO,
que se realiza entre esta terça e quarta-feira na cidade neerlandesa de Haia. Este é o primeiro encontro ao
mais alto nível entre os chefes de Estado e de governo dos 32 Estados-membros
da Aliança transatlântica desde que o líder dos Estados Unidos da América (EUA)
regressou à Casa Branca. Donald Trump nunca escondeu a desconfiança que sente pela organização militar,
tendo-se queixado várias vezes de que os países europeus (e o Canadá) gastam
muito pouco em Defesa.
O
contexto é agora diferente. Durante o primeiro mandato
de Donald Trump, as reclamações foram muitas, mas havia pouco entusiasmo entre
os Estados-membros para gastar mais em Defesa. Porém,
em 2025, os europeus olham para Leste com muita desconfiança. Uma Rússia expansionista e
imperialista que invadiu a Ucrânia fez soar os alarmes entre os 32
Estados-membros. A Europa está a rearmar-se e o assunto tomou conta do debate
político do Velho Continente.
Estabelecida em 2014 — após a anexação ilegal russa da Crimeia — a meta
dos gastos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em Defesa está
claramente desfasada. Numa estratégia maximalista tipicamente sua, Donald
Trump elevou a fasquia e exige agora que os Estados-membros da NATO gastem 5%
do PIB em Defesa. Cientes
dos riscos geopolíticos, os países fronteiriços com a Rússia concordaram de
imediato e estão a fazer esforços para a cumprir. Contudo, nem todos os aliados
estão satisfeitos com esta estratégia e muito menos com o orçamento.
▲Trump na
cimeira da NATO em 2018 CHRISTIAN BRUNA/EPA
(ÍNDICE)
Entre os 32 Estados-membros, apenas
Espanha e a Eslováquia se opuseram taxativamente à meta dos 5% em Defesa. Ainda que certamente haja mais vozes
discordantes dentro da NATO, ninguém quer desagradar a Donald Trump. Na verdade, a actual presidência
norte-americana não concede grande importância à Aliança Atlântica. Além disso, o chefe de Estado norte-americano tem evitado adoptar
uma postura hostil face ao regime de Vladimir
Putin — considerada a maior ameaça para a esmagadora maioria dos
Estados-membros e a razão pela qual aceitam aumentar os gastos em Defesa.
No seio da aliança transatlântica, existem
vários receios sobre um eventual abandono dos Estados Unidos em relação à NATO,
que continua a ser fundamental para a Defesa da Europa. Para Donald Trump e para muitos dos seus
aliados políticos, a organização militar é algo pouco importante,
principalmente agora em que as atenções estão centradas no Médio Oriente. Nesta
cimeira, os europeus e os canadianos vão tentar contrariar essa ideia ao
Presidente norte-americano — e mostrar como ainda podem ser úteis ao aliado do
outro lado do Atlântico.
Uma cimeira da NATO
importante. Líderes europeus não querem irritar Trump
A 76.ª cimeira da NATO em Haia será a
primeira da segunda administração Trump. O estado de espírito é radicalmente diferente face ao do ano passado,
que foi de celebração — a Aliança chegava aos 75 anos e retornou à base, em
Washington D.C. (onde
foi assinado em 1949 o Tratado que estabeleceu os princípios da organização
internacional militar). Joe Biden ainda era o Presidente
norte-americano e apostava numa política externa claramente de confronto à
Rússia de Vladimir Putin, o que agradava aos membros europeus.
(ÍNDICE)
As circunstâncias alteraram-se. O tom
amistoso da administração Biden foi substituído pela intempestividade da
presidência Trump, que se verificou recentemente na cimeira do G7. Durante o evento que juntou os líderes
das sete maiores economias mundiais, que ocorreu há pouco tempo no Canadá, o
Presidente norte-americano saiu mais cedo e apenas esteve no primeiro dia,
justificando a ausência pela escalada de tensão entre Israel e o Irão.
De forma a evitar que Donald Trump saia
mais cedo da cimeira, o que poderia ser interpretado como um sinal de fraqueza,
a NATO concentrou os principais encontros esta quarta-feira. Em vez dos típicos três dias, o evento
foi reduzido para dois, sendo que para esta terça-feira apenas está marcado um jantar de
gala entre os chefes de Estado e
de governo organizado
pelos reis dos Países Baixos.
