quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Analogia com

 

O «Quem te manda a ti, sapateiro tocar rabecão?” que exige o seguinte: “Não te metas onde não és chamado”.

Inutilmente, porém.

O Rei Lear na ONU: a tragédia do reconhecimento da Palestina

A lição de Shakespeare – a de que a fraqueza não tem defesa contra a sua própria vocação, acabando devorada por si mesma – encontra eco nas páginas das relações internacionais modernas

TIAGO MOREIRA DE SÁ Professor universitário, eurodeputado eleito pelo Chega

OBSERVADOR, 23 set. 2025, 00:1884

Quando Shakespeare concebeu o velho Rei Lear a repartir o trono entre as filhas, não se limitou a escrever uma tragédia familiar sobre a ruína de um pai: compôs um tratado filosófico sobre como o poder, mesmo quando se retira, continua a projectar-se. A abdicação de Lear, travestida de gesto pacificador (e, não por acaso, de vaidade), não trouxe concórdia: desencadeou a catástrofe. No núcleo da tragédia está a fraqueza do monarca, feita de cegueira moral, de arrogância e, sobretudo, de uma incapacidade radical de discernir a verdade escondida no coração humano (poderosa intuição de Shakespeare para designar a incapacidade de ver a realidade tal como ela é): incapaz de reconhecer a lealdade silenciosa de Cordélia, expulsa-a – do coração e do reino –, ao mesmo tempo que entrega confiança e poder às filhas pérfidas e intriguistas, Goneril e Regan, que já afiam os dentes à sombra do trono.

O enredo, implacavelmente shakespeariano, não concede tréguas: Goneril e Regan, investidas da herança do reino e predadoras da vulnerabilidade paterna, convertem o gesto magnânimo do pai no emblema da própria decrepitude. Cordélia, a filha honesta, que recusara adulação, é banida. O trono fragmenta-se. E Lear, humilhado e despojado da sua majestade, compreende demasiado tarde que o abandono do poder não produz serenidade, antes convida a dissimulação e precipita a dissolução.

A lição de Shakespearea de que a fraqueza não tem defesa contra a sua própria vocação, acabando devorada por si mesma encontra eco nas páginas das relações internacionais modernas. Na leitura que faz da crise do Suez de 1956 em Diplomacy (1994), Henry Kissinger observa que a decisão de Eisenhower de forçar a retirada da Grã-Bretanha, da França e de Israel, em vez de consolidar a unidade ocidental, transmitiu ao mundo árabe precisamente o mesmo sinal de hesitação, de divisão e de fraqueza que Lear projectara às suas filhas. Tal como o velho rei que, ao abdicar da coroa, esperava colher devoção mas apenas expôs a sua fragilidade, também Eisenhower imaginou que, humilhando os seus aliados coloniais, conquistaria o respeito de Nasser. Na realidade, o seu gesto apenas alimentou a percepção de um Ocidente dividido, enfraquecido e, portanto, vulnerável. O tipo de mensagem que afasta Cordélia e atrai Goneril e Regan.

O desfecho, portanto, não diferiu do de Lear: toda a projecção de fraqueza equivale a uma abdicação, mesmo que venha do “Rei Lear” do sistema internacional: os amigos humilhados, os inimigos encorajados, e o campo aberto para a penetração do rival que se pretendia, justamente, conter – a União Soviética. Em vez de conquistar “hearts and minds”, conquistou dúvidas, vácuos e, por fim, novos inimigos.

Na leitura shakespeariana de Kissinger, quanto mais Washington tentava aplacar Nasser, mais este, como uma Goneril do Suez, exigia novos tributos e favores, gravitando na direcção de Moscovo e encarecendo, a cada nova manifestação de fraqueza, o preço da sua lealdade. A fraqueza, aqui como em Lear, não apazigua: excita as ambições e multiplica as traições.

