Portanto.
Devia haver maior frequência de escritos destes, excelentes, sobre a
economia no mundo que nos governa, para sermos, talvez, mais bem governados, em maior conhecimento de causa…
Contra factos não há argumentos. Há
silêncio
A guerra ao Socialismo de Milei é cultural. Economicamente o
Socialismo não tem a mínima hipótese enquanto crença racional.
RICARDO DIAS DE
SOUSA Convidado da Oficina da Liberdade
OBSERVADOR, 04 jul. 2025, 00:1736
É um livro que recomendo vivamente porque o fenómeno é mal compreendido
em Portugal, em grande parte por desconhecimento do que aconteceu na Argentina
no último quarto de século, mas também porque a generalidade dos politólogos,
economistas e comentadores da actualidade em geral, parecem não possuir as
ferramentas conceptuais para perceber o personagem. Colocar
Milei no compartimento da alta-extrema-paleo-ultra direita revela uma preguiça
mental a que, infelizmente, o pós-modernismo já nos habituou.
O pano de fundo é a Argentina, um dos
poucos casos da História contemporânea de um país que foi desenvolvido, um dos
mais ricos do mundo há pouco mais de um século, que caiu na indigência. Como Milei bem explicou, a causa dessa queda foi ter
abraçado as políticas do Socialismo.
Só
por esse motivo, por ter apontado correctamente o motivo do fracasso da
Argentina, Milei começou atacado pela esquerda um pouco por todos os lados. Existe uma certa ironia nisso. Toda a gente sabe que o Socialismo fracassou, até a
esquerda. De tal forma que muito poucos se afirmam socialistas em
público e os políticos do quadrante evitam a palavra. Preferem
substituí-la por eufemismos como “progressista”,
ou “de esquerda” quando se referem à
sua ideologia, ou chamar “justiça social”,
“políticas igualitárias” ou “defesa
das minorias” às políticas socialistas que continuam a implementar. Com a
excepção de Portugal e Espanha onde
continuam a controlar grande parte do aparelho estatal, a palavra “Socialista”
desapareceu das siglas dos partidos do ramo. Mas quando Milei diz algo óbvio, que
o Socialismo destruiu a sociedade e a economia argentina, é logo apelidado de
fascista, como se isso não tivesse acontecido na URSS, na Coreia do Norte ou em
Cuba. Ironicamente, o único país socialista que vai
revelando algum êxito (em grande parte por ter abandonado o Socialismo versão
maoísta) é a China. País que raramente a esquerda progressista utiliza como exemplo a
seguir.
Mas o Socialismo não morreu,
simplesmente mudou de pele como as serpentes. Na
feliz expressão de Hayek, o
Socialismo é um erro intelectual
pelo que, na medida em que esse erro continue a ser cometido,
o Socialismo continuará a prosperar.
Especialmente quando esse erro passa despercebido. Um
dos grandes triunfos da Economia enquanto ciência, foi desmascarar a pretensão
de que o Socialismo era o caminho para uma sociedade mais próspera. Houve um tempo, que a esquerda actual
prefere ignorar, em que os socialistas acreditavam que as economias
socialistas, com o seu planeamento central e propriedade pública dos meios de
produção iam ser mais prósperas que as outras. A famosa frase de Nikita Kruschev ao Ocidente – “vamos
enterrar-vos” – fazia referência a essa crença que, num futuro próximo (duas décadas), a URSS iria
ultrapassar os Estados Unidos em riqueza material. Os socialistas actuais são
mais cautos, prometem uma riqueza materialista sim, mas não material. A riqueza está na construção de uma
sociedade mais justa, mais solidária, mais inclusiva, um discurso que só apela
a quem dá por garantido o acesso a bens e serviços em quantidade e qualidade. O mundo nunca conheceu antes a abundância
actual, abundância essa que não foi conseguida através de políticas económicas
socialistas, pelo contrário. É por isso que a guerra ao Socialismo de Milei é
cultural. Economicamente o Socialismo não tem a mínima hipótese
enquanto crença racional.
