Os COMENTÁRIOS seguintes à CRÓNICA de JOÃO MARQUES DE ALMEIDA: Parecem excelente análise, a acrescentar à do cronista, sobre uma entidade apalhaçada dos nossos tempos, na sua acção política – ou politiqueira, própria de uma figura masculina que se pretende chamariz da prostração do mundo perante si. Não abrangente do mundo inteiro, todavia, ao que parece.
1ºCOMENTÁRIO: De MANUEL
ALMEIDA GONÇALVES: Irão - Netanyahu, goste-se ou não, fez tudo e Trump, numa verdadeira guerra
do Solnado, veio como é habitual proclamar vitória; Ucrânia - A atitude de
Trump e sua administração é miseravelmente lacaia de Putin e da Rússia -
descortinar nisto algum mérito… Europa - Trump se puder retalha e
enfraquece-nos a todos, como aqui muito bem escreveu AAA; o efeito
positivo da sua intervenção é de pura ironia, do mesmo modo que ele foi
significativo a nível mundial para várias vitórias eleitorais de sinal
contrário às suas intenções - Canadá, Austrália, Alemanha, Roménia ,
Gronelândia,.. Economia - Trump tem um pacote fiscal que vai endividar
brutalmente os EUA, apesar de trazer estímulo económico imediato.
2ºCOMENTÁRIO: De JOÃO
QUEIROZ E LIMA: E no entanto é a ideia de que Trump nos é adverso e nós somos adversos a
Trump, que fez com que acreditássemos que ou subíamos a despesa em defesa ou a
NATO estaria em causa. Ou seja, porque odiamos Trump, é que ele teve sucesso nessa medida. A
questão aqui é então porque o odiamos? Pelas políticas que são contrárias àquilo
em que acreditamos? Porque a forma como executa as políticas não é
convencional? Porque é uma figura odiosa, mentirosa e fascista? Porque nos foi
vendida a narrativa de que é uma figura odiosa, mentirosa e fascista. Odiamos
porque com Trump os americanos fazem o que entendem e têm poder para nos impor
a sua vontade e nós somos incapazes de a combater? Acho que é por tudo isto um
pouco e era importante aprender mais sobre Trump, sobre os americanos e sobre
nós.
ODIAMOS TRUMP, ODIAMOS TRUMP, ODIAMOS TRUMP...
Limitar as discussões sobre Trump a
exprimir ódios e ofensas é uma atitude infantil e inútil. Pior, é uma falta de
respeito pelos consumidores de notícias e de debates de análise política.
JOÃO MARQUES DE ALMEIDA Colunista do
Observador
OBSERVADOR, 03 jul. 2025, 00:2161
O
título descreve como a maioria dos analistas em Portugal analisa o Presidente
americano e a política externa dos EUA. É impressionante. Leio artigos, ouço
comentários e discussões nas televisões, participo em debates, e muitas vezes
faço a mesma pergunta: será que vão passar quatro anos a repetir sempre as
mesmas coisas?
Todas as pessoas que se interessam
pela política e pelas questões internacionais sabem que Trump é mentiroso, que
é inculto, que é ordinário, que é ofensivo, que não mostra um apego firme aos
valores democráticos, que é um oportunista, um demagogo. Toda a gente sabe
isso. O que adianta repetir isso o tempo todo? A maioria dos comentários sobre
Trump parece um disco riscado. Não sai do mesmo tom.
Há duas questões
internacionais em que discordo absolutamente de Trump: na guerra
da Ucrânia e nas tarifas comerciais. Mas a minha opinião é secundária. Já o
disse uma ou duas vezes, não vou continuar a repetir-me cada vez que falo
desses temas. O que me interessa é procurar entender as razões que levam
Trump a defender essas posições. No caso da Ucrânia, parece-me que há
três razões. A primeira é claramente pessoal. Não esquece que Zelensky era um
aliado de Biden, e os seus instintos são básicos: os aliados dos meus
adversários também são meus adversários. Mas, com o tempo, este lado pessoal
começa a desaparecer. Veja-se a diferença entre o primeiro encontro na Casa
Branca e a última conversa na Cimeira da NATO. As relações entre Trump e
Zelensky melhoraram claramente.