O episódio do Suez ilustra assim, de forma paradigmática, como a projecção de fraqueza tem o efeito de corroer a posição internacional de uma potência, mesmo quando animada pelas melhores intenções pacificadoras.

A lição é simples e dura: a fraqueza é como um perfume que o vento espalha, atraindo a desconfiança dos aliados e a audácia dos rivais. É um aroma que adormece quem o emana, mas excita quem o inala, seduzindo apenas o desprezo e a violência, o oportunismo e a traição – jamais a paz.

É sob este prisma shakespeareano que devemos encarar a questão actual do  reconhecimento de um Estado palestiniano. O direito dos palestinianos à soberania é, sem dúvida, legítimo e, a prazo, inevitável: a paz no Médio Oriente só poderá assentar numa solução de dois Estados, coexistindo lado a lado, em segurança e dignidade. No entanto, ao contrário de Lear e Eisenhower, não devemos confundir o legítimo e o oportuno. A legitimação inconsequente é inimiga da legitimação autêntica, e as liturgias de uma e de outra são não apenas distintas, mas mutuamente excludentes. Uma serve a paz duradoura dos povos, a outra serve a vaidade e o oportunismo efémero dos seus promotores. Conceder hoje, sem negociações sérias nem compromissos inequívocos, seria como devolver o ceptro de Lear às mãos de Goneril e Regan, convertendo assim um gesto legítimo de esperança num prenúncio seguro de tragédia.

Reconhecer um Estado palestiniano hoje, na sequência imediata do ataque terrorista de 7 de Outubro de 2023, equivaleria a premiar o Hamas e o seu projecto de violência. Seria trocar o trabalho paciente do diálogo pelo atalho envenenado da impunidade. Não surpreende, portanto, que a liderança do Hamas, sediada no Qatar, tenha lido o anúncio do reconhecimento como uma vitória. Em Agosto passado, enquanto o grupo terrorista divulgava mais um vídeo macabro de reféns em Gaza, um dos seus líderes, Ghazi Hamad, proclamava: “A iniciativa da parte de vários países de reconhecer um Estado palestiniano é um dos frutos do 7 de Outubro”.

A mensagem, prestando-se logicamente a esta leitura perversa do incentivo, seria, portanto, devastadora: terror produz Estado, sangue consagra soberania, massacre derroga Montevideu. As concessões que a política e a diplomacia não conquistaram em décadas seriam obtidas, afinal, num só golpe de violência primitiva: decapitações, violações, mutilações, imolações e raptos em massa – instrumentos da elevação do terror à condição de acto político fundador. Negociar com israelitas seria, afinal, menos rentável, menos eficaz, menos estratégico do que chaciná-los. Soterrado nos escombros de Gaza, Sinwar teria, finalmente, na pompa de Nova Iorque, a sua vitória póstuma.

Criar-se-ia, por essa via, um precedente perigoso, não só para Israel, mas para toda a ordem internacional, rasgando assim um contrato que as democracias, na sua “finest hour”, firmaram com a própria História: o pacto de que a besta do terrorismo jamais será a parteira da soberania.

Recordemos que, há vinte e quatro anos, perante os ataques terroristas de 11 de Setembro, os Estados Unidos e os seus aliados não premiaram a Al-Qaeda com qualquer dignidade política. Pelo contrário, não lhe ofereceram senão o desprezo moral e a perseguição implacável. Quando foi eliminado em Abbottabad, Bin Laden não foi apresentado como injustiçado na sua dignidade, nem o Paquistão como violado na sua soberania. Em 2011, quando o corpo do arquitecto do 11 de Setembro foi lançado às profundezas do Mar Arábico, ainda sabíamos fazer distinções elementares.

Isto não significa, obviamente, negar aos palestinianos o direito a um Estado. Significa que esse direito deve exercido sob condições claras e inegociáveis: a destruição total do Hamas, a libertação incondicional de todos os reféns, reformas estruturais na Autoridade Palestiniana e, acima de tudo, a aceitação inequívoca e definitiva da existência do Estado de Israel. Só nesse enquadramento a palavra “Estado”, como realização de uma história de convivência possível e não como troféu concedido à barbárie, recupera a sua dignidade.

