quinta-feira, 31 de julho de 2025

Simplesmente guerras

 

De aparência vistosa, não de coragem mas de batota, que cobriram de cravos a campa da pátria, para esconder astutas cobardias, de servil ignorância e desamor.

Guerras culturais

Esses tempos de há mais de cinquenta anos acabaram. Os tempos são outros e outros os termos das guerras culturais. Até porque, aparentemente, os papéis se inverteram.

JAIME NOGUEIRA PINTO Colunista do Observador

OBSERVADOR, 12 jul. 2025, 00:2044

Neste meio século, marcado pelo golpe militar de Abril de 1974, pela deriva radical que se lhe seguiu, pela consequente hegemonia do pensamento de esquerda, mesmo entre os partidos à direita do PS, e por uma cultura instalada em que a informação supera de longe a formação, procurar trazer alguma racionalidade e contextualização, por básica que seja, ao inflamado debate político sobre Esquerda e Direita é uma pretensão irrealista. Mas talvez valha o esforço.

A deriva esquerdista em Portugal teve como principais consequências, na Metrópole, as nacionalizações e colectivizações; e, no “Ultramar”, uma descolonização descontrolada (ou habilmente controlada por alguns) que deixou os então territórios ultramarinos entregues a longas e sangrentas guerras civis em Angola e Moçambique. Timor na Insulíndia teve destino semelhante. Dos outros, a Guiné, que estava na raiz do problema, foi para o partido único PAIGC; Cabo Verde seguiu-lhe a sorte e São Tomé e Príncipe também. A confuciana sabedoria, ou o sentido de Estado e de História, levaram os nacionais-comunistas chineses a começar por Hong-Kong o resgate dos seus territórios ao Ocidente, o que nos permitiu, anos mais tarde, fazer em Macau uma transição e descolonização decente. A única.

A força do PC

Em 1974, o Partido Comunista Português não era visto como a sucursal de um partido que oprimia ditatorialmente, há meio século, a Rússia e grande parte da Europa Oriental; um partido com polícia secreta, campos de concentração e de morte para os dissidentes e milhões de vítimas; um partido que instalara, em nome da justiça social e do desenvolvimento, um regime que oprimia e empobrecia as pessoas e os povos, que não funcionava e que já dera provas provadas que não funcionaria nunca. Não. Em Portugal, no Portugal dos finais do Estado Novo, os comunistas eram, acima de tudo, “resistentes”; “resistentes antifascistas” e, nessa categoria, os mais organizados e os mais antigos.[i]

Foi com essa carga de prestígio que o Dr. Cunhal voltou do exílio e orientou uma política que determinou muito do futuro do país. Não só na descolonização, com a entrega do poder aos movimentos independentistas da sua linha ideológica e obediência internacionalista, mas também com uma estratégia de terra queimada que apontava para a estatização das indústrias e a colectivização das propriedades agrícolas portuguesas.

O PCP conseguiu fortes apoios no MFA. Há quem diga que, quando o militar não é patriota, a sua estrutura de pensamento e da própria organização tendem a levá-lo para o socialismo. Aqui foi assim: os comunistas usaram o MFA para neutralizar resistências políticas à direita para depois, aproveitando oportunidades e provocando intentonas, como o 11 de Março, poderem avançar para as “nacionalizações” que dariam o golpe de morte à economia nacional. Um golpe de que o país nunca mais recuperou.

No princípio era a Economia

Foi precisamente esta radicalização à esquerda e as nacionalizaçõese o processo lento e inacabado para as tentar reverter que marcaram, até há pouco a oposição direita/esquerda em Portugal. Uma oposição que se ficava muito pela economia, também por influência da direita internacional que, nos anos oitenta, no “Mundo Livre”, com os movimentos conservadores-liberais do thatcherismo e do reaganismo e os seus êxitos no mundo anglo-saxónico, abriu caminho ao fim da União Soviética.

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Assim, em Portugal, a questão Direita-Esquerda tem sido quase só económica; de resto, a existência de uma sociedade livre é incompatível com a total dependência do Estado e da Administração pública, da vida económica e da vida das pessoas.

E agora?

Mas acabada a Guerra Fria e instalada urbi et orbi uma grande economia de mercado e um pretenso grande consenso sobre as suas virtudes, a chave de toda a real distinção política passou a ser a questão nacional, ou melhor, a confrontação nacionalismo-globalismo. Não menos importantes passaram também a ser o conceito de família e o conceito de realidade e de senso comum.

E porque as suas ideias fizeram caminho através das instituições e pela nossa realidade adentro, ainda vivemos ou convivemos com a versão da História que a Esquerda moldou e instituiu e que agora começa a defender com o desespero soberbo dos poderes instalados e ameaçados.

Longe vão os tempos em que era a Esquerda que dominava a edição e as revistas de pensamento e cultura, e a Direita, então no poder – um Estado Novo decadente que se fiava na televisão para difundir o que queria e na censura para expurgar o que não queria –, que descartava como fake news de redes sociais elitistas para grupos irrelevantes esses outros caminhos menos sistémicos.

Esses tempos de há mais de cinquenta anos acabaram. Os tempos são outros e outros os termos das guerras culturais. Até porque, aparentemente, os papéis se inverteram.

A SEXTA COLUNA      HISTÓRIA      CULTURA

COMENTÁRIOS (de 14)

Caetano Ramalho: Dr Jaime Nogueira Pinto, vou lendo algumas das suas crónicas bastante assertivas. Uma coisa é certa, sim, estamos muito perto de guerras culturais que irão transbordar para outro tipo de guerras mais sangrentas. É uma questão de tempo. Toda esta utopia do multiculturalismo descontrolado vai acabar em tragédia. Não há sociedade que aguente várias tribos culturais e religiosas numa convivência pacifica e celestial. Há sempre uma tribo que vai tentar controlar as outras e há sempre tribos que em nada se identificam com outras. Uma sociedade homogénea com o multiculturalismo q.b. consegue substituir no tempo, o multiculturalismo descontrolado levará ao caos. É tudo uma questão de tempo.

Francisco Almeida: Mais um excelente artigo, que revela a magistral capacidade de análise de JNP, sintetizando numa dezena de parágrafos a evolução política de mais de 50 anos.

Apenas receio que, no parágrafo final, exista algum optimismo ainda sem tradução na realidade. De facto, se a inversão política fosse real, haveria uma maioria de dois terços na AR capaz de mudar radicalmente a Constituição mas ainda estamos muito longe disso.

Maria Nunes: Brilhante artigo. Obrigada JNP.

Luis Mira Coroa: Excelente!

Manuel Magalhães: Muito Bom!

Cisca Impllit Muita opinião e pouco conhecimento - é o que há muito. Quanto a isso, a este estado de ignorância – não  há crónicas de JNP que sejam suficientes.

Coxinho > Álvaro Aragão Athayde: O globalismo escravizou e sustenta a esquerda, que o serve e defende que nem um cão. O soberanismo agregou ou assimilou a direita.

Miguel Oliveira: Excelente artigo.



