sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Pontos nos iis

 

Que pouca gente defende.

Senhores da guerra e Rei Salomão-Trump: lados da guerra mais estúpida do mundo

Mais de 70 anos da guerra mais estúpida do mundo desfazem dúvidas sobre o modo como ignorância e maldade espalham rios de sangue, destruição e miséria pelo planeta desde o Antigo Testamento.

GABRIEL MITHÁ RIBEIRO Professor, investigador e ensaísta, doutorado em Estudos Africanos. Deputado do Chega

OBSERVADOR, 11 set. 2025, 00:1512

«Os judeus existem como modelo de minoria bem-sucedida há milénios. Porquê? Talvez, por uma cultura de literacia, escolaridade e esforço ambicioso e disciplinado, aliados à admiração honesta por tal empenho; talvez, por algo que se aproxime da seleção sexual e cultural intragrupal da elevada inteligência. Tais ideias são perenemente impopulares. Qual a explicação alternativa? Acusações de que o sucesso comparativo dos judeus se deve à perfídia ou à conspiração, sob a forma de favoritismo dos próprios e manipulação injusta? Esta tem sido a acusação secular não menos importante, como se evidencia na abertura do livro do Êxodo [Antigo Testamento].» Jordan B. Peterson (2024), We Who Wrestle With God: Perceptions of the Divine, London, Penguin Books, p. 318 [tradução livre]

Traços da personalidade de um sujeito colectivo com mais de três milénios. De novo de regresso à terra prometida com a fundação do Estado de Israel, desde 1948, os judeus não se libertaram de ter de sobreviver coagidos num contexto histórico-geográfico-civilizacional de absoluto contraste com a sua maneira de ser e estar. Conheceram desde os tempos bíblicos de Moisés, no Egipto, a natureza do que mais de dois milénios depois se converteu no mundo islâmico-árabe. Este só prospera pelo trabalho escravo, subjugação hierárquica rígida, rapina ou conquista territorial.

Em 2025, tais diferenças milenares entre judeus e islâmicos sobressaem no conflito Israel-Palestina. Com virtudes e vícios de uns e outros, nas décadas recentes o destino fez recair a garantia da paz nos irmãos monoteístas do meio, os cristãos, Santa Sé incluída e povos e governos ocidentais de matriz cristã. A toque-de-caixa da esquerda, estes foram teimando em não sair de cima do muro, nem para o lado judeu nem para o lado islâmico, indecisão tornada razão maior da guerra.

1. Israel

O povo de Israel jogou todo o amor na sua terra prometida, por isso possui tudo o que a Palestina cobiça. Foi o povo de Israel que revelou, na origem, aos demais humanos o Deus único, fonte-mãe das outras religiões monoteístas reveladas (cristã e islâmica), e basta ir hoje a uma missa cristã dominical na Europa, Américas, África, Ásia, Oceânia para perceber o poder universal da palavra Israel, do seu povo e território. A lista de prémios Nobel e demais realizações de alta cultura, e não só, colocam os judeus entre os povos mais inteligentes de sempre. Num ciclo histórico em que, por todos os continentes, não faltam povos que conquistaram o poder sobre os seus territórios ancestrais para se autodestruírem, pelo contrário em pouco mais de 70 anos e sem recursos naturais, os judeus transformaram um deserto num país viável, apesar do contexto continuado de guerra. Aí criaram uma sociedade organizada com uma das economias mais prósperas do mundo. O seu regime democrático nunca vacilou no respeito pelos direitos humanos, incluindo mulheres, crianças e minorias em benefício, acima de tudo, dos palestinianos árabes-muçulmanos integrados na sociedade israelita. O seu Estado de Direito continua equilibrado e viável. Israel concretizou tudo o que o engenho de um povo civilizado é capaz.

