Inusitados?
Já agora, será Guterres um activo chinês?
Guterres vai acabar o seu mandato de
um modo muito triste. Chega ao fim a fazer campanha contra os Estados Unidos, a
apoiar a guerra da Rússia contra a Ucrânia, e a servir a China.
JOÃO MARQUES DE ALMEIDA Colunista do Observador
OBSERVADOR, 05 set. 2025, 00:20147
A António Guterres, como SG da ONU, já
não resta um traço de dignidade. Foi à China
elogiar a “defesa do multilateralismo” pelos chineses, e atacar Trump (sem o
nomear) por misturar “negócios com política.”
Vamos começar com a mistura entre
negócios e política. É preciso muito descaramento para Guterres acusar
Trump de misturar negócios com política num país
onde o capitalismo de Estado subordina todos os negócios, toda a actividade
económica, à política. Mais,
Guterres fez esta afirmação com Putin também em visita à China. Na Rússia não
se mistura negócios com política? No país, onde Putin é o maior empresário e o
homem mais rico do país.
O defensor da “paz” e do
“multilateralismo” também não tem qualquer problema em elogiar o país, a China,
que mais ajuda a Rússia na guerra na Ucrânia. Saberá o SG
da ONU que 90% das violações das sanções ocidentais contra a Rússia têm
participação chinesa? Guterres, mais uma
vez, não foi capaz de dizer uma palavra sobre a agressão russa contra a Ucrânia. Sabia muito bem que se o fizesse, estaria a ofender
o líder chinês.
Xi convidou Guterres, Modi e Putin para
irem à China por três razões.
O
convite a Guterres serviu apenas para legitimar uma cimeira de apoio à guerra
da Rússia na Ucrânia e de desafio chinês ao poder norte americano. Guterres
serviu de idiota útil para disfarçar o expansionismo chinês.
O
convite ao líder indiano foi para se aproximar do seu vizinho do sul, após as
sanções económicas dos Estados Unidos.
O convite a Putin foi para mostrar que a
China é um dos principais aliados da Rússia na guerra na Ucrânia.
Aliás, a expansão do poder da China está ligado à guerra na Ucrânia. Xi sabe que uma vitória da Rússia será também um
sucesso para a China. E uma derrota da Ucrânia será um insucesso para os
Estados Unidos. Infelizmente,
para os europeus, entende isso muito melhor do que Trump.
Guterres
terá seguramente razões de queixa de Trump, mas não é o único político que não
gosta do Presidente americano.
Tinha a obrigação de ser mais responsável e de saber distinguir ofensas das
suas obrigações como SG da ONU. Daqui a pouco mais de três anos,
Trump deixará de ser Presidente norte americano e os Estados Unidos continuarão
a ser um aliado importante dos países europeus. Daqui a três anos, a China continuará a ser uma
ditadura governada por um só partido.
Guterres vai acabar o seu mandato de um modo muito triste. Chega ao fim a fazer campanha contra os Estados Unidos
(Trump é o Presidente eleito por uma maioria de cidadãos americanos), a apoiar
a guerra da Rússia contra a Ucrânia, e a servir a China. Guterres mostra o tipo de político em que
se transformou. Serve quem tem poder, e acaba a servir um
regime como o da China. Como
político, é necessário não ter um pingo de orgulho nem de honra para acabar
assim. Chega ao fim como um activo chinês.
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