O «Quem te manda a ti, sapateiro tocar
rabecão?” que exige o seguinte: “Não
te metas onde não és chamado”.
Inutilmente, porém.
O Rei Lear na ONU: a tragédia do
reconhecimento da Palestina
A lição de Shakespeare – a de que a fraqueza não tem defesa contra a
sua própria vocação, acabando devorada por si mesma – encontra eco nas
páginas das relações internacionais modernas
TIAGO MOREIRA DE SÁ Professor
universitário, eurodeputado eleito pelo Chega
OBSERVADOR, 23 set. 2025, 00:1884
Quando
Shakespeare concebeu o velho Rei Lear a repartir o trono entre as filhas, não
se limitou a escrever uma tragédia familiar sobre a ruína de um pai: compôs um
tratado filosófico sobre como o poder, mesmo quando se retira, continua a
projectar-se. A abdicação de Lear, travestida de gesto
pacificador (e, não por acaso, de
vaidade), não trouxe concórdia: desencadeou a catástrofe. No núcleo da tragédia está a fraqueza do
monarca, feita de cegueira moral, de arrogância e, sobretudo, de uma
incapacidade radical de discernir a verdade escondida no coração humano (poderosa
intuição de Shakespeare para designar a incapacidade de ver a realidade tal
como ela é): incapaz de reconhecer a
lealdade silenciosa de Cordélia, expulsa-a – do coração e do reino –, ao
mesmo tempo que entrega confiança e poder às filhas pérfidas e intriguistas,
Goneril e Regan, que já afiam os dentes à sombra do trono.
O enredo, implacavelmente
shakespeariano, não concede tréguas: Goneril
e Regan, investidas da herança do reino e predadoras da vulnerabilidade
paterna, convertem o gesto magnânimo do pai no emblema da própria
decrepitude. Cordélia,
a filha honesta, que recusara adulação, é banida. O trono
fragmenta-se. E Lear, humilhado e despojado da sua majestade, compreende
demasiado tarde que o abandono do poder não produz serenidade, antes convida a
dissimulação e precipita a dissolução.
A lição de Shakespeare – a de
que a fraqueza não tem defesa contra a sua própria vocação, acabando devorada
por si mesma – encontra eco nas páginas das relações
internacionais modernas. Na leitura que faz da crise do Suez de 1956 em Diplomacy (1994), Henry Kissinger observa que
a decisão de Eisenhower de forçar a retirada da Grã-Bretanha, da França e de
Israel, em vez de consolidar a unidade ocidental, transmitiu ao mundo árabe
precisamente o mesmo sinal de hesitação, de divisão e de fraqueza que Lear
projectara às suas filhas. Tal como o
velho rei que, ao abdicar da coroa, esperava colher devoção mas apenas expôs a
sua fragilidade, também Eisenhower imaginou que, humilhando os seus
aliados coloniais, conquistaria o respeito de Nasser. Na realidade, o seu gesto apenas
alimentou a percepção de um Ocidente dividido, enfraquecido e, portanto,
vulnerável. O tipo de mensagem que afasta Cordélia e atrai
Goneril e Regan.
O
desfecho, portanto, não diferiu do de Lear: toda
a projecção de fraqueza equivale a uma abdicação, mesmo que venha do “Rei Lear”
do sistema internacional: os amigos humilhados, os inimigos encorajados, e o
campo aberto para a penetração do rival que se pretendia, justamente, conter – a União Soviética. Em vez de
conquistar “hearts and minds”, conquistou dúvidas, vácuos e, por fim, novos
inimigos.
Na leitura shakespeariana de Kissinger, quanto
mais Washington tentava aplacar Nasser, mais este, como uma Goneril do Suez, exigia
novos tributos e favores, gravitando na direcção de Moscovo e encarecendo, a
cada nova manifestação de fraqueza, o preço da sua lealdade. A fraqueza, aqui como em Lear, não apazigua: excita as
ambições e multiplica as traições.
O episódio do Suez ilustra assim, de forma paradigmática, como a
projecção de fraqueza tem o efeito de corroer a posição internacional de uma
potência, mesmo quando animada pelas melhores intenções pacificadoras.