2. Palestina

Nesses mesmos mais de 70 anos, a Palestina nada desenvolveu ou possui que qualquer país vizinho cobice, Israel ou outro. Quando uns vivem das degradantes intimidação e violência porque incapazes de prosperar por si mesmos, aos vizinhos prósperos resta cobiçar a paz, pois essa relação destrói ambos. Esse mal-estar no mundo é herança da mente patológica de Karl Marx, o transformador do lado predatório primário da espécie humana em vitimização, suposto valor moral que veio legitimar a rejeição da autorresponsabilidade. Todavia, apenas a última – o dever de cada sujeito individual ou colectivo assumir que é o primeiro e principal responsável pelo seu destinoconstitui fundamento moral primordial de toda a acção humana. Moralmente falhada, a Palestina falha em tudo o resto. Nunca provou possuir um povo inteligente, capaz de se autorregular numa sociedade minimamente organizada, tranquila, pacífica, civilizada em benefício deles mesmos, palestinianos, a fonte-mãe da pobreza. O seu povo nunca provou capacidade de respeitar os mais elementares direitos humanos entre os próprios, palestinianos, insistindo na subjugação primária de mulheres, crianças, minorias. Estado de Direito e democracia são miragens, inviáveis numa identidade colectiva que exibe com orgulho ser agressiva, violenta, ingrata, cínica, falhada. Para que servem os milhões e milhões de dólares e euros que norte-americanos e europeus despejam na Palestina, fundos equivalentes a outros doados após a II Guerra Mundial (1939-1945), como o Plano Dodge (que reergueu o Japão) ou o Plano Marshall (que reergueu a Europa Ocidental)? A Palestina tem sido pior do que deitar dinheiro ao lixo. É fomentar ódio e mais ódio, desordem, altivez, violência, estupidez, guerra.

3. Rei Salomão-Trump e senhores da guerra

Ao fim de muitas décadas, Donald Trump retirou os norte-americanos de cima do muro e escolheu Israel. Justiça não é cortar a criança a meio e oferecer metade do cadáver a cada mãe. É escolher apenas o lado racional que transcende a razão, como fez o Rei Salomão do Antigo Testamento.

Na sua ignorância e estupidez congénitas, os Senhores da Guerra Ocidentais, com os governos da França e Canadá na linha da frente, lançam-se na correria cega esquerdista anti-Trump: legitimar rapidamente o Estado da Palestina, torná-lo internacionalmente igual ao Estado de Israel, quando os pressupostos milenares são em absoluto contraditórios. Mais lenha na fogueira. O Governo Português AD/PSD, barata-tonta, quer ouvir os demais partidos parlamentares na próxima semana antes de decidir. Será mesmo necessário ofender a inteligência dos portugueses?

Imaginemos que os dois povos passavam a viver estritamente limitados a conviver de forma pacífica e livre. A absorpção do povo civilizacionalmente frágil pelo povo civilizacionalmente (bem) poderoso seria a regra impiedosa, pelo que o estado permanente de guerra é sempre a ilusão de sobrevivência do sujeito colectivo mais frágil, retrógrado, atrasado, violento que assim quer continuar. Os russos acolitam Vladimir Putin pela mesmíssima razão que os palestinianos acolitam o Hamas. Moral e inteligência colectivas não enganam, ou a falta delas.

Se a paz tivesse imperado desde 1948, os israelitas seriam hoje ainda mais prósperos, precisamente porque toda a região, o Próximo Oriente, também seria muitíssimo mais segura e próspera. O diabo está no detalhe: o povo palestiniano já não existia, se é que alguma vez existiu. A insanidade sanguinária dos Senhores da Guerra, semeada no Ocidente pelos soviéticos durante a guerra fria (1945-1991), também não teria a sua barriga de aluguer, o degenerado povo palestiniano.

Mais de 70 anos da guerra mais estúpida do mundo desfazem dúvidas sobre o modo como ignorância e maldade espalham rios de sangue, destruição e miséria pelo planeta desde o Antigo Testamento. Jordan Peterson explica.

