sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Um triste acidente

 

De inútil comentário, tanto se ficou apavorado.

A magnífica história de um meio de transporte palco de subidas e descidas limitadas no espaço - e no tempo - como, afinal, essas o são, geralmente.

INÊS ANDRÉ FIGUEIREDO, a narradora excelente.

Prestes a fazer 140 anos, o Elevador da Glória é uma relíquia em andamento no coração de Lisboa

Inaugurado em 1885, o Elevador da Glória tornou-se num símbolo incontornável para o turismo em Lisboa, com milhares de pessoas a usarem o monumento todos os dias.

INÊS ANDRÉ FIGUEIREDO: Texto

OBSERVADOR, 04 set. 2025, 00:02 6

LUSA

Faltam poucos dias para se celebrarem 140 anos de História. O Elevador da Glória, também conhecido como Ascensor da Glória, é um dos mais incontornáveis pontos turísticos da cidade de Lisboa. Em pleno coração da capital portuguesa, faz a ligação entre a Praça dos Restauradores, na Baixa, e o Jardim de São Pedro de Alcântara, no Bairro Alto. Há dois ascensores no local a fazer o curto percurso dezenas de vezes por dia — são 265 metros, com uma inclinação de 17%.

Desenhado pelo engenheiro RAOUL MESNIER DU PONSARD, o Elevador da Glória foi inaugurado a 24 de outubro de 1885, tornando-se o segundo funicular de Lisboa, logo a seguir ao da Bica, o Elevador da Lavra. Nessa altura, o sistema de tracção do ascensor fazia-se por cremalheira (um sistema idêntico aquele que é usado nas bicicletas) e um cabo equilibrado com contrapeso de água. Ao longo do tempo, o ascensor foi sofrendo alterações, desde logo em 1914, quando passou a ser movido a electricidade.

Aquele que era um importante meio de transporte para os lisboetas foi-se tornando uma relíquia em andamento no coração da cidade, atraindo turistas de todo o mundo, de tal forma que, em 2002, adquiriu o estatuto de Momento Nacional. Os ascensores são conduzidos por um guarda-freios e os utilizadores podem seguir sentados ou em pé.

Actualmente, uma viagem no Elevador da Glória custa 4,20  euros se o bilhete for adquirido a bordo ou nas máquinas da Carris em 2025, sendo que há outras alternativas mais baratas ou até grátis para quem tem cartão ou passe de transportes. A verdade é que as filas para subir a bordo do Elevador da Glória passaram a ser uma constante na Calçada da Glória e são milhares os turistas que, diariamente, fazem questão de entrar no histórico ascensor para fazer a curta viagem entre a Baixa e o Bairro Alto.

O acidente desta quarta-feira não é o primeiro na história recente deste monumento. A 7 de maio de 2018, o Elevador da Glória tinha descarrilado devido a “uma falha grave de manutenção”, que fez com que a composição saísse dos carris. Nessa altura, a carruagem não tombou e ninguém ficou ferido, ainda que o elevador tenha ficado sem operar durante um mês.

No acidente desta quarta-feira, as primeiras informações dão conta de que um cabo se soltou, o que levou o ascensor a embater num edifício, causando a morte a 15 pessoas e provocando pelo menos 18 feridos.

LISBOA……PAÍS ……SOCIEDADE ……MONUMENTOS……HISTÓRIA……CULTURA

COMENTÁRIOS (de 6)

Maria Augusta Martins: Enfim uma mina de ouro estes "chaços"! Em contas de merceeiro três milhões de passageiro/ano pagantes, são pra riba de treze milhões de euros, pois penso que os borlistas não entram na contabilidade por falta de controlo. É uma vergonha que a câmara, a Carris ou o raio que os parta não tenha funcionários adstritos à manutenção e conservação? Treze milhões dá para pagar muita conservação, muita substituição e muita ribaldaria!

João Almeida Gomes: Quando foram construídas as carruagens e as infraestruturas? Quando vejo as finas e pequenas rodas nos carris, parece-me haver incapacidade de travar uma massa total de mais de (12 toneladas com 40 pessoas?) numa inclinação de 17 % se o cabo se partir. Afinal foi concebido e construído há 140 anos. 

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