A lição é simples e dura: a fraqueza é como um perfume que o vento espalha,
atraindo a desconfiança dos aliados e a audácia dos rivais. É um aroma que
adormece quem o emana, mas excita quem o inala, seduzindo apenas o
desprezo e a violência, o oportunismo e a traição – jamais a paz.
É sob este prisma shakespeareano que
devemos encarar a questão actual do reconhecimento de um Estado palestiniano. O direito
dos palestinianos à soberania é, sem dúvida, legítimo e, a prazo, inevitável: a paz no
Médio Oriente só poderá assentar numa solução de dois Estados, coexistindo lado
a lado, em segurança e dignidade. No entanto, ao contrário de Lear e Eisenhower, não devemos confundir
o legítimo e o oportuno. A legitimação inconsequente é inimiga da legitimação
autêntica, e as liturgias de uma e de outra são não apenas distintas, mas
mutuamente excludentes. Uma serve a
paz duradoura dos povos, a
outra serve a vaidade e o oportunismo efémero dos seus promotores. Conceder hoje, sem negociações sérias nem
compromissos inequívocos, seria como devolver o ceptro de Lear às mãos de
Goneril e Regan, convertendo assim um gesto legítimo de esperança num prenúncio
seguro de tragédia.
Reconhecer um Estado
palestiniano hoje, na sequência imediata do ataque terrorista de 7 de Outubro
de 2023, equivaleria a premiar o Hamas e o seu projecto de violência. Seria trocar o trabalho paciente do diálogo pelo
atalho envenenado da impunidade. Não
surpreende, portanto, que a liderança
do Hamas, sediada no Qatar, tenha lido o anúncio do reconhecimento como uma
vitória. Em Agosto
passado, enquanto o grupo
terrorista divulgava mais um vídeo macabro de reféns em Gaza, um dos seus
líderes, Ghazi Hamad, proclamava: “A iniciativa da parte de vários
países de reconhecer um Estado palestiniano é um dos frutos do 7 de Outubro”.
A mensagem, prestando-se
logicamente a esta leitura perversa do incentivo, seria, portanto, devastadora: terror
produz Estado, sangue consagra soberania, massacre derroga
Montevideu. As concessões que a política e a
diplomacia não conquistaram em décadas seriam obtidas, afinal, num só golpe de
violência primitiva: decapitações, violações, mutilações, imolações e
raptos em massa – instrumentos da elevação do terror à condição de acto político
fundador. Negociar
com israelitas seria, afinal, menos rentável, menos eficaz, menos estratégico
do que chaciná-los. Soterrado
nos escombros de Gaza, Sinwar teria, finalmente, na pompa de Nova Iorque, a sua
vitória póstuma.
Criar-se-ia,
por essa via, um precedente perigoso, não só para Israel,
mas para toda a
ordem internacional, rasgando
assim um contrato que as democracias, na sua “finest hour”, firmaram com a
própria História: o
pacto de que a besta do terrorismo jamais será a parteira da soberania.
Recordemos que, há vinte e quatro anos, perante os ataques
terroristas de 11 de Setembro, os Estados Unidos e os seus aliados não
premiaram a Al-Qaeda com qualquer dignidade política. Pelo
contrário, não lhe ofereceram senão o desprezo moral e a perseguição
implacável. Quando foi eliminado em Abbottabad, Bin Laden não foi apresentado como injustiçado
na sua dignidade, nem o Paquistão como violado na sua soberania. Em
2011, quando o corpo do
arquitecto do 11 de Setembro foi lançado às profundezas do Mar Arábico, ainda
sabíamos fazer distinções elementares.
Isto não significa, obviamente, negar
aos palestinianos o direito a um Estado. Significa
que esse direito deve exercido sob condições claras e inegociáveis: a destruição total do Hamas, a libertação incondicional
de todos os reféns, reformas estruturais na Autoridade Palestiniana e, acima de
tudo, a aceitação inequívoca e definitiva da existência do Estado de Israel. Só
nesse enquadramento a palavra “Estado”, como realização de uma história de
convivência possível e não como troféu concedido à barbárie, recupera a
sua dignidade.
