Com a Rússia e o seu poder conquistador exemplar,
através dos tempos. E hoje, em imagens atarracadas de ambição e poder.
Votos por uma Ucrânia ganhadora.
Pavlo Sadokha Presidente da Associação dos Ucranianos
em Portugal
A história da Ucrânia mostra que os
ucranianos lutarão pela sua liberdade, porque a liberdade é um valor
fundamental da nossa mentalidade e visão de mundo.
PAVLO SADOKHA, Presidente
da Associação dos Ucranianos em Portugal
OBSERVADOR, 03 set. 2025, 00:1842
Ao
longo de 11 anos de guerra, que nos últimos três anos e meio tem causado
vítimas diárias não apenas entre militares, mas também entre civis, os
ucranianos não perderam a fé em suas próprias forças, muito menos nas forças
armadas da Ucrânia. Eles não têm escolha. A Rússia condenou-os ao
desaparecimento.
Parece que, no século XXI, na era do
desenvolvimento das instituições mundiais, seria impossível repetir genocídios
e guerras terríveis por causa de conflitos ideológicos. Mas não é isso, que acontece. O progresso
tecnológico muda os meios de matar, mas
não altera a natureza dos conflitos.
Provavelmente,
até na China entenderam que Putin percebe o mundo apenas através da mentalidade
russa. Por meio dos mitos criados por
historiadores, filósofos e escritores imperialistas e soviéticos, que nunca
tiveram coragem de expressar a sua própria opinião, apenas ajustando os seus talentos aos
desejos de um czar ou secretário do partido (no caso da União Soviética e actual
governo russo).
Infelizmente, com o tão fácil acesso à informação hoje em dia, e com tantas
investigações científicas sobre história, muitos cidadãos de países de Ocidente
continuam a pensar que os russos são um grande povo que vive numa
área de 17 milhões de quilómetros quadrados, abrangendo o Norte da Ásia e a
parte Leste da Europa, e que conseguiu
unificar 190 povos em uma única nação.
Na realidade, não unificaram, mas
subjugaram de forma brutal, impondo sua religião imperial, língua e regras.
Muitos desses povos já desapareceram, ou estão à beira da extinção.
Sim, da mesma maneira se comportaram outros impérios. Mas, no século XXI, a civilização ocidental chegou a
soluções racionais e humanas para problemas de colonização e conflitos
interétnicos e religiosos. A liberalização das economias, a liberdade
de expressão e a democracia
política mostraram a sua eficácia tanto para o estado quanto para o indivíduo. Porém,
a Rússia seguiu um caminho diferente de desenvolvimento. A táctica
e a estratégia de desenvolvimento da Rússia moderna não diferem em nada da conquista e destruição da Europa Oriental pelos
mongóis, com a ajuda dos Príncipes de Moscovo. Parece
que a Rússia ficou presa na evolução medieval, tanto interna quanto
externamente.
Para
Moscovo, os ucranianos são um “povo” rebelde, que deve ser subjugado e
assimilado, assim como os outros povos já conquistados. Um obstáculo à conquista de outros territórios que
devem pertencer ao império. Essa é a principal ideia nacional
dos russos modernos (moscovitas).
Qualquer acordo ou tratado é visto como uma medida táctica temporária para
alcançar o objectivo principal de
conquista, e não como algo duradouro que possibilite cooperação pacífica.
Desde o início da agressão armada contra a Ucrânia em 2014, a Rússia violou mais de 400 tratados internacionais nos
quais a Ucrânia e a Rússia participam, e desrespeitou 22 documentos internacionais fundamentais a
partir de 2022.
A política de genocídio de Moscovo continua também em relação às minorias
nacionais que fazem parte da Federação Russa. Além do facto de que o governo central não destina recursos
para apoiar as suas necessidades culturais nacionais, com o início da
guerra, esses povos passaram a ser a
principal “carne”, enviada para a linha de frente da guerra.
Após os primeiros meses de
guerra, em 2022, jornalistas independentes na Rússia realizaram uma
investigação e descobriram que, entre os
1348 casos confirmados de mortes de soldados russos, a grande maioria pertence
a representantes de minorias étnicas da Rússia.
Na sua maioria, os representantes
desses povos entram na guerra contra os ucranianos (que nunca os ameaçaram),
não por convicções ideológicas, mas devido à péssima situação socioeconómica
nas suas regiões, onde a única forma de sobreviver é enviar alguém da família
para a guerra.
No entanto, o número de mortos começa
a transformar a sua visão do mundo. Mesmo sob um regime policial brutal na Rússia, há cada
vez mais protestos, surgem com perguntas a Putin. De
uma imagem de inimigo, esses povos começam a olhar para a Ucrânia como exemplo de luta pelo direito à existência nacional.