Naquilo que respeita especificamente a Portugal, impõe-se um triplo repúdio: pela indignidade do método, pela gravidade da substância e pela incoerência de princípios.

O método foi pelo Palácio do Eliseu que ficámos a conhecer a posição oficial de Portugal, num gesto não apenas diplomática e institucionalmente insólito, mas um embaraço para a soberania nacional. Não cabe a Paris falar em nome de Lisboa, como se Portugal fosse um satélite do Quai d’Orsay, incapaz de formular e afirmar a sua própria política externa.

A substância: ao reconhecer a Palestina neste contexto, Portugal inscreve na sua história diplomática o precedente perigoso de confundir causa política com terrorismo e de conceder assim ao 7 de Outubro, o mais bárbaro ataque contra judeus desde o Holocausto – perante o qual a civilização jurou “Nunca Mais”a dignidade de data fundadora de um Estado palestiniano. O sangue de inocentes não pode ser a moeda legítima de consagração internacional.

Por fim, a coerência: Portugal não cumpre a sua própria palavra. O Governo estabeleceu critérios claros para que o reconhecimento fosse possível, e nenhuma dessas condições está verificada. Os reféns permanecem por libertar, o Hamas permanece por desarmar, o Estado de Israel permanece por reconhecer, a reforma institucional da Autoridade Palestiniana permanece por fazer, as eleições livres e democráticas permanecem por realizar, a desmilitarização do Estado palestiniano permanece por garantir.

Mesmo assim, Lisboa avança, a reboque de Paris, não porque os pressupostos que impôs a si mesmo tenham sido cumpridos, mas por interesses alheios, não explicados e difíceis de compreender à luz do interesse nacional. Portugal não apenas se deixa secundarizar pelo Eliseu, não apenas legitima a violência como gesto fundacional: torna-se incoerente consigo próprio, rasgando as linhas que traçou e corroendo, junto de países amigos, a credibilidade da sua política externa, que, na sua melhor tradição, sempre se guiou pela obediência a uma matriz estratégica clara: a concertação transatlântica e o consenso europeu.

A decisão do governo português de reconhecer nas actuais circunstâncias o Estado da Palestina representa uma ruptura inexplicável com uma constante secular do nosso sistema de relações internacionais: a da dupla aliança, com a principal potência marítima atlântica (hoje, os EUA) e com a principal potência continental europeia (hoje, a Alemanha). Em vez de permanecermos fiéis a essa tradição prudente, alinhando a nossa posição com os Estados Unidos da América e com a Alemanha, optamos por uma aliança de fracos, ditada por cálculos internos de Paris, Londres e Madrid. Pior ainda: permitimos que a nossa política externa se torne refém de interesses estrangeiros e da agenda das Nações Unidas.

Tudo isto ganha maior gravidade quando lido à luz do actual momento histórico, em que assistimos a uma reconfiguração regional sem precedentes: o enfraquecimento do poder das forças das trevas – o Irão e os seus proxies – e o fortalecimento das forças da luz de Abraão – os Acordos de Abraão entre Israel, os Emirados Árabes Unidos, o Barém, o Sudão e Marrocos (que se juntaram ao Egipto e à Jordânia). A questão palestiniana não é apenas local ou bilateral: ela tem uma dimensão regional que envolve Gaza, a Cisjordânia, o Irão, o Líbano, a Síria, o Iémen e até, eventualmente, partes do Iraque. O verdadeiro horizonte estratégico é precisamente esta reconfiguração do Médio Oriente, e a chave para a sua concretização não reside no reforço do Hamas – e do Irão –, mas na expansão da lógica dos Acordos de Abraão, que nunca se obterá a partir de uma posição de fraqueza na região do Ethosda força e do poder. É esta a paz que devemos apoiar e consolidara promessa e a bênção dos Acordos de Abraão – e não a maldição de Khomeini e Sinwar.

