quinta-feira, 17 de julho de 2025

Mas os fins deles, sim


Justificam /Justificaram. Eles, de facto, os heróis /pensadores, não precisaram (precisam) de explicações. Seguem com gosto o tal “Imperativo Hipotético” que lhes aplana a realização dos seus fins, escrupulosos que foram/são na resolução dos seus axiomas, sem se darem ao trabalho de interiorizar a “lei moral” do “Imperativo Categórico” exigente de esforço próprio na sua interiorização - uma natural espontaneidade criativa, angariadora, aliás, da admiração geral, no seu carácter relampejante e explosivo, como se tem visto ao longo da História, de que as epopeias são repositório, tanto a respeito do herói mítico como do herói real. Mas, desprezando os putins da actualidade, apenas “heróis” ocasionais, de arrojo próprio, não épico, mas provavelmente de apoio seguro, para se alcandorarem no posto do seu poder maquiavélico, toda a minha estima admirativa se centra, hoje, num Zelensky, herói de arrojo e amor pátrio, de pensador espontâneo, filósofo ou sábio, indiferentemente, porque apenas levado por um patriotismo de espontânea virtude, naturalmente indignada, a merecer admiração e apoio do mundo menos atroz e mais sábio.

Mas afastei-me do tema, talvez por falta do sol dessa praia lusitana de duna propícia à saúde física e mental do Dr. Salles, pelo que peço desculpa do frouxo comentário mal-amanhado, suspenso de um mundo de indignado estupor.

 

NA OCIDENTAL PRAIA LUSITANA - 3

HENRIQUE SALLES DA FONSECA

A BEM DA NAÇÃO, 16.07.25

Hoje, pouco depois da alvorada, no topo da duna, recordei a ideia de que filósofo é pensador erudito e que pensador popular é sábio. A diferença está em que filósofo explica e sábio é axiomático. Na edição que conheço, a «Crítica da Razão Pura» de Kant tem cerca de1000 páginas e o António Aleixo é conclusivo logo no início da primeira página d’ «Este livro que vos deixo».

E mais me lembrei do Imperativo Categórico pelo qual Kant definiu a lei moral segundo a qual todos nós nos devemos comportar de modo a que as nossas atitudes possam constituir regra universal em prol do bem da Humanidade.

Concluo que o Imperativo Categórico é a Laicização e globalização da fé luterana segundo a qual a salvação se consegue pelo trabalho em prol do bem-comum da sociedade a que cada um pertença.

Já o Imperativo Hipotético determina que, perante um determinado objectivo, a pessoa tudo deve fazer para alcançar esse desiderato. Stalin, Hitler, Putin devem ter gostado/gosta deste «mandamento». É que os fins não justificam todos os meios.

Julho de 2025

COMENTÁRIOS

A P MACHADO 16.07.2025 14:46: Mesmo as mentes brilhantes, animadas dos mais meritórios propósitos, podem abrir caminho ao mais desbragado e cruento autoritarismo. Viver na graça do Senhor nunca foi fácil.

FRANCISCO G. DE AMORIM 16.07.2025 15:52: O que é hoje um ser humano? Carne para canhão do capital e da fúria pelo poder? Que resta ao povo senão arrastar-se entre os escombros da decência? O Armagedon está à porta. Quem vence? A natureza. Os homens são carne para canhão

ANÓNIMO 17.07.2025 12:45: Para além da Crítica da Razão Pura e da Crítica da Razão Prática, que apenas li alguns excertos, gostei da Crítica à Faculdade do Juízo, que se debruça sobre a arte (O Belo e o Sublime...). Emmanuel Kant foi, sem dúvida, um dos maiores filósofos do período moderno! Abraço BENILDE TOMAZ FONSECA

 


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