sábado, 5 de julho de 2025

Consciência


Finalmente?

Recordo os livros que fui escrevendo e publicando, a dar conta disso de que se trata aqui, relativamente a nós, não aos espanhóis, claro, livros de humor e zanga, que um dia julgo que contarão, no palco literário, como testemunho de uma voz acusadora, dentre as vozes sofredoras de tantos. Mas lamento não poder ter acesso a isso, n' «o resto é silêncio» do implacável padrão hamletiano.

A decadência da esquerda explicada em espanhol

Sanchéz é a cabeça cínica de uma pequena clique de corruptos. Mas mesmo depois de todas as revelações, continua a ter o PSOE na mão, mais as restantes esquerdas e os nacionalismos periféricos.

RUI RAMOS, colunista do OBSERVADOR

OBSERVADOR, 04 jul. 2025, 00:2381

Durante este século, até 2025, os partidos da esquerda portuguesa valeram, em conjunto, entre 59% do voto (em 2005) e 41% (em 2011). Por que caminhos é que, este ano, desceram para 31,8%? Um desses caminhos chama-se, por exemplo, José Sócrates, se por esse nome designarmos o sistema de poder que, nos últimos 20 anos, nos deu o escândalo da corrupção e o choque da bancarrota. O outro caminho chama-se António Costa, a quem o país deve a mais brusca e inesperada revolução social desde a década de 1960, com a decisão de abolir qualquer controle efectivo da imigração em 2017.

É verdade que os eleitores portugueses não reagiram logo. Mas quando, em 2023, a polícia encontrou 75 mil euros nas estantes do chefe de gabinete de Costa, lembraram-se das acusações a José Sócrates, e quando, em 2025, até Pedro Nuno Santos deixou de poder continuar a ignorar o caos migratório, repararam na irresponsabilidade de António Costa. O resultado, nas eleições deste ano, foi o PS passar a terceiro partido e a esquerda à sua expressão mais singela em 50 anos.

Nada disto aconteceu por acaso. A esquerda nunca recuperou ideologicamente do descrédito do socialismo nos anos 1980. Compensou esse vazio mental desenvolvendo uma implacável técnica de poder, assente na ocupação do Estado, na dependência do eleitorado, e numa agressiva e torpe polarização política contra direitas que sempre tratou como “fascistas”. O que sucedeu foi que esta técnica de poder, que em certos anos entregou à esquerda a maioria dos governos ocidentais, era insustentável. Na Europa, gerou uma estagnação económica, mal contrabalançada por défices e dívidas.

No país ao lado, passa dobrado em espanhol o filme que já conhecemos de cá. O líder socialista Pedro Sánchez, como António Costa em 2015, esteve para sair de jogo. Acachapou-se no governo, com menos votos do que o PP desde 2023, à custa de uma geringonça monstruosa, amarrando a si tudo o que é esquerda e mais os nacionalismos periféricos, incluindo os inclinados à ilegalidade e ao terrorismo. No palco, Sánchez faz de Pasionaria woke contra a “direita”. Por detrás da cortina, como sabemos agora, os seus apaniguados saqueavam o Estado com a grosseria de delinquentes endurecidos.

Sánchez estava rodeado de gente que explorava os recursos públicos em benefício pessoal. Mas mesmo depois de todas as revelações, continua a ter na mão o PSOE, as restantes esquerdas e os pequenos nacionalismos. Por mais que se digam “incomodados”, não o abandonam, aterrorizados com a perspectiva de eleições. Depois de Sanchéz, sabem que será o dilúvio. Até lá, aproveitam para lhe arrancar mais “contrapartidas”.

Poderá argumentar-se que as direitas também tiveram os seus abusos de poder, como o PP em Espanha, ou os seus desvarios migratórios, como Angela Merkel na Alemanha. Mas à direita, foram expedientes. À esquerda, são ideologia. Daí que a esquerda não consiga emendar erros nem renegar delinquências. Identificou o “progressismo” com o culto de um Estado omnipotente e woke, encarregado de destruir todas as tradições e todos os laços sociais que não consistam em dependência do Estado. Por isso, para a esquerda, o Estado está sempre certo, mesmo quando a sua expansão serve a malfeitores para enriquecer pessoalmente; e a nação é sempre um “crime” patriarcal e racista a expiar e a abolir, mesmo que, num mundo em mudança, seja uma das últimas âncoras de coesão e segurança da sociedade.

