quarta-feira, 2 de julho de 2025

«Vem sentar-te, Lídia»

 

“À beira do rio”. Sim, “enlacemos as mãos”.

É o que nos dá no goto, a aventura da Lídia pessoana, ainda que heteronímica, mais do que o discurso condenatório do racismo português que a Lídia de todos nós – Jorge por acumulação – entendeu por bem lançar-nos em rosto - maneira clássica de expormos virtude pessoal, pela condenação exibicionista do pecado alheio. Não é minha intenção negar ou justificar a acusação, Fê-lo JOSÉ RIBEIRO E CASTRO superiormente demonstrativo. Só me parece pedante a aliança “raça” / “escravatura”, esta condenatória da primeira, por fervor virtuoso, de bons que somos.

O tropeção do 10 de Junho na escravatura

Não foi Lídia Jorge a pôr termo à escravatura, nem os militantes do oportunismo tardio, nem os wokistas de pacotilha. Foram o Marquês de Sá Bandeira e outros da sua têmpera que o fizeram.

JOSÉ RIBEIRO E CASTRO Advogado e cidadão

OBSERVADOR, 01 jul. 2025, 00:1646

O discurso da escritora Lídia Jorge nas cerimónias oficiais do 10 de Junho, em Lagos, suscitou muitas críticas de vários sectores sociais e políticos. Também elogios. É um discurso que dividiu. E a polémica ressoou na comunicação social e sobretudo pelas redes sociais, ampliando o eco das palavras da conselheira de Estado e presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do 10 de Junho.

Não podiam deixar de ser reacções esperadas à abordagem que fez de um tema muito manipulado: a escravatura. Percebe-se bem ao reler o discurso. Ou seja, o discurso de Lídia Jorge não representou um consenso nacional, nem era isso que pretendia; foi escrito e lido para agitar as águas, e era isso que pretendia.

Das críticas que se manifestaram, escolho dois artigos de João Pedro Marques com que inteiramente me identifico:Considerações sobre um discurso de Lídia Jorge” (Observador, 11-junho-2025) e “Os três erros de Lídia Jorge” (Observador, 18-junho-2025). Remeto o leitor, em geral, para estes textos. São reflexões muito acertadas e rigorosas, equilibradas e certeiras, vindas de um autor que é uma autoridade na matéria – um dos nossos especialistas, muito conhecedor –, que, pelo menos desde 2017, mantém atenta intervenção pública, respondendo de modo sempre oportuno, muitas vezes sozinho, às mentiras, falsidades e manipulações que o wokismo vai semeando e propalando. Mais uma vez o fez aqui. E tem publicado vários livros (alguns, coligindo as suas crónicas; outro, textos originais), que constituem preciosa ferramenta e património precioso para fazermos a travessia destes tempos difíceis.  Graças a João Pedro Marques, só nos deixamos enganar se quisermos. A verdade nunca prescreve.

Lídia Jorge começa com um discurso bem escrito e bem construído, à altura do seu talento. É assim até, já perto do final, aterrar no ponto desastrado que seria o seu propósito: conotar os Descobrimentos com a escravatura, manchá-los, amolgar o prestígio de grandes figuras portuguesas (como o Infante), alardear superioridade moral sobre os portugueses de antanho, ignorar por inteiro o tempo histórico, para servir levianamente a exibição da vergonha e da condenação fora de tempo. Em resumo, a derrapagem woke, embora suavizada aqui ou ali.

Isto não se faz, sobretudo num 10 de Junho.

Se entidades oficiais querem reflectir sobre o tema da escravatura (ou similares), podem fazê-lo em qualquer ocasião que não o 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas (ou similar). Podem até fazê-lo, escolhendo um momento ad hoc e sem limites ou constrangimentos de oportunidade. Fazer como foi feito, é inteiramente fora de propósito e só serve para alimentar estratégias de enxovalho.

Se a escravatura ainda existisse até aos nossos dias, podia-se compreender que o 10 de Junho fosse uma data possível para decretar, enfim, a sua abolição e redefinir a comunidade dos portugueses em base totalmente nova. Fazê-lo agora vem com enorme atraso: 250 anos de atraso, se levarmos em conta as primeiras medidas de abolição, no reinado de D. José, no século XVIII; 150 anos de atraso, se tomarmos como referência as últimas medidas impulsionadas pelo Marquês de Sá da Bandeira, no final do século XIX.