Reconhecer um Estado palestiniano neste momento, sem condições e a poucos dias do segundo aniversário do 7 de Outubro, enquanto dezenas de reféns permanecem sequestrados nos túneis do terror de Gaza, seria dar legitimidade e encorajamento às forças que sempre se opuseram, e sempre se oporão, à paz e à coexistência. O que se exige, pelo contrário, é uma estratégia de firmeza, que projecte força e credibilidade a toda a região, abrindo assim caminho a uma paz verdadeira, justa e duradoura.

A tudo isto acresce a obrigação histórica e solene que o Holocausto inscreveu na consciência moral do Ocidente: a responsabilidade perpétua e inadiável de proteger o povo judeu da ameaça, sempre latente, da aniquilação. O massacre industrial dos campos da morte nazis não foi apenas um atentado contra um povo, mas um crime cometido, no corpo de um povo, contra a própria ideia de humanidade. É por isso que dessa noite terrível de Auschwitz emergiu não apenas um trauma, mas uma lei moral, cuja vigência é perpétua: “Nunca Mais”. Hoje, porém, essa obrigação moral assume uma forma paradoxal, na medida em que os judeus precisam cada vez menos da nossa protecção e nós cada vez mais da sua. Israel, erguido das cinzas do genocídio, tornou-se sentinela na linha da frente contra os inimigos comuns – e existenciais – da liberdade e da dignidade humanas. É da nossa própria segurança, afinal, que se trata.

Neste momento, de um ponto do futuro que ainda não vislumbramos, a História já nos observa como o palco observa Lear. E já afia silenciosamente o gume do seu juízo severo. A nós, agentes livres e morais, cabe decidir de que lado das suas páginas implacáveis desejamos figurar: se como herdeiros da fraqueza que destrói, ou como guardiões da firmeza que preserva. A escolha que hoje fazemos não é efémera, nem se retém em Nova Iorque: ficará gravada, a ferro e fogo, na pedra do destino. E o seu preço será fatalmente cobrado, ou com a maldição de mais sangue inocente, ou com a bênção dos dias tranquilos e das vidas dignas. A nossa escolha de hoje é o nosso legado de amanhã – e não há senão duas vias: a maldição do sangue ou a bênção da paz.

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COMENTÁRIOS (de 34)

S N: Incrédulo, traído, impotente… como é que o governo português pode fazer isto? Desilusão.    Maria Da Veiga: Como portuguesa fico envergonhada e desamparada politicamente. Concordo com a sua análise e, se fosse referendada tal decisão de reconhecer um Estado palestino neste momento, eu votaria contra, pelas mesmas razões que muito bem explica no seu artigo. Mormente realço a hipocrisia do governo e do presidente da república, criticam o Sr. Trump porque dizem não dá respaldo aos tradicionais aliados, mas na 1ª decisão política com impacto político global, Portugal colocou-se do lado dos BRICS??? O pior é que desconfio, a decisão tem muito pouco de verdadeira política e de boa estratégia para o país. Desconfio que governo, presidente e Guterres conluiaram em troca de favores pessoais e calculismos que nada têm a ver com o bem para o posicionamento de Portugal no mundo nem com a verdadeira defesa dos interesses dos portugueses como nação.      graça Dias: Brilhante analogia entre duas tragédias. A tragédia de uma das obras-primas de Shakespeare < O Rei Lear > A tragédia na política externa de Portugal com inaudito descrédito, protagonizado pelo governo português; 1° Ministro Luís Montenegro e Dr. Paulo Rangel com um manifesto registo de imaturidade política, fragilidade intelectual e uma confrangedora incompetência. Uma humilhação que os portugueses irão relevar nas próximas eleições legislativas.