No entanto a ciência
económica também está em crise. Esse é um tema que daria para uma tese e não cabe num artigo de jornal.
Mas é suficiente com dizer que, na ânsia de abraçar os métodos das ciências
exactas, a Economia sacrificou a Teoria à Prática sendo que,
sem Teoria, a Prática dificilmente terá utilidade. Concretamente,
para poder medir os fenómenos que tratam, os economistas reduzem a complexidade
qualitativa dos conceitos a grandezas quantitativas que possam medir. Por
exemplo, crescimento económico passa a ser produção nacional, e produção nacional aquilo que o PIB mede. Obviamente
que não há nenhum economista que não saiba que isto é apenas aproximadamente correcto. Mas na
hora de tentar prever o futuro (que
é, no fundo, o motivo pelo qual os economistas se focam em imitar a metodologia
das ciências exactas – prever com rigor) nenhum
economista tenta prever o crescimento económico, mas sim o valor do PIB que
depois é utilizado como sinónimo de crescimento económico. Entenda-se
que, do ponto de vista económico,
dificilmente se vai encontrar um indicador que quantifique melhor essa
realidade para o consenso da profissão, mas isto leva a situações
caricatas, como a de políticos (que
já comandam directa ou indirectamente quase metade das economias ocidentais
apesar de todos sabermos que a economia centralmente planificada fracassou)
tentarem manipular o valor do PIB para as que as regiões que governam
apresentem pequenas variações positivas neste indicador de ano para ano e assim
presumir de êxito económico nas suas políticas.
Fruto
desta forma de pensar, muitos economistas insuspeitos de socialismo apostaram
que as reformas que Milei queria implementar na Argentina iriam provocar uma
grande depressão no país porque eram “regressivas” – leia-se – iriam fazer
contrair o PIB (que, acreditavam, entraria numa espiral deflacionária devido a
algo que aprenderam de Keynes e que nunca fez muito sentido). O tal temor a
“políticas de austeridade” que fez
que muitas economias europeias tivessem perdido a oportunidade de reverter
rapidamente a crise económica há década e meia, mesmo aquelas governadas à direita teoricamente
insuspeitas de socialismo, porque a tal austeridade consistiu
não em reduzir o gasto, mas em reduzir o ritmo do seu aumento. Aumento
esse que, mesmo sendo menor que o originalmente projectado, foi financiado
através do aumento da dívida pública, dos impostos e finalmente da inflação, que é o imposto sobre a insolvência do
Estado e é geralmente pago pelos mais desfavorecidos.
Milei
tinha, neste aspecto, a duvidosa vantagem de a inflação já ser elevada, da
ordem dos 30% mensais, pelo que o primeiro e mais importante passo era
acabar com esse imposto escondido e tão socialmente injusto. Acreditem
ou não, muitos economistas reputados, não necessariamente ligados à
esquerda, previram que a Argentina entraria na tal espiral deflacionária de
crescimento económico, apesar de verem positivamente a redução da mesma. Como seria de esperar, a tal esquerda
progressista celebrou com júbilo os primeiros dados de redução do PIB para
afirmar alto e a bom som que as políticas económicas “ultradireitistas” de
Milei estavam a fracassar. Foi este temor, o temor de ver o PIB reduzir, o que
impediu uma reforma profunda na Europa depois da crise de 2008. Mas Milei, armado com um sólido
conhecimento de Economia, sabia que essa contracção era inevitável. Quando o
Estado desperdiça os recursos dos contribuintes (ou pede emprestado para
desperdiçar esses mesmos recursos) o PIB reage positivamente mesmo quando
aquilo que se está a produzir não crie riqueza, pelo contrário, seja um foco
mais de destruição da mesma. Mas se o parasita que provoca esse aumento no PIB
não for alimentado, esses recursos ficam disponíveis para que os
indivíduos na economia sem planeamento centralizado (leia-se
de livre iniciativa e livre mercado) produzam aqueles bens e
serviços que têm valor e, o que é melhor, criem as condições para um
crescimento aritmético ou mesmo exponencial futuro, coisa que o desvio de recursos constante do parasitismo estatal impede. É
por isso que, a partir de meados de 2024 a economia argentina passou a
registar, não crescimentos do PIB raquíticos da ordem dos 1,5%, mas crescimento
do PIB real de 5,8%, indiciando que o crescimento económico real seja maior, já
que a economia estatal ainda está a ser.