É, aliás, chocante que o discurso de Lídia Jorge ignore por inteiro a figura do Marquês de Sá Bandeira, esse grande português, político de grande dimensão, que, ao longo de décadas, contra tudo e contra todos, dedicou a sua vida pública à causa da abolição total da escravatura e do seu tráfico e a cuja porfia exemplar devemos a sua concretização.

Não, não foi Lídia Jorge a pôr termo à escravatura. Não, não foram os pequenos políticos de hoje, militantes do oportunismo tardio e da falsa compaixão que terminaram com a escravatura. Não, não foram os vários wokistas de pacotilha que enxameiam alguns meios intelectuais, que acabaram com a escravatura. Foram o Marquês de Sá Bandeira e outros da sua têmpera que o fizeram, no seu tempo, enfrentando e vencendo as resistências e dificuldades e afirmando uma liderança moral que merece ser exaltada.

A realidade da escravatura é de uma dureza brutal que nos interpela, é verdade. Chega a níveis e a graus que escandalizam, é verdade. Há relatos do trabalho escravo em minas, na Antiguidade Clássica, que arrepiam e revoltam, é verdade. Mas tinha sido sempre assim. A escravatura era um dado de facto das sociedades antigas, cenário comum da organização social e da economia. Havia alguns de nós que caíam fora da humanidade e eram vistos como meras coisas, desprovidos de direitos e de personalidade jurídica (ou o conceito equivalente). Não conheço sociedade de então que os não tivesse.

Houve povos e nações com mais escravos e outros com menos, houve épocas de mais escravatura e outras de menos – mas houvera-a sempre e por todo o lado. Os escravos eram frequentemente cativos de guerras e confrontos, mas também capturados directamente para o seu comércio. Nada disto desculpa, mas contextualiza.

Ninguém pode dizer que está isento de falta, nem de culpa – até ao tempo da abolição, no século XIX, em todos os países ocidentais e seus domínios, e meados do século XX, nomeadamente em países árabes mais renitentes. Isto é que merece ser conhecido e exaltado: foi preciso a escravatura cruzar-se com o Ocidente e seus valores para ser decretada a sua abolição e proibição, nos países respetivos e a título universal. Nunca isto acontecera. Nunca! No século XIX (e já no século XX para os retardatários), foi proibida em todo o lado e para sempre.

Teria ficado bem aplaudir este triunfo extraordinário, já há 150 anos. Teria ficado bem identificar e dirigir a atenção geral para as bolsas de escravidão que, hoje, contra todas as declarações de direitos e vários tratados e leis proibicionistas, ainda existem nalguns lugares e os mercados sórdidos que alimentam, vitimando em especial mulheres e crianças.

Os escravos do século XIX (e para trás) podem passar sem a nossa compaixão. Não os de hoje! Estes, sim, exigem a nossa atenção e reclamam a nossa coragem e desassombro, porque sofrem em silêncio, incluindo o silêncio do nosso 10 de Junho.

Quem fala de escravos, calando os de hoje, faz o mesmo que criticamos aos do século XV: olhavam os escravos, sem os ver como pessoas. Foi o que se passou, neste 10 de Junho, em Lagos. Convocar a questão da escravatura e silenciar as bolsas onde a escravidão ainda subordina, oprime e mata nos nossos dias, é manter, hoje, a mesma condescendência que se diz condenar no passado. Este é o único traço de união contrastante entre Lagos do 10 de Junho e Lagos da conhecida crónica de Gomes Eanes de Zurara, em 1444. Zurara aponta com crueza a realidade do seu tempo, 2025 ignora a factualidade de hoje: prefere esconder-se atrás do passadismo para esconder a realidade do presente.