A
segunda razão também segue instintos políticos simples: Trump
quer ajudar a fazer a paz na Ucrânia, e considera que a maneira mais fácil e
rápida será colocar-se ao lado do mais forte, e pressionar o mais fraco. Até
agora, não resultou, o que mostra que os instintos de Trump nem sempre estão
certos. Mas não está a funcionar sobretudo porque Putin quer ir sempre mais
longe e ainda não aproveitou a ajuda de Trump. Por outro lado, o pragmatismo de
Zelensky tem sido extraordinário, e ainda pode conseguir colocar Trump do seu
lado. O modo como Zelensky tem aguentado as humilhações públicas e o enorme
desgaste a que está sujeito é notável.
A
terceira razão é um pouco
mais sofisticada. Trump acredita que consegue separar a Rússia da China. Sou
muito céptico em relação a isso, a coligação entre Putin e Xi é profunda. Mas,
diplomaticamente, faz sentido. Kissinger fez o mesmo nos anos de 1970, e
conseguiu dividir a União Soviética da China.
No caso das tarifas comerciais, Trump segue uma agenda proteccionista. Eu
tenho uma posição muito mais liberal (no sentido clássico) em relação ao
comércio global, mas sei muito bem que Trump está longe de ser o único líder
proteccionista. Nem vale a
pena recuar ao passado, a China tem uma política altamente proteccionista. Nas
potências emergentes, a Índia é proteccionista, tal como o Brasil de Lula
(muito proteccionista mesmo).
A própria União Europeia e os países
europeus, que defendem por princípio o comércio livre, não se livram de
posições proteccionistas. O proteccionismo defensivo contra as políticas
industriais da China faz sentido, mas o mais grave é o proteccionismo
regulatório no interior da União Europeia cheia de obstáculos ao aprofundamento
do mercado único.
Mas os militantes do ódio ao Trump
também não conseguem, obviamente, reconhecer os sucessos diplomáticos de Trump. Na semana passada, teve sucesso na
Cimeira da NATO, e conseguiu que os países europeus começassem a levar a sério
o investimento na defesa. Desde
Clinton que os Presidentes americanos dizem aos europeus que precisam de
investir mais na defesa, mas foi Trump que conseguiu mudar a situação na Europa.
No Irão, com o ataque militar preventivo às instalações nucleares
(um único ataque sem vítimas civis), Trump conseguiu acabar com a guerra dos 12
dias entre Israel e o Irão. Uma
guerra que segundo muitos poderia levar a um conflito regional. Mais uma vez,
Trump não fez nada de novo. Em Dezembro de 1998, Clinton ordenou ataques
militares preventivos contra o programa nuclear do Iraque.
Neste momento, Trump está a discutir
um cessar-fogo em Gaza, um acordo de paz entre a Síria e Israel, e um acordo
diplomático entre a Arábia Saudita e Israel. É prematuro afirmar que Trump terá sucesso no Médio Oriente. Muitos
tentaram e poucos conseguiram (curiosamente, também foi Clinton
o último Presidente americanos que alcançou sucessos diplomáticos na região). Mas, não é de excluir que Trump consiga acordos de paz
no Médio Oriente.
Limitar as discussões sobre Trump a
exprimir ódios e ofensas é uma atitude infantil e inútil. Pior, é uma falta de respeito pelos
consumidores de notícias e de debates de análise política. Os
analistas são pagos para prestar o melhor serviço possível. A exibição de
estados de alma e de emoções não é uma atitude profissional.