As esquerdas, que no século XIX foram o anti-poder, não têm agora defesas perante o poder e aqueles que dele abusam. Já nem o instinto de sobrevivência funciona para as fazer fugir do barco. A esquerda espanhola há-de chegar onde a portuguesa já chegou.

DEMOCRACIA      SOCIEDADE      PEDRO SÁNCHEZ      ESPANHA      EUROPA       MUNDO      JOSÉ SÓCRATES      POLÍTICA      ANTÓNIO COSTA

COMENTÁRIOS (DE 81)

Silva: SOCIALISMO: O DENOMINADOR CORRUPTIVO DA ESQUERDA O que se está a passar em Espanha é o escândalo do século, como o foi em Portugal a governação corrupta e de bancarrota de Sócrates cujo julgamento e condenação aguardamos. Primeiro com a constituição de um governo feito com o apoio parlamentar de partidos terroristas, depois o ultraje da lei da amnistia que o próprio Filipe Gonzalez, o pai do PSOE moderno, veio denunciar, e agora com a revelação do manto de corrupção com que o PSOE condicionou na última década a democracia espanhola. Em Espanha, tal como em Portugal os media no tempo de governação de Sócrates ou de Costa, recusam-se a dar a cobertura jornalística a esta cascata de eventos políticos como dariam caso estes tivessem sido feitos à direita. Mas uma verdade não conseguem esconder mais: em comum, Portugal e Espanha têm hoje o mesmo denominador político de corrupção: o socialismo.        António Lamas: Acompanho desde há muito tempo o que se se passa em Espanha, e que toda a comunicação social portuguesa tem ignorado, incluindo o Observador. Valha um historiador para contar esta "estória" inacreditável num país democrático. Sanchez é uma mistura de Costa e Sócrates. Um indivíduo execrável e rodeado por gente execrável.            Maria Tubucci: Está excelente Sr. RR, mas será mesmo a decadência da esquerda ou será a sua verdadeira face? A esquerda manipula o povo para atingir o poder, fingindo que vai resolver os seus problemas, mas quando atinge o poder vai cravar as presas no pescoço do povo e alimentar-se do seu sangue, isto é o socialismo. Por exemplo, o direito à greve é sagrado para o socialismo. Numa empresa privada a greve vai prejudicar o patrão, numa empresa pública a greve só vai prejudicar o povo, por exemplo, num dia de greve nos transportes público é o povo quem fica apeado. À volta do Sanchéz é um lamaçal, mas ele está no meio vestido de branco e puro! O Sanchéz não cai porque todos comem na mesma gamela, socialistas e radicais numa simbiose perfeita, a corrupção alimenta todos. Se o governo cair todos podem morrer à fome, daí o grande medo das eleições. Assim, Sanchéz utiliza o estado de direito em proveito próprio, tal como Sócrates já havia feito. Para isso vai colonizando o estado a seu favor, colocando os seus peões, para de modo “legal” colher benefícios económicos pessoais. O Costa que lhe ensinou o ofício é mais maligno, o seu dono ordenou-lhe que escancarasse as fronteiras de Portugal, deixando entrar todos os nómadas do mundo, sem selecção nem controlo, para isso foi comprado com um valente prato de ração, ai perdão, um tacho dourado na Europa. Outra forma de “corrupção”, de enriquecer à vista de todos, tem benefícios económicos pessoais à custa da traição à identidade portuguesa, uma bancarrota pode ser revertida uma alteração na identidade nacional não. Ao fim de 50 anos de socialismo e de socialismo envergonhado, o povo está cansado, a nação está cada vez mais pobre, mais velha e mais endividada, ou seja, o socialismo nada mais tem para oferecer. Por isso o socialismo está a desaparecer e tem de ser extinto, caso contrário, seremos nós a ser extintos. A verdadeira face do socialismo é a corrupção e a sua traição ao povo. “A esquerda espanhola há-de chegar onde a portuguesa já chegou”, porque nós somos em menor número logo o “fenómeno” é mais rápido e mais intenso, como tal, os eleitores portugueses começaram a abrir a pestana...                       