sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Demasiada areia


Para a minha camioneta, apenas poderei usar do blá blá habitual, resultante de um espreitar próprio de todos nós, seres pensantes, a respeito do mundo tal como o vemos do nosso comodismo ou das nossas próprias experiências, que não aquentam nem arrefentam, na marcha dos acontecimentos mundanais. Portugal, pequeno como é, mergulha as suas raízes no vasto mundo de gente que aqui aportou e trouxe as suas vivências, fundindo-as com os que já cá cantavam, e que originaram uma História Nacional, não de excelência em termos de projecção cultural, talvez por falta de estímulo governativo, mas, sim, de dimensão caminheira pioneira, pelos mares nunca dantes navegados, e nisso, julgo que é digno de atenção.

Não, na questão da educação, todavia, por defeito próprio, dado que somos dados também ao ripanço soalheiro, os próprios governantes régios iniciais pecando por igual parcimónia cultural, e os seguintes, que iniciaram o processo das Luzes educativas, restringindo-as inicialmente apenas às classes mais favorecidas pelos primores do “sangue”, e por tal motivo ou outros de igual relevância, também de um desses reis se disse “que um fraco rei faz fraca a forte gente”.

Não, não somos um povo amante da abertura espiritual, dum modo geral, e daí o nosso tamanho cultural diminuto, pesem embora tantos autores do nosso reconhecimento e amor. Mas a obrigatoriedade do ensino generalizado, surgindo tarde, criou um povo humilde e simpático, amante da diversão que o folclore variado bem demonstra, para nosso prazer também, pouco aptos na lição clássica.

O gosto pela leitura parece fundamental, e por mim sei quanto as bibliotecas são fundamentais no estímulo para ela, que na estante paterna iniciei as minhas pesquisas, mais nos livros que entre amigas adolescentes nos emprestávamos, mas nunca esquecerei o deslumbramento sentido em Coimbra, na Biblioteca do Instituto Francês da Faculdade de Letras, como fonte maior desses prazeres intelectuais que fui vivendo.

É por isso que acho fundamental o amor pela leitura no desenvolvimento de um povo, mas de política nada sei, para dar pareceres. Sempre direi, todavia, que o estímulo generalizado à leitura deveria ser incutido de pequenino, como o tal pepino torcido então.

Todavia, o “pelotão da frente” não me parece adaptável à nossa idiossincrasia de povo saltitante, sim, mas sobretudo nos folguedos próprios de uma liberdade física, mais do que espiritual. E sinto pena.

 

POLÍTICAS DE DESENVOLVIMENTO

·       HENRIQUE SALLES DA FONSECAA BEM DA NAÇÃO, 25.09.25

·   INQUÉRITO

Há séculos que Portugal se debate com problemas de desenvolvimento em especial quando em comparação com os seus principais parceiros.

E a pergunta é:

- Na sua opinião SUA opinião quais são as DUAS políticas que o Governo deve seguir para que, no espaço de um decénio, Portugal «salte» para o pelotão da frente do desenvolvimento internacional?

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