quinta-feira, 4 de setembro de 2025

O mundo pula e avança


Com a Rússia e o seu poder conquistador exemplar, através dos tempos. E hoje, em imagens atarracadas de ambição e poder.

Votos por uma Ucrânia ganhadora.

Pavlo Sadokha Presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal

A história da Ucrânia mostra que os ucranianos lutarão pela sua liberdade, porque a liberdade é um valor fundamental da nossa mentalidade e visão de mundo.

PAVLO SADOKHA, Presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal

OBSERVADOR, 03 set. 2025, 00:1842

Ao longo de 11 anos de guerra, que nos últimos três anos e meio tem causado vítimas diárias não apenas entre militares, mas também entre civis, os ucranianos não perderam a fé em suas próprias forças, muito menos nas forças armadas da Ucrânia. Eles não têm escolha. A Rússia condenou-os ao desaparecimento.

Parece que, no século XXI, na era do desenvolvimento das instituições mundiais, seria impossível repetir genocídios e guerras terríveis por causa de conflitos ideológicos. Mas não é isso, que acontece. O progresso tecnológico muda os meios de matar, mas não altera a natureza dos conflitos.

Provavelmente, até na China entenderam que Putin percebe o mundo apenas através da mentalidade russa. Por meio dos mitos criados por historiadores, filósofos e escritores imperialistas e soviéticos, que nunca tiveram coragem de expressar a sua própria opinião, apenas ajustando os seus talentos aos desejos de um czar ou secretário do partido (no caso da União Soviética e actual governo russo).

Infelizmente, com o tão fácil acesso à informação hoje em dia, e com tantas investigações científicas sobre história, muitos cidadãos de países de Ocidente continuam a pensar que os russos são um grande povo que vive numa área de 17 milhões de quilómetros quadrados, abrangendo o Norte da Ásia e a parte Leste da Europa, e que conseguiu unificar 190 povos em uma única nação.

Na realidade, não unificaram, mas subjugaram de forma brutal, impondo sua religião imperial, língua e regras. Muitos desses povos já desapareceram, ou estão à beira da extinção.

Sim, da mesma maneira se comportaram outros impérios. Mas, no século XXI, a civilização ocidental chegou a soluções racionais e humanas para problemas de colonização e conflitos interétnicos e religiosos. A liberalização das economias, a liberdade de expressão e a democracia política mostraram a sua eficácia tanto para o estado quanto para o indivíduo. Porém, a Rússia seguiu um caminho diferente de desenvolvimento. A táctica e a estratégia de desenvolvimento da Rússia moderna não diferem em nada da conquista e destruição da Europa Oriental pelos mongóis, com a ajuda dos Príncipes de Moscovo. Parece que a Rússia ficou presa na evolução medieval, tanto interna quanto externamente.

Para Moscovo, os ucranianos são um “povo” rebelde, que deve ser subjugado e assimilado, assim como os outros povos já conquistados. Um obstáculo à conquista de outros territórios que devem pertencer ao império. Essa é a principal ideia nacional dos russos modernos (moscovitas). Qualquer acordo ou tratado é visto como uma medida táctica temporária para alcançar o objectivo principal de conquista, e não como algo duradouro que possibilite cooperação pacífica.

Desde o início da agressão armada contra a Ucrânia em 2014, a Rússia violou mais de 400 tratados internacionais nos quais a Ucrânia e a Rússia participam, e desrespeitou 22 documentos internacionais fundamentais a partir de 2022.

A política de genocídio de Moscovo continua também em relação às minorias nacionais que fazem parte da Federação Russa. Além do facto de que o governo central não destina recursos para apoiar as suas necessidades culturais nacionais, com o início da guerra, esses povos passaram a ser a principal “carne”, enviada para a linha de frente da guerra.

Após os primeiros meses de guerra, em 2022, jornalistas independentes na Rússia realizaram uma investigação e descobriram que, entre os 1348 casos confirmados de mortes de soldados russos, a grande maioria pertence a representantes de minorias étnicas da Rússia.

Na sua maioria, os representantes desses povos entram na guerra contra os ucranianos (que nunca os ameaçaram), não por convicções ideológicas, mas devido à péssima situação socioeconómica nas suas regiões, onde a única forma de sobreviver é enviar alguém da família para a guerra.