 

De Cascais

 

Para o MUNDO onde os portugueses viveram, nundo por eles descoberto, trabalhosamente, mundo por eles largado, séculos após, na frieza do repúdio enxovalhante - desses antepassados corajosos e dos presentes confiantes na sua própria acção construtiva - por conta dos actuais povos presentes, aparentes defensores de independências, em falsas piedades (antes, cobardias) libertadoras, que hoje, todavia, se apressam a dirimir, na sua prática invasora e destruidora dos povos próximos, casos, esses sim, de tragédias vergonhosas a que vamos assistindo, na comodidade dos fofos assentos…

O estilo desempoeirado das bastas vivências atentas e sensíveis, de Maria João Avillez

Outra crónica de Verão (e uma despedida triste)

O progresso que não usa deixa-o indiferente e, desde a longínqua década de 60, não pratica nem aplaude o mundo, preferindo-lhe o que acabou “antes da Regeneração, dos Liberais da Foz ou da Democracia”

MARIA JOÃO AVILLEZ Jornalista, colunista do Observador

OBSERVADOR, 30 jul. 2025, 00:2215

1Devia talvez falar do novo Governador do BdP; da meditação a que o Governo deveria obrigatoriamente entregar-se nas suas férias; da liderança de José Luís Carneiro, a “dar de si” mais cedo do que previsto; da mudança de tom e registo de André Ventura (que deve valsar entre o que fazer de si ou não fazer, como líder da oposição).

Mas não, estamos no defeso. Ficará para depois. Até lá, entre praias e campos, acodem-me antes breves notas de que guardei apontamento.

2Na semana passada tive de ir a Cascais: lembrou-me o inferno. Entrar na vila e atravessá-la exige um sistema nervoso equilibrado que ampare até o suor da impaciência: é um carro-a-carro como se podia dizer um corpo-a-corpo, por entre uma gigantesca massa de lata. A massa desloca-se penosamente a passo de caracol por vias e avenidas que já não a comportam: o asfalto é infinitamente menos amplo que as incontáveis “viaturas” que a cada segundo o percorrem, sobem, descem ou cruzam. Também não me lembro de tanta gente ao mesmo tempo, em tantas ruas: o centro – e arredores – desta vila à beira mar plantada, rica de história e outrora tão especial e acolhedora, é um amontoado desorganizado de automóveis, gente, restaurantes, lojas, esplanadas, comércio de rua, sortido de bugigangas, vendedores ambulantes, tudo em cima umas coisas das outras. Não fora o bom motivo que lá me levava e teria sido uma tarde fora da racionalidade do que deve ser o quotidiano de uma comunidade. Não só pelo caos do trânsito – que um dia talvez venha a ser domesticado – mas pior, pela desfiguração de Cascais, hoje roída por uma construção avassaladora, em grandes perímetros e zonas, em ritmo de cimento non-stop a crescer entalado entre mais cimento.

Uma pena, grande e sentida, para quem ali passou verões compridos, diversas largas temporadas e tem Cascais ancorada na memória.

Podem evocar-me o progresso, falar em crescimento, apontar melhorias, mencionar o desenvolvimento. Eu só pergunto: este?

3O Patriarca de Lisboa, consciente do seu papel na sociedade portuguesa, escreveu há dias aqui mesmo um notabilíssimo texto sobre o que nos tem sido politicamente acenado como prioridade ou urgência, e falo obviamente da imigração. D. Rui Valério, homem de sabedoria, ponderação, seriedade, critério, disse que “é essencial que a integração não signifique renúncia à própria identidade.”

E citando Papa Francisco na encíclica Fratelli Tutti: “Só posso acolher quem é diferente e perceber a sua contribuição original, se estiver firmemente ancorado ao meu povo com a sua cultura».

Julgo não haver outro ponto de princípio, se não este.

4Oh surpresa um novo livro de António Sousa Homem, meu – desde há muito – candidato ao Prémio Nobel de literatura. Não que eu me comova particularmente com o Prémio – suspeito que o autor ainda menos –, mas era uma forma de sinalizar patamares altos. O livro caiu-me do céu sem que eu saiba como, precipitei-me, achei que seria uma reedição, oh maravilha, não era: Chama-se “Uma Vida Fora de Moda – Crónicas de um Reacionário Minhoto” (Porto Editora) e acabou de sair.

Não há que definir ou sequer descrever (Deus nos livre) o seu autor, nem tropeçar no “reacionário minhoto”, que só lendo. Há que festejar o continuado deleite, o puro encanto, a certeza da delícia, com que corremos de novo ao seu encontro. Renovando uma ideia fixa e antiga: a de que precisamos sempre de passar umas páginas com António Sousa Homem. Como quem antecipa o sabor de um vinho de uma colheita especialíssima, dessas, quase únicas, que ficam com nome gravado na vida de castas e uvas. António Sousa Homem é em si mesmo uma colheita única. O autor vive em Moledo, pouco saindo de lá, e quando o faz é para voltar ao que já conhece do seu Alto Minho a que tanto se afeiçoou: a “floração das mimosas”, o Monte de Santa Tecla, a maresia da Ínsua, o oceano enraivecido, as espécies botânicas de que tudo sabe, uma paragem em Caminha, a passagem por algumas minúsculas povoações que elegeu com maior devoção no seu mapa sentimental. Trocando ao acaso dos dias meia dúzia de palavras com a meia dúzia de personagens, as mesmas desde o início destas crónicas: são “os seus”. E nós que não somos, ficamos com o dom do seu poder de observação, maravilhoso de finura e lucidez; e com a ironia ora enternecida, ora condescendente, como observa, divaga e depois “conclui” sobre cada um desses seres impressos no seu mural privativo.

No fundo, o “reacionário” minhoto que habita Moledo talvez não encontre razão para sair do seu eremitério, a não ser breves rituais que cumpre, por antecipadamente se saber livre de descobertas ou curiosidades que não lhe dizem respeito ou costumes que estranha. O progresso que não usa deixa-o indiferente e, desde a longínqua década de sessenta de um século já passado, não pratica nem aplaude o mundo, preferindo-lhe o que acabou “antes da Regeneração, dos Liberais da Foz ou da Democracia”.

No fundo António Sousa Homem não precisa, graças a Deus, de alimentar ilusões sobre a natureza humana nem sobre este pobre mundo. Constata uma e outro. Faz bem. O seu eremitério de Moledo, que um consumidor compulsivamente convicto da importância da actualidade ou um obsessivo “interventor” classificaria de demasiado quieto – permanecerá incólume. Como o seu eremita.

Reunidas em livro estas crónicas (Correio da Manhã) demoram a ler, sabem-nos melhor, encantam-nos mais. E podemos voltar atrás, marcar uma página, sublinhar imorredouras passagens, que o dr. António Sousa Homem tem de ser impreterivelmente lido com um lápis na mão.

Evoquei-lhes alguém de quem pouco tinham ouvido falar ou nunca lido? Um outsider no nosso universo literário? Quem sabe um extraterrestre?