Ricardo Ribeiro: Obrigado por fazer "sombra " ao governo e ao ministro Paulo Rangel. Nota-se a olho nu e a grande distância, que tem muito mais conhecimento, qualidade e coerência que o "sombreado"...            Hugo Silva: Vergonha deste governo medíocre                António Lamas: Já há a palavra do ano 2025 COBARDIA. Nunca o mundo ocidental teve dirigentes tão fracos, cobardes e ignorantes a começar logo pelo Secretário Geral da ONU, um português que envergonha os ascendentes portugueses de Afonso Henriques a Spinola               Pobre Portugal: O psd morreu. Resta o Chega.                    Jónatas Ferreira: Que texto magistral!                Humilde Servo: Moreira de Sá 20 - Rangel 0                Maria Helena Oliveira: O governo reconheceu o estado da palestina. Não em meu nome.                Komorebi Hi: Excelente artigo e análise da actual situação baseada na História e na situação actual. Não se pode decidir com base em decisões de governos fracos, ou corruptos até à medula e que dormem com os inimigos do Ocidente, sem estratégia que a não dos rebanhos que julgam pastorear. Os casos da França, Espanha ou Reino Unido a que se juntam a Austrália e Canadá, por circunstâncias do tempo actual, em decisões do tempo futuro e que serão cobradas. O alinhamento seria este e se Biden/Obama estivessem no poder? O artigo do Prof. Tiago Moreira de Sá é excelente, num deserto de ideias e de pensamento coerente, num virar de alinhamentos apressados em que o arrependimento não cura decerto as feridas abertas.        António Rocha Pinto: Creio que ao contrário de si, os "políticos" da actualidade não têm hábitos de leitura. Nem o Príncipe leram ou não se teriam metido nestes apertos. Mesmo o PR que se diz leitor compulsivo não parece ter tirado ilações das leituras. A procura de likes substitui os princípios       Ruço Cascais: Na minha opinião, o reconhecimento da Palestina por parte de Montenegro não se deveu a uma questão de avaliação moral ou de objectivos internacionais para criar pressão a Israel, mas sim uma medida com objectivos políticos nacionais, e, obviamente, eleitorais. Quem está contra o reconhecimento do Estado da Palestina? R: a Direita, quanto mais à direita, mais contra. O PSD ao encostar-se às esquerdas nesta matéria isola o CH e capitaliza eleitorado na área do PS, ou do centro se quisermos. A jogada política não é mal pensada deste ponto de vista. O PSD já percebeu que dificilmente consegue desviar o eleitorado do CH, mas, o mesmo já não se passa com o PS. Além disso, o reconhecimento do Estado da Palestina deixa Carneiro a bater palmas ao governo de Montenegro a pouquíssimas semanas das autárquicas. Carneiro sofreu um mata-leão de Montenegro. Já o referi por aqui várias vezes; Montenegro é um grande jogador da política interna, com a vantagem de procurar passar despercebido para não dar nas vistas. Montenegro nasceu nos bastidores do PSD num tempo em que o partido andava constantemente em lutas internas. Ainda anda, mas, agora mais calmo já que é poder. Se podemos aplaudir Montenegro pelo seu tacitismo político, temos que o criticar enquanto governante. O tacicismo político dita a governação do país. Montenegro nunca tomará uma medida de governação que coloque em causa perdas eleitorais. Tivemos oito anos deste modelo de governação com António Costa, e, os eleitores percebem quando duas laranjas de árvores diferentes são o mesmo fruto. A França e Inglaterra, países com níveis de islamização muito grandes, na minha opinião, também reconhecem o Estado da Palestina, não com o objectivo de fazer pressão a Israel, mas sim para se livrarem das pressões internas. Quem vai fazer oposição ao reconhecimento do Estado da Palestina serão os partidos de direita. Em Portugal, o CH pode encostar o PSD ao PS com este reconhecimento e retirar dividendos políticos, mas, existe