A estratégia minimalista foi pensada
ao pormenor, como
nota o Politico. Há apenas um comunicado previsto na sequência
da cimeira, uma sessão de trabalho, poucas conferências de imprensa e um jantar para que os líderes
possam ter uma abordagem menos formal na discussão dos temas em análise. O objectivo
é não dar azo a surpresas e incidentes diplomáticos — que podiam passar uma mensagem de desunião, algo que os europeus e
canadianos não querem que aconteça.
▲Cimeira
da NATO em Haia dpa/picture alliance via Getty I
ÍNDICE
A BBC lembra
que
Donald Trump não tem paciência para
reuniões longas e tende a
dispersar-se com facilidade, o que explica esta configuração mais sucinta
da cimeira da NATO. “Mais acção, menos conversa”, resumiu a
porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, ao Telegraph, que
realçou também que o chefe de
Estado dos EUA está “entusiasmado” por pernoitar no “palácio real” dos Países
Baixos. Além disso, menos encontros dão menos
oportunidades para entender as diferenças de prioridades entre os diferentes
Estados-membros.
Não irritar Trump e realçar a importância da NATO: a
missão da Europa nesta cimeira
Tudo está a ser feito para não
irritar o Presidente norte-americano, em parte para os Estados Unidos
continuarem a manter-se fiéis à aliança atlântica. “Ele não diz isto há muito tempo, mas ainda
existem muitas preocupações que talvez os Estados Unidos saiam da NATO ou que
não honrem o artigo 5.º [do Tratado de Washington, que estipula que um
ataque a um Estado-membro é um ataque a todos]”, justifica Matthew Kroenig, analista do think tank Atlantic Council,
ao Washington Post.
Ainda esta terça-feira, Donald
Trump recusou dar apoio explícito ao Artigo 5.º do Tratado do Atlântico Norte
sobre a defesa colectiva, afirmando apenas que está “comprometido em
salvar vidas” e remetendo uma declaração quando chegar à cimeira da
NATO. “Há muitas definições do Artigo 5.º. Mas comprometo-me a ser amigo.
Tornei-me amigo de muitos desses líderes e comprometo-me a ajudá-los”. Uma
ideia que se opõe à forma como entrou na guerra de Israel contra o Irão e em
que pareceu dar a entender que os EUA estavam a descolar da sua política
isolacionista e queriam voltar a ser os polícias do mundo.
"Há muitas definições do Artigo
5.º. Mas comprometo-me a ser amigo. Tornei-me amigo de muitos desses líderes e
comprometo-me a ajudá-los." Donald Trump, Presidente dos Estados
Unidos da América
ÍNDICE
Tendo em conta estas declarações,
Matthew Kroenig julga que há “um medo real dos europeus de que precisam de
mostrar resultados a Trump, de forma a manter os Estados Unidos interessados na
NATO”. A
possibilidade de a Rússia avançar com um ataque contra um Estado-membro da
Aliança transatlântica preocupa muitos líderes europeus. Ainda
recentemente, o secretário-geral da NATO, Mark
Rutte, alertou que Moscovo teria capacidades para invadir
outro país daqui a cinco anos — uma
informação que também está a ser veiculada por vários serviços secretos
europeus.
Sendo
a primeira a que Donald Trump vai desde 2019, esta cimeira deve marcar o início de um
clima favorável entre a NATO e os EUA — e quem sabe uma forma de o
Presidente norte-americano se distanciar da Rússia (outra das frases de hoje foi a que terá dito ao presidente russo ao
telefone, “eu não preciso de ajuda com o Irão, preciso de ajuda consigo”).
Os
aliados esperam ainda que o chefe de Estado norte-americano mantenha uma
postura amistosa com a Ucrânia. Mark Rutte tem sido bastante
claro sobre este assunto: a Aliança Atlântica
vai continuar a apoiar Kiev. Aliás,
o chefe de Estado da Ucrânia, Volodymyr
Zelensky, foi convidado para alguns eventos da cimeira — e vai encontrar-se com
o seu homólogo norte-americano em privado, em príncipio mal esta termine.
Depois da discussão na Sala Oval no
final de fevereiro de 2025, as relações entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky
azedaram. Num
esforço de reconciliação liderado pelo Reino Unido e por França, os dois Presidentes
aproximaram-se, principalmente na sequência do encontro no Vaticano, pouco
antes do funeral do Papa Francisco. Agora,
vão voltar a estar juntos esta quarta-feira, numa reunião que, se correr bem, pode
ser positiva para a NATO.