Não. Melhor: o último sobrevivente de um mundo que já não há mas onde ele escolheu continuar a viver. Magnífico.

Mas depois digam-me.

5Gostava muito do José Blanco. Uma partida que me apanhou longe de Lisboa e totalmente desprevenida, não o sabia nem tão doente, nem muito menos à beira da sua despedida. Tinha-me até pedido há poucos meses uma colaboração da qual, com algum atraso (mas quem conta com a morte?) eu conseguira finalmente satisfazer. E de repente… – mas é sempre como se fosse a primeira a vez – descobrimos que a morte faz como quer. Usando do seu devastador poder de substituir a condição do “vivido” ontem para a de “recordado” hoje. Guardarei a memória que é rica e vária – foi muito o que profissionalmente e humanamente vivi com o José Blanco

Despeço-me com o livro que lhe devo, ao tempo em que no Conselho de Administração da Fundação Gulbenkian, ele administrava o pelouro Internacional.

E foi assim que um dia, cruzando-me num avião com João Pedro Garciadirector do Serviço Internacional e número 2 de José Blancofiquei a par das espantosas empreitadas a que – entre outros dossiers – se entregava o Serviço Internacional da Fundação colaborando na reabilitação ou restauro de património português fortes, igrejas, bibliotecas, praças, arte sacra, torres, arquivos – que quase agoniza em diversas geografias; e, claro, após aturados estudos e rigorosas apreciações dos pedidos que chegavam das autoridades de cada um desses tão longínquos países (não competia ao Serviço Internacional da Fundação, pelos seus estatutos, tomar a iniciativa mas sim poder acolher, estudar e decidir sobre os projectos que que lhe chegavam.)

Espantei-me com o que ouvia a João Pedro: e ninguém sabia? Essas histórias não eram contadas? Como era possível que o país não soubesse?

Brevíssimo segundo acto: semanas depois, certamente animado por João Pedro Garcia, que o contagiou com o meu entusiasmo, José Blanco deu-me uma guia marcha: que eu fosse pelas Áfricas, as Ásias e as Américas e visse, ouvisse, perguntasse e depois contasse. Foi o que fiz mas há poucas coisas na minha vida que eu tenha gostado tanto de contar como estas absolutamente extraordinárias descobertas de tanto Portugal tão longe. A soma de todas as reportagens frutificou num livro, “Portugal, as Sete Partidas para o Mundo” (Circulo de Leitores) com prefácio de João Lobo Antunes.

Durante meses fui um andarilho: ia e vinha pelas duas costas de África, por improváveis geografias do sudoeste asiático, por várias Índias do Sul; por mais de um Brasil e até por uma pequena jóia chamada Colónia do Sacramento, à beira do enfeitiçado Rio da Prata, no Uruguai. Devo inteira e muito gratamente tudo isto a José Blanco. Sem ele o andarilho que fui não teria percorrido – nem muito menos imaginado – o impacto e a força de tanto património, espalhado pelas sete partidas.

Rui Ochoa fotografou como ninguém esta tapeçaria portuguesa. E, a meu pedido, um lote de diplomatas, historiadores, poetas, políticos, intelectuais, arquitectos, “rematou” depois, com um texto seu, cada lugar onde esteve o andarilho.

Como esquecer esta dádiva de José Blanco – e obviamente também da Fundação Gulbenkian? Agradecendo e não esquecendo.

Não me ocorre despedida mais ternamente justa de um amigo a quem tanto devo do que, daqui para o céu, lhe lembrar estas páginas, mais suas do que minhas.

LIVROS      LITERATURA      CULTURA      VERÃO      NATUREZA      AMBIENTE      CIÊNCIA      HISTÓRIA

COMENTÁRIOS (de 15)

Carlos Chaves: Cara Maria João Avillez, obrigado por esta estival crónica, a sua maneira inimitável de escrita, ilumina os nossos dias de férias... Isto também é a nossa cultura, um grande bem-haja, e boas férias se for o caso, junto de quem mais ama.

8Responder

Carlos Quartel: O habitual snobismo da paróquia. Fraca descrição de Cascais. 80% de cidade.dormitório, 20% de feira saloia para papalvos, nacionais e estrangeiros. Sem lugares de hortaliça, sem frutarias, sem padarias, um tomate a 300 metros. Impossível comprar uma broca, um parafuso, um serrote. Trapos e galos de Barcelos na rua do Paquistão.

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Um mundo longe

 

Deste nosso, comezinho, desabrido e sujeito a condenação própria e alheia, dançarinos que somos na corda bamba do nosso circo político ou pessoal tantas vezes perverso e tosco.

Uma leitura de Camilo Pessanha, encantatória, no jogo das suas astúcias verbais, em que os sons das palavras e frases repetidas são transparentes dos universos - interior e exterior – de contrastes, salpicos do seu mundo simbólico, que os sentidos atentos descobrem inutilmente belo, para uma alma joguete do seu amargor e solidão, de contraste irónico com essa realidade captada, que o jogo fónico dos sons verbais tão expressivamente traduz. Extraordinária escrita intimista, ironicamente traçada, na sua captação das realidades, simultaneamente externa e interior!

 

Foi um dia de inúteis agonias.
Dia de sol, inundado de sol!...
Fulgiam nuas as espadas frias...
Dia de sol, inundado de sol!...


Foi um dia de falsas alegrias.
Dália a esfolhar-se, _o seu mole sorriso...
Voltavam ranchos das romarias.
Dália a esfolhar-se, _o seu mole sorriso...


Dia impressível mais que os outros dias.
Tão lúcido... Tão pálido... Tão lúcido!...
Difuso de teoremas, de teorias...


O dia fútil mais que os outros dias!
Minuete de discretas ironias...
Tão lúcido... Tão pálido... Tão lúcido!...

Camilo Pessanha, in Clepsidra

Mas é pena


Tal incapacidade de aceitar o “outro”, sendo ele próprio um “outro”, superior, sem dúvida a muitos, numa escrita ponderada, mas toldada, por vezes, pela tal inútil e já antiga parcialidade vistosamente arrogante, com que eu própria, em tempos me confrontei. Mas continuo, fervorosamente, a lê-lo, aos sábados, ou domingos, graças a generosa cedência, pela minha irmã, desses Públicos onde escreve.

Às vezes me espanto, outras, me envergonho

A pulsão conspirativa e a aversão aos jornalistas são dois traços identitários de Pacheco Pereira. Confunde jornalismo com opinião, presença com influência e sucesso com conspiração.

RUI PEDRO ANTUNES Editor de Política do Observador

OBSERVADOR, 29 jul. 2025, 00:207

José Pacheco Pereira é um historiador de excelência, com obras publicadas de grande qualidade, como a biografia de Álvaro Cunhal. A associação Ephemera é um parente privado e selvagem da Torre do Tombo, que merece todos os elogios e que é de inegável interesse público. Isto significa duas coisas: Pacheco Pereira é óptimo a relatar e preservar o passado e é péssimo nas leituras que faz da actualidade, quase sempre toldado por uma irritação permanente com o jornalismo, os jornalistas e os seus ódios de estimação.