Rui Lima: A esquerda domina a imprensa das agências, jornais e TV … o jornal de referência que era o Expresso foi captado pelo mundo woke as suas folhas de papel estão ao serviço das causas que vão condenar portugueses a ser minoria na sua terra. Engana hoje quando dando números de 2023 e dos últimos 6 anos quanto a nacionalidade, os números que serão brutais serão dos próximos 6 anos suficientes para alterar por completo o corpo eleitoral do país é com isso que a esquerda conta para voltar ao poder e isto é verdade para toda a Europa, não deve ser português quem o quer mas quem o merece .                        SDC Cruz: O socialismo alimenta-se do Estado. Nunca produziu riqueza. Os países governados por essa ideologia só empobreceram. Portugal, nos governos de Costa, foi ultrapassado por 6 países da Europa, tornando-se a cauda da Europa. Isto são factos! Felizmente que Portugal está a ganhar juízo. Só quando essa corja da esquerdalha for varrida do parlamento ou reduzir-se à sua insignificância é que ficaremos a salvo de tonteiras.                   Aríete: Triste, triste é não haver na nossa comunicação social uma notícia sobre o que se tem passado em Espanha. E temos nós meia dúzia de canais de notícias 24 horas. Para quê?                      Filipe Paes de Vasconcellos: A esquerda e o socialismo que dizem existir para o bem do povo faz-me lembrar o Hamas a defender os palestinianos. Rebentam com os povos que dizem defender única e exclusivamente por questões ideológicas. A esquerda é um susto.        Eduardo Cunha: Excelente crónica. Parabéns.          Antonio Torres: Certeiro e objectivo como sempre, é um prazer ler as crónicas de RR. É repugnante o que se passa em Espanha, Sanchez devia sentar-se na mesma cadeira de Sócrates, quem sabe, um dia. A justiça pode tardar, mas há-de ser feita                    Maria Emília Ranhada Santos: O socialismo consegue ser pior do que o comunismo, porque este já todos sabemos o que é, mas o socialismo tenta enganar, convencendo os mais incautos de que deseja o bem da sociedade, mas na realidade, são como abutres sem coração, que se vendem aos lobbies poderosos e vendem o povo e a própria Nação, no nosso caso Portugal! Mas, se deus quiser, o seu reinado está-se a acabar!                   José Nicolau: Por acaso em Portugal, o socialismo e a extrema-esquerda ainda estão condenadas a mais definhamento.          Vitor Batista: Estou um pouco admirado com a cegueira momentânea de nuestros hermanos, eles que são expeditos em sair à rua, mas quando isso acontecer Sanchez vai abanar, e penso que politicamente vai morrer, porque o escândalo pelos vistos é do tamanho da Espanha.        Bailaruco Madeira: Também em Espanha a Esquerda Radical Corrupta tem que ser totalmente Derrotada e Destroçada. O PSOE tem que desaparecer da cena politica. Já faltou mais para isso acontecer.       Ruço Cascais: Uma vez alguém me disse que os espanhóis são os chineses da Europa. Tenho verificado e confirmado a verdade desta afirmação. São fabricantes mas também bons comerciantes. Em materiais de construção civil não nos dão a mínima hipótese. Além dos melhores preços são muito mais eficazes e expeditos às solicitações. Mas não é somente na construção civil, é em tudo. São muito mais empreendedores do que os portugueses, arrisco dizer, mesmo com a sesta depois do almoço, os espanhóis são mais produtivos (gostam mais de trabalhar) do que os portugueses. Somos ibéricos, somos todos iguais. Não, não é bem assim. Os socialistas em Portugal desenvolveram a Grande Preguiça, um sentimento nacional que não nos dá vontade de trabalhar. Trabalho é sacrifício, e só trabalhamos para não morrermos de fome e podermos ter um carrinho. Se nos saísse a Sorte Grande a primeira coisa que a maioria dos portugueses faria era deixar de trabalhar. Os espanhóis não parecem padecer deste nosso mal nacional. Eis que surge então a grande questão: então como é que caíram na armadilha socialista? A