(ÍNDICE)
Para
que a atmosfera do encontro seja positiva, o secretário-geral da NATO tem
cortejado e tem sido particularmente elogioso com Donald Trump. Ainda
esta terça-feira, o Presidente norte-americano divulgou na sua conta pessoal
uma troca de mensagens com Mark Rutte, em que o ex-primeiro-ministro dos Países
Baixos tece vários elogios à resposta dos
EUA ao Irão, considerando que foi “verdadeiramente extraordinária”.
“Está a voar para outro grande sucesso em Haia. O
Donald trouxe-nos a um momento muito importante na América, na Europa e no
mundo. Vai alcançar o que nenhum outro Presidente conseguiu antes. A Europa vai
pagar em grande, como deve, e será a sua vitória”, lê-se
na mensagem de Mark Rutte, logo confirmada pela NATO e que Rutte não teve
problemas em que fosse divulgada. As duras críticas ao violar do cessar fogo pelos dois países, Israel
e Irão, sublinhando não ter gostado nada do ataque israelita — “eles não sabem
o que raio estão a fazer” —, também ajudara, à imagem de Trump.
O antigo embaixador norte-americano na NATO, Kurt Volker, explicou à
CNN Internacional os motivos de todas as alterações e elogios, feitos
recentemente pelos líderes europeus: “Eles
querem que seja uma boa experiência para o Presidente Trump, dando-lhe uma
palmada nas costas pela forma como lidou com Israel e o Irão. Eles esperam que
ao ser pequena,
doce e positiva, o
Presidente Trump saia [da cimeira] com uma visão mais positiva da NATO.”
(ÍNDICE)
5% do PIB. A meta com que muitos parecem concordar
Na
mensagem bajuladora dirigida ao líder norte-americano, Mark Rutte enfatizava a
“grande vitória” de Donald Trump. “Não
foi fácil”, mas todos os Estados-membros “concordaram em atingir” a meta dos 5%
do PIB em gastos relacionados com a Defesa. A
presidência dos Estados Unidos vai concretizar o desejo de ver os Aliados a
pagarem mais e não serem só os norte-americanos a suportar a grande fatia dos
gastos.
Ainda assim, a meta dos 5% está dividida em duas parcelas, de modo a
não sobrecarregar os aliados. Em Defesa, os 32
Estados-membros vão investir pelo menos 3,5% do PIB. Os
restantes 1,5% do PIB são mais flexíveis, estando
relacionadas com
despesas de segurança. Por exemplo, os gastos podem incluir a construção de
pontes ou estradas, instalações médicas ou o investimento em campanhas de instrução
à população para se prepararem para uma eventual guerra.
Os Estados-membros vão precisar de
algum tempo para se adaptar . À excepção da Polónia (que já gasta 4% do PIB em Defesa), os
restantes países têm pedido tempo para atingir a meta estipulada pela
administração Trump e pela NATO. O
objectivo desta cimeira é, no entanto, que haja a ideia de que se formou um
consenso em redor daquele objectivo, agradando
ao Presidente dos EUA e mostrando que a Aliança continua a ser uma aposta que
vale a pena manter.
Depois de ter contribuído para
um cessar-fogo entre Israel e o Irão, Donald Trump mostrou-se entusiasmado na
Truth Social “para ver todos os bons amigos europeus” durante a 76.ª cimeira da
NATO em Haia. “Felizmente,
vamos alcançar muita coisa”, escreveu. Depois da garantia de Mark Rutte,
o Presidente norte-americano sente que obteve uma vitória política ao fazer
com que todos os países concordem, em teoria, com o aumento das despesas
militares.
Vai demorar algum tempo. Ainda não há nenhum calendário oficial, estando
previsto que seja elaborado um durante esta cimeira da NATO. Unilateralmente, a Alemanha estipula que chegará à
meta dos 5% do PIB em Defesa em 2029, enquanto o Reino Unido apenas em 2035. O país que
per capita já gasta mais entre todos os Estados-membros — a Polónia —
prevê fazê-lo em 2026.
Espanha e Eslováquia. Os dois países que discordaram de
Trump
O
consenso em redor dos 5% do PIB em Defesa pode até nem corresponder à realidade
entre os Estados-membros. Países do sul da Europa — como
Portugal ou Itália — ainda gastam muito pouco e vão precisar de muito tempo
para chegar àquela meta. Ainda
assim, mantêm uma postura de ambiguidade
estratégica, não
negando, mas também não confirmando que a vão alcançar.