José Pacheco Pereira escreveu um artigo no jornal Público onde denuncia (ou melhor, decreta — porque como deus máximo do Intelectualismo, não exprime opiniões, mas dogmas) aquilo que chama de projecto político do Observador. Na cabeça do historiador, há uma mão invisível que controla um plano mais abrangente, que pretende manipular a opinião pública em torno de uma agenda da direita dura. Sugere, pelo meio, que os jornalistas do Observador são meros peões ao serviço dos lóbis dos accionistas e da chamada direita Observador (conceito utilizado pela bolha e em breve certamente ensinada nos cursos de Ciência Política). Incha, Tocqueville, esta não conheces tu.

No delírio do historiador — ao nível dos Iluminati, do homem não ter pisado a Lua, do Elvis estar vivo ou de uma versão da Conquista do Pão escrita por Joana Amaral Diasos outros órgãos de comunicação, em particular as televisões, ajudam o Observador a espalhar os tentáculos da sua influência. Pacheco Pereira diz, nesse mesmo artigo do Público, que as mesmas pessoas que comentam nos programas da manhã na Rádio Observador vão depois ao longo do dia às televisões, quais “falcões” (estilo The Birds, do Hitchcock) destruir em directo pombinhas do PS.

Participo muitas vezes nas manhãs da Rádio Observador e há cerca de dois anos que comento, como convidado, de forma regular num dos canais noticiosos. Não me arrogo do direito de me autoproclamar falcão, até porque suspeito que Pacheco Pereira não faz ideia de quem sou. E está tudo bem com isso. Também não lhe estou a responder em nome do Observador, nem de ninguém, com este artigo — porque necessitaria de autoridade para isso, que não tenho. Nem sequer espaço. Nesta coluna, sou o único responsável pelo que escrevo. Pode parecer estranho a Pacheco Pereira, mas os colunistas do Observador não articulam entre si o que escrevem ou deixam de escrever. Nem os da rádio, muitos deles em comum, concertam o que dizem. Aliás, sobre os ataques constantes ao Observador, o publisher José Manuel Fernandes respondeu, de forma oportuna e na medida certa, ao José Pacheco Pereira, num artigo que lhe dispensaria umas quantas sessões de terapia. É de 2021, mas continua actual.

Porque escrevo, afinal, sobre isto? É que José Pacheco Pereira nesta e noutras ocasiões faz uma confusão de conceitos que, de forma propositada ou não, podem levar os mais distraídos a pensar que tem razão. O historiador confunde opinião com jornalismo. E, quando parece estar a atacar as opiniões, Pacheco Pereira confunde tudo (ou finge confundir) e sugere que as notícias, o jornalismo, é colocado ao serviço de uma opinião colectiva, de um projecto maior.

Vamos então a um pouco de pedagogia. O Observador tem, de facto, uma secção de opinião que tem, no jornal, mais colunistas fixos do campo político da direitaalgo que foi assumido, ao jeito anglo-saxónico, desde o primeiro dia. Na Rádio Observador, é óbvio que é mais fácil o Alberto Gonçalves ter um espaço fixo na grelha do que o Francisco Louçã. Mas ninguém esperaria o contrário, precisamente, porque é algo que está assumido desde o início (mesmo que Pacheco Pereira continue a pedir um coming out direitista). Isto não significa, porém, que a rádio não tenha vozes como o Sérgio Sousa Pinto ou a Susana Peralta que dificilmente se podem rotular de direita.

Além da opinião, que tem naturalmente uma importância muito grande no Observador, há depois a parte jornalística ou, se quisermos, noticiosa. A separação que existe entre opinião e a redação faria parecer curta a faixa seca de Moisés no Mar Vermelho. Seguimos o princípio de Kapuściński de que “as opiniões são livres e os factos são sagrados”. O estatuto editorial do Observador diz que é um órgão de comunicação “independente e livre”. E é isso mesmo que é. E é todas as áreas, incluindo naquela que até poderia ser mais susceptível a pressões (a política). E sei do que falo. Sou editor de Política do Observador há cinco anos, estou na secção de política há nove e nunca houve qualquer pressão de cima para baixo para ir mais para a esquerda ou para a direita. Ou para favorecer mais este ou aquele. Nunca me foi pedido nada mais do que rigor, escrutínio e isenção. Qualquer jornalista que esteja ou tenha passado pelo Observador pode comprová-lo.

Pacheco Pereira, talvez por ainda ter na pele o modelo maoísta de organização (perdão, controlo) de uma redacção, acredita que os jornalistas do Observador, os de política e os outros, no mínimo fazem fretes ao accionistas, à direita populista e aos lobos neoliberais. Não o digo apenas por estas declarações — que são mais direccionadas ao comentário na rádio — mas pelas várias declarações que fez nos últimos anos sobre o Observador. Lamento, mas está enganado. Sugere, por exemplo, que houve alguma benevolência no caso Spinumviva. Facilmente desmentível por artigos dados em primeira mão pelo Observador como o que revelou que a Solverde era cliente, que a colaboradora da empresa tinha trabalhado para o secretário-geral do PSD ou que o principal cliente da Spinumviva era uma gasolineira de Braga cujo proprietário era o candidato do partido à câmara de Braga. Os comentários que se seguiram na Rádio sobre estes temas, como se imagina, não foram agradáveis para o primeiro-ministro.

Refere-se depois ao facto de, na semana do anúncio da não-recondução Mário Centeno do Banco de Portugal, terem saído artigos no Observador, como o da nova sede, pouco simpáticos para o governador de saída. É óbvio que as fontes têm sempre interesses. Todas elas. Em todas as áreas. Em todos os partidos. Que podem libertar a informação apenas em determinada e conveniente altura, mas isso não diminui o interesse jornalístico desses dados. Exemplo disso são os anos de autárquicas, como é 2025, em que os opositores colocam cá fora todos os podres dos municípios. Isso diminui o interesse dessas notícias? Zero. Desde que seja feito o contraditório, investigadas e confirmadas as denúncias, o interesse da fonte (seja de que partido ou que com motivação for) não elimina o interesse do jornalista — nem, mais importante, do leitor.

Sei que, desta vez, Pacheco Pereira até está mais incomodado com o tom dos programas da Rádio, que têm notas, outras avaliações e derivados. O historiador sugere, de forma que é ofensiva para quem aqui trabalha, que há figuras que são favorecidas em detrimento de outras dentro desse grande projecto político colectivo. Ora, sugiro ao historiador que crie na Ephemera um arquivo áudio dos podcasts da Rádio Observador (de programas como o Bom, Mau e o Vilão ou o E o Vencedor é) e — depois de terminada a compilação — constate como da esquerda à direita não há líder partidário que, em determinado momento, não tenha sido piñata humana das intervenções assertivas dos participantes nesses programas.