Naquilo que respeita especificamente
a Portugal, impõe-se um triplo repúdio: pela indignidade do método,
pela gravidade da substância
e pela incoerência de princípios.
O método foi pelo Palácio do Eliseu que ficámos a
conhecer a posição oficial de Portugal, num gesto não apenas diplomática e
institucionalmente insólito, mas um embaraço para a soberania nacional.
Não cabe a Paris falar em nome de Lisboa, como se Portugal fosse um satélite
do Quai d’Orsay, incapaz de formular e afirmar a sua própria política externa.
A substância: ao reconhecer a Palestina neste contexto,
Portugal inscreve na sua história diplomática o precedente perigoso de
confundir causa política com terrorismo e de conceder assim ao 7 de Outubro, o
mais bárbaro ataque contra judeus desde o Holocausto – perante o qual a
civilização jurou “Nunca Mais” – a dignidade de data fundadora de um
Estado palestiniano. O sangue de inocentes não pode ser a moeda
legítima de consagração internacional.
Por fim, a coerência: Portugal não cumpre a sua própria palavra.
O Governo estabeleceu critérios claros para que o reconhecimento fosse
possível, e nenhuma dessas condições está verificada. Os reféns permanecem por
libertar, o Hamas permanece por desarmar, o Estado de Israel permanece por
reconhecer, a reforma institucional da Autoridade Palestiniana permanece por
fazer, as eleições livres e democráticas permanecem por realizar, a
desmilitarização do Estado palestiniano permanece por garantir.
Mesmo
assim, Lisboa avança, a reboque de Paris, não porque os pressupostos que impôs
a si mesmo tenham sido cumpridos, mas por interesses alheios, não explicados e
difíceis de compreender à luz do interesse nacional. Portugal não apenas se deixa secundarizar pelo Eliseu,
não apenas legitima a violência como gesto fundacional: torna-se incoerente
consigo próprio, rasgando as linhas que traçou e corroendo, junto de países
amigos, a credibilidade da sua política externa, que, na sua melhor tradição, sempre
se guiou pela obediência a uma matriz estratégica clara: a concertação
transatlântica e o consenso europeu.
A decisão do governo português de reconhecer nas actuais
circunstâncias o Estado da Palestina representa uma ruptura inexplicável com
uma constante secular do nosso sistema de relações internacionais: a da
dupla aliança, com a principal potência
marítima atlântica (hoje, os EUA) e com a
principal potência continental europeia (hoje, a Alemanha). Em vez de
permanecermos fiéis a essa tradição prudente, alinhando a nossa posição com os
Estados Unidos da América e com a Alemanha, optamos
por uma aliança de fracos, ditada por
cálculos internos de Paris, Londres e Madrid. Pior
ainda: permitimos que a nossa política
externa se torne refém de interesses estrangeiros e da agenda das Nações Unidas.
Tudo
isto ganha maior gravidade quando lido à luz do actual momento histórico, em
que assistimos a uma reconfiguração regional sem precedentes: o
enfraquecimento do poder das forças das trevas – o Irão e os seus proxies – e o fortalecimento das forças da luz de
Abraão – os Acordos de Abraão entre
Israel, os Emirados Árabes Unidos, o Barém, o Sudão e Marrocos (que se juntaram
ao Egipto e à Jordânia). A questão palestiniana não é apenas local
ou bilateral: ela tem uma
dimensão regional que envolve Gaza, a Cisjordânia, o Irão, o
Líbano, a Síria, o Iémen e até, eventualmente, partes do Iraque. O verdadeiro horizonte estratégico é
precisamente esta reconfiguração do Médio
Oriente, e a chave para a sua
concretização não reside no reforço do Hamas – e do Irão –,
mas na expansão da lógica dos Acordos de Abraão, que nunca se obterá a partir
de uma posição de fraqueza na região do Ethosda força e do poder. É esta a
paz que devemos apoiar e consolidar – a promessa e a bênção dos
Acordos de Abraão – e não a maldição de Khomeini e Sinwar.