PRESIDENTE
TRUMP ESTADOS
UNIDOS DA AMÉRICA AMÉRICA MUNDO COMENTÁRIOS
(de 51)
D S:Odiamos Trump mas louvamos e bajulamos António Costa,
esse político inteligentíssimo criador de pontes... Chega a ser penoso ver o
ridículo a que esses comentadores se prestam nas televisões e restante
comunicação social. manuel
menezes: Tem o JMA imensa razão neste seu artigo e eu aproveito para realçar a
mediocridade da maioria dos analistas, comentadores e articulistas, que
aproveitam a sua posição, para emitir as suas opiniões preconceituosas e sem
isenção. Carlos
Chaves: Caro João Marques de Almeida, obrigado por mais esta excelente análise a
fazer jus à sua “imagem de marca”! “Limitar as discussões sobre Trump a exprimir ódios e
ofensas é uma atitude infantil e inútil.” Pois é, mas é assim a esmagadora maioria da nossa
comunicação social, ou seja, receio que esteja a prègar no deserto. Albino
Mendes: Enquanto vamos odiando Trump, e profetizando essa
"obrigatoriedade", vamos ficando mais para trás na economia, na
finança, na tecnologia, etc, etc. Francisco
Ornelas: Fala-se de Trump, para não falar de coisas realmente importantes, pois se
há coisa com que ele anda preocupado é com a opinião dos ilustres comentadores
deste jardim à beira-mar plantado. Americo
Magalhaes: Caro JMA subscrevo totalmente, partilho exactamente da mesma opinião.
É um prazer ler as suas crónicas sempre bem
fundamentadas e pragmáticas. Os auto-intitulados "comentadores e
analistas" demonstram apenas os seus estados de alma do ódio, perseguindo
quem pensa e se exprime diversamente . São os Trotskistas da actualidade,
revelando toda a sua mediocridade e baixo QI. Não têm a mínima noção do ridículo
........aqui na minha região do Porto são o alvo da chacota diária. Mas pior,
especialmente a Sic e a Tvi , têm uma agenda descarada do ódio e Perseguição,
com continuas distorções da realidade e da informação. Mete dó ver o ridículo
que fazem os pivots destas 2 cadeias de Tv........e julgam-se umas sumidades. Pedro
Correia: Muito bem. Mas afinal não é isso que se passa em Portugal com o CHEGA? Não
é o dizer mal só por dizer?! Como estória agora da imigração e dizerem que o
governo esvaziou o CHEGA com as novas leis que quer fazer aprovar. O grosso das
ideias não vem do CHEGA? Se o CHEGA não tivesse trazido o tema para a ribalta,
o PS2 ou o PS iriam falar no assunto? O discurso de ódio tão falado pela grande
parte dos comentadeiros, é o mesmo que é lançado por essas mesmas pessoas de
esquerda na direcção do CHEGA. Quando se vêem comentadeiros a pedir a extinção
do CHEGA, só porque não gostam, isto é o quê?! As televisões estão infestadas
de comentadeiros e opinadeiros de extrema-esquerda, quando temos um país virado
à direita. Há mais comentadeiros da esquerda nas tvs todas, do que deputados.
Faz sentido?! GateKeeper: Top 20. Tomazz
Man: Enviar a um tal Jonet.
mjoao pgomes: O bom de Trump é podermos
odiá-lo à vontade. Com a geringonça ninguém ousava discordar. Era logo
apelidado de fascista, fóbico... Enfim a nova inquisição. Luis
Santos: Atrevo-me a dizer que a SIC e o universo imprensa está na bancarrota em
parte devido à actuação sistemática desses comentadores, a maioria dos
espectadores deixaram de os seguir . Ruço
Cascais: É difícil não odiar Trump. Até o seu BFF mais recente também o começou a
odiar. Falo de Elon Musk, o qual, Trump, a brincar ou a sério, vê a possibilidade
de expulsar do país. Na Guerra da Ucrânia ou está do lado russo e defende que o
território da Ucrânia é russo, ou defende que a Ucrânia é um Estado soberano
que foi invadido pelo vizinho. A posição de Trump não devia estar relacionada
com a posição de Biden. Em Gaza é preciso recordar a ideia do Resort em Gaza.
Trump viu ali um excelente negócio. Não podemos esquecer que Trump é um magnata
e que o negócio lhe corre nas veias. Não será a presidência que impedirá Trump
de expandir os seus negócios, pelo contrário. A filha e o genro ganharam um
concurso milionário para a exploração de uma ilha albanesa. Trump interferiu? É
possível. Trump define as amizades por bons negócios ou pelo carácter
absolutista do interlocutor. Não é segredo que Trump nutre uma admiração por
ditadores. Quanto ao investimento na NATO, este não é imediato, é faseado.
