Num texto já passado:
Adriano Moreira.
Pessoa que escutei hoje, em entrevista antiga, expressiva de domínio do
seu saber e memórias de vida, de absoluta serenidade e seriedade, isentos de causticidade
crítica, tantas vezes provindo de recalcamentos ou mágoas vividas, em tempo
mais rígido, sob a férula usada num tempo de talvez menor flexibilidade
democrática.
23 de OUTUBRO 2022, um artigo de mais de dois anos
«Morreu o político e advogado Adriano Moreira. Tinha
100 anos»
«Antigo ministro do Ultramar, ex-presidente do CDS, advogado e
professor universitário, Moreira foi um dos primeiros académicos portugueses a
reflectir sobre o colonialismo português no século XX.»
23 out. 2022, 11:36 20
▲Adriano
Moreira nasceu a 6 de setembro de 1922 em Grijó,
em Macedo de Cavaleiros
«Adriano Moreira morreu este domingo de manhã aos 100
anos, avançou o Diário de Notícias, que confirmou a notícia junto de
fonte familiar. A Agência Lusa obteve confirmação junto de um membro do CDS,
de que Moreira foi presidente
entre 1986 e 1988.
Condecorado pelo Presidente da
República em junho passado com a Grã-Cruz
da Ordem de Camões, antes de
completar 100 anos, Moreira
destacou-se não só como político e estadista, mas também como professor
universitário e pensador na área das Relações Internacionais.
Antigo ministro do Ultramar do Estado
Novo, ex-presidente do CDS, advogado e professor universitário, Adriano Moreira nasceu a 6 de setembro
de 1922 em Grijó, em Macedo de Cavaleiros. Mudou-se para Lisboa em criança, quando
o pai, António José Moreira, foi nomeado subchefe da Polícia de Segurança
Pública no porto de Lisboa. Morou no bairro de Campolide.
Estudou
no Liceu Passos Manuel e depois na Faculdade de Direito da
Universidade de Lisboa, onde se formou em Ciências Histórico-Jurídicas,
em 1944, durante o período da Segunda Guerra Mundial.
Recém-formado,
o seu envolvimento num processo movido contra o então ministro da Guerra,
Fernando dos Santos Costa, fez com que fosse detido no Aljube, onde esteve dois
meses. Na prisão, conheceu Mário Soares, que até então só conhecia de nome. Após ter sido libertado, integrou no corpo
docente da antiga Escola Superior Colonial, depois Instituto Superior de
Estudos Ultramarinos (atual ISCSP), onde se doutorou com uma tese sobre o
problema prisional do ultramar.
Apesar
de se ter mantido numa primeira fase afastado da política, em 1960, foi
chamado por António de Oliveira Salazar para integrar o seu governo como
subsecretário de Estado da Administração Ultramarina, para que pusesse em
prática as reformas de que falava nas suas aulas. Em 1961, passou a
ministro do Ultramar. Moreira foi um dos primeiros académicos portugueses a
reflectir sobre o fenómeno da integração europeia e sobre a realidade do colonialismo
português no século XX, tendo integrado a primeira delegação portuguesa nas
Nações Unidas, no final dos anos 50.
Quando
deixou o governo, em 1963, voltou ao ensino. Em 1968, casou-se com Mónica
Mayer, com quem teve seis filhos.
Após
o 25 de Abril, foi saneado das funções oficiais e exilou-se no Brasil, onde deu
aulas na Universidade Católica do Rio de Janeiro. Regressou a Portugal e à
política ativa em 1980, como candidato a deputado nas listas da Aliança
Democrática. Mais tarde, filiou-se no CDS, que liderou entre 1986 e 1988,
continuando como deputado até 1995. Em 2015, foi eleito para o Conselho de
Estado, função que manteve até 2019.
Por
altura do seu 100.º aniversário, a dia 6 de setembro, Marcelo Rebelo de Sousa disse
que o advogado e político entrou “para a História de Portugal ao unir o nosso
passado com o futuro” e que “foi
grande em dois regimes políticos diferentes”, representando “sempre o universalismo português”.
“Projectou a língua, a cultura
e os valores universais portugueses por todo o mundo. Deu uma contribuição
importante ao longo de décadas para a instituição militar”, assinalou o
Presidente da República.
.
COMENTÁRIOS (de 20)
Pertinaz 23/10/2022: Os nossos Grandes estão a desaparecer… RIP Os medíocres
brilham cada vez mais… País a caminho da miséria…
Miguel Araújo 23/10/2022: Um grande homem...Paz à sua alma, as condolências à
família...e que a Esquerda não impeça uma justa homenagem ao Professor Adriana
Moreira.
João Floriano: 23/10/2022: Morreu um grande português.
Carlos Chaves: 23/10/2022:Que este
grande Português descanse em paz. Sentidos pêsames para toda a família.
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