As nossas coisas. Relativizar,
é preciso.
É uma polémica portuguesa, com certeza
O drama do retrocesso, o pecado original de não ser a primeira
escolha e a paixão (falsa) pelos independentes alimentaram as polémicas dos
últimos dias. Polémicas portuguesas, com certeza.
HELENA MATOS Colunista do Observador
OBSERVADOR, 27 jul. 2025, 00:3879
O retrocesso. Voltou. Só nas últimas semanas tivemos o retrocesso
“de mais de 40 anos” implícito nas alterações apresentadas pelo
Governo para a disciplina de Cidadania, mais
o “inequívoco retrocesso” presente, segundo as Mulheres
Socialistas, nas propostas de alteração à legislação laboral, nomeadamente no
que respeita aos dias de baixa por interrupção de gravidez.
Quer num caso quer noutro estamos
perante um exercício de pura demagogia política – não só não vai deixar de se tratar da
sexualidade nas escolas como a disciplina de Cidadania, nos moldes em que está,
é uma espécie de tudo e o seu contrário.
Já quanto às alterações nas
faltas por interrupção da gravidez o caso é ainda mais patético:
fizeram-se títulos como Porque é que o Governo quer eliminar o direito ao luto
gestacional? Ou Governo
quer eliminar direito a faltar ao trabalho por luto gestacional.
O PS veio falar de “inequívoco
retrocesso” e no final, se as alterações forem como detalhado no
comunicado que o ministério do Trabalho e da Segurança Social fez sair em plena
crise do “inequívoco retrocesso”, não
só trabalhadores não perdem dias por luto como ganham.
Num primeiro e mais distraído olhar,
as polémicas do retrocesso são em Portugal como os filmes de guião estafado. Já se sabe quem são os maus, os bons e o
desfecho que se quer inevitável: os bons, progressistas, ganham aos maus, os
“retrocedores”. Mas politicamente falando o imaginário do retrocesso
merece que se lhe dê mais atenção. Afinal o retrocesso é o fantasma que invariavelmente
paira sobre os portugueses mal o PS deixa de morar em São Bento, pois a
esquerda, apresentando-se como o motor do progressismo (não confundir com
progresso), vê na simples chegada da direita ao poder, não um processo de
alternância entre diferentes propostas políticas, mas sim a interrupção de uma
marcha antecipadamente delineada e que pode ser adiada mas tem de ser cumprida.
A primeira escolha. Não há pecado original em Portugal que se
equipare ao facto de não se ter sido a primeira escolha. O caso veio mais uma vez à baila por Álvaro Santos Pereira não ter sido a primeira escolha
para o lugar de governador do Banco de Portugal
(terá sido mesmo a sétima, o que não
deixa de ser um sinal dos constrangimentos legais e da pouca atractividade do
cargo).
Mas deixando o caso de Álvaro
Santos Pereira para o
tópico que se segue — a falsa paixão nacional pelos independentes — vamos
lá à mácula de não se ser a primeira escolha seja para o que for. Quando pessoas que na sua maioria não
foram escolhidas para nada de particularmente relevante franzem os narizinhos e
dizem do alto da sua irrelevância sobre outrém “Não foi uma primeira escolha!”
não só sinto uma irreprimível vontade de rir como desato de imediato a pensar
se alguém os escolheria para alguma coisa.
Tenho aliás a prosaica convicção de que ao longo da nossa vida somos
invariavelmente a segunda, terceira ou sei lá qual escolha em diversas
circunstâncias profissionais e pessoais e não só não vejo nisso problema algum
como interpreto como um inquietante sinal de insegurança este imaginário em
torno da primeira escolha que entre outras coisas esconde o medo de não se ser
escolhido.
O que define a escolha não é na minha
opinião o ter-se sido a primeira ou a sétima escolha mas sim a forma como se
desempenha o lugar para o qual se foi escolhido. E aí não tenho mesmo a certeza
de que primeira escolha seja invariavelmente sinónimo de melhor escolha.