Reconhecer
um Estado palestiniano neste momento, sem condições e a poucos dias do
segundo aniversário do 7 de Outubro, enquanto
dezenas de reféns permanecem sequestrados nos túneis do terror de Gaza, seria dar legitimidade e encorajamento às
forças que sempre se opuseram, e sempre se oporão, à paz e à coexistência. O que se exige, pelo contrário, é uma
estratégia de firmeza, que projecte força e credibilidade a toda a região,
abrindo assim caminho a uma paz verdadeira, justa e duradoura.
A tudo isto acresce a obrigação
histórica e solene que o Holocausto inscreveu na consciência moral do
Ocidente: a
responsabilidade perpétua e inadiável de proteger o povo judeu da ameaça, sempre
latente, da aniquilação. O
massacre industrial dos campos da morte nazis não foi apenas um atentado contra
um povo, mas um crime cometido, no corpo de um povo, contra a própria ideia de
humanidade. É por isso que dessa noite terrível de Auschwitz emergiu não apenas
um trauma, mas uma lei moral, cuja vigência é perpétua: “Nunca
Mais”. Hoje, porém, essa obrigação moral assume uma forma
paradoxal, na medida em que os judeus precisam cada vez menos da nossa
protecção e nós cada vez mais da sua. Israel,
erguido das cinzas do genocídio, tornou-se sentinela na linha da frente contra
os inimigos comuns – e existenciais – da liberdade e da dignidade humanas. É da
nossa própria segurança, afinal, que se trata.
Neste momento, de um ponto do futuro que
ainda não vislumbramos, a História já nos observa como o palco observa Lear. E já afia silenciosamente o gume do seu
juízo severo. A nós,
agentes livres e morais, cabe decidir de que lado das suas páginas implacáveis
desejamos figurar: se como herdeiros da fraqueza que destrói, ou como guardiões
da firmeza que preserva. A escolha
que hoje fazemos não é efémera, nem se retém em Nova Iorque: ficará gravada, a ferro e fogo, na pedra do
destino. E o
seu preço será fatalmente cobrado, ou com a maldição de mais sangue inocente,
ou com a bênção dos dias tranquilos e das vidas dignas. A nossa escolha de hoje
é o nosso legado de amanhã – e não há senão duas vias: a maldição do sangue ou
a bênção da paz.
RELAÇÕES
INTERNACIONAIS POLÍTICA TERRORISMO MUNDO MÉDIO ORIENTE GEOPOLÍTICA OCIDENTE
COMENTÁRIOS (de 34)
S N: Incrédulo, traído, impotente… como é que o governo
português pode fazer isto? Desilusão.
Maria Da Veiga: Como portuguesa fico envergonhada e desamparada
politicamente. Concordo com a sua análise e, se fosse referendada tal decisão
de reconhecer um Estado palestino neste momento, eu votaria contra, pelas
mesmas razões que muito bem explica no seu artigo. Mormente realço a hipocrisia
do governo e do presidente da república, criticam o Sr. Trump porque dizem não
dá respaldo aos tradicionais aliados, mas na 1ª decisão política com impacto
político global, Portugal colocou-se do lado dos BRICS??? O pior é que desconfio, a
decisão tem muito pouco de verdadeira política e de boa estratégia para o país.
Desconfio que governo, presidente e Guterres conluiaram em troca de favores
pessoais e calculismos que nada têm a ver com o bem para o posicionamento de
Portugal no mundo nem com a verdadeira defesa dos interesses dos portugueses
como nação. graça
Dias: Brilhante analogia entre duas
tragédias. A tragédia de uma das
obras-primas de Shakespeare < O Rei Lear > A tragédia na política externa de Portugal com inaudito descrédito,
protagonizado pelo governo português; 1° Ministro Luís Montenegro e
Dr. Paulo Rangel com um manifesto registo de imaturidade política, fragilidade
intelectual e uma confrangedora incompetência. Uma humilhação que os portugueses
irão relevar nas próximas eleições legislativas.