No entanto, o número de mortos começa a transformar a sua visão do mundo. Mesmo sob um regime policial brutal na Rússia, há cada vez mais protestos, surgem com perguntas a Putin. De uma imagem de inimigo, esses povos começam a olhar para a Ucrânia como exemplo de luta pelo direito à existência nacional. Uma libertação de séculos de opressão. Para eles, a rendição da Ucrânia significará a perda da última esperança de autodesenvolvimento. Mesmo agora, quando as regiões mais ricas em recursos naturais na Rússia estão sendo exploradas impiedosamente, o nível de vida da população  nessas áreas é o mais baixo de toda a Rússia. O que acontecerá com elas quando os recursos naturais acabarem ou a demanda por energia mudar? Sem autogoverno, Moscovo não lhes dará nada e os deixará à mercê.

Chegou a hora de revisar a política ocidental equivocada de coexistência com a Rússia agressiva, que é um “tumor maligno” na civilização mundial. Com um custo alto, a Ucrânia já provou que, com apoio concreto do mundo ocidental e mudanças nos padrões duplos em relação a Moscovo, será possível vencer esse “tumor maligno”, o que marcará o início da libertação e do desenvolvimento dos povos oprimidos da Ásia do Norte e da Europa Oriental que fazem parte da federação russa, além de uma nova arquitetura de segurança e interação mundial.

Em 1991, o presidente dos EUA, George Bush, foi especialmente à Ucrânia para convencer o parlamento a não sair da URSS, porque temia o desfecho da superpotência nuclear. Sem apoio externo e contrariando a pressão internacional, os ucranianos fizeram a escolha do seu futuro. A história confirmou que essa foi a decisão correcta, pois de outra forma, nós já não existiríamos. Agora, ou daqui a dez anos, a Rússia inevitavelmente se desintegrará, como já aconteceu com todos os impérios totalitários agressivos na história da humanidade.
Criar uma zona desmilitarizada, a exemplo da Coreia do Norte ou de outros conflitos civis ou territoriais, não resolverá a questão da agressão russa. Apenas adiará a guerra para a próxima geração. Nunca tivemos conflitos com chechenos, buriates, tártaros ou outros povos, que habitam estes territórios. Além disso, estou convencido de que a Ucrânia ajudará esses povos no seu reconhecimento internacional e desenvolvimento. Mas, como dizem, agora a “bola está do lado” do mundo ocidental.

Desde o início da guerra de larga escala (2022), quando ucranianos em todos os países do mundo civilizado saíram às ruas com cartazes: “Ajude a fechar o céu da Ucrânia”, passaram-se três anos e meio, que levaram a vida de dezenas de milhares de civis, e só agora é que os políticos do Ocidente começaram a falar a sério sobre isso. Toda a história da Ucrânia mostra que os ucranianos lutarão pela sua liberdade, porque a liberdade é um valor fundamental da nossa mentalidade e visão de mundo. Assim está o mundo, onde os valores que sustentam a nação não podem ser apenas proclamados, eles exigem ser seguidos e defendidos,

GUERRA NA UCRÂNIA       UCRÂNIA       EUROPA       MUNDO

COMENTÁRIOS (de 48)