José Pacheco Pereira acerta quando diz que o Observador tem fontes privilegiadas no Ministério Público, nos partidos do Governo e no Governo, bem como nas confederações patronais. Tem razão. E também nos partidos da oposição, sindicatos e por-aí fora. A isso chama-se jornalismo. A relação com essas fontes tem o humilde propósito de conseguir notícias. Não compete ao jornalista sobreavaliar a ambição de uma fonte. Se um vice-presidente de uma câmara quiser derrubar o presidente e, por essa razão, denunciar um roubo do cofre do município ou o assédio de um funcionário, o jornalista deve recuar porque está a ser instrumentalizado? A resposta é: não. Até porque o jornalista até pode desconfiar da intenção da fonte, mas não lhe compete fazer esse juízo. Compete ser mais cuidadoso e escrupuloso por saber que existe um interesse deliberado da fonte. Só isso. De resto, não é nada com ele.

Por detrás de um benigno artigo carregado de engraçadismos e de um comedido fair play, Pacheco Pereira foi ofensivo com os jornalistas do Observador. Mesmo que o principal alvo fossem os comentadores, só chamar projeto político ao Observador é diminuí-lo como projecto jornalístico. Chegamos ao ponto: o problema do historiador é mesmo com jornalistas. E não é de agora. Na célebre “crise dos corredores”, em 1993, Pacheco Pereira, então líder parlamentar do PSD, defendeu com unhas e dentes a proposta da sua bancada para limitar o acesso aos jornalistas nos corredores Parlamento. Durante quase um mês não houve cobertura dos trabalhos parlamentares por protesto dos jornalistas e Pacheco e seus muchachos (na altura nem percebeu que Duarte Lima lhe estava a fazer a folha) deram argumentos a Mário Soares — que chegou a chamar os jornalistas a Belém — para atacar Cavaco Silva. Um desastre completo.

Mais do que acrimónia, há uma marca de água no percurso de José Pacheco Pereira de quase raiva contra os jornalistas. O Ponto Contraponto, programa que esteve durante oito anos no ar, foi em parte um tiro-aos-jornalistas (fui visado algumas vezes), num programa de tanto sucesso que, talvez por cortesia, se arrastou na grelha da SIC Notícias e chegou a ser emitido às quatro da manhã.

José Pacheco Pereira acaba o artigo a pedir que o Observador se assuma para ficar tudo bem. Do lado do Observador tudo é absolutamente cristalino: é claro o que é opinião e o que é jornalismo. A crise identitária é mesmo do próprio historiador. Continua a desacreditar os media e o espectáculo mediático, quando tem a sua presença mais relevante no primeiro e a alimenta a comentar o segundo.

Na política, também parece preso num tão problemático dilema. Em 2013, quando o seu partido enfrentava, no poder, um momento difícil não teve problemas em ir à Aula Magna atacar o Governo de Passos Coelho (o vídeo pode ser visto aqui no Esquerda.net). Não vai a um Congresso do PSD desde 2008 (quando participou no encerramento do Congresso que entronizou Ferreira Leite em Guimarães), mas entretanto já participou num Congresso do PS (em 2016, com o amigo António Costa). No PSD, quando se envolve ou toma partido, as coisas também não correm pelo melhor: apoiou e aconselhou Rui Rio e Ferreira Leite, mas nenhum deles “chegou lá”. Em 2009, como cabeça de lista em Santarém, não conseguiu ganhar nem na Marmeleira, freguesia ligada às origens do arquivo Ephemera, tendo o PSD conseguido apenas 23% dos votos nessa localidade, atrás do PS.

Apesar do insucesso que tem na vida partidária e da não identificação com a esmagadora maioria das direcções do partido (nem com as bases, já agora), ainda há pouco tempo disse, em tom provocador: “Não lhes faço o gosto de sair do partido”. O “lhes” era provavelmente dirigido a uma qualquer força superior que, conspirativamente, toma conta do PSD.

A pulsão conspirativa e a aversão aos jornalistas são assim dois traços característicos de Pacheco Pereira. Da minha parte, continuarei lê-lo no Público e a ouvi-lo na CNN, local onde provavelmente vê os tais falcões a voar. Também não deixarei, como é habitual, de me lembrar, sempre que o oiço, da célebre frase de Sá de Miranda que servia de mote para o blogue Abrupto: “M’espanto às vezes, outras m’avergonho”. Ou, em português contemporâneo: “Às vezes me espanto, outras envergonho-me”. A vergonha, diga-se, é alheia.

PACHECO PEREIRA      PAÍS      SOCIEDADE       JORNALISMO      MEDIA

COMENTÁRIOS:
João Melo de Sampaio: O Pacheco não merece tanta escrita... fede, não toma banho...

Ricardo Ribeiro: Dois esquerdoidos travestidos de direita à traulitada. Ó Pacheco vem cá ver isto, e ver como nós, assinantes do Observador, sofremos com a política editorial e noticiosa estar demasiado encostada à esquerda! Imagino o badagaio e a solipampa que te dava ao ler a maioria dos comentários e comentadores destas caixas, estas sim verdadeiras almas de direita em que eu me incluo                

Cadete Joao: Um tonto a escrever para outro... simples...

Ana Lucas: Excelente artigo a pôr os pontos nos is ao Pacheco Pereira, que é um homem arrogante e sem coerência, basta constatar que passou do Maoismo à Social-Democracia (idênticos!...) Para além disso, acha-se o máximo (não sei bem de quê, nem porquê).

José Paulo Castro: Pacheco Pereira tinha um blog a cujo título o acordo ortográfico não fez o favor de retirar o 'p'. Ficaria mais condizente como referência à personagem alter-ego, a dos idos de Março, de punhal escondido.

Liberales Semper Erexitque: Poderia até dar-se o caso de o referido Pereira ter "dificuldades relacionais" com os media, mas ser um grande colunista. Ora aqui este vosso esforçado compadre leitor foi assinante e leitor regular do "Público" durante cerca de três anos, e durante esse tempo um dos colunistas de pedra e cal por lá foi ... o Pereira! E posso dizer baseado na experiência que é raríssimo que o Pereira "dê uma para a caixa", em linguagem popular. De resto, só há um que eu gostaria de ter aqui sempre no Observador, o João Miguel Tavares, e não me importaria de poder ler o António Guerreiro, um esquerdoido sim, mas, ao contrário do Pavão Pereira, muito interessante.

Jorge Barbosa: Arrogante e ressabiado como o Pacheco Pereira só me lembro do Saramago (o mesmo que nomeado em 1975 pelo PCP/MFA para a direcção do DN , logo saneou todos os jornalistas não comunistas) São pessoas cuja intelectualidade se torna insana tal é o 

terça-feira, 29 de julho de 2025

Palestina (Cont.)


«A pornografia da fome: como o Hamas e a ONU nos enganam»

CONCLUSÃO dos COMENTÁRIOS

N A: Todo o artigo faz sentido. E voltamos ao início, se há genocídio, é da parte do Hamas. Mas por que raio o mundo está ao lado dos terroristas!?

N A > Pedro Abreu: É agente do Hamas, UNRWA ou Al Jaazera?

Pedro Reis: Como é possível o jornalismo ocidental ser cúmplice de uma organização terrorista?