Ricardo Ribeiro: Obrigado por fazer
"sombra " ao governo e ao ministro Paulo Rangel. Nota-se a olho nu e
a grande distância, que tem muito mais conhecimento, qualidade e coerência que
o "sombreado"... Hugo Silva: Vergonha deste governo
medíocre António
Lamas: Já há a palavra do ano 2025 COBARDIA. Nunca o mundo ocidental teve
dirigentes tão fracos, cobardes e ignorantes a começar logo pelo Secretário
Geral da ONU, um português que envergonha os ascendentes portugueses de Afonso
Henriques a Spinola Pobre
Portugal: O psd morreu. Resta o Chega. Jónatas Ferreira: Que texto magistral! Humilde Servo: Moreira de Sá 20 - Rangel 0 Maria Helena Oliveira: O governo reconheceu o estado
da palestina. Não em meu nome. Komorebi Hi: Excelente artigo e análise da
actual situação baseada na História e na situação actual. Não se pode decidir com base
em decisões de governos fracos, ou corruptos até à medula e que dormem com os
inimigos do Ocidente, sem estratégia que a não dos rebanhos que julgam
pastorear. Os casos da França, Espanha ou Reino Unido a que se juntam a
Austrália e Canadá, por circunstâncias do tempo actual, em decisões do tempo
futuro e que serão cobradas. O alinhamento seria este e se Biden/Obama estivessem no poder? O artigo do Prof. Tiago
Moreira de Sá é excelente, num deserto de ideias e de pensamento coerente, num
virar de alinhamentos apressados em que o arrependimento não cura decerto as
feridas abertas. António
Rocha Pinto: Creio que ao contrário de si, os "políticos" da actualidade não
têm hábitos de leitura. Nem o Príncipe leram ou não se teriam metido nestes
apertos. Mesmo o PR que se diz leitor compulsivo não parece ter tirado ilações
das leituras. A procura de likes substitui os princípios Ruço Cascais: Na minha opinião, o
reconhecimento da Palestina por parte de Montenegro não se deveu a uma questão
de avaliação moral ou de objectivos internacionais para criar pressão a Israel,
mas sim uma medida com objectivos políticos nacionais, e, obviamente,
eleitorais. Quem está contra o reconhecimento do Estado da Palestina? R: a Direita, quanto mais à
direita, mais contra. O PSD ao encostar-se às esquerdas nesta matéria isola o
CH e capitaliza eleitorado na área do PS, ou do centro se quisermos. A jogada política não é mal
pensada deste ponto de vista. O PSD já percebeu que dificilmente consegue
desviar o eleitorado do CH, mas, o mesmo já não se passa com o PS. Além disso,
o reconhecimento do Estado da Palestina deixa Carneiro a bater palmas ao
governo de Montenegro a pouquíssimas semanas das autárquicas. Carneiro sofreu
um mata-leão de Montenegro. Já o referi por aqui várias vezes; Montenegro é um grande jogador da
política interna, com a vantagem de procurar passar despercebido para não dar
nas vistas. Montenegro nasceu nos bastidores do PSD num tempo em que o partido
andava constantemente em lutas internas. Ainda anda, mas, agora mais calmo já
que é poder. Se podemos aplaudir Montenegro pelo seu tacitismo político, temos
que o criticar enquanto governante. O tacicismo político dita a governação do
país. Montenegro nunca tomará uma medida de governação que coloque em causa
perdas eleitorais. Tivemos oito anos deste modelo de governação com António
Costa, e, os eleitores percebem quando duas laranjas de árvores diferentes são
o mesmo fruto. A França e Inglaterra, países com níveis de islamização muito
grandes, na minha opinião, também reconhecem o Estado da Palestina, não com o
objectivo de fazer pressão a Israel, mas sim para se livrarem das pressões
internas. Quem vai fazer oposição ao reconhecimento do Estado da Palestina
serão os partidos de direita. Em Portugal, o CH pode encostar o PSD ao PS com
este reconhecimento e retirar dividendos políticos, mas, existe um estranho
silêncio sobre o assunto. Ventura estará com medo de perder eleitorado com este
caso do reconhecimento da Palestina? A própria IL também desilude nesta
matéria. O CDS, a fazer um pouco de polícia mau do governo teve uma posição
corajosa e ganhou muitos pontos à IL. Na França, Inglaterra e Portugal se
quisermos, algumas dezenas de milhar saem para as ruas em protesto, os governos
assustam-se e cedem, e, esquecem-se de que nas urnas são milhões que votam e
essas dezenas de milhares representam as minorias de esquerda. A direita não
sai à rua em protestos porque não tem tempo, às esquerdas tem todo o tempo do
mundo, o seu único trabalho é combater o sucesso, como é o exemplo de Israel no
Médio Oriente. O sucesso de Israel naquele deserto e naquela hostilidade deixa
as esquerdas completamente roídas.
