sexta-feira, 11 de julho de 2025

Putin não disse o mesmo?

 

A respeito dos Ucranianos – que acusou de neonazis - pretexto para as acções seguintes, para não se dizer que não havia motivo para as arremetidas russas na Ucrânia. Os motivos são imprescindíveis. Dantes, isto é, nos meus tempos juvenis, não havia, de facto, tanta excitação social. Talvez por ignorância. Ou desprendimento. Ou menos liberdade na questão dos vómitos. A democracia trouxe muitos direitos. E menos deveres também, por conta do lema tripartido, julgo eu, propiciador dos vómitos fraternais… ou doutorais, conforme as convicções pessoais acerca dos igualitarismos que se prezam.

Quem define o "discurso de ódio"?

Explicam que "os neo-nazis estão a sair do armário". Certos comentadores e deputados eleitos estabelecem uma equivalência entre os neo-nazis e os homossexuais. Talvez nem percebam o que andam a dizer.

MARGARIDA BENTES PENEDO Arquitecta e deputada municipal

OBSERVADOR10 jul. 2025, 00:1856

Uma sopa turva de falácias na sessão plenária desta terça-feira na Assembleia Municipal de Lisboa. Agressões; neo-nazis; actores da Barraca; “discurso de ódio”; declamação pública de nomes; tudo no mesmo ponto da Ordem dos Trabalhos, como convém às cabeças sinuosas que vivem destes assuntos. Aqui, como o percurso lógico é meu, e para tentar pôr ordem na confusão, a ordem dos pontos é distinta. Porque as coisas, parecendo que não, fazem sentido. Só não fazem o sentido que a santimónia lhes quer dar.

As agressões “neo-nazis” aos actores do teatro A Barraca. Devem, como é evidente, ser repudiadas todas as agressões, e estas tanto como quaisquer outras, na medida da sua gravidade e violência, e também dos danos provocados. A causa, pessoal, política ou social, em nome da qual a violência é cometida devia ser irrelevante. Não há agressões boas e agressões más, como alguns parecem entender. O problema, no caso de A Barraca, foi que o atacante confesso e ouvido na Polícia desmentiu qualquer ligação à extrema-direita. Os ataques em nome de causas políticas costumam ser reivindicados, e não desmentidos. Desde logo, para que produzam efeito.

Vale a pena mencionar uma expressão que se ouviu naquele dia repetidamente, e que também já vi escrita ou soada nos cantos mais mal frequentados da paisagem, explicando que “os neo-nazis estão a sair do armário”. Com toda a naturalidade, certos comentadores nos media do regime, e vários deputados eleitos, estabelecem uma equivalência entre os neo-nazis e os homossexuais. Talvez nem percebam o que andam a dizer.

É nesta curva que entra o Dia Internacional de Combate ao Discurso de Ódio, com que a esquerda em peso se expandiu exibindo as virtudes e moralidades típicas. Uma celebração aberrante. A própria concepção de “discurso de ódio” é um erro. E uma infelicidade anti-democrática, e uma porta aberta para a censura. Por essa porta entram todas as arbitrariedades. Fontes Pereira de Melo dizia que não há ideias proibidas, há comportamentos ilegais. Hoje, mais uma vez, percebe-se a dificuldade em estabelecer onde está o “discurso de ódio” e onde está a “resistência legítima” (ou a “desobediência civil”, tal como é ensinada pelo filósofo nas “oficinas” de Braço de Prata).

Nos anos do ajustamento, os estudantes dessa “resistência” apresentaram-se ostentando um coelho enforcado para receber o Primeiro-Ministro na universidade. Há pouco tempo, alguns ilustríssimos deputados da nação, e outros tantos da Assembleia Municipal, desceram a Avenida gritando “morte aos senhorios!”. Nenhum destes exercícios foi descrito como “discurso de ódio”. A esquerda determina qual é o lado do mal e do bem; e a direita, por regra, aceita os termos e as decisões morais da esquerda. O “discurso de ódio” é a ilegalização das ideias, uma ilegalização estabelecida com base nas modas intelectuais e nas maiorias políticas de circunstância. A figura política e, pior ainda, jurídica do “discurso de ódio” é uma abominação. Deve ser execrada em vez de celebrada.

Como, de resto, se torna nítido no escândalo armado com os nomes de crianças estrangeiras. O Partido Socialista é o último partido com autoridade para condenar a declamação, porque foi exactamente isso que fez durante um Congresso, em 2014, quando resolveu declamar um por um os trinta e quatro nomes e apelidos de todas as mulheres que tinham sido mortas por violência doméstica naquele ano. Chamaram a actriz Maria do Céu Guerra que, ao lado de António Costa, naturalmente aceitou mais este lamentável papel. Naquele dia, os socialistas não se preocuparam com os filhos destas mulheres, que se viram a si mesmos identificados indirectamente, e viram os respectivos pais expostos como assassinos das mães deles. Todo o Congresso se levantou para ouvir o teatrinho medonho em silêncio. Este momento não pode ser apagado só porque agora convém ao Partido Socialista alterar e falsificar a sua própria história.

