quarta-feira, 25 de junho de 2025

«Ó tempo volta p’ra trás»

 

 Em resposta ao “CORO DAS VELHAS” do Sérgio Godinho, que o Ricardo me enviou, a propósito da “cabeça entre as orelhas” da sua trocista observação e não “as orelhas na cabeça” da minha positiva correcção:

(Texto no fim).

Coro Das Velhas

Sérgio Godinho

Traduções

Ia eu pelo concelho de Caminha,
Quando vi sentada ao sol uma velhinha.
Curioso, uma conversa entabulei
Como se diz nuns romances que eu cá sei:

Chamo-me Adosinda, disse, e tenho já
Os meus 84 anos, feitos há
Mês e meio, se a memória não me falha
Mas inda vou durar uns anos, Deus me valha.

Com esta da austeridade, meu senhor
Nem sequer dá para ir desta pra melhor
Os funerais estão por um preço do outro mundo
Dá pra desistir de ser um moribundo

Rabugenta, eu? Não senhor
Eu hei de ir desta pra melhor
Mas falo pelos que cá deixo
Não é por mim que eu me queixo

Ó Felisbela, ó Felismina
Ó Adelaide, ó Amelinha
Ó Maria Berta, ó Zulmirinha
Vamos cantar o coro das velhas?

Cá se vai andando
C'o a cabeça entre as orelhas.

Não sei ler nem escrever mas não me ralo
Alguns há que até a caneta lhes faz calo
É só assinar despachos e decretos
P'ra nos dar a ler a nós, analfabetos

E saúde, eu tenho p'ra dar e vender
Não preciso de um ministro para ter
Tudo o que ele anda a ver se me pode dar
Pode ir ele p'ró hospital em meu lugar

E quanto a apertar cinto, sinto muito
Filosofem os que sabem lá do assunto
Mas com esta cinturinha tão delgada
Inda posso ser de muitos, namorada

Rabugenta, eu? Não senhor
Eu hei-de ir desta pra melhor
Mas falo pelos que cá deixo
Não é por mim que eu me queixo

Ó Felisbela, ó Felismina
Ó Adelaide, ó Amelinha
Ó Maria Berta, ó Zulmirinha
Vamos cantar o coro das velhas?

Cá se vai andando
Co’ a cabeça entre as orelhas.

E se a morte mafarrica, mesmo assim
Me apartar das outras velhas, logo a mim,
Digo ao diabo, não te temo, ó camafeu,
Conheci piores infernos do que o teu.

Rabugenta, eu? Não senhor.
Eu hei-de ir desta p’ra melhor
Mas falo pelos que cá deixo
Não é por mim que eu me queixo.

Ó Felisbela, ó Felismina
Ó Adelaide, ó Amelinha
Ó Maria Berta, ó Zulmirinha
Vamos cantar o coro das velhas?

 

DA INTERNET:

«Ó TEMPO, VOLTA P’RA TRÁS»

(Música e letra de ANTÓNIO MOURÃO)


A Severa foi-se embora.
O tempo p'ra mim parou.
Passado que vai com ela,
Para mim, não mais voltou.

As horas, pra mim, são dias,
As horas, pra mim, são dias,
Os dias, pra mim, são anos.
Recordação é saudade,
Recordação é saudade,
Saudades são desenganos.

 

Oh tempo, volta pra trás,
Traz-me tudo o que eu perdi.
Tem pena e dá-me a vida,
A vida que eu já vivi.
Oh tempo, volta pra trás.
Mata as minhas esperanças vãs.
Vê que até o próprio sol,
Volta todas as manhãs.
Vê que até o próprio sol,
Volta todas as manhãs.

 

Porque será que o passado,
E o amor, são tão iguais.
Porque será que o amor,
Quando vai, não volta mais.
Mas para mim a Severa,
Mas para mim a Severa,
É o eco dos meus passos.
Eu tenho a saudade à espera,
Eu tenho a saudade à espera,
Que ela volte prós meus braços.

 

Oh tempo, volta pra trás,
Traz-me tudo o que eu perdi.
Tem pena e dá-me a vida,
A vida que eu já vivi.
Oh tempo, volta pra trás.
Mata as minhas esperanças vãs.
Vê que até o próprio sol,
Volta todas as manhãs.
Vê que até o próprio sol,
Volta todas as manhãs.

 

Oh tempo, volta pra trás,
Traz-me tudo o que eu perdi.
Tem pena e dá-me a vida,
A vida que eu já vivi.
Oh tempo, volta pra trás.
Mata as minhas esperanças vãs.
Vê que até o próprio sol,
Volta todas as manhãs.
Vê que até o próprio sol,
Volta todas as manhãs.

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