Coxinho: Gostaria de encontrar uma só
palavra que sintetizasse esta decisão do governo português. Ainda tentei mas o
meu léxico privado não foi suficiente. Vergonha, humilhação, enxovalho, inconsciência,
ignomínia - foi tudo isto em escala maior. Em contraste aberto e bem vincado, a
leitura do presente artigo valeu pelo jornal inteiro. Maria Nunes: Brilhante artigo. Obrigada. Paulo Alves: Parabéns ao autor que escreveu
tão pertinente texto, a divulgar amplamente por todos para que todos percebam o
que realmente se passa com os nossos tempos, nesta nossa sociedade infelizmente
tão infantilizada e a viver uma paz que se julga caída do céu. Maria Cordes: Na Palestina, o Hamas fez
refém todo um povo. Culturalmente, na lavagem ao cérebro, conservando uma pobreza indigna,
a quem distribui esmolas, quando recebe biliões e os chefes vivem no Catar, com
mordomias petrolíferas, torturando e assassinando toda a dissidência, assunto
escondido pela comunicação social ocidental. Montenegro não tem coluna
vertebral, o seu ministro, muito controverso. A Palestina, é o quê? Jorge
Lopes: Que tristeza esta decisão do governo português! Estou muito desiludido … Manuel F: O que acrescentar? tudo claro
e transparente. Só concebo que o srs. Montenegro e Rangel estejam sobre o efeito de drogas
de prolongado efeito, para tomarem uma decisão destas à revelia de tudo e quase
todos. Penso que só os comunistas (parte do PS e tudo à sua esquerda,
portanto uma pequena minoria) tenham ficado satisfeitos com a medida que
envergonha o País. Antonio
C.: A total ausência
de critérios, dignidade e espinha dorsal demonstrada pelo governo português e
pelos seus representantes máximos marca o grau zero na política externa
nacional. Vergonha define pouco o que se passou. Lourenço de Almeida: Muito obrigado por um texto
interessantíssimo. Pena que já poucos leiam os clássicos, de onde se tiram
lições tão actuais como as que refere. Discordo no entanto da viabilidade dos
"dois estados". A divisão da Palestina entregando 87% a estrangeiros
Hashemitas (Jordânia), foi já uma acção "à Rei Lear" a favor das más
filhas árabes. Dividir o que sobrou entre Israel e mais árabes, entregando a
outras más filhas, a Judeia, Samaria e Gaza, é um absurdo. Sobretudo pensando
que as outras filhas - os estados árabes já constituídos - aceitariam um estado
palestiniano, como outra coisa que não apenas mais uma cedência cobarde do Rei
Lear ocidental. Ninguém quer um Estado Palestiniano. Aquilo só serve para
justificar a permanente agressão a Israel, enquanto existir. Se vier a
ser estabelecido um estado palestiniano, desaparece o único motivo pelo qual os
palestinianos são suportados pelos nossos inimigos e aquilo implode. Os
inimigos de Israel nunca permitirão isso. E a forma de o impedirem, é garantir
que nunca seja possível a solução dos dois estados com uma Palestina pacífica.