um estranho silêncio sobre o assunto. Ventura estará com medo de perder eleitorado com este caso do reconhecimento da Palestina? A própria IL também desilude nesta matéria. O CDS, a fazer um pouco de polícia mau do governo teve uma posição corajosa e ganhou muitos pontos à IL. Na França, Inglaterra e Portugal se quisermos, algumas dezenas de milhar saem para as ruas em protesto, os governos assustam-se e cedem, e, esquecem-se de que nas urnas são milhões que votam e essas dezenas de milhares representam as minorias de esquerda. A direita não sai à rua em protestos porque não tem tempo, às esquerdas tem todo o tempo do mundo, o seu único trabalho é combater o sucesso, como é o exemplo de Israel no Médio Oriente. O sucesso de Israel naquele deserto e naquela hostilidade deixa as esquerdas completamente roídas.               Coxinho: Gostaria de encontrar uma só palavra que sintetizasse esta decisão do governo português. Ainda tentei mas o meu léxico privado não foi suficiente. Vergonha, humilhação, enxovalho, inconsciência, ignomínia - foi tudo isto em escala maior. Em contraste aberto e bem vincado, a leitura do presente artigo valeu pelo jornal inteiro.                Maria Nunes: Brilhante artigo. Obrigada.                  Paulo Alves: Parabéns ao autor que escreveu tão pertinente texto, a divulgar amplamente por todos para que todos percebam o que realmente se passa com os nossos tempos, nesta nossa sociedade infelizmente tão infantilizada e a viver uma paz que se julga caída do céu.             Maria Cordes: Na Palestina, o Hamas fez refém todo um povo. Culturalmente, na lavagem ao cérebro, conservando uma pobreza indigna, a quem distribui esmolas, quando recebe biliões e os chefes vivem no Catar, com mordomias petrolíferas, torturando e assassinando toda a dissidência, assunto escondido pela comunicação social ocidental. Montenegro não tem coluna vertebral, o seu ministro, muito controverso. A Palestina, é o quê?                  Jorge Lopes: Que tristeza esta decisão do governo português! Estou muito desiludido …         Manuel F: O que acrescentar? tudo claro e transparente. Só concebo que o srs. Montenegro e Rangel estejam sobre o efeito de drogas de prolongado efeito, para tomarem uma decisão destas à revelia de tudo e quase todos. Penso que só os comunistas (parte do PS e tudo à sua esquerda, portanto uma pequena minoria) tenham ficado satisfeitos com a medida que envergonha o País.            Antonio C.: A total ausência de critérios, dignidade e espinha dorsal demonstrada pelo governo português e pelos seus representantes máximos marca o grau zero na política externa nacional. Vergonha define pouco o que se passou.              Lourenço de Almeida: Muito obrigado por um texto interessantíssimo. Pena que já poucos leiam os clássicos, de onde se tiram lições tão actuais como as que refere. Discordo no entanto da viabilidade dos "dois estados". A divisão da Palestina entregando 87% a estrangeiros Hashemitas (Jordânia), foi já uma acção "à Rei Lear" a favor das más filhas árabes. Dividir o que sobrou entre Israel e mais árabes, entregando a outras más filhas, a Judeia, Samaria e Gaza, é um absurdo. Sobretudo pensando que as outras filhas - os estados árabes já constituídos - aceitariam um estado palestiniano, como outra coisa que não apenas mais uma cedência cobarde do Rei Lear ocidental. Ninguém quer um Estado Palestiniano. Aquilo só serve para justificar a permanente agressão a Israel, enquanto existir. Se vier a ser estabelecido um estado palestiniano, desaparece o único motivo pelo qual os palestinianos são suportados pelos nossos inimigos e aquilo implode. Os inimigos de Israel nunca permitirão isso. E a forma de o impedirem, é garantir que nunca seja possível a solução dos dois estados com uma Palestina pacífica. Aquilo é uma plataforma terrorista para atacar