Graça Dias: Hitler - tirano do séc XX   Putin - tirano do séc XXI: Há efectivamente semelhanças entre estes dois tiranos sanguinários. No dia de ontem o chanceler alemão Friedrich Merz fez a mais lúcida afirmação - Putin " talvez o pior criminoso de guerra dos nossos tempos". Desde que o ditador e psicopata Putin chegou ao poder em 1999 já se envolveu em 5 guerras sangrentas Chechénia, Síria, Geórgia e agora a Ucrânia . Um criminoso que assassina também o seu próprio. Um criminoso que ataca quase em exclusivo estruturas civis (hospitais, escolas, edifícios residências...), ataca igualmente a história e a identidade de um povo (Bibliotecas, Museus, Teatros, igrejas...), mas este psicopata criminoso tem raptado milhares de crianças ucranianas!... Um homenzinho sem honra, sem carácter, sem dignidade. Ao sofrido povo ucraniano manifesto toda a minha solidariedade e admiração por resiliência ompar em prol da liberdade e independência. Viva Ucrânia.                     Carlos Chaves: Caro Pavlo Sadokha, que grande povo o seu povo Ucraniano! Os Mártires serão vingados e os sobreviventes irão assistir à vitória da Ucrânia e à derrota do imperialismo sanguinário Russo.                Paulo Machado: Pavlo Sadokha: O que se esconde por trás do cargo de dirigente associativo? Foi assessor de um deputado do Svoboda, partido de extrema-direita inspirado na figura de Stepan Bandera (cuja colaboração com os nazis Sadokha nega) e tem ligações a movimentos como o Azov e o Sector Direito                 Paulo Machado: Isto é de uma estupidez atroz. É uma pena que o mundo não seja justo e que o pecador nem sempre pague pelos seus pecados, Mas quando um pais com mais de 7.700 ogivas nucleares invade outro, nao perderá nunca a guerra.  Tem que encontrar solucoes que minimizem as perdas, territoriais e humanas. Tudo o resto é querer enviar o mundo para uma guerra mundial.               Paulo Machado: O Valente Pavlo, Está a fazer negócios em Portugal enquanto os seus jovens compatriotas, proibidos de sair da Ucrânia para ficarem a lutar pelos valentes que fugiram, Estão a morrer.              João Floriano: Slava Ukraini! Infelizmente não é por escrevermos milhares de vezes vivas à Ucrânia que a Rússia será vencida. A guerra está perdida e a Ucrânia está velada ou abertamente a ser pressionada para abdicar de parte do seu território, a dizer adeus à NATO, mas a poder entrar na UE porque convem aos interesses russos e chineses. Depois é só esperar para que a Rússia venha novamente invadir o país, destruir novamente o que entretanto foi reconstruido e começar tudo de novo. A única maneira de parar a Rússia e seus aliados é através de uma derrota militar. O norte coreano manda soldaditos para a Ucrânia para serem carne para canhão. Em nenhum país ocidental tal seria aceite. Na Rússia os opositores voam pela janela ou têm mortes criativas, o que também não pode acontecer no Ocidente. Enquanto a Rússia pode atacar com o armamento que muito bem entende e causar a mortandade entre civis, por comparação, Kiev pode usar fisgas e tremem de indignação quando um drone rebenta numa cidade russa. É impossível que Putin e aliados não tenham já pensado numa maneira de testar a NATO. Olhe-se para o mapa da Europa como era antes da queda do muro. Os russos querem voltar a essas fronteiras e têm aliados em países como Hungria , Eslováquia e Bósnia nos Balcãs . E depois o que resta é uma Europa pequena, cheia de problemas de toda a espécie, com um aliado poderoso mas errático. No entanto os Estados Unidos não se podem dar ao luxo de deixar a Europa desprotegida. Isso seria extremamente mau para os seus interesses. Mas também é verdade que não irão assumir a grande parte dos custos da NATO como antes. Esta é uma guerra que os ucranianos não conseguem vencer sozinhos.               Xico Nhoca: Pavlo, votar num presidente porque aparece na televisão costuma dar asneira. Posso dar 2 exemplos além do Zelensky: Trump e Marcelo. A Ucrânia tinha lá um presidente apaziguador que consideraram "pró russo". Decidiram meter um presidente que permitisse a outra super potência entrar na zona de influência da Rússia (recordo a crise dos mísseis em Cuba). Resultado: a Ucrânia destruída, a Europa humilhada e os EUA gozados todos os dias. Quanto à Ucrânia ganhar... também havia aquele general do Sadam que dizia coisas parecidas quando as tropas do inimigo estavam às portas de Bagdad.               João Floriano > Xico Nhoca: A NATO está na Finlândia, na Polónia, nas repúblicas Bálticas e no Alasca. Atacar a Ucrânia porque ia aderir à NATO é uma desculpa grosseira. A Ucrânia seria sempre atacada mesmo que não tivesse manifestado qualquer interesse na NATO. A Rússia queria fazer da Ucrânia uma nova Bielorússia. Não contava com a resistência de Kiev. O memorando de Budapeste, já lá vão 30 anos fez com que a Ucrânia cedesse o seu arsenal nuclear à Rússia. Muito provavelmente um grande erro que na altura pareceu a decisão certa. Mas há 30 anos viviamos a Perestroika e não se imaginava a volta que isto ia dar.

E concluindo:

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, considerou esta quarta-feira o encontro entre os presidentes russo, chinês e norte-coreano um "desafio directo à ordem internacional".© Foto: Vladimir Smirnov - Sputnik via Reuters

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, considerou esta quarta-feira o encontro entre os presidentes russo, chinês e norte-coreano um "desafio directo à ordem internacional". Os três líderes estiveram juntos em Pequim, onde assistiram à parada militar para assinalar o 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico. Na opinião da alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, o encontro entre Vladimir Putin, Xi Jinping e Kim Jong-un não só envia "sinais anti-ocidentais" como representa um "desafio directo à ordem internacional"

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