(ÍNDICE)
Nem todos escolheram esta estratégia. À cabeça,
o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, discordou directamente da meta dos 5%. “Atingir
esse nível de despesa implicaria desaceleração económica, pressões inflaccionistas
e cortes em serviços públicos”,
denunciou o secretário-geral socialista de Espanha, que liderada uma
coligação com vários partidos regionalistas e de esquerda, que mantêm uma forte
animosidade face à NATO.
“É incompatível com o estado de
bem-estar”, disse o
líder do governo espanhol, considerando a meta “irracional e contraproducente”.
Pedro Sánchez sublinhou que gastaria apenas 2,1% do PIB em gastos relacionados
com a Defesa para “não fazer sacrifícios”. Em negociações com Mark Rutte,
o líder do governo espanhol obteve uma flexibilização da meta, que será
avaliada em 2029.
Numa
carta divulgada por Pedro Sánchez, o secretário-geral da NATO esclareceu que “dava
a Espanha a flexibilidade para determinar o seu caminho soberano para atingir o
objectivo anual e os recursos anuais necessários”. No
entanto, isso não significa que Espanha não vá atingir a meta dos 5%; apenas
implica que Madrid terá um calendário distinto e mais flexível, algo que também
está a ser ponderado pela Bélgica.
Mark
Rutte esclareceu, numa conferência de imprensa esta segunda-feira, que a meta
dos 2,1% do PIB não é suficiente para Espanha se colocar ao mesmo nível do que
os Estados-membros. “A NATO está absolutamente convencida que Espanha
vai ter de gastar 3,5%”, frisou o líder da NATO, que realçou que a aliança
transatlântica “não tem excepções e não faz acordos paralelos”.
Para
manter os parceiros governamentais à esquerda satisfeitos e desviar atenções
dos processos de corrupção que assolam membros do PSOE e do seu governo (e que até já motivaram
uma carta de mais de 30 antigos ministros e altos cargos socialistas para que
Pedro Sánchez se demita),
o chefe do governo espanhol estará a tentar usar a NATO como forma de tentar
ganhar apoio político internamente.
Mas o chefe do governo espanhol está
a ser pressionado por Donald Trump.
O Presidente norte-americano disse que a NATO “estava a ter problemas com
Espanha”: “Há um problema com Espanha. Espanha não está a concordar, o que é
muito injusto para o resto das pessoas“. Salientando que Madrid é a capital
que menos gasta em Defesa, o líder norte-americano vai insistir nesta cimeira
para que Espanha — que considerou ser um “problema” — aumente os gastos
militares dentro da Aliança.
▲Mark Rutte e
Pedro Sánchez chegaram a um acordo de flexibilização de gastos militares para
Espanha NurPhoto via Getty Images
(ÍNDICE)
Há outro país que destoou com a
unidade: a Eslováquia. O governo liderado pelo primeiro-ministro Robert Fico, do partido de esquerda nacionalista
Smer-SD (que foi expulso do grupo europeu dos socialistas europeus em 2023 após
ter feito um acordo de governo com partidos de extrema-direita), até admitiu a
saída de Bratislava da Aliança transatlântica, discordando com a meta dos 5% em
Defesa.
“Nestes tempos sem sentido de rearmamento,
quando as empresas de venda de armas estão a esfregar as mãos, tal como as
empresas farmacêuticas fizeram durante a [pandemia de] Covid, a neutralidade
seria uma opção muito boa para a Eslováquia”, afirmou
Robert Fico durante a semana passada. O chefe do
executivo voltou atrás com a palavra, mas insistiu que a meta de 5% é demasiado
ambiciosa para ser cumprida a curto prazo.
Robert
Fico deu, ainda assim, o exemplo espanhol para sublinhar que o mais importante
é que os eslovacos “atinjam os padrões de vida” dos restantes países da União
Europeia. “Num
período de restauração das finanças públicas, a República Eslovaca tem outras
prioridades nos próximos anos do que [comprar] armamento. A República Eslovaca
é capaz de atingir as exigências da NATO sem um aumento substancial nos gastos
da Defesa”, estipulou o primeiro-ministro, num comunicado publicado
no X.