Trump já não será o presidente quando as percentagens de investimento na Defesa
começarem a incomodar. A UE deu uma vitória a Trump antecipada. Ele ficou feliz
e a Europa ganha tempo. No Irão não se sabe ao certo se o ataque
norte-americano atingiu os objectivos pretendidos. Não obstante, o ataque
significou que a Administração de Trump estava convencida sobre os avanços dos
iranianos no enriquecimento do Urânio, todavia, tiveram que ser os israelitas a
atacarem o Irão, os USA ficaram na retranca. Há também uma notável cobardia em
Trump que se esconde por detrás de pazes podres. Finalmente o trato. A forma de
Trump tratar os seus adversários políticos ou simplesmente alguém que não concorde
com ele é de uma tremenda falta de educação e de uma arrogância doentia. Há
muitas formas de alguém mostrar o desagrado com uma pessoa, Trump faz o da forma
mais burgesso que existe. Odiar Trump é muito fácil. João
Diogo: Excelente crónica, como é timbre de um dos melhores cronistas do Observador.,
não gosta de Trump, mas não é antiamericano e antissemita, como a maioria dos
cronistas desta praça. Vitor
Batista > Pedra Nussapato: O culto da ignorância existe
em todas as sociedades.
Maria João Pestana: Excelente comentário. Não podia estar mais de acordo
com o João Marques. Infelizmente acredito mesmo que iremos passar 4 anos a ouvir
falar do mesmo porque é muito fácil uma vez que Trump tem um enorme potencial
de arrogância, estupidez e falta total de educação, o que tudo junto se torna
inspirador para quem quiser explorar. Não merecemos isto dos jornalistas Até aí
nós chegamos sem ajuda. Gostaríamos de saber o que realmente se passa de
importante, quem é o democrata que poderá ser a alternativa e que não sei se
será melhor, o que Trump terá feito de positivo que também existe…tanta coisa
diferente da que já conhecemos…. Redes de pedofilia o que se está a fazer ou a
deixar de fazer par combater essa escravatura pior do que aquela que tanto
gostam de apontar aos portugueses. Investiguem digam ao mundo! Manuel
Almeida Gonçalves: Irão - Netanyahu, goste-se ou não, fez tudo e Trump, numa verdadeira guerra
do Solnado, veio como é habitual proclamar vitória; Ucrânia - A atitude de
Trump e sua administração é miseravelmente lacaia de Putin e da Rússia -
descortinar nisto algum mérito… Europa - Trump se puder retalha e
enfraquece-nos a todos, como aqui muito bem escreveu AAA; o efeito
positivo da sua intervenção é de pura ironia, do mesmo modo que ele foi
significativo a nível mundial para várias vitórias eleitorais de sinal
contrário às suas intenções - Canadá, Austrália, Alemanha, Roménia ,
Gronelândia,.. Economia - Trump tem um pacote fiscal que vai endividar
brutalmente os EUA, apesar de trazer estímulo económico imediato. Jose
Costa: Muito bom artigo. Pena é que a comunicação social nos tenha habituado a ser
um eco das convicções pessoais de cada um e não uma análise dos factos João Queiroz e Lima: E no entanto é a ideia de que
Trump nos é adverso e nós somos adversos a Trump, que fez com que
acreditássemos que ou subíamos a despesa em defesa ou a NATO estaria em causa. Ou seja, porque odiamos
Trump, é que ele teve sucesso nessa medida. A questão aqui é então porque o
odiamos? Pelas políticas que são contrárias àquilo em que acreditamos? Porque a
forma como executa as políticas não é convencional? Porque é uma figura odiosa,
mentirosa e fascista? Porque nos foi vendida a narrativa de que é uma figura
odiosa, mentirosa e fascista. Odiamos porque com Trump os americanos fazem o
que entendem e têm poder para nos impor a sua vontade e nós somos incapazes de
a combater? Acho que é por tudo isto um pouco e era importante aprender mais
sobre Trump, sobre os americanos e sobre nós.
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