Também não pode passar sem reparo a ponte feita com as narrativas que sublinham – por vezes, com erro mais ou menos grosseiro – os números do tráfico transatlântico de escravos de África para as Américas, em que Portugal participou. Tudo, como se tivessem sido os portugueses a introduzir a captura e o tráfico de escravos em África e como se não houvesse outras eras de tráfico em tão altos números ou ainda mais altos. Choca a obstinação com que se pretende esconder o tráfico massificado que, desde cedo, na Idade Média, mercadores árabes fizeram de escravos negros para o Norte de África, a Ásia e a Europa. Os portugueses foram encontrar este tráfico em África e juntaram-se a ele, como outros europeus, servindo a pressão económica da colonização das Américas. Repito: não serve de desculpa, nem de justificação, mas é indispensável contextualizar.

Os 46 escravos dados ao Infante, como contou Lídia Jorge, citando a crónica de Zurara, foram capturados por portugueses nas costas de África, nas práticas de corso que eram frequentes na época, também nas costas do norte do Mediterrâneo e até na costa atlântica de Portugal. Mas a larguíssima maioria dos escravos comerciados por navegadores portugueses eram entregues aos portugueses por algum poderoso local ou um mercador árabeisto é, não eram normalmente os portugueses a capturá-los. A história africana de Portugal, em diferentes costas, está cheia de episódios em que negreiros portugueses procuravam também capturar escravos para o seu comércio, mas eram mantidos à distância pelos soberanos locais, que consideravam essa tarefa exclusivo seu. Houve confrontos por esta disputa, mas os soberanos africanos procuraram sempre proteger e salvaguardar essa sua fonte de riqueza. E os mercadores árabes mantinham-se também activos na intermediação, sobretudo nas costas mais a Norte.

No ritual de expiação por que a oradora enveredou, podíamos situar a nódoa com que manchou o Infante, citando centenas, senão milhares de outros exemplos ilustres da cultura e da ciência, da política e da religião, pois essa era prática corrente na época, em diferentes partes do Mundo. Thomas Jefferson, um dos primeiros Presidentes dos EUA, político notável, principal autor da belíssima Declaração da Independência, teve centenas de escravos ao longo da sua vida – diz-se que mais de 600. E, quando morreu, tinha cerca de 130 escravos na sua célebre fazenda Monticello, na Virgínia. Visitei-a nos anos ’80. Apesar de se estar já no século XIX, e não no século XV (o do Infante), nada disso afectou a extraordinária importância da vida de Thomas Jefferson, nem os magníficos textos inspiradores que deixou aos americanos, na fundação da sua nação, e ao Mundo, numa das mais belas revoluções da História. O abolicionismo estava a chegar. Mas ainda não chegara.

Enfim, não pode deixar de notar-se que, sendo o Dia de Camões, poderia ter sido recordado, no 10 de Junho, que também Luís de Camões teve um escravo, frequentemente referido como Jau, que o acompanhou em Goa e em Lisboa, até à morte. Terá amado ainda uma escrava. Ainda bem que isso não foi feito. Usá-lo, para amolgar Camões e municiar o wokismo, seria de franco mau-gosto naquele dia, naquele lugar e naquelas cerimónias.

É exactamente o que sinto quanto ao que foi dito na parte final, que critico, do discurso de Lídia Jorge: franco mau-gosto, manipulação fora do contexto e serviço nefasto a agendas sem utilidade e sem valor.