Aquilo é uma plataforma terrorista para atacar Israel, atulhada de uma
mescla de civis e combatentes para garantir uma permanente espinha nas fracas
consciências ocidentais! Se os árabes quisessem uma Palestina independente,
o Egipto ou a Jordânia anexavam a Judeia e Samaria e Gaza e um dia davam-lhes a
independência. Já o fizeram no passado, mas entregaram-nas a terroristas,
garantindo que não haveria paz. Não retiveram esses territórios porque é
para estes mais importante a extinção de Israel do que mais uns míseros
hectares de território, quando comparados com os milhões de quilómetros quadrados
do mundo árabe e islâmico.
GateKeeper: Top 10. Maria Helena Oliveira: Esplêndido Ana Matos: Absolutamente brilhante !
Concordo com cada palavra. Manuel
F: Há tantas
medidas que exigem a aprovação da AR e do PR e esta, de tamanha
responsabilidade, moral e internacional, é tomada só com a aprovação do
Governo? José
Rego: Excelente. Esther
Eyng > Helena Lopez: Oprimido pelo Hamas, por sua própria mentalidade e
ignorância, por interesses geopolíticos que os usam como instrumento para
atingir o único Estado democrático de toda a região. Jose Pires: Artigo notável! Os actuais governantes (em quem votei, desgraçadamente) vão ficar na História como
uns fracos, cobardes e reles decisores, que acompanharam a esquerda woke, a
esquerda corrupta, contra um Estado amigo, democrático. Envergonham
Portugal e os portugueses, não são dignos do cargo que ocupam. Esquecem as
lições da História, enterram a reputação de Portugal como um país respeitável e
confiável. Miseráveis! David
Pinheiro > Manuel F: PSD
é de esquerda. David
Pinheiro: Tudo isto foi
uma jogada de Macron com o objetivo de colocar os franceses contra a Le Pen.
Macron já nos tem habituado a jogadas políticas. E esta terá o mesmo destino
das anteriores. O Rassemblement National irá liderar a França, mais tarde ou
mais cedo. E Macron ficará na história, mas não pelas razões que desejava. Quanto
a Portugal e RU (e anteriormente a Espanha), são apenas os bobos da corte, que
Macron usa para reforçar a sua narrativa. O seu destino não será muito
diferente do francês. Alexandre
Barreira: Pois. Caríssimo
Tiago, Sem tirar....nem pôr. E "camarão que
dorme".........."onda leva"......! Francisco
Almeida > Ruço Cascais: Aplaudo a sua análise mas falta-lhe um pormenor que,
suspeito eu sem garantir, foi decisivo. Rangel (o governo, o MNE, tanto faz)
querem assegurar o regresso de Portugal ao Conselho de Segurança e os votos dos
países islâmicos são decisivos para isso. Esclareço que é uma explicação, nunca
uma desculpa. O que o governo fez, quanto a mim, não tem desculpa. Rosa
Graça: Muito, muito
bom. Subscrevo. Carlos
Chaves: Caro Tiago
Moreira de Sá, porque é que não é você o candidato presidencial do CHEGA? Se o
Ventura chegar ao Palácio cor-de-rosa, vai arrepender-se de não o ter escolhido
a si para candidato a desalojar a nódoa e o traidor da Pátria, que ainda por lá
defeca! João
Sousa > Ruço Cascais: Viu alguém à esquerda a elogiar o PSD? Isto vai dar
zero votos ao PSD e fa lo perder os votos à direita. Maria Tejo > Paulo Alves: Tem mais que razão. A sociedade ocidental está
infantilizada pelo conforto, pelos seus IPhones e sobretudo pela ignorância e
pelo proselitismo acéfalo de clichês de líderes fracos acolitados pela
propaganda massiva que manipulam através da CS. Parafraseando Marcelo (não o
caquético…) em Hamlet “ algo está podre no reino…” do Ocidente. “Mudam-se os
tempos, mudam-se as vontades….” Os clássicos permanecem imutáveis na sua
genialidade. Maria
Tejo > Coxinho: Completamente
de acordo. Este artigo vale por si só não só o jornal inteiro como a assinatura
deste mês. Jorge
Lopes > Ruço
Cascais: Boa análise! Emanu@.PaciênciaSemFim: Um artigo extraordinário que devemos ler 3 a 4 vezes.
