Pese embora a excelente exposição do
parecer do DR. SALLES, a respeito da tal liberdade –
condicionada - dos conceitos individuais - não sei bem se concordo com a
alegação de dependência da nossa liberdade, (seja de expressão ou de pura
acção), da liberdade alheia. Se assim fosse não assistiríamos nós às convulsões
escandalosas com que vamos sendo bombardeados neste mundo em permanente atropelo
no que toca à expressão dos pontos de vista dos humanos e respectiva acção, e que
interferem com a independência alheia, pesem embora razões suportadas pelas
leis que as condenam quando exorbitam em deficiência vária, ou por vezes o
simples parecer contrário, demonstrativo de maior grau de reflexão
responsabilizante. Todavia, embora se diga também que o silêncio é de ouro e a
palavra de prata, também discordo da amplitude, sintética embora, de tão
drástico pensamento, e sobretudo quando ouço a formulação de pontos de vista
que me deixam extasiada, pardal que sou, de tímido pipilar, ante os vários
falcões na expressão do seu pensamento – onde não incluo, naturalmente, esse da
perfídia de André Ventura, que só um
povo sem grande dimensão mental valoriza, nos seus discursos sem outra
substância que a puramente acusatória ou de efeitos drásticos, tendente à
obtenção de um desfecho pessoal valorizador da sua carreira política – e não da
nação, está visto, que lhe falta substância para tal, pese embora uma presunção
de virtude moral da nossa descrença, porque lhe sobra o interesse pessoal da
governança própria. Neste caso, sim, impunha-se um silenciamento obrigatório,
ainda que de simples shiu! Ou então,
apenas a sugestão feita pelo DR. SALLES, de consulta da “República” platónica que se não traduz em gritos,
naturalmente, mas na longa questionação dialogante que Sócrates mantém com os
discípulos (Fédon, no caso), sobre a vivência humana e a “Pólis”, e que todos
devíamos conhecer, Ventura nada perdendo se a fizesse, tão próxima, afinal,
está das suas e nossas próprias vivências de humanos, hoje, embora exaustiva, e
com que cordialmente a Internet nos favorece, em longas páginas.
O magnífico texto do DR. SALLES sendo
comentado superiormente pelo seu amigo
ADRIANO LIMA, expoentes ambos de uma
“ditosa” pátria amada por esses, sim.
HENRIQUE SALLES DA FONSECA
A BEM DA NAÇÃO, 12.09.25
A
liberdade de expressão pressupõe a liberdade de pensamento e a esta subjaz o
livre arbítrio entre linhas alternativas de raciocínio. E é deste modo que surge a
responsabilidade de assumir os ganhos e as perdas inerentes a cada opção.
Mais: a liberdade individual acaba onde começa a do vizinho. Se assim não for,
a conflitualidade de liberdades absolutas faz perigar a harmonia social. A
liberdade é custosa e por isso há quem prefira obedecer alijando o encargo
do pensamento e respectiva responsabilidade; a cerimónia sendo substituída pela
«ordem unida».
A liberdade deve, pois, ser exigente
(obriga a pensar), responsável pelos ganhos e perdas e cerimoniosa.
Este,
o modelo que serve de base ao conceito político ocidental do humanismo,
do pluripartidarismo, com as cúpulas a cumprirem a vontade das bases.
Pelo contrário, o modelo autocrático
e, portanto, monolítico, com a «iluminação» de cima para baixo tem como
caricatura a expressão «Se pensas por ti pensas mal; Quem pensa por ti é o
Comité Central.»
* * *
Nós,
«Os falcões»,
pretendemos o rearmamento europeu
como forma de dissuadir o inimigo e assim conseguirmos a paz; «as pombas» são os inocentes ao estilo de Nevile
Chamberlain ou como agentes infiltrados
pelo inimigo para dificultarem o nosso rearmamento; «os pardais» esvoaçam ao sabor dos telejornais mas têm uma arma
poderosíssima que é o voto.
Platão,
estás perdoado e traz-nos de volta a tua «República».
Setembro de 2025
Henrique Salles da Fonseca
ADRIANO LIMA 12.09.202517:47: O Dr. Salles da Fonseca habituou-nos a expor o seu pensamento sobre questões complexas fazendo uso de textos curtos, sucintos e claros. Todo aquele que padece de preguiça mental encontra neste blogue a oportunidade de fazer as pazes com a leitura. Além de aprender alguma coisa, delicia-se com uma linguagem rica de metáforas e simbolismos que por si só estimulam a vontade de ler o que se lhe depara. Creio que nos tempos que correm de nada valeria ressuscitar Platão e trazê-lo de volta à ágora. A sua primeira surpresa seria ver o mundo liderado por criaturas menores. Perguntar-se-ia como foi possível atravessar séculos e milénios, com o seu legado valorizado, reinterpretado e ampliado por pessoas como Montesquieu, Rousseau e Locke, sem que pouco ou nada disso tenha beneficiado a condição humana. Bem, depois de esfregar os olhos de espanto, de imediato escorraçaria da ágora Trump, Putin, Netanyahu, Xi Jiping e outros mais. Mas, observando bem a audiência, concluiria que Diógenes tinha mesmo razão, pois era vã a procura, e então outro remédio não lhe restaria senão regressar ao seu lugar no tempo. Sim, estamos a viver tempos que parecem prenunciar um conflito em tudo semelhante aos que no passado ensanguentaram a humanidade. Resta-nos continuar a ouvir a algazarra dos “pardais”, ante a probabilidade de os “falcões” assassinarem as ingénuas “pombas”. Abraço amigo Adriano Lima.
F. G. Amorim 13.09.2025 19:08: Ainda a procissão vai
só no adro.
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