Uma libertação de séculos de opressão.
Para eles, a rendição da Ucrânia significará a perda da última
esperança de autodesenvolvimento. Mesmo agora, quando as regiões mais ricas em recursos naturais na
Rússia estão sendo exploradas impiedosamente, o nível de vida da
população nessas áreas é o mais baixo de toda a Rússia. O que
acontecerá com elas quando os recursos naturais acabarem ou a demanda por
energia mudar? Sem autogoverno, Moscovo não lhes dará nada e os deixará à
mercê.
Chegou a hora de revisar a política ocidental equivocada de coexistência
com a Rússia agressiva, que é um “tumor maligno” na civilização mundial. Com
um custo alto, a Ucrânia já provou que, com apoio concreto do mundo
ocidental e mudanças nos padrões duplos em relação a Moscovo, será possível
vencer esse “tumor maligno”, o que marcará o início da libertação e do
desenvolvimento dos povos oprimidos da Ásia do Norte e da Europa Oriental que
fazem parte da federação russa, além de uma nova arquitetura de segurança e
interação mundial.
Em 1991, o presidente dos
EUA, George Bush,
foi especialmente à Ucrânia para convencer o parlamento a não sair da URSS,
porque temia o desfecho da superpotência
nuclear. Sem apoio externo e contrariando a
pressão internacional, os ucranianos fizeram a escolha do seu futuro. A história confirmou que essa foi a decisão
correcta, pois de outra forma, nós já não existiríamos. Agora, ou daqui
a dez anos, a Rússia inevitavelmente se desintegrará, como já aconteceu com
todos os impérios totalitários agressivos na história da humanidade.
Criar uma zona desmilitarizada, a exemplo da Coreia do Norte ou de outros
conflitos civis ou territoriais, não resolverá a questão da agressão russa.
Apenas adiará a guerra para a próxima
geração. Nunca tivemos conflitos
com chechenos, buriates, tártaros ou outros povos, que habitam estes
territórios. Além disso, estou convencido de que a Ucrânia ajudará
esses povos no seu reconhecimento internacional e desenvolvimento. Mas, como
dizem, agora a “bola está do lado” do
mundo ocidental.
Desde o início da guerra de
larga escala (2022), quando
ucranianos em todos os países do mundo civilizado saíram às ruas com cartazes:
“Ajude a fechar o céu da Ucrânia”, passaram-se três anos e meio, que
levaram a vida de dezenas de milhares de civis, e só agora é que os políticos
do Ocidente começaram a falar a sério sobre isso. Toda a história da
Ucrânia mostra que os ucranianos lutarão pela sua liberdade, porque a liberdade
é um valor fundamental da nossa mentalidade e visão de mundo. Assim está o mundo, onde os valores que
sustentam a nação não podem ser apenas proclamados, eles exigem ser seguidos e
defendidos,
GUERRA NA
UCRÂNIA UCRÂNIA EUROPA MUNDO
COMENTÁRIOS (de 48)
Graça Dias: Hitler -
tirano do séc XX Putin - tirano do séc
XXI: Há efectivamente semelhanças entre estes dois tiranos sanguinários. No dia
de ontem o chanceler alemão Friedrich Merz fez a mais lúcida afirmação - Putin
" talvez o pior criminoso de guerra dos nossos tempos". Desde que o ditador e psicopata Putin chegou ao
poder em 1999 já se envolveu em 5 guerras sangrentas ☆ Chechénia, Síria, Geórgia e agora a Ucrânia ☆. Um
criminoso que assassina também o seu próprio. Um criminoso que ataca quase em
exclusivo estruturas civis (hospitais, escolas, edifícios residências...),
ataca igualmente a história e a identidade de um povo (Bibliotecas, Museus,
Teatros, igrejas...), mas este psicopata criminoso tem raptado milhares de
crianças ucranianas!... Um homenzinho sem honra, sem carácter, sem
dignidade. Ao sofrido povo ucraniano manifesto toda a minha solidariedade e admiração
por resiliência ompar em prol da liberdade e independência. Viva Ucrânia.
Carlos Chaves: Caro Pavlo Sadokha, que grande povo o seu povo
Ucraniano! Os Mártires serão vingados e os sobreviventes irão assistir à
vitória da Ucrânia e à derrota do imperialismo sanguinário Russo. Paulo
Machado: Pavlo Sadokha: O que se esconde por trás do cargo de dirigente associativo?