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COMENTÁRIOS (de 56)

Hugo Silva: Já o disse por diversas vezes... O André Ventura pode ter inúmeros defeitos, pode exagerar em diversas situações, mas uma coisa podemos agradecer-lhe, o combate feroz à esquerda e extrema-esquerda, um combate que até então ninguém ousou liderar. André Ventura sofreu e sofre ataques vis dessa gente, políticos, deputados, jornalistas. Nunca  se encolheu, ao contrário de alguns que agora se colocam em bicos de pés. Deus lhe dê força para continuar. Obrigado André Ventura por colocar a esquerda e extrema esquerda no seu devido lugar.                      Carlos Chaves: Cara Margarida Bentes Penedo, tudo isto é muito mais simples do que aquilo que pensa… Quando a “direita” abre a boca, ainda antes de sair uma única palavra… o discurso é de ódio! Quando a esquerda verborreia as maiores barbaridades… o discurso é de paz e amor! São estas as regras ditadas e seguidas pela maioria da comunicação social portuguesa! Até um dia! P.S. Obrigado por nos trazer estas autênticas pérolas que vão passando pela autarquia alfacinha!                         SDC Cruz. Mais uma excelente crónica de Margarida Bentes Penedo a elucidar-nos (para quem ainda tem dúvidas), que a nossa esquerdalha não tem vergonha. Os discursos de ódio só o são se forem proferidos pela direita. A esquerdalha só faz discursos de amor e de virtudes. Os gritos e lágrimas de crocodilo que vasaram no parlamento e na CS por se terem dito nomes sem os apelidos são um atentado á democracia da esquerdalha. Quando são enunciados os nomes próprios e os apelidos de mulheres assassinadas, o PS levanta-se e aplaude de pé. Já não há, de facto, pachorra para esta escumalha.      José B Dias: Antes de ontem ouvi e vi por diversas vezes nas televisões criaturas, aos gritos ou com muita calma e ponderação, a incitarem ao assassinato de um indivíduo que acabara de ser absolvido por um tribunal de júri de todas as acusações que lhe tinham sido feitas. E ouvi e vi promessas de vinganças e de morte e juras de colocar um fim no referido indivíduo e nos seus progenitores. E ouvi e vi insinuações de corrupção dos jurados, procuradores e juízes e acusações à juíza presidente de ser má mãe e de estar ao lado dos assassinos. Desconheço a esta data a existência de eventual inquérito judicial a todos estes crimes praticados à vista de todos e repetidos à exaustão nas rádios, televisões e jornais... e não consigo deixar de pensar que há quem esteja preso a cumprir pena por uma publicação de mau gosto nas redes a propósito das "mulheres de esquerda"!         Ricardo Ribeiro: Conclusão dos últimos tempos e actos eleitorais: Quanto mais a esquerda e respectiva extrema abraça as causas do combate ao"discurso de ódio" e da parafernália dos seus condicionamentos e ideologias, mais os eleitores mostram "ódio e repulsa" às "convicções" da mesma... É deixá-los espernear... Quanto mais esperneiam, mais insignificantes ficam!       Maria Paula Silva: Excelente! O tão apelidado "discurso de ódio" é um pau de dois bicos que os esquerdóides não percebem ter na mão ou nas vozes, porque os jargões que eles próprios apregoam monocordicamente (e sem imaginação) a criticar a direita por tudo e por nada são frases, ou conjuntos de palavras às vezes sem muito nexo, que exprimem ódio e incitam ao ódio. Portanto, conclusão: eles querem combater o discurso de ódio com discurso de ódio, ok. Ai, oh Margarida, vai-me desculpar mas chamar "o filósofo"  (cognome que ele próprio deve ter incutido nos seguidores) ao fanático, é fôfinho e muito simpático da sua parte. p.s. - adoro ver os videos das suas intervenções lá na AM. Como se pode dizer tanto de forma tão sintética.                      Armando Vale > José B Dias: Sim. E ainda aqui há dias vi uma notícia de um “cantor” que cantava DEATH TO THE IDF. Eu acho que é discurso de ódio, mas digam vocês. Mas percebo e concordo em geral com o ponto do artigo que depende da subjetividade e da “Bias” de cada um pelo que provavelmente mais vale aceitar que são ideias e não actos ilegais.                     João Floriano > Hugo Silva: Subscrevo.                      jose gomes: Sem dúvida. Criminalização ou impedimento daquilo que a esquerda decide ser "discurso de odio" é igual a institucionalização da censura.                        