CONFLITO ISRAELO-PALESTINIANO       MUNDO

COMENTÁRIOS (de 22):

Carlos Chaves: Como sempre, os magníficos e extraordinários textos e os seus autores, são renegados para os fundilhos deste bacio pestilento de esquerda socialista! Caro Gabriel Mithá Ribeiro, muito obrigado, ainda há gente bem neste mundo que nos traz a verdade e a luz! Bem-haja, Deus o conserve. Que texto maravilhoso, factual e justo, que prazer nos traz a sua leitura! P.S. O Governo actual se escolher a enormidade de reconhecer o “Estado” da Palestina, escolhe dizer-nos que é de esquerda, e da esquerda mais abjecta que existe! De BE para baixo!                Ana Luís da Silva: Excelente reflexão! Não sei se a posição de Mithá Ribeiro é a posição oficial do CHEGA, parto do princípio que sim. Parabenizo o autor pela clareza de raciocínio. Quem dera que o nosso governo não fosse incapaz de ter um posicionamento claro, do género apoiar Israel contra o Hamas. Mas depois de ver de raspão uma notícia aqui no Observador sobre a afirmação wishful thinking do ministro dos negócios estrangeiros relativa ao papel possível da China na pacificação da Rússia de Putin… fiquei sem ilusões! Pior só os incompetentes socialistas (que entregaram a lista de nomes ucranianos às autoridades russas), a trabalhar para os serviços secretos russos! Depois digam que o CHEGA não atrai quadros, o que sabemos que não é verdade. Quadros ou não, tem um posicionamento de bom senso, enquanto que o PS e o PSD são tontos, impreparados e pensam que os portugueses são todos burros!

Estou para ver na próxima semana os exercícios de retórica oca destes tontinhos na AR sobre se Portugal deve ou não alinhar na legitimação do Estado da Palestina. Um “fait divers” depois dos incêndios e da tragédia do elevador da Glória, para desviar a atenção da política nacional e  aliviar a pressão sobre o governo.                   João Amorim: Excelente artigo                 João Floriano: Tenho a certeza que o CHEGA não vai apoiar a loucura de reconhecer o estado da Palestina. Não há condições para que aquela parte do Médio Oriente possa funcionar como um Estado soberano. O Hamas não está de modo algum interessado porque como Mithá Ribeiro muito bem afirma, o Ocidente tem queimado milhões e milhões para encher os cofres de uma organização terrorista. E isso leva-nos a outras considerações sobretudo como pode vingar na Palestina um movimento político a favor da paz com Israel. Seriam perseguidos e exterminados pelo Hamas e os seus aliados.         GateKeeper: Top 20.                 Tim do A: Muito bom artigo!                Coxinho: Sintomático que os artigos do GMR sejam sempre relegados para os fundilhos do jornal. Objectividade, imparcialidade, respeito pelas opiniões adversas -- que deviam ser virtudes cardeais e obrigações deontológicas do jornalismo -- parecem agora qualidades viciadas que perderam todo o valor.             Maria Carreira: Muito bom, como habitualmente.                 Maria Augusta Martins > João Floriano: E outros tantos milhões para cevar (sem qualquer proveito próprio ou alheio) esta piara de inúteis que apenas se dedicam ao terrorismo e a fazer e parir mais gazeteiros, com medo que a estirpe se extinga ou não fossem eles há 60 anos duzentos mil e agora ultrapassam dois milhões a despeito dos muitos "genocídios" pelos vistos ineficazes e de que sobrevivem com saldo positivo a respeito do que dizem os bem mal intencionados que ao presente andam a ver drones e fantasmas sobre as salsas ondas do Mediterrâneo, em gozo de férias!                João Floriano > Ana Luís da Silva: Será que a grande flotilheira Mariana Mortágua, uma verdadeira ninfa dos sete mares. Virá a correr para o debate?

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