Curiosamente, quando os dados positivos começaram a ser publicados, o PIB
argentino deixou de ser utilizado como argumento que espelhava a política
económica do Milei. O mesmo sucedeu com a redução do indicador de
pobreza de 52% para 31%. De repente, todos aqueles que estavam preocupados com
a pobreza na Argentina (e receitavam mais socialismo para a combater), deixaram
de se alegrar com a redução real da mesma.
Outro
dos argumentos “económicos” arremessados contra Milei, este a propósito dos
bons resultados no combate à inflação, que desceu dos 30% mensais acima
referidos para 1,5% no último indicador publicado no mês passado, foi o de que
o motivo pelo qual os preços deixavam de subir com tanta fúria era a redução brutal do consumo por parte da população, algo que “obrigava” os produtores a
baixar os preços para escoar essa mesma produção. Aqui, dois
tipos de confusão económica foram misturados. Dois
conceitos que os Keynesianos propagaram. Um, mais filosófico, é que consumo é
sinónimo de riqueza, e dois, mais falacioso, que a inflação não é consequência
da política monetária. Começando pelo último, a inflação não desapareceu porque os produtores se
tenham visto obrigados a reduzir preços pela redução do consumo. A inflação
desapareceu porque o governo deixou de alimentar o monstro das bolachas. A
manutenção de superávites fiscais significou que, pela primeira vez em muito
tempo, o governo Argentino começou a
resgatar mais pesos da economia Argentina que aqueles que descarregava.
Isto aumentou a solvência do peso, que deixou de ser um expediente para
saquear a população e em que esta não confiava, para ser um crédito de um
Estado solvente que pode servir como reserva de valor. Voltando ao primeiro
conceito, consumo não é
riqueza, consumo é destruição
de riqueza, já que é impossível comer um bolo e manter esse bolo ao mesmo
tempo. Mas é a utilização da
riqueza para obter um fim que se pretende mais valioso. Por este
motivo, as políticas que estimulam o consumo (ou, como
se costuma dizer, a Procura) não criam riqueza. As necessidades humanas são infinitas,
pelo que só aquelas que podem ser economicamente satisfeitas devem ser
consumidas numa economia sustentável. Só esse consumo não destrói riqueza.
Mas, ainda por cima, é falso que o
consumo se tenha reduzido na Argentina, pelo contrário, o consumo privado
agregado aumentou, em particular o consumo de serviços como o turismo e de bens
duradouros como carros ou electrodomésticos. O único consumo que diminuiu foi o chamado consumo maciço, quer
dizer, o gasto em bens de consumo imediato, indicador ao qual a esquerda
progressista se agarrou como a um prego a arder. No fundo, é mais um indício de que
os argentinos estão paulatinamente a abandonar a economia de subsistência em
que foram submergidos e a satisfazer outro tipo de fins mais refinados. A apreciação do peso, o crescimento dos
salários reais e a descida das taxas de juro que resultaram das políticas
económicas sãs de Milei estão a contribuir para que assim seja.
Os argentinos ainda têm um longo caminho a percorrer, com muitos
altos e baixos, antes de voltarem a ser uma economia desenvolvida. E não existe
nenhuma garantia de que tal venha a suceder se voltarem a escolher o
Socialismo. Mas enquanto o silêncio dos detractores de Milei persistir, sabemos
que os argentinos estão no bom caminho.