ESCRAVATURA    SOCIEDADE    10 DE JUNHO    PAÍS    WOKISMO    CULTURA    HISTÓRIA

COMENTÁRIOS

Rui Lima: O discurso daquela senhora em outro dia podia ser considerado normal no dia de Portugal é uma afronta aos portugueses , não merece ser conselheira de estado porque detesta a história da nação e quem a escolheu devia ser responsabilizado.                   Ruço Cascais: Livros de Lídia Jorge, aqui em casa, não entra mais nenhum. Tinha um que me ofereceram cujo o título não fixei, mas queimei-o no último domingo para atear o churrasco. Estragou-me as febras, as primeiras vinham com um cheirinho a bedum das páginas queimadas. No churrasco tinha uma família amiga de Moçambique que vieram a Portugal de férias e também ver um filho que acabou este ano o seu curso com mestrado integrado numa universidade do Porto. Queixam-se de Moçambique. Arrependem-se de terem investido lá e não em Portugal. Andam á procura de um apartamento por aqui, querem viver a reforma em Portugal. Pelo que dizem Moçambique está mesmo muito mal, quer do ponto de vista político onde matam quem falar demais sem problema nenhum, assim como do ponto de vista económico e de investimento. Não se percebe muito bem os elogios de Marcelo na última visita. Moçambicanos, angolanos, timorenses, cabo-verdianos, goeses todos querem vir viver para a terra do antigo colonizador. Convém dizer que já não são apenas partes da sociedade mais elitista que querem fugir desses paises, o povo mais básico também. O moçambicano que cava a sua machamba num ermo qualquer também quer vir viver para a terra do ex-colonizador. Mas a Lídia Jorge quer vingança. Quis acordar fantasmas e colocar-nos a todos num buraco fundo, frio e de vergonha. Não quis festejar ou elogiar os feitos dos portugueses quis antes tocar-nos pelas nossas vergonhas. Quais vergonhas? Tenho que ter vergonha do meu avô que era analfabeto? Tenho que ter vergonha dos portugueses que construíram uma cidade lindíssima como foi Lourenço Marques? Tenho que ter vergonha do Infante Dom Henrique, de Vasco da Gama ou de Bartolomeu Dias? Não, não tenho. Lídia Jorge que meta o discurso no seu buraquinho escuro e fundo e que fique lá com ele durante muito tempo. Gente desta não interessa a ninguém (portugueses), só mesmo o Marcelo para a ter convidado para Conselheira de Estado. Estou a imaginar os conselhos que dá naquelas reuniões... Fonix.                 João Floriano: Excelente  crónica apesar de já se terem passado 20 dias sobre a efeméride. Ambos os discursos, de Lídia Jorge e de Marcelo Rebelo de Sousa, são impróprios para uma data em que se celebra ou devia celebrar a união dos portugueses, o que os agrega e não o que os divide. Tic-tac, tic-tac, tic-tac: o relógio não para para nos vermos livres de um presidente que não deixará saudades e cujos afectos, selfies e anedotas seriam perfeitamente dispensáveis. Olho para os candidatos a Belém e para já o cenário não é famoso. Cada vez desconfio mais de Gouveia e Melo, Marques Mendes nem pensar, Seguro é a colher de óleo de fígado de bacalhau que o PS não quer mas vai acabar por ter de engolir. Espero que o novo presidente prescinda dos sábios conselhos de Lídia Jorge.                  Lourenço Sousa Machado de Almeida: A culpa é do complexado do Marselfie que é um mariquinhas hipocondríaco e vive horrorizado com a ideia de o ligarem ao seu Pai que foi governante no tempo do Salazar. Escusado será dizer que sendo ele Presidente da República, o pai foi muito mais do que ele que nunca passou de "um bocas", seja nos jornais ou na presidência! Ter a Lídia Jorge e "permitir" um discurso daqueles no 10 de Junho é mais uma concessão de alguém cuja tarefa, entre outras, é garantir que este tipo de coisa não acontece!                  Maria Nunes: Excelente artigo. Lídia Jorge enxovalhou os portugueses no 10 de Junho.                 João Floriano > Ruço Cascais: Excelente Ruço! Eu não consigo ler Lídia Jorge. É mais uma ressabiada de esquerda que achava que a adoração à esquerda seria para sempre, era um dado adquirido.               João Floriano > Lourenço Sousa Machado de Almeida: Basta uma pesquisa muito rápida na internet para encontrarmos vários relatórios sobre  formas de escravatura no século XXI. Se estas personalidades estão assim tão motivadas, o melhor é denunciar essas práticas nos tempos actuais. Mas é muito mais fácil vomitar disparates como aconteceu no 10 de Junho.                   Df: Muito bem. A Europa, com Portugal, foi a primeira e única civilização a defender e realizar o abolicionismo. As outras devem envergonhar-se da escravatura, não nós que a abolimos. Na verdade, a humanidade deve dar graças à Europa, com o contributo de Portugal, por ter inventado a liberdade, a igualdade, a democracia os direitos humanos, o estado social, o estado de direito, o mercado livre, etc., etc. Lídia Jorge é bastante ignorante, sem qualificações para falar no 10 de junho.             Francisco Almeida: Excelente artigo, embora algo atrasado como bem notou João Floriano no seu comentário. E, para mim, algo incompleto.Lídia Jorge foi nomeada para o Conselho de Estado por Marcelo, escolhida para presidente das Comemorações por Marcelo e, lendo os dois discursos, dela e de Marcelo, pressente-se que houve articulação. E mais não digo porque injuriar o chefe de Estado é crime.               Pedro Belo > Ruço Cascais: Excelente comentário. Optam por criar divisões num dia que deveria ser para unir e glorificar este país com 900 anos de História.                  Velha do Restelo: Excelente artigo, mais um contributo para a reposição da verdade histórica que tantos querem deturpar. Obrigada!