Israel, atulhada de uma mescla de civis e combatentes para garantir uma permanente espinha nas fracas consciências ocidentais! Se os árabes quisessem uma Palestina independente, o Egipto ou a Jordânia anexavam a Judeia e Samaria e Gaza e um dia davam-lhes a independência. Já o fizeram no passado, mas entregaram-nas a terroristas, garantindo que não haveria paz. Não retiveram esses territórios porque é para estes mais importante a extinção de Israel do que mais uns míseros hectares de território, quando comparados com os milhões de quilómetros quadrados do mundo árabe e islâmico.           GateKeeper: Top 10.           Maria Helena Oliveira: Esplêndido        Ana Matos: Absolutamente brilhante ! Concordo com cada palavra.                Manuel F: Há tantas medidas que exigem a aprovação da AR e do PR e esta, de tamanha responsabilidade, moral e internacional, é tomada só com a aprovação do Governo?                José Rego: Excelente.      Esther Eyng > Helena Lopez: Oprimido pelo Hamas, por sua própria mentalidade e ignorância, por interesses geopolíticos que os usam como instrumento para atingir o único Estado democrático de toda a região.                Jose Pires: Artigo notável! Os actuais governantes (em quem votei, desgraçadamente) vão ficar na História como uns fracos, cobardes e reles decisores, que acompanharam a esquerda woke, a esquerda corrupta, contra um Estado amigo, democrático. Envergonham Portugal e os portugueses, não são dignos do cargo que ocupam. Esquecem as lições da História, enterram a reputação de Portugal como um país respeitável e confiável. Miseráveis!     David Pinheiro > Manuel F: PSD é de esquerda.              David Pinheiro: Tudo isto foi uma jogada de Macron com o objetivo de colocar os franceses contra a Le Pen. Macron já nos tem habituado a jogadas políticas. E esta terá o mesmo destino das anteriores. O Rassemblement National irá liderar a França, mais tarde ou mais cedo. E Macron ficará na história, mas não pelas razões que desejava. Quanto a Portugal e RU (e anteriormente a Espanha), são apenas os bobos da corte, que Macron usa para reforçar a sua narrativa. O seu destino não será muito diferente do francês.       Alexandre Barreira: Pois. Caríssimo Tiago, Sem tirar....nem pôr. E "camarão que dorme".........."onda leva"......!                Francisco Almeida > Ruço Cascais: Aplaudo a sua análise mas falta-lhe um pormenor que, suspeito eu sem garantir, foi decisivo. Rangel (o governo, o MNE, tanto faz) querem assegurar o regresso de Portugal ao Conselho de Segurança e os votos dos países islâmicos são decisivos para isso. Esclareço que é uma explicação, nunca uma desculpa. O que o governo fez, quanto a mim, não tem desculpa.                  Rosa Graça: Muito, muito bom. Subscrevo.            Carlos Chaves: Caro Tiago Moreira de Sá, porque é que não é você o candidato presidencial do CHEGA? Se o Ventura chegar ao Palácio cor-de-rosa, vai arrepender-se de não o ter escolhido a si para candidato a desalojar a nódoa e o traidor da Pátria, que ainda por lá defeca!               João Sousa > Ruço Cascais: Viu alguém à esquerda a elogiar o PSD? Isto vai dar zero votos ao PSD e fa lo perder os votos à direita.     Maria Tejo > Paulo Alves: Tem mais que razão. A sociedade ocidental está infantilizada pelo conforto, pelos seus IPhones e sobretudo pela ignorância e pelo proselitismo acéfalo de clichês de líderes fracos acolitados pela propaganda massiva que manipulam através da CS. Parafraseando Marcelo (não o caquético…) em Hamlet “ algo está podre no reino…” do Ocidente. “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades….” Os clássicos permanecem imutáveis na sua genialidade.       Maria Tejo > Coxinho: Completamente de acordo. Este artigo vale por si só não só o jornal inteiro como a assinatura deste mês.   Jorge Lopes > Ruço Cascais: Boa análise!          