José Paulo Castro > PATRICIA RODRIGUES: A autora diz isto: A própria concepção de “discurso de ódio” é um erro. E uma infelicidade anti-democrática, e uma porta aberta para a censura. Por essa porta entram todas as arbitrariedades. Fontes Pereira de Melo dizia que não há ideias proibidas, há comportamentos ilegais. Já eu acho que, enquanto tentarem fazer a ligação dos actos, isolados e contextualizados, a um suposto discurso sem possibilidade de definição, são vocês quem tenta criar e definir e classificar o discurso dos outros como 'ódio', são vocês que estão a promover um discurso difamatório, de generalização preconceituosa, de fraca tolerância ao outro e às suas ideias diferentes.Fontes estava certo e sabia onde estava a fronteira. Vocês só querem que a fronteira seja definida por vocês e abarque o pensamento do outro. É o que perpassa em todo o seu discurso. E nem tem hipótese de entender isto, tal a formatação dos preconceitos.                           Alfredo Freitas: É uma graça para um parolo do interior, como dizem os lisboetas, que essa fauna de esquerda e extrema-esquerda só ronque e esperneie aí em Lisboa, no resto do país nunca são notícia. Nem tudo é mau viver no interior! Não é por acaso, que os problemas ou pseudo-problemas, que os telejornais noticiam 90% estão localizados em Lxa,.Valente caixote do lixo!                    João Saltão: Parabéns Margarida por mais um lúcido e esclarecedor escrito, desta vez, sobre o oportunismo e desfaçatez das esquerdas unidas sobre a proliferação e até a judicialização do designado "discurso de ódio". Pena que a Margarida não vá às televisões analisar e comentar os temas que defende. Seria um grande contributo para o esclarecimento e desconstrução das falsidades das esquerdas, com o conhecimento e lucidez que lhe são peculiares. Em vez disso deixam os Pedros Marques Lopes e afins desta vida, a intoxicar o espaço mediático.                   José B Dias > Armando Vale: As ideias consideradas más combatem-se com ideias que se considerem justificadamente melhores... Ideias não são actos e penalizar ideias é penalizar o pensamento e ferir de morte a Liberdade individual!                           Jorge Tavares: Tudo isto serve para confirmar uma coisa que nós todos já sabíamos - mas que é sempre chocante de constatar: A ESQUERDA JOGA SUJO. Não têm a verdade do lado deles - por isso mentem e inventam. Não têm os factos do lado deles - por isso "reinterpretam". Não têm os números do lado deles - por isso massajam-nos e torturam-nos. Cada vez mais, não têm os votos do lado deles. Bóra lá, mudar a constituição - nem que seja para os arreliar.           Lourenço de Almeida: Muito bem! É espantosa a aversão à liberdade que os portugueses têm!! Basta mudar o nome da coisa e aceitam prisão domiciliária, censura ao que escrevem, ao que dizem e, pelos vistos, ao que pensam quando fazem certas coisas! Deve ser com base na distinção entre o discurso - e porque não, pensamento - de ódio e pseudociência que os socialistas (nacionais e outros) têm assassinado aqueles a quem atribuem intenções odiosas, nomeadamente os judeus ou os kulaks, mas com orgulho no que fizeram porque o fizeram sem ódio, senão mesmo por amor!                       Rosa Silvestre: Excelente!       Maria Alva: Muito bem 🎯👏👏        Carlos Carvalho: Parabéns. Encostar a escumalha esquerdista à parede. A barraca sempre foi um “ninho de actores” comunista, que vivem à custa dos pagadores de impostos      Pobre Portugal: "Odeio quem odeia". Diz a esquerda, com cara de Anjo.                       Paul C. Rosado: Muito bem! Margarida, candidate-se à liderança do partido. Precisamos de vozes como a sua e não de "mansinhos".          Geena Costa Lopes: Brilhante. Pela clareza, pela determinada paciência em pôr os pontos nos iis sem confusão, sempre com senso.                       Paulo Almeida > José B Dias: É a forma como toda a esquerda pelo mundo fora encontrou para ganhar popularidade. Inventam palavras, rotulam acções, criam oprimidos e fazem nascer os opressores. E veja-se, são sempre de direita. Quem é de esquerda nunca prega ódio, nunca parte vitrines de lojas, nunca faz nada de "ódio". É sempre pelas causas boas. O que isto está a fazer na sociedade é destruí-la por dentro, quebrando os laços de comunidades e solidariedade que o ser humano deveria ter com todos. E não apenas com os que pensam igual a ele "politicamente". Isto é o sinal do desespero da esquerda que já não tem nada para dar ao povo. Tipicamente quando sabemos que não somos melhores que o adversário, os fracos tentando rebaixar o adversário ao nível deles, seja de que maneira for.        António Reis > Hugo Silva: É isso mesmo. Longa vida ao André Ventura!

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