A falsa paixão nacional pelos
independentes. Dou
de barato que Mário
Centeno,
que passou do Ministério das Finanças para o cargo de governador do Banco de
Portugal, seja apresentado como independente e que Álvaro Santos Pereira, que foi ministro há treze anos, apareça
agora como uma nomeação política. O que me
interessa mesmo é o paradoxo em que caímos: por um lado queixamo-nos da falta
de qualidade dos políticos e passamos a vida a dizer que há que atrair os
melhores para a política mas o facto de alguém, no caso Álvaro Santos Pereira,
ter tido um cargo político — foi ministro há treze anos — é agora visto como
uma mancha no seu curriculum. Dir-se-á que se fosse socialista o problema não se colocava nos
mesmos termos. Provavelmente não, mas, repito, não é isso que me interessa
agora. O que me parece mais preocupante é a concepção
triunfante da independência não como uma forma séria, rigorosa e livre de estar
mas sim como uma espécie de anti-política. (Deve ser a isto que se chama
populismo, não é?).
POLÍTICA EDUCAÇÃO BANCO DE
PORTUGAL BANCA ECONOMIA
COMENTÁRIOS (de 79)
SDC Cruz: Mário Centeno foi o ministro das activações e das
"contas certas" que conduziram Portugal à cauda da Europa após termos
sido ultrapassados por 6 (!!!) países. Como recompensa pelo seu extraordinário
trabalho nas Finanças, foi nomeado, uma semana depois, Governador do Banco de
Portugal. A sua isenção, como justificava a importância do cargo, foi poucochinha
ou nenhuma, fazendo muito mais política que análises, conjunturais e estruturais,
financeiras e económicas. Como recompensa, esteve quase a ser nomeado primeiro-ministro.
Como recompensa, esteve quase a ser candidato presidencial. E agora, depois de
tudo, queria ser reconduzido? De facto, já não há paciência para esta gente! JOHN
MARTINS: E o que tem o comentariado e jornalato da nossa praça
a dizer sobre: ---Centeno saiu das Finanças e foi para o BdeP. Entrou
na jogatana para substituir Costa, na queda do governo. ---Tentou concorrer às
presidenciais e desistiu. Neste contexto o Governo de Montenegro foi buscar
alguém com larguíssima experiência na OCDE, e suas 38 maiores economias
mundiais, de seu nome: Mister Santos Pereira. Parabéns. Maria
Tubucci: Muito bem Sra. HM. A polémica portuguesa é o modus
operandi da esquerda de fazer política, minar por trás. Só que os tempos
mudaram. Deixaram de dominar todos os canais de comunicação, dominam as TVs que
já ninguém leva a sério e cada polémica que criam e mantêm, é contraproducente.
As pessoas estão tão saturadas que faz o efeito contrário. Repare. No tempo do
Passos Coelho não havia contraditório, um qualquer borra-botas vendia o seu
peixe podre como verdade absoluta, actualmente é escrutinado até à última
virgula nas redes sociais e gozado. Que demente! Dizem as pessoas que os ouvem.
Assim, por cada português que a esquerda anestesia com a sua conversa da treta
acorda 10 portugueses da abstenção. Estes começam a enxergar que a política da
esquerda está a interferir com o seu dia-a-dia, a destruir o seu mundo, têm de
ser detidos, o melhor é começar pelo voto, retirando-lhes o poder... Joao
Cadete: Belo artigo Helena. Espero que ajude a combater o
jornalixo que também está a invadir a redacção do Observador.
Maria Augusta Martins: O PS não passa duma
União Nacional reconstruída com as mesmas manhas e truques que esta herdou do
Partido Democrático (?) do Afonso Costa. Já vai na 4ª geração mas os truques e golpes são
sempre os mesmos e desde que estejam no "poleiro" tudo o que façam e
digam são bandeiras de democracia, Se estiverem na oposição os que governam são
tão somente ditadores. E não saímos disto há cento e tal anos! Manuel
Martins: Em minha opinião, este episódio da escolha do
governador colocou mais uma vez a nu a hipocrisia do PS e da esquerda em geral.
Na questão da independência, o PS só se teria de calar quando nomeou o Centeno,
um caso tão obsceno de promiscuidade, que a lei teve de mudar, e agora não
seria possível. Quanto ao legado, para mim Centeno foi o braço armado da
geringonça na destruição de muitos serviços públicos pelas cativações, e em
minha opinião, tornou-se um "fanfarrão " depois do elogio "de
CR7 das finanças ". Sempre o gostaria de ver ir a votos em qualquer
coisa... João A: O ser a 7ª escolha é
uma tentativa de desprestigiar a pessoa. Nada mudou nos comentadeiros habituais da TV.