Manuel Magalhaes: Sempre estive de acordo com esta posição, basta ver as fotografias e os vídeos publicados para ver que não aparece ninguém com ar esfomeado e magro, só agora depois destas referências é que aparecem miúdos escanzelados e magros, mas nas imagens o ângulo de visão é muito curto o que sugere que aquelas imagens são de outro lado ou puras montagens, caso fosse essa a realidade nas imagens com mais gente não há pessoas com ar de fome!!! A ONU/Hamas e o desastrado Guterres deviam de ter vergonha, tal é a sua parcialidade!!!

Nuno Borges: Israel tem de varrer o terrorismo para as calendas da História.

Joana Fernandes: Excelente, como sempre!! Espero que mais pessoas denunciem o que o Hamas com o alto patrocínio da ONU fazem pelo Islão Radical no Ocidente! Se não for travado não haverá reduto para as mulheres e meninas no futuro! Não ao Hamas, não a manipulação, não ao Islão radical e ao terror sobre o Ocidente! Se o Ocidente continuar a comer estas imagens como verdadeiras pois os OCS no terreno são pagos para tal, seremos a sociedade mais desenvolvida e mais acrítica desde a Idade Média!!

Manuel RB > Francis Big: Sensatez. Há alimentos a chegar às populações fora da rede ONU-HAMAS. Mas são combatidas pelo Hamas e não filmam os seus actos para a SIC ou RTP passarem. Como quer proteger populações das investidas israelitas se, quem as controla, quer mesmo que as pessoas morram? Para fazer filmes para a SIC ou RTP. No Brasil, há uns anos, foram condenados uns produtores de TV que encomendavam crimes para filmar e passar na TV. Percebe porque vê "fome" em Gaza e "genocídio" dos palestinianos. Não fosse isso, e você só via mesmo bola.

Vitor Fonseca: A pura realidade. Agora os nossos meios, a maioria são jornalixos da extrema esquerda, não vão passar noticias verdadeiras , porque pura e simplesmente são contra Israel mesmo se tiver razão. Cada dia vemos menos TV`s que hoje em dia também viraram radicais islâmicas e putinistas. Vamos lendo e ouvindo o OBSERVADOR. é Bom que Não se Estrague e siga como tem sido até hoje..

Rui Martinho: Comentário claro, corajoso e assertivo. A ler, reflectir e divulgar pois as mentiras, as meias verdades e a desinformação precisam de ser combatidas com artigos como este.

João Alves: Um dos primeiros líderes dos palestinos, o Grande Mufti de Jerusalém, tomava chá com Hitler e recrutava palestinianos para integrarem uma brigada das SS.

Manuel Dias: Esta é a verdade crua e nua. Quando em conversas com amigos e ou conhecidos me atrevo a expressar a realidade que o José Carmo aqui nos traz, acabo sempre por ser insultado e catalogado como insensível à mortandade. Finalmente vejo um artigo que sem temor nos mostra toda a estratégia do HAMAS e das organizações internacionais ao seu serviço, bem como do Jihadismo em geral

Maria Alva: Excelente e objectivo artigo.👏👏🎯

Jose Oliveira: Bom artigo, muito bom mesmo. Parabéns pela clareza do texto. Que as mãos não lhe doam para continuar a escrever.

pedro santos: Muito bom e muito bem. Esta estorieta da catástrofe humanitária e dos árabes (sim, dos árabes) estarem a morrer à fome e à sede em Gaza lembro-me bem de ter começado logo a seguir ao início dos bombardeamentos e da invasão do território pelas IDF. A ser verdadeira, ao fim de três ou quatro meses já teriam morrido todos ou perto disso... O que, claramente, e ao fim deste tempo todo - já lá vai mais de um ano -, a julgar pelas imagens que passam na televisões das turbas de árabes, está muito longe de alguma vez tal ter acontecido. Como é que ninguém vê isto também é de espantar...

Vitor Batista: O ocidente é governado e formatado por hordas de indivíduos altamente instruídos na forma de destruir e desacreditar este mesmo ocidente. Para mim seria normal a razia total de Gaza, e todos os jiadistas aniquilados. O estado de Israel não pode vacilar. 

Coxinho > N A: O mundo está ao lado daqueles que lhe são apresentados como virtuosos pela Comunicação Social. E como esses "virtuosos" apresentados como tais pela CS é que são de facto os verdadeiros terroristas, segue-se que o mundo está DE FACTO ao lado dos terroristas. A CS é directamente responsável pelo crime que está a cometer CONSCIENTEMENTE, mas os governantes europeus são igualmente responsáveis por financiarem a CS -- sabendo perfeitamente o que estão a fazer. Quantos pequenos Guterres/Hitlers/Stalines pululam por essa Europa fora e nos organismos internacionais como ONU, OMS, ONGs etc. !!! Caminhamos abertamente para um novo GENOCÍDIO de judeus mas toda a gente parece concordar que será um genocídio JUSTIFICADO. As pessoas foram dispensadas de pensar pela própria cabeça porque a CS é muito generosa e pensa por elas... E assim vai alastrando a mancha de perversidade "bem-intencionada" que já cobre uma grande parte do Ocidente.

Manuel F: Gosto de ler este cronista, pelo que escreve e pela forma como o faz, sempre sem segundos sentidos. Reconheço que não vejo TV’s, a não ser alguns programas de desporto, normalmente em directo, mas leio os “flashs”, nomeadamente no Observador do que é noticiado e penso para comigo que se os números de mortos, que são divulgados como tendo acontecido diariamente em Gaza, fossem reais, já não havia população naquele território que segundo dizem teria à partida cerca de dois milhões de habitantes. A guerra hoje é feita mais nos meios de comunicação: Tv’s, jornais, redes sociais, etc. do que no terreno. Não é fácil as populações não serem manipuladas pelo que vêem e ouvem nos MC, principalmente nas Tv’s. Quanto à capacidade dos dirigentes do Ocidente defenderem os interesses dos seus cidadãos, estamos conversados

José B Dias: Fico sempre impressionado com a capacidade de alguns de conseguir ver num lado o que nunca conseguem admitir que também está à vista noutro...

J. Costa: Há muito tempo que digo que a ONU é a principal responsável pela guerra entre Israel e os palestinianos. A ONU durante décadas financiou o Hamas quer com dinheiro quer com comida, de forma a que o Hamas apenas se preocupasse com guerra em vez de se preocupar com o desenvolvimento do seu povo. As escolas financiadas pela ONU transformaram-se em madrassas islâmicas e os hospitais em quartéis generais do Hamas. A esmagadora maioria dos funcionários da ONU (com bons salários) são simultaneamente terroristas do Hamas. Até Outubro de 2023 Israel e a Faixa de Gaza viviam numa paz estável, que foi interrompida pelos ataques terroristas do Hamas a civis indefesos e o rapto de +- 200 pessoas de várias nacionalidades e a ONU nada fez para que estes reféns fossem libertados.

