sábado, 19 de julho de 2025

Nunca é demais

 

Enaltecer tudo o que de bom os “agentes” da “criação” que uma maior riqueza ou um maior poder, aliados a um espírito de maior competência e empenho organizadores, e inteligência encaminhadora, orientam, num objectivo de difusão cultural indispensável na tal sociedade que a razão humana deve formatar. O Dr. Salles, incansavelmente, o faz, movido pelo seu grande amor pátrio, tão necessário, (e que também a voz maravilhosa de ANTÓNIO CALVÁRIO demonstra na sua canção “REGRESSO”, que reponho para o Dr. Salles), pese embora o seu afastamento espiritual, relativamente ao tema que o Dr. Salles desenvolve, de alargamento cultural imprescindível, como demonstra a sua homenagem aos CONDES DE VIL’ALVA, na sugestão da criação, em Évora, do CÍRCULO CULTURAL com o nome daqueles. O certo é que a progressiva infiltração dos mais variados povos nos mais diversos espaços, vai perturbando o tal espírito patriótico tendente a diluir-se gradualmente, dos terrenos pátrios, a perder sentido.

Regresso

ANTÓNIO CALVÁRIO

Oh minha terra
Onde eu nasci
Quanta saudade
Eu tive de ti
O amor redobra
Com as saudades
Tu és para mim
O doce toque das trindades

Ai ai ai
Ai ai ai
Velhos caminhos
Como é bom voltar
Ai ai ai
Ai ai ai
Doces carinhos
Deixai-me recordar

Adoro em ti esses bons
Tempos de menino
Pois foi então
Que Deus traçou
O meu destino
Nas horas tristes
Como Mãe a abençoar
Eras tu oh minha terra
Doce afago a confortar

Eu quero ouvir
Os teus pardais
Ao desafio
Quero sentir
A sombra amiga
Do estio
E teus folguedos
Reviver com emoção
Oh pião da minha infância
Vem de novo à minha mão

 

CÍRCULO CULTURAL «CONDES DE VIL’ ALVA»

HENRIQUE SALLES DA FONSECA

A BEM DA NAÇÃO, 18.07.25

Vasco Maria Eugénio de Almeida, Engenheiro Agrónomo, Socialmente reconhecido como «Conde de Vil’Alva», casado com Maria Teresa Belo Eugénio de Almeida socialmente reconhecida como «Condessa de Vil’Alva», eram proprietários de vasto património rural e urbano e não tinham herdeiros em 1º grau;

Decidiram constituir a «Fundação Eugénio de Almeida» com o objectivo principal de reinstalar os estudos superiores em Évora – e assim feito com o ISESE Instituto Superior Económico e Social de Évora, assim ressurgiu a Universidade.

* * * *

Sem demérito para os demais objectivos da Fundação, o regresso dos «Altos Estudos» à cidade constituía o principal instrumento para o desenvolvimento intrínseco daquela região de Portugal. O verdadeiro desenvolvimento endógeno é humano; ocupação de mão-de-obra é «política esmoler».

«Se um pobre te pedir um peixe, ensina-o a pescar».

Como dizia o poeta, «falta cumprir-se Portugal»: onde persiste o analfabetismo, onde a maior parte da população em idade activa não cumpre com o ensino obrigatório, onde continuam a ser poucos os que têm alguma formação pós-secundária.

Os Condes de Vil’Alva, foram compassivos, voluntariosos e generosos mas nós, os seus beneficiários, aguardamos egoisticamente a consumir oxigénio à espera que «a da foice» nos venha buscar. Assim, para não bulir muito com a passividade instalada, sugiro criação (mesmo que apenas informalmente) do círculo cultural Condes de Vil’alva não apenas para honrarmos a sua memória mas sobretudo para tentarmos dar algum seguimento à sua obra de valorização humana.

Junho de 2025

HENRIQUE SALLES DA FONSECA

2 COMENTÁRIOS

ADRIANO MIRANDA LIMA 18.07.202 15:30: Gostei de ler e acho justíssima a sugestão do Dr. Salles da Fonseca. Honre-se a memória de quem agiu em prol da ciência e da humanidade. Pode ser que assim se incentive o mecenato, ao invés da acumulação de riqueza sem qualquer proveito para a sociedade. Um abraço amigo  ADRIANO LIMA

A P MACHADO 18.07.2025 17:14: Pode contar comigo. Até porque, se bem me recordo, fui prof de uma sobrinha neta dos Eugénio d'Almeida

 

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