resposta está nos líderes socialistas anteriores. Filipe Gonzalez e José Luís Zapatero foram incomparavelmente melhores que António Guterres e José Sócrates. O eleitorado espanhol tem mais dificuldade em desistir dos socialistas. A aproximação só aconteceu com as lideranças de António Costa e Pedro Sanchez. A Antônio Costa não bastou estragar uma casa, foi também arruinar a casa do nosso vizinho espanhol. Pedro Sanchez, uma figura menor do socialismo espanhol viu em Costa uma inspiração. Este não perdeu tempo e foi explicar a Sanchez como rebentar com o país. Temos assim um culpado para a desgraça espanhola, e, esse culpado não sou eu nem o João Floriano e muito menos o Vítor Batista ou mesmo o Pedra Nussapato, esse culpado foi Antônio Costa.             mais um: Em Portugal os eleitores levaram 50 anos para acordar.                 Maria Cordes: Espanha bateu no fundo, com o silêncio ensurdecedor da comunicação social, que já não disfarça, só que o nível de boa vida deles deve ser o dobro do nosso. Ao pé deles, somos mendigos, quando nos anos 70, do séc passado, eram os espanhóis, os andrajosos, o nosso poder de compra era incomparavelmente melhor. A esquerda woke, o PS, pode reclamar para si, a destruição do nivel de vida do país. Basta andar por aí,  e os alarmes contra a direita fascista, já não convencem ninguém, verdade Sr.Assis. A âncora da prosperidade, que arregala, está no "pó", em roda livre, sem que ninguém investigue a proveniência, explicada por factos estapafúrdios, e na corrupção à moda da Calábria. Orações pela juíza Suana.                      João Diogo: Excelente crónica, lá como cá o socialismo é sinónimo de pobreza.                 Komorebi Hi: Finalmente um artigo sobre a desgraçada situação de Espanha e em como o PSOE, os comunistas woke e os independentistas da Catalunha e País Vasco, se lhe aliaram, numa Geringonça à Costa para repartir, saquear e destruir o Estado espanhol. Apenas através das redes sociais é possível perceber o que se passa em Espanha! Haverá grande diferença entre estes tempos e o tempo da Republica de Azaña, antes da guerra civil? São tantas as situações de corrupção e de benefício pessoal e familiar que não estranha a protecção dos media socialistas que são quase todos, lá como cá, e também beneficiários dessa mesma corrupção de Estado que os sustentam, afinal sabem que se não recebem do Estado fecham porque há muito estão falidos.                     Joaquim Silva: Sanchez e Costa são o exemplo duma ralé de políticos sem escrúpulos, que se apoderam dos cargos e sentem  aquilo como seu e não do povo se existe gente fraca neste mundo esses dois fazem parte              Manuel Lisboa: Hoje, trata-se, sobretudo, de um desabafo. Só espero que a esquerda e a extrema-esquerda se enterrem ainda mais. Hoje em dia, representam o que há de mais retrógrado nas sociedades europeias. Pior, como Rui Ramos sublinha, adoptaram ideias distorcidas, embrutecidas e de indubitável fealdade contrárias à natureza e à humanidade. Permitiram ainda acesso sub-reptício de minorias fanáticas a escolas e a meios de informação, cujos porta-vozes já mostraram que pretendem apenas fama e dinheiro. As esquerdas no geral e, em especial, o partido socialista português apenas contribuíram para o proliferar dessas tristes minorias, deixando mesmo algumas das suas mais descaradas e caricatas personagens integrar os respectivos partidos por mero oportunismo eleitoral. Aliás e por causa dessa traição ideológica os fundadores dos socialismos europeus devem-se estar a revolver nas tumbas.           Carlos Chaves: Caro Rui Ramos, perfeita e oportuna análise, e sim, acho que ainda vai ser pior em Espanha do aqui, a arrogante e corrupta esquerda vai dar um trambolhão monumental! Estranho, contudo, a sua contenção quanto à AD e quanto a Luís Montenegro, passou-se alguma coisa?    

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