Talvez sejam mais cuidadosos, alguns, ao abrirem a boca para ofender as ideias
e os votantes do Chega. De resto, é um suplício ouvir aquelas senhoras
(incluindo RTP3, anda lá uma Susana que dá vómitos, muda-se logo o canal) ou
aqueles acéfalos defensores das esquerdas(?).
Ruço Cascais: Foi à sétima escolha. Já não aguentava mais.
Cinco horas no shopping a acompanhar uma filha para escolher um vestido para um
casamento. O shopping cheio como sempre, um calor insuportável e o AC no mínimo
para poupar energia como habitual. Esse fica-te lindamente dizia eu para ver se a
tortura terminava. Humm, é um bocadinho comprido demais e o amarelo não combina
bem com os sapatos respondia-me a filha enquanto se olhava ao espelho. Vamos
ver noutra loja. Fosga-se, pensava eu em silêncio. Foi na sétima loja quando eu
estava deitado num banco no corredor que ouvi um grito dentro da loja: - é
este! O mesmo aconteceu com Morais Sarmento enquanto
juntamente com Montenegro escolhia o novo governador para o Banco de Portugal.
A Ferreira Leite lembrou-se de repente Morais Sarmento. Não, respondeu o
primeiro ministro, já não tem idade para estas coisas acrescentou. O tipo da
CGD disse o Sarmento. Humm, esse não era mal pensado disse o primeiro ministro,
mas, depois quem íamos arranjar para presidente da CGD? Porra, isto não está
fácil desabafou Sarmento. Ah já sei o melhor nome de todos gritou o Morais
Sarmento enquanto saltava da cadeira para fazer uma dança comemorativa pela
ideia; Passos Coelho, gritou. Fosga-se respondeu imediatamente Montenegro,
queres arranjar lenha para te queimar? Além disso Passos quer estar quieto no
seu canto. Mas olha Sarmento, por falar em Passos lembrei-me de um nome que
pode ser uma boa possibilidade disse o primeiro ministro; a Maria Luís. Não foi
a Maria, foi o Álvaro que é mais independente e tem menos anti-corpos para a
oposição. Foi à sétima que acertaram segundo os registos do apontador que
tomava notas da reunião. Acertar à sétima é um processo ou uma selecção de
escolha. Não é necessariamente o que sobra, muitas vezes é o que fica melhor.
Jorge Tavares: Estes dois pesos e duas medidas do PS servem
mais uma vez para lembrar algo de essencial na política portuguesa: a esquerda joga sujo. Afonso
Soares: Centeno foi o que foi. Melhor ou pior depende do ponto
de vista de cada um. Primeiro herdou um país credível, Herança do PSD, coisa que
o Vitor Gaspar não teve , Herança do PS. Depois foi o rei das cativações.
Depois queria receber a totalidade dos lucros do Banco de Portugal, no que foi
impedido pelo então governador Carlos Costa e foi essa decisão que lhe permitiu
que o Banco de Portugal não apresentasse prejuízos pela primeira vez na sua
História e no mandado deste Cristiano Ronaldo. Agora temos a bronca da nova
sede do Banco de Portugal. Como tivemos tantos sucessos em 40 anos se as
jovens fazem milhares de interrupções de gravidez por ano? Como é que com 40
anos de educação de cidadania os jovens andam em grande quantidade com facas e
navalhas no bolso? Tanto uns como outros aprenderam o quê na dita disciplina de
cidadania? A "progressista" esquerda convive bem com isto?
Ana Bosque: Todas essas questões da opinião pública têm um
denominador comum, são lançadas pelos socialistas. Estes, sem o gamelo do
poder, destroem tudo à sua volta. A solução está nas nossas mãos, ignorá-los,
tal como ignoraram os portugueses quando foram governo. Tim do A: Não se compara o
carácter de Álvaro Santos Pereira com o de Centeno. É como comparar o dia com a
noite. joaquim Duarte: Álvaro Santos Pereira
é um emigrante e como tal a oligarquia odeia emigrantes, esse é que é o grande
problema. Ouvi aqui no Observador o Luís
Aguiar Conraria afirmar que era um individuo medíocre e de baixa estatura
intelectual, claro este esquerdóide nunca foi convidado para ministro nem para
governador daí a inveja, é típico dos tugas. Carlos
Quartel: Centeno representa muito bem a hipocrisia nacional.
