sábado, 6 de setembro de 2025

Activismos


Inusitados?

Já agora, será Guterres um activo chinês?

Guterres vai acabar o seu mandato de um modo muito triste. Chega ao fim a fazer campanha contra os Estados Unidos, a apoiar a guerra da Rússia contra a Ucrânia, e a servir a China.

JOÃO MARQUES DE ALMEIDA Colunista do Observador

OBSERVADOR, 05 set. 2025, 00:20147

A António Guterres, como SG da ONU, já não resta um traço de dignidade. Foi à China elogiar adefesa do multilateralismo” pelos chineses, e atacar Trump (sem o nomear) por misturar “negócios com política.”

Vamos começar com a mistura entre negócios e política. É preciso muito descaramento para Guterres acusar Trump de misturar negócios com política num país onde o capitalismo de Estado subordina todos os negócios, toda a actividade económica, à política. Mais, Guterres fez esta afirmação com Putin também em visita à China. Na Rússia não se mistura negócios com política? No país, onde Putin é o maior empresário e o homem mais rico do país.

O defensor da “paz” e do “multilateralismo” também não tem qualquer problema em elogiar o país, a China, que mais ajuda a Rússia na guerra na Ucrânia. Saberá o SG da ONU que 90% das violações das sanções ocidentais contra a Rússia têm participação chinesa? Guterres, mais uma vez, não foi capaz de dizer uma palavra sobre a agressão russa contra a Ucrânia. Sabia muito bem que se o fizesse, estaria a ofender o líder chinês.

Xi convidou Guterres, Modi e Putin para irem à China por três razões.

O convite a Guterres serviu apenas para legitimar uma cimeira de apoio à guerra da Rússia na Ucrânia e de desafio chinês ao poder norte americano. Guterres serviu de idiota útil para disfarçar o expansionismo chinês.

O convite ao líder indiano foi para se aproximar do seu vizinho do sul, após as sanções económicas dos Estados Unidos.

 O convite a Putin foi para mostrar que a China é um dos principais aliados da Rússia na guerra na Ucrânia.

Aliás, a expansão do poder da China está ligado à guerra na Ucrânia. Xi sabe que uma vitória da Rússia será também um sucesso para a China. E uma derrota da Ucrânia será um insucesso para os Estados Unidos. Infelizmente, para os europeus, entende isso muito melhor do que Trump.

Guterres terá seguramente razões de queixa de Trump, mas não é o único político que não gosta do Presidente americano. Tinha a obrigação de ser mais responsável e de saber distinguir ofensas das suas obrigações como SG da ONU. Daqui a pouco mais de três anos, Trump deixará de ser Presidente norte americano e os Estados Unidos continuarão a ser um aliado importante dos países europeus. Daqui a três anos, a China continuará a ser uma ditadura governada por um só partido.

Guterres vai acabar o seu mandato de um modo muito triste. Chega ao fim a fazer campanha contra os Estados Unidos (Trump é o Presidente eleito por uma maioria de cidadãos americanos), a apoiar a guerra da Rússia contra a Ucrânia, e a servir a China. Guterres mostra o tipo de político em que se transformou. Serve quem tem poder, e acaba a servir um regime como o da China. Como político, é necessário não ter um pingo de orgulho nem de honra para acabar assim. Chega ao fim como um activo chinês.

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