Carlos Chaves: Caro José António Rodrigues do Carmo, estou a ver o dia em que esta delegação do acção socialista o escorraça, primeiro para os fundilhos do pasquim e depois para fora das edições.... Apenas e só, por dizer a verdade! Muito obrigado por esta conta-corrente em honra da decência e da verdade, ao contrário da opinião publicada!

Vitor Batista > Pedro Abreu: E se fosse do Hamas? já seria bom? Os nazis anti-semitas nunca desapareceram nem irão desaparecer, como este espaço o confirma.

Maria João Pestana: Obrigada por nos esclarecer. Já tinha essa ideia mas é preciso divulgar.

Manuel Rocha: Excelente clarificação ! Infelizmente a opinião pública ocidental é facilmente manipulável e adora ver os dramas na TV .

Maria Nunes da Silva: Obrigado pela coragem. Faltam pessoas assim.

Danniel 1904 > João David: Como é óbvio essa ironia vai muito além da realidade, dou-lhe razão em alguns pontos, mas gostaria de saber como é que você, se fosse o Chefe de Estado de Israel, acabava com aqueles terroristas que fazem bases nas caves de hospitais, usam ONG's de fachada, usam efectivamente civis como escudos e muitas vezes não permitem a sua saída de certas zonas! Cumprimentos

João Reis: O mundo indignado prepara-se para as férias de verão com risos, cocktails e praia. Os jovens indignados gastam dinheiro em iPhones e festivais de Verão. A indignação fica para os minutos a seguir a verem uma notícia e depois segue a parada. Bom artigo, que levanta o véu sobre algo que a cegueira da imprensa e o politicamente correcto não querem ver muitas vezes

António Fernandes: Excelente artigo! Para esfregar na tromba da esquerdalha portuguesa, do sr GutE da ONU e em mais meia dúzia de comentadores residentes da rasca tv tuga

D. Garcia: Completamente de acordo com cada palavra que escreveu... Excelente! De facto estamos a assistir a coisas muito estranhas. Alvoroços na comunicação social , fotos e videos comprovadamente falsos de crianças famintas que (a maior parte delas) nem sequer são de Gaza. Pelo que se sabe, das famosas 2 ou 3 fotos publicadas e 1 vídeo, apenas uma se refere a uma criança de Gaza, devidamente identificada, que infelizmente sofre de graves problemas de saúde anteriores ao consequente estado de subnutrição . Quanto ao vídeo chocante com uma criança subnutrida, foi o próprio médico paquistanês que a tratou, que veio a público denunciar a falsidade do video que se passa no Paquistão. É tudo vergonhoso e maquiavélico e demonstra bem do que o Hamas é capaz para atingir os seus fins... É certo que guerra é guerra, onde tudo é horrível e cheio de desinformação , mas não vejo a mesma ONU vociferar e condenar governos ou oposições no Iémen que já soma 377.000 mortes ou no Sudão com mais de 522.000 mortos ... Confesso que não me repugna a consolidação dos acordos de Oslo e o futuro reconhecimento dos dois Estados com fronteiras bem delineadas, mas desde que contemplasse uma adenda adicional que designasse Israel como administrador de Gaza durante (pelo menos) 50 anos ... Entretanto, aproveito para dizer que tenho tido uns pensamentos insanos com ano 2026 ....Guterres a sair e Marcelo a querer entrar ... Livra! Só pode ser um pesadelo... !!!

António Cézanne: Alguém disse num canal de TV, penso que no NOW que "no mínimo é preciso ver aquelas imagens sempre com um pé atrás", referindo-se às imagens em Gaza. Sempre foi e continua a ser o que eu faço. Não confio nada naquilo.

Agnelo Furtado: APOIADO! Vou partilhar. Abaixo o antissemitismo!

Vítor Araújo: Já divulgaram esta crónica pela redacção do observador? É bom que alguém o faça.

Vicente Ferreira da Silva: Bom artigo. Directo e objectivo!

Rita Salgado: ora até que enfim! bem haja!

Manuel Gonçalves: A mentalidade antissemita nunca saiu do ocidente. Já há tentativas de branqueamento do nazismo. Quem diria, o círculo completou a volta e esquerda e nazismo tocaram-se.

João Guilherme Sousa: Muito bem

Coxinho: Sr. Coronel, a sua voz brada aos céus e é impossível os céus não concordarem consigo!

António Alberto Barbosa Pinho: É uma vergonha a cobardia europeia em relação a Israel. Vão reconhecer um estado com dois governos? Um terrorista, Hamas, e outro com a Autoridade Palestiniana? Não era melhor 2 estados palestinianos como se dividiu o Sudão? Enfim: continue a sua luta Sr. Coronel e saiba que tem muitos a acompanhá-lo. Eu, que nos idos de 84, do século passado, servi no smo, Santa Margarida, dita Brigada Nato, fico perplexo com a Europa.

Português de bem > João David: A bem da sua sanidade mental, vou acreditar que escreveu estas barbaridades sem ler o artigo. Já colocou o lencinho na cabeça, hoje?

jaime crespo: Comentário bem escrito, mas sem nenhuma prova palpável que o valide.

Manuel RB > Pedro Bastos: Isso, continue a acreditar nos noticiários. É mais tranquilo, já vem com as opiniões prontas a arrumar na nossa memória. Menos complexidade para resolver.

pedro santos > Manuel Gonçalves: Voltam a tocar-se, melhor dizendo...

Francis Big: Sr. Coronel, tem razão na descrição que faz daquilo que é o Hamas e como este manipula a opinião pública ocidental. O Hamas é um grupo terrorista particularmente sádico e brutal. É totalmente indiferente ao sofrimento dos civis e utiliza-os como escudos humanos. No entanto, é evidente que a população de Gaza está a morrer à fome e devido a bombardeamentos. Não posso acreditar que pense que é tudo encenação. A responsabilidade de Israel é óbvia. Não é aceitável impedir o acesso a alimentação e medicamentos com a justificação de poder haver armas escondidas a entrar em Gaza. Não é aceitável matar centenas de civis inocentes com a justificação de haver um terrorista no meio deles. A conversa sobre um suposto genocídio apenas impede que todos reconheçam o óbvio: o exército israelita cometeu claramente vários crimes de guerra. Gostava que mostrasse mais sensatez naquilo que escreve e que não se limitasse a defender tudo o que o governo israelita está a fazer.

Tristão: Gosto muito de o ler, dá-nos a visão indispensável do outro lado, mas não lhe ficava nada mal, imputar, um pouco que fosse, a Israel (leia-se ao seu governo) também algumas responsabilidades ao estado a que chegámos. Há muita propaganda, mas será tudo? - não creio. Aqui não há inocentes, nunca há…

João Floriano: Interpreto as reacções exacerbadas dos manifestantes pro Hamas que por essa Europa fora invadem as avenidas como uma demonstração de estupidez e fanatismo. Não querem compreender até que ponto estão a destruir a Europa, a sua casa. Ninguém conduz um bulldozer contra a sua habitação, mas estes tresloucados de lenços palestinos ao pescoço e nos ombros, sempre que lhes é dada a oportunidade pela CS é isso que fazem: destruir a Europa. Interpreto a timidez de governos e o reconhecimento do estado da Palestina por parte de franceses e noruegueses, como se aquilo pudesse ser um estado, como medo, muito medo, não apenas das multidões ululantes de europeus estúpidos, mas sobretudo da imigração islâmica que deixaram entrar e que um dia destes sem aviso prévio, pela madrugada, como fez a 7 de outubro de 2023, fará o mesmo em qualquer local da Europa.