Foi assessor de um deputado do Svoboda, partido de extrema-direita inspirado na
figura de Stepan Bandera (cuja colaboração com os nazis Sadokha nega) e tem
ligações a movimentos como o Azov e o Sector Direito
Paulo Machado: Isto é de uma estupidez atroz. É uma pena que o mundo não
seja justo e que o pecador nem sempre pague pelos seus pecados, Mas quando um pais com mais de
7.700 ogivas nucleares invade outro, nao perderá nunca a guerra. Tem que encontrar solucoes que
minimizem as perdas, territoriais e humanas. Tudo o resto é querer enviar o mundo para uma guerra
mundial. Paulo
Machado: O Valente Pavlo, Está a fazer negócios em Portugal enquanto os seus jovens compatriotas,
proibidos de sair da Ucrânia para ficarem a lutar pelos valentes que fugiram, Estão a morrer. João Floriano: Slava Ukraini! Infelizmente
não é por escrevermos milhares de vezes vivas à Ucrânia que a Rússia será
vencida. A guerra está perdida e a Ucrânia está velada ou abertamente a ser
pressionada para abdicar de parte do seu território, a dizer adeus à NATO, mas
a poder entrar na UE porque convem aos interesses russos e chineses. Depois é
só esperar para que a Rússia venha novamente invadir o país, destruir novamente
o que entretanto foi reconstruido e começar tudo de novo. A única maneira de
parar a Rússia e seus aliados é através de uma derrota militar. O norte coreano
manda soldaditos para a Ucrânia para serem carne para canhão. Em nenhum país
ocidental tal seria aceite. Na Rússia os opositores voam pela janela ou têm
mortes criativas, o que também não pode acontecer no Ocidente. Enquanto a
Rússia pode atacar com o armamento que muito bem entende e causar a mortandade
entre civis, por comparação, Kiev pode usar fisgas e tremem de indignação
quando um drone rebenta numa cidade russa. É impossível que Putin e aliados não
tenham já pensado numa maneira de testar a NATO. Olhe-se para o mapa da Europa
como era antes da queda do muro. Os russos querem voltar a essas fronteiras e têm aliados em países como Hungria , Eslováquia
e Bósnia nos Balcãs . E depois o que resta é uma Europa pequena, cheia de problemas de toda
a espécie, com um aliado poderoso mas errático. No entanto os Estados
Unidos não se podem dar ao luxo de deixar a Europa desprotegida. Isso seria
extremamente mau para os seus interesses. Mas também é verdade que não irão
assumir a grande parte dos custos da NATO como antes. Esta é uma guerra que os
ucranianos não conseguem vencer sozinhos. Xico
Nhoca: Pavlo, votar num presidente porque aparece na
televisão costuma dar asneira. Posso dar 2 exemplos além do Zelensky: Trump e
Marcelo. A Ucrânia tinha lá um presidente apaziguador que consideraram
"pró russo". Decidiram meter um presidente que permitisse a outra
super potência entrar na zona de influência da Rússia (recordo a crise dos
mísseis em Cuba). Resultado: a Ucrânia destruída, a Europa humilhada e os EUA
gozados todos os dias. Quanto à Ucrânia ganhar... também havia aquele general
do Sadam que dizia coisas parecidas quando as tropas do inimigo estavam às
portas de Bagdad. João Floriano > Xico Nhoca: A NATO está na Finlândia, na
Polónia, nas repúblicas Bálticas e no Alasca. Atacar a Ucrânia porque ia aderir
à NATO é uma desculpa grosseira. A Ucrânia seria sempre atacada mesmo que não
tivesse manifestado qualquer interesse na NATO. A Rússia queria fazer da
Ucrânia uma nova Bielorússia. Não contava com a resistência de Kiev. O
memorando de Budapeste, já lá vão 30 anos fez com que a Ucrânia cedesse o seu
arsenal nuclear à Rússia. Muito provavelmente um grande erro que na altura
pareceu a decisão certa. Mas há 30 anos viviamos a Perestroika e não se
imaginava a volta que isto ia dar.
E concluindo:
A
chefe da diplomacia europeia, Kaja
Kallas,
considerou esta quarta-feira o encontro entre os presidentes russo, chinês e
norte-coreano um "desafio directo à ordem internacional".© Foto:
Vladimir Smirnov - Sputnik via Reuters
A
chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, considerou esta quarta-feira o
encontro entre os presidentes russo, chinês e norte-coreano um "desafio
directo à ordem internacional". Os três líderes estiveram juntos em
Pequim, onde assistiram à parada militar para assinalar o 80.º aniversário do
fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico. Na opinião da alta representante da
União Europeia para os Negócios Estrangeiros, o encontro entre Vladimir Putin,
Xi Jinping e Kim Jong-un não só envia "sinais anti-ocidentais" como
representa um "desafio directo à ordem internacional"
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