Muito Obrigado Dr Tiago Moreira Sá. Hugo Silva:
OT: parece que afinal o CH não é só André Ventura. Jose Pires > Helena Lopez: O reconhecimento nesta altura é um prémio ao Hamas!
Uma estupidez, que só os cegos, ou de má-fé apoiantes de terroristas não vêem!
Os idiotas úteis com que os Estados ditatoriais que atacam Israel, contam para
dividir o Ocidente! Mas serão assim tão cegos, que nem sequer questionam como
são respeitados os Direitos Humanos, os Direitos das mulheres, nesses Estados,
comparados com Israel??? Gente ignorante.... João
Sousa: A Europa não
consegue deixar de confirmar a sua fraqueza e irrelevância a cada tentativa
desesperada de ser relevante. A Europa dividida e sem recursos naturais não
consegue competir com Estados Unidos, China ou até uma futura Rússia. Não o
reconhecermos é somente triste.
Jacinto Leite: Nunca
existirá um estado palestino. Se Israel desaparecer, o seu território será
repartido pela Jordânia, Síria e Egipto. As elites árabes de Jerusalém nunca
constituíram um Estado, foram sempre serventuárias do Cairo ou de Istambul, como
testemunha Rshid Khalidi no seu The 100 Years War on Palestine. joao
lemos > Helena Lopez: tolice. leia com atenção o artigo David
Pinheiro > Lourenço de Almeida: Comentário perfeito. E a
história tratará de o confirmar. Lourenço de Almeida > Ruço Cascais: A França e a Inglaterra também
não leram o Rei Lear ou saberiam que o reconhecimento do estado palestiniano é
para os seus inimigos internos uma vitória contra os próprios França e
Inglaterra. Quanto aos portugueses, estão-se nas tintas para a Palestina e o
governo ganharia muito mais votos se mostrasse quanto é que os socialistas nos
fizeram entregar aquele bando de terroristas - entre contribuições directas a
ONGs, à ONU e contribuições indirectas feitas a partir da UE - e se recusasse a
continuar a subsidiar o terrorismo. Jose Pires > Novo Assinante: Já cá faltava o idiota útil do
costume. O defensor-mor de terroristas! David Pinheiro > Ruço Cascais: O PSD já há algum tempo que
iniciou o processo de engolir o PS, como Costa tinha engolido o BE e o PCP. Um
processo que está a decorrer com descarado sucesso. Mas tiro o chapéu ao PSD, nunca escondeu que era um partido de esquerda, um
partido verdadeiramente social democrata. Hugo
Silva > Hugo Marinho: vá dizer isso aos três homens
hoje executados, pelo seu grupo favorito Manuel F > Ruço Cascais: O Sr. vê na medida tomada os
efeitos na política interna e é capaz de ter razão, mas Portugal enquanto País
ocidental tem responsabilidades internacionais que ultrapassam a baixa política
interna. Como disse o Passos Coelho: se
for preciso estou-me nas tintas para as eleições, o País está em primeiro
lugar. Jacinto
Leite: Os árabes não aceitam 2 estados, só querem o deles. Para isso é que matam
os judeus. A Europa é agora o maior obstáculo à paz no Levante. pedro
santos: Muito bom. Só temos políticos/governantes que nos envergonham enquanto povo
e país. Esta gente nunca mais verá um voto meu. José
Paulo Castro: A fraqueza
do Ocidente é equivalente ao dinheiro do Qatar. Temos elites compradas, é a
única conclusão. Vêm agora os 'bárbaros' populistas para as derrubar... As
janelas estão prontas.
Miguel Macedo: O
que o governo português e outros fizeram é uma vergonha e uma desgraça! Este governo
da AD é péssimo! Hugo SilvaJose Pires: Deixe
o homem desabafar... É sempre bom termos gente deste calibre para percebermos
que a parvoíce não tem limite.
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