Associada a um descaramento sem limites. Vem reclamar contra insinuações de
pouca independência, depois de ter sido ministro do PS, ministro importante na
contenção de despesa, à custa do apodrecimento dos serviços públicos. E depois
de ter sido hipótese de substituição de Costa, depois deste ter abandonado,
salivando com o tacho em Bruxelas. Lata não lhe falta. Quanto ao Álvaro, não tendo
qualificações para o apreciar profissionalmente, devo dizer que deixou uma
imagem de pessoa inteligente, desempoeirada, dialogante, uma imagem positiva,
em resumo. O que basta, num ambiente um pouco cinzento. Português
de bem: segundo as Mulheres Socialistas Mulheres Socialistas?
E se houver um grupo chamado Homens Socialistas, será que alguém os chamará de
machistas misóginos? O que diriam se houvesse um grupo chamado “Homens do
Chega”? teresa
jesus ribeiro de sousa Henriques: Mário Centeno foi um bom ministro das finanças. No
Banco de Portugal já não tenho essa impressão. Álvaro Pereira chocou os
pedantes quando pediu que o tratassem por Álvaro. E demonstrou
independência e honestidade no caso EDP. Oxalá continue. O bom desempenho dele
só nos beneficia. José Lúcio: Lendo os artigos do
Jornal “Público “ sobre a questão da sexualidade nas escolas mais a disciplina
de Cidadania e Desenvolvimento percebo o grau de insanidade a que a esquerda
chegou em Portugal. Chega a ser assustador. Ricardo
Ribeiro: Parabéns cara Helena
Matos, por mais um magnífico artigo! Realmente você mais a Helena Ferro, Ana
Cavalier e Lígia Franco formam, ou formariam ou formavam, um quarteto
imparável! Alberico
Lopes: Este artigo é duma clareza e tão fácil de entender, mesmo
aos moradores do Largo do Rato, bem como aos raimundos e mortáguas! É sempre um
prazer ler o que a Helena Matos escreve! Haverá mesmo alguém que não esteja de
acordo com ela? Eu só tenho a dar-lhe os meus mais sinceros parabéns! Mesmo que
não a considerem "independente"! Carlos Chaves: Cara Helena Matos,
expôs-nos aqui dois “links” um do JN outro do Expresso, mas omitiu o “link” do
Observador que participa na mesma pouca vergonha que aqui denuncia! Foi sem
querer? Ou estamos a assistir a uma pouca vergonha ainda maior? Ricardo
Ribeiro > Vitor Carinha: Assim já seriam um
quarteto... Antonio
Mendes: Oh Helena: pouca atractividade do cargo? A melhor
mordomia que existe em Portugal, ainda-por-cima com pouca responsabilidade que
foi transferida para o BCE e restante sistema. O melhor exemplo da história da
raposa: estão verdes, não prestam… Francisco
Almeida: Como sempre, uma voz de bom senso.
Alexandre Barreira: Pois. Cara Helena, Não se
preocupe. Porque o "chamuças".....vai arranjar. Um
"carrocel" ao...."Centeneiro". Na
"Feira-Popular-da-UE".....! Tim do A
> teresa jesus ribeiro de sousa henriques: Bem aldrabão, como
ministro das finanças. Rosa
Ribeiro > Afonso Soares: A IVG devia ser
precedida de uma consulta psicológica, excepto em casos de violação ou
problemas de saúde para o feto ou para a progenitora. Há quem utilize a IVG
como método anticoncepcional - parece-me inaceitável. Nas aulas de cidadania,
especialmente para os maiores de 10 anos, podia haver um médico que esclarecesse
o desenvolvimento físico, cuidados de higiene e saúde a utilizar e as
precauções para evitar qualquer gravidez indesejável ou doença sexualmente
transmissível Se houvesse mais informação e acompanhamento, talvez houvesse
menos casos de IVG e menor envelhecimento populacional. Haveria mais bebés e o
SNS ficaria menos "atulhado" de IVG permitindo mais disponibilidade
para as parturientes. Espero ter sido clara. Não condeno a IVG mas não aceito a
leviandade com que é feita e, muito menos, quem venha passar férias a Portugal
para o fazer...
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