OFICINA DA LIBERDADE OPINIÃO OBSERVADOR
COMENTÁRIOS (de 32):
Carlos Chaves: É pena que a Oficina da Liberdade se alie a um grupo
de gangsters da cultura, que é o que é o grupo LeYa! Fecharam praticamente
todas as lojas físicas em Portugal, deixando apenas duas abertas – Lisboa e
Funchal! Esse grupo nunca mais vê um tostão meu! Tenho pena, mas não comprarei
o livro que recomenda, chegarei lá por outros meios Quanto a Milei, e o boicote que lhe é feito em
Portugal (e não só), é revelador de que certamente as suas políticas estarão no
bom caminho, exactamente como escreve no final do seu artigo. Boa sorte,
Argentina, e obrigado caro Ricardo Dias de Sousa por este artigo cinco
estrelas! Antonio Rodrigues: Este artigo devia ser lido e
divulgado por todos os media, e debatido naqueles programas de admiradores de
Varoufakis e afins.
José Paulo Castro: É o silêncio sobre a Argentina
de Milei e o silêncio sobre a corrupção espanhola aqui ao lado. Dois silêncios que gritam sobre a natureza dos media.
Maria Emília Ranhada Santos:
Obrigada pelo
esclarecedor artigo! Muito bom! Pena que seja tão pouco lido! O problema em Portugal, é a
Comunicação Social, todos sabemos disso! Os ataques que as TVs e jornais fazem a André Ventura,
mostram claramente que esta gente está ao serviço da esquerda socialista e não
ao serviço do povo português, como devia ser! André Ventura tem sido um
herói, a enfrentar tantos algozes, tantos "terroristas" comentadores
e mesmo jornalistas! O povo português começa a perceber quem lhe quer bem, e começa a desprezar
o socialismo, para já nem falar de outras esquerdas minoritárias! Graças a Deus que estamos a
acordar para a realidade! Millei está a transformar a Argentina naquilo que ela foi em tempos
áureos, e que está encaminhada para voltar a ser! Parabém grande Millei!
Precisamos de igual em Portugal!
Jorge Espinha Ainda há um enorme caminho a percorrer. Espero que os
Argentinos dêem mais tempo a Milei e não façam o que nós fizemos com PPC Cisca Impllit: O que arde - cura. Adeus socialismo, para nunca
mais
Miguel Oliveira: Excelente artigo.
Jose Ferraz: Parabéns pelo excelente artigo Tim do A:
Mais um óptimo
artigo com o patrocínio da Oficina da Liberdade. Obrigado pela sugestão do
livro. Luis
Mira Coroa: Muito bem Antonio
Bentes > Jorge Espinha: Mas não se esqueça que os
portugueses deram vitória ao PPC em 2015. O Kosta é que armou o golpe de estado
ao montar a geringonça. António Rocha Pinto: Obrigado José B Dias: O aqui cronista parece não
ter percebido que Milei é um nome proscrito e que como o de Voldemort não deve
nunca ser pronunciado ou escrito em órgãos de comunicação nacionais ... Arrisca
processo por "discurso de ódio". Francisco
Almeida: É miserável a cortina de silêncio que a imprensa europeia, não apenas a
portuguesa faz de Milei e dos resultados das suas políticas. Sem a Oficina da
Liberdade não teria lido o discurso de Milei em Davos. E não vi em lado nenhum
o discurso de Milei no passado dia 8 de Junho no encerramento do "Madrid
Economical Forum". Vou pôr o link noutro comentário porque receio que não
passe. Manuel
Dias: Excelente artigo. É triste perceber que os média em Portugal não falem
desta evolução da economia Argentina, nem da desgraça da situação caótica a que
o socialismo espanhol está a conduzir o país
João Diogo: Excelente aula de economia , que devia ser obrigatória ler por todos . GateKeeper: Top 10. Alexandre Barreira:
Pois. Caro Ricardo, Concordo plenamente. E também há um "conceito económico". Que é muito usado no nosso
SNS: " se o trabalho dá saúde....que trabalhem os doentes".....!
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