Emanu@.PaciênciaSemFim: Um artigo extraordinário que devemos ler 3 a 4 vezes. Muito Obrigado Dr Tiago Moreira Sá.                    Hugo Silva: OT: parece que afinal o CH não é só André Ventura.                 Jose Pires > Helena Lopez: O reconhecimento nesta altura é um prémio ao Hamas! Uma estupidez, que só os cegos, ou de má-fé apoiantes de terroristas não vêem! Os idiotas úteis com que os Estados ditatoriais que atacam Israel, contam para dividir o Ocidente! Mas serão assim tão cegos, que nem sequer questionam como são respeitados os Direitos Humanos, os Direitos das mulheres, nesses Estados, comparados com Israel??? Gente ignorante....                  João Sousa: A Europa não consegue deixar de confirmar a sua fraqueza e irrelevância a cada tentativa desesperada de ser relevante. A Europa dividida e sem recursos naturais não consegue competir com Estados Unidos, China ou até uma futura Rússia. Não o reconhecermos é somente triste.               Jacinto Leite: Nunca existirá um estado palestino. Se Israel desaparecer, o seu território será repartido pela Jordânia, Síria e Egipto. As elites árabes de Jerusalém nunca constituíram um Estado, foram sempre serventuárias do Cairo ou de Istambul, como testemunha Rshid Khalidi no seu The 100 Years War on Palestine.                 joao lemos > Helena Lopez: tolice. leia com atenção o artigo             David Pinheiro > Lourenço de Almeida: Comentário perfeito. E a história tratará de o confirmar.          Lourenço de Almeida > Ruço Cascais: A França e a Inglaterra também não leram o Rei Lear ou saberiam que o reconhecimento do estado palestiniano é para os seus inimigos internos uma vitória contra os próprios França e Inglaterra. Quanto aos portugueses, estão-se nas tintas para a Palestina e o governo ganharia muito mais votos se mostrasse quanto é que os socialistas nos fizeram entregar aquele bando de terroristas - entre contribuições directas a ONGs, à ONU e contribuições indirectas feitas a partir da UE - e se recusasse a continuar a subsidiar o terrorismo.              Jose Pires > Novo Assinante: Já cá faltava o idiota útil do costume. O defensor-mor de terroristas!          David Pinheiro > Ruço Cascais: O PSD já há algum tempo que iniciou o processo de engolir o PS, como Costa tinha engolido o BE e o PCP. Um processo que está a decorrer com descarado sucesso. Mas tiro o chapéu ao PSD, nunca escondeu que era um partido de esquerda, um partido verdadeiramente social democrata.                   Hugo Silva > Hugo Marinho: vá dizer isso aos três homens hoje executados, pelo seu grupo favorito                 Manuel F > Ruço Cascais: O Sr. vê na medida tomada os efeitos na política interna e é capaz de ter razão, mas Portugal enquanto País ocidental tem responsabilidades internacionais que ultrapassam a baixa política interna. Como disse o Passos Coelho: se for preciso estou-me nas tintas para as eleições, o País está em primeiro lugar.         Jacinto Leite: Os árabes não aceitam 2 estados, só querem o deles. Para isso é que matam os judeus. A Europa é agora o maior obstáculo à paz no Levante.                 pedro santos: Muito bom. Só temos políticos/governantes que nos envergonham enquanto povo e país. Esta gente nunca mais verá um voto meu.                  José Paulo Castro: A fraqueza do Ocidente é equivalente ao dinheiro do Qatar. Temos elites compradas, é a única conclusão. Vêm agora os 'bárbaros' populistas para as derrubar... As janelas estão prontas.                      Miguel Macedo: O que o governo português e outros fizeram é uma vergonha e uma desgraça! Este governo da AD é  péssimo!                  Hugo SilvaJose Pires: Deixe o homem desabafar... É sempre bom termos gente deste calibre para percebermos que a parvoíce não tem limite.

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