Seria uma que impusesse valores,
entre os quais esses de não divulgar, com tanta pretensão esclarecedora, na
rede social, tudo quanto nela se expõe, no cuidado facilitador da existência humana,
nessa questão da obtenção imediata do esclarecimento cognitivo, que uma maior preocupação
humana moralizadora, reservaria, talvez, para as obras livrescas, de menor
acesso, naturalmente, que o da internet. Por outro lado, cabendo sobretudo à
família a responsabilidade da orientação pedagógica, o acesso ilimitado à rede
televisiva, mais directa, dificulta, naturalmente, o processo educativo, que, de
resto, quanto mais se pretende fiscalizar, mais apetece transgredir, a ocultas
que seja. Julgo que os pais não têm tanto poder pedagógico manietável, na
afluência dos registos informativos que rodeiam as sociedades, mas os
princípios educativos, de que não devem prescindir, podem servir de algum
travão nessas pesquisas, propondo outras escolhas, ou minimizando as dos media. O bom
senso, com a idade, feita de experiências vividas, imporá as regras para uma
desmistificação dos saberes. Mas a educação é sempre útil, em tudo isso.
4 d·
ADOLESCENTES EM
PERIGO!
O parlamento francês chamou “um cancro” à rede social mais querida
dos adolescentes, acusando-a de ser uma "armadilha algorítmica", prejudicial e perigosa, porque
os expõe a conteúdos ilícitos, colocando, deliberadamente, em perigo a saúde e
a vida dos utilizadores. Daí que tenha proposto a proibição de redes sociais a menores de 15 anos, e
entre os 15 e os 18 um recolher nocturno obrigatório. Recomendando uma medida que configure o “delito de negligência
digital” para “os pais irresponsáveis”. O presidente francês apoia as propostas apresentadas, semelhantes às que já se aplicam na Austrália, onde menores de 16 anos são
proibidos de aceder às redes sociais. E Ursula von der Leyen declarou que, até ao final do
ano, virá a pedir a um painel de peritos conselhos sobre a melhor abordagem a
levar a efeito na Europa sobre este tema.
Perante
tantos sinais, tão exuberantes, de preocupação das autoridades sobre o efeito
das redes sociais na adolescência não deveriam os pais assumir, de forma
pró-activa, atitudes de protecção dos seus filhos?
Serão todas
estas decisões exageradas e pouco ponderadas ou haverá uma espécie de défice de atenção de todos nós
em relação aos riscos que os adolescentes parecem estar a ser, continuamente,
expostos? E se houver - por desconhecimento; porque a consequência dessa exposição
não se traduz, aos nossos olhos, desde logo, em comportamentos perigosos; ou porque ela se dá com os adolescentes
dentro de casa e longe de “más companhias” - não poderão os pais, muito
longe daquilo que imaginam, estar a incorrer em atitudes de negligência
parental?
Havendo alterações claras do comportamento dos
adolescentes em consequência da exposição às redes sociais, não será uma urgência de todos que do dolo, a
determinar-se que existiu, se retirem as consequências devidas e que,
entretanto, se tomem medidas de controle destes conteúdos?
É claro que
destas medidas voltaremos a escutar o “é proibido
proibir” ou o apelo à auto-regulação dos
adolescentes. Mas serão
eles crescidos e esclarecidos o suficiente para que, só por si, façam face a
tantos perigos e saibam proteger-se, quando nós estamos a ter tantas dificuldades
para o fazer?
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