Carlos Chaves: “Graças a João Pedro Marques, só nos deixamos enganar se quisermos. A verdade nunca prescreve.”                   “Touché”!: Lídias Jorge e Marcelos Rebelo de Sousa, leva-os o vento…

José Martins de Carvalho: Cem por cento de acordo com este artigo indispensável.           Tim do A: Artigo importante mas que não toca na ferida, passando ao lado do que para mim realmente conta. É que Lídia Jorge pode ser uma traidorazeca que não conta para nada. Faltou, assim, dizer que Marcelo se associou vergonhosamente ao discurso da escritora. Eu diria até que o discurso de Lídia Jorge foi uma encomenda do maquiavélico Marcelo que detesta os portugueses e destrata o país a que preside. Pior, Marcelo, ao reduzir os portugueses a mestiços e traficantes negreiros, desprezou os toda a História de Portugal, toda a identidade dos portugueses e toda uma nação que é  uma das mais antigas da Europa com quase 900 anos. O presidente doentiamente anti português apelidou os portugueses de rafeiros. Vão chamar Rafeiros a outro ! Rafeiros são eles! Um português que não se sente com este insulto não é filho de boa gente. Faltou dizer isto para completar o seu artigo. Obrigado por voltar a trazer o tema ao Observador.                    Jorge Barbosa: Excelente artigo posto a desmascarar o vergonhosamente oportunista e falso discurso de Lídia ,Jorge com o beneplácito da PR                Rui Martinho: Bom artigo, observações criteriosas e bem fundamentadas, parabéns ao autor e um lamento por uma data tão representativa da nossa História ter sido enlameada por um discurso woke da escritora convidada pelo PR.            GateKeeper: Top 30. Uma estreia.                      Lourenço Sousa Machado de Almeida df: Exactamente!            António Duarte > Tim do A: Exactamente. Tirou-me as palavras da boca. Nada perdoa a presença muda do cata-vento nessa triste cerimonia!

José Ribeiro e Castro > Nuno Filipe: : Obrigado. Mas... O que eu digo é verdade: “foi proibida em todo o lado e para sempre”. O problema é que a proibição não é cumprida em todo o lado, havendo fenómenos (alguns especialmente perversos, abjectos e ignóbeis) na América Latina, no Norte de África e nalgumas regiões da Ásia. Mas é ilegal. A diferença é que até ao século XIX era legal. Agora, é ilegal. A diferença é enorme. Quanto ao futuro, podemos ter dúvidas. Mas eu considero impossível que a escravatura volte a ser legal, embora, como diz o outro, "é muito difícil fazer previsões sobretudo a respeito do futuro." Ou seja, continuaremos com o dever de combater SEMPRE os novos fenómenos ilegais de escravatura. Faz-se alguma coisa contra isso, mas creio que não o suficiente. Nomeadamente, temos de despertar as consciências para isso. É o que também escrevo no meu texto.                    JM Azevedo: Leitor assíduo do JPM, não posso estar mais de acordo com o JRC. Belíssimo artigo.                     Lourenço Sousa Machado de Almeida > Jorge Cardoso Escravos que eram pessoas que os seus vizinhos decidiram prender para os vender a quem desse mais! Mas graças a cretinos como os que têm voz nessa choldra, parece que a culpa não é de quem os vendeu, mas apenas de quem os comprou!

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