▲ Robert Fico
também seguiu Espanha e considera que gastos militares não são uma prioridade OLIVIER
MATTHYS/EPA
(ÍNDICE)
O teste para a
Ucrânia e as simpatias de Trump pela Rússia
Volodymyr
Zelensky viajou até Haia. Vai encontrar-se bilateralmente com líderes europeus,
estará presente no jantar de gala com os reis neerlandeses e até vai a alguns
eventos da cimeira. No entanto, na reunião à porta fechada que ocorre esta
quarta-feira, o Presidente da Ucrânia não vai marcar presença, o que não
aconteceu nos últimos anos. Um sinal
claro de que a Ucrânia não é um Estado-membro da NATO — nem parece estar a
caminho de sê-lo.
A
guerra na Ucrânia vai ocupar um grande espaço nas discussões dos chefes de
governo e de Estado da NATO, ainda que possa perder protagonismo
devido à guerra entre o Irão e Israel.
Contudo, é o tópico que actualmente mais preocupa os líderes europeus —
que vão tentar sensibilizar Donald Trump para o assunto, esperando que o
Presidente norte-americano mantenha o apoio a Kiev e ignore as tentativas de
sedução do Kremlin.
Em
termos concretos, como sinalizou um dirigente alemão ao Politico, o que é mais importante é que “a declaração final
inclua o apoio contínuo dos parceiros da NATO à Ucrânia”. Para os europeus,
isso é o “mais importante”, assim como para Volodymyr Zelensky. O Presidente da
Ucrânia pretende manter o apoio dos dois lados do Atlântico e a cimeira da NATO
será uma oportunidade para que tal aconteça.
(ÍNDICE )
Michael R. Carpenter, antigo embaixador
da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, sintetizaao New York Times o que pode acontecer à Ucrânia nesta
cimeira da NATO: “Zelensky
vai para casa depois desta cimeira a sentir que ainda tem o apoio da Aliança?
Ou sente que a Aliança já não oferece um apoio substancial e explícito à
Ucrânia?”
Para isso, os líderes da Aliança vão
ter de convencer Donald Trump. O
Presidente norte-americano mantém os canais de comunicação abertos com Moscovo
e uma proximidade a Vladimir Putin que incomoda os europeus. Mas aqui reside um paradoxo: o chefe de Estado dos EUA não olha para Moscovo como
uma ameaça, estatuto que está a motivar os investimentos em Defesa da Europa, mas antes
como um eventual parceiro de negócios.
As percepções em Washington e nas
capitais europeias sobre o regime de Vladimir
Putin são diferentes e não deverão ser dissecadas em público. Mas isso não significa que não possa haver
pontos em comum. Jamie Shea, antigo dirigente da NATO, assinala
à Deutsche Welle que as
vontades dos dois lados do Atlântico podem ser conciliáveis.
"Zelensky
vai para casa depois desta cimeira a sentir que ainda tem o apoio da Aliança?
Ou sente que a Aliança já não oferece um apoio substancial e explícito à Ucrânia?" MICHAEL R. CARPENTER, antigo embaixador da Organização para a
Segurança e Cooperação na Europa
Para os europeus, “a meta dos 5% do PIB em Defesa é para dissuadir a
Rússia, manter a Europa e os cidadãos da NATO seguros e para que durmam sãos e
salvos na sua cama”, continua Jamie Shea. Para
o Presidente norte-americano é uma vitória política, vendo as suas
reivindicações (que já vêm do primeiro mandato) respondidas: “Trump
deve voltar a Washington como um homem feliz”. Resta saber se haverá algum imprevisto.
NATO MUNDO GUERRA NA UCRÂNIA UCRÂNIA EUROPA PRESIDENTE TRUMP ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA AMÉRICA RÚSSIA
COMENTÁRIOS
GateKeeper: Lixo. Quem paga mais de
50% do budget anual da nato/OTAN ( USofA) e a criou tem todo o direito de
manifestar a sua repulsa pelo comportamento "cavernoso" dos Países
Europeus na organização. A "Europa decadente" nem com 10% dos seus
"PIBs" durante 15 anos chegaria ao ponto de contar para o baralho
internacional. Crónicas esquerdalho-liberalekas como as deste
"pombinho" pró tudo o que seja contra os nossos valores devem ser
lidas (para aprendermos as suas 'manhas' servis avençadas) e, depois, lixo com
elas. Qualquer contentor serve.
Pertinaz: Trump
não perdoa o alinhamento com Biden e todas as humilhações por que o fizeram
passar… tudo se resume a isto… Zelensky leva pela mesma tabela…
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