Versão,
digo. Há sempre um “diz que disse”
nestas coisas da responsabilização. Como ficará na HISTÓRIA?
Mas
talvez não seja importante.
Netanyahu terá avisado Trump de que ia atacar Hamas em Doha e o Presidente
dos EUA "não disse que não". Telavive nega
Versão dos factos revelada
por funcionários israelitas contradiz narrativa oficial da Casa Branca de que
Trump foi apanhado de surpresa. Ataque causou seis mortos e provocou condenação
internacional.
ANTÓNIO MOURA DOS SANTOS: Texto
OBSERVADOR, 15 set. 2025, 23:55
Afinal, o ataque israelita aos líderes do Hamas em
Doha, no Qatar, a 9 de setembro, terá ocorrido com a aprovação tácita dos EUA
adiantou esta segunda-feira o Axios.
O meio de comunicação social
norte-americano cita sete funcionários israelitas — três dos quais com
conhecimento directo deste dossier — que contradizem a versão da Casa Branca de
que os EUA só foram avisados após o lançamento dos mísseis.
Segundo esta versão, Netanyahu
terá avisado Trump 50 minutos antes do ataque, dando-lhe tempo para impedir
Israel de realizar o ataque. “Trump sabia
do ataque antes do lançamento dos mísseis. Primeiro, houve uma discussão a
nível político entre Netanyahu e Trump e, depois, por meio de canais militares.
Trump não disse que não”, confirma um dos funcionários ao Axios. Um
outro adianta que “se Trump quisesse impedi-lo, poderia tê-lo feito,
mas, na prática, não o fez”.
Isto
é muito diferente do que foi dito a 10 de setembro por altos funcionários dos
EUA num exclusivo dado ao Wall Street Journal,
em que Trump e Netanyahu terão tido “uma conversa acalorada” quanto ao ataque
no Qatar. Segundo os
funcionários norte-americanos, o seu chefe de Estado terá transmitido ao seu
homólogo israelita uma “profunda frustração por ter sido apanhado de surpresa”
pelo ataque a um aliado dos EUA.
Por essa razão, não só a Casa Branca tem
negado ter obtido conhecimento atempado que permitisse ordenar o cancelamento
do ataque, como — adiantam os funcionários israelitas entrevistados — Israel tem corroborado esta versão para
proteger a relação com os aliados norte-americanos.
Um
sinal disso mesmo é a reacção por parte do gabinete de Netanyahu
a esta notícia, que recorreu à rede social
X para afirmar que “a versão dos acontecimentos apresentada
pela Casa Branca está correcta”, negando
assim os depoimentos dos funcionários israelitas sob anonimato.
“A acção de Israel contra os líderes do Hamas
em Doha foi uma operação totalmente independente. Israel iniciou-a, executou-a
e assume total responsabilidade por ela”, aponta.
Segundo a versão da Casa Branca, Trump foi informado do ataque não por Netanyahu, mas pelas Forças Armadas dos EUA, e , ao
saber do que se passava, terá
ordenado o seu enviado especial Steve Witkoff a avisar o Qatar. Inclusive,
foi apontado que as Forças Armadas dos EUA, ao avistar jactos israelitas no ar,
solicitaram uma explicação a Israel, que só chegou depois dos mísseis
balísticos terem sido enviados em direcção ao complexo do Hamas em Doha.
O ataque israelita provocou seis
mortos — cinco
membros da comitiva do Hamas e um elemento de segurança qatari —, mas não
conseguiu vitimar qualquer um dos líderes da organização palestiniana. Esta
operação, de resto, não só foi alvo de uma condenação do Conselho de Segurança da ONU
como motivou o Conselho de Cooperação do Golfo a activar “mecanismos de defesa conjunta”, após ter condenado “veementemente o ataque israelita e a violação flagrante da soberania”
do Qatar.
CONFLITO
ISRAELO-PALESTINIANO MUNDO ISRAEL MÉDIO ORIENTE QATAR ESTADOS
UNIDOS DA AMÉRICA AMÉRICA BENJAMIN
NETANYAHU DONALD TRUMP
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