António Reis: Muito bom artigo. Até-que enfim, que há alguém que verdadeiramente descreve a situação como ela é, despida de ideologias e chamando os ‘bois’ pelos seus verdadeiros nomes. Parabéns!

Rodrigo Machado: A minha principal questão é: Em que se baseia para dizer que os vídeos são fabricados pelo Hamas, ONU, etc? É em factos comprovados? Ou é apenas uma opinião?

Liberales Semper Erexitque > Pedro Abreu: O "Hamas" não é inocente em relação a coisa nenhuma que se passa em Gaza, mas a insensibilidade de Rodrigues do Carmo é chocante. Só falta ele assumir que a verdadeira solução é matar toda a população do território.

Jorge Lopes: Excelente artigo! Muito obrigado!

Pedro Bastos: Negamos então que exista fome e desnutrição em Gaza??? e que o bloqueio imposto por Israel não contribui de forma significativa para esta catástrofe?? pouco importa se as imagens são fornecidas pelo Hamas ou pela ONU; elas são REAIS e o ocidente convive com esta barbárie de forma impassível. Não pode continuar...

jose murteira martins: Muito bem!!!

José B Dias: Aqui não é da fome ... mas também é pornografia a forma como declarações de parte são transformadas em factos irrefutáveis. E onde existem sempre "ataques a edifícios residenciais" e umas "crianças" para a ênfase nas emoções primárias. De acordo com o The Kyiv Independent, pelo menos oito pessoas ficaram feridas num ataque a um prédio residencial na zona de Darnytskyi, na capital ucraniana. Um desses feridos é uma criança de três anos e há ainda um dos feridos hospitalizados que se encontra em estado grave. O prédio ficou danificado, com o ataque a provocar danos do 6º ao 11º andares. O ataque ocorre poucos dias depois de a Rússia e a Ucrânia terem realizado a sua terceira ronda de conversações de paz em Istambul.

unknown unknown: Vivemos tempos em que a verdade é perigosa!

Paulo Maio: Senhor comandante e todos os tontinhos abaixo, que dão urros a esta crónica vão de férias ou para Marte com o Musk. Que ódio que vai por ai. Que tontices. O que se passa na Palestina é GENOCIDIO puro e há muito que já deveria estar na prisão Netanyahu. Juntamente com o líder do Hamas e do Hezbollah. A desproporcionalidade da resposta Israelita é assassina e mesmo tendo usado civis como escudos humanos e até admito infiltração nos programas alimentares, desde há pelo menos um ano, que isto já deveria ter acabado.

Carlos F. Marques: Excelente artigo. Carrega Israel!!!

pedro dragone: Excelente crónica! Efectivamente, aquilo que nos entra pelos televisores dentro com as "notícias" sobre Gaza é uma verdadeira "pornografia da fome"! Ainda há dias me lembrei disso ao ver essas imagens repetidas "ad nauseam". Os Media Ocidentais, se não estão a servir de idiotas úteis do Hamas, estão a ser criminosamente cúmplices da sua estratégia. Qualquer das hipóteses é assustadoramente má e preocupante!

Rosa Graça: Excelente. Excelente e brutal.

Paulo Silvestre: Excelente e corajoso! É a normalidade que se impõe, porque se é profético então importa que o desígnio se concretize.

Gabriel Baptista Fernandes: Passei a segui-lo. 

José Luis Salema > Pedro Bastos: As imagens são reais, só que são doutras realidades...

Jose Pires > Paulo Maio: Bot esquerdalho!

Juventino Fontes: Parabéns pelo artigo, Sr. Coronel! Penso que é constituído só por VERDADES! Se tentarem impedi-lo de continuar a escrever coisas semelhantes, não se intimide. Força!

Filipe Costa: A ONU não devia existir, é uma organização gorda, cheia de tachos, aquela gente toda não arranja emprego se aquilo fechar. São uns inúteis, não sabem fazer a ponta de um chavelho.

António Cézanne > José B Dias: Recomendo-lhe 3 dias durante uma hora sentado no sofá às escuras e sem ninguém ao lado pensar e raciocinar durante essa hora, sempre sobre o mesmo tema e não pensar no tema só 5 minutos antes de adormecer. Se mesmo assim achar que afinal o seu raciocínio não mudou, vá aumentando uma hora todos os dias. Quando chegar à conclusão que estava errado, abandone esses exercícios, não vá esse cérebro bastante pequeno e limitado trocar-se todo outra vez e lá terá que voltar aos exercícios que no seu caso devem dar uma trabalheira. O seu caso é problemático de facto, é que só sabe pensar 5 minutos antes de adormecer, mas para tudo há remédio. No seu caso esse remédio são fortes exercícios mentais. Se depois disso tudo continuar bloqueado, tem sempre aqui o Pedro Dias que tem paciência para o ler, que o chama sempre à razão e que o anula totalmente. Siga o conselho, camarada, ou então siga as setas para o canal 5 falido. ----->>> Ou então pegue nos Lusíadas, tente falar com o Camões e deixe de incomodar as pessoas.

Manuel Lisboa: Pois é, se tudo o que se vê nas televisões acerca da guerra na intitulada faixa de Gaza é propaganda de terroristas, o que será esta crónica?

António CézanneJosé B Dias: Pensar e raciocinar é um problema seu, não meu. Simples, camarada!

pedro santos > Pedro Lucas: E cada um "come" da que quer...

Nuno Borges: Cabe ao Hamas alimentar os seus apoiantes, todos os gazanos.

Francisco Louro: Exactamente. A manipulação dos terroristas. Estas estratégias são recorrentes em todos os conflitos. Só não entendo é porque Israel não cria uma zona segura para todos os palestinianos de boa fé e filtrar toda uma população até apanhar os ratos todos. Podia fazê-lo sem dar um tiro. Dois milhões de palestinianos não são muitos para os identificar e controlar a situação.

Pedro Abreu: Um texto obsceno encomendado pelo embaixador de Israel a negar o genocídio em Gaza, tal como os nazis (ainda hoje) negam o holocausto.

Pedra Nussapato: Claro que há propaganda, como há sempre neste tipo de conflitos, mas não vamos usar isso para fazer de conta que está tudo bem. Entre março e maio de 2025, Israel fez uma grande bloqueio à entrada em Gaza de camiões com alimentos, medicamentos, água e combustível. Que algo grave se está a passar em Gaza acaba na verdade de ser reconhecido por Israel ao ter anunciado “pausas humanitárias diárias” de 10 horas em 3 zonas (Cidade de Gaza, Deir al-Balah e Al-Mawasi), para permitir a entrada de ajuda.