De bons e maus momentos, de alegrias e pesadelos. Para nós, de momento,
de alegrias apenas, no retorno de JAIME NOGUEIRA PINTO ao palco da “Lucidez precisa-se”, de MARIA JOÃO PIRES
ao da glória reconhecida que nos enche de orgulho pátrio.
I TEXTO
MARIA JOÃO PIRES
Vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva 2025
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Pianista Maria João Pires vence Prémio
Europeu Helena Vaz da Silva 2025
"Além de ser uma extraordinária intérprete, Maria João é uma
educadora visionária, uma pensadora cultural e uma revolucionária
silenciosa", diz a presidente do Centro Nacional da Cultura.
OBSERVADOR, 12
set. 2025, 07:45
A pianista Maria João Pires é a
vencedora da edição de 2025 do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação
do Património Cultural, anunciou esta sexta-feira o Centro Nacional de Cultura (CNC), promotor da
iniciativa.
“Este reconhecimento europeu presta homenagem
à excepcional contribuição de uma das maiores pianistas do nosso tempo para a
promoção do património cultural e dos valores europeus“, justifica o CNC, em
comunicado.
De acordo com a decisão do júri,
presidido por Maria Calado, presidente do CNC, “Maria João Pires é uma das pianistas mais poéticas e influentes da
Europa. Além de ser uma extraordinária intérprete, é uma educadora visionária,
uma pensadora cultural e uma revolucionária silenciosa no domínio do património
musical”.
O júri reconhece na carreira da
pianista, “profundamente enraizada nos valores da empatia, da inclusão e da
excelência artística“, a essência da “missão do Prémio Helena Vaz da Silva: sensibilizar
o público para o património cultural europeu através de um envolvimento
humanista e de impacto”.
Maria João Pires, numa reacção ao
prémio, citada pelo comunicado do CNC, disse: “Ter um prémio corresponde a ter uma honra. Ter uma honra e tomar
consciência dela, é lembrar ao pormenor todas as pessoas que deram do seu
tempo, colaboraram e ajudaram a que essa honra fosse atribuída. Por isso a
minha primeira reacção será sempre dizer ‘muito obrigado’ a todos por esta
oportunidade.”
A pianista, que nasceu em Lisboa em
1944, tornou-se numa das “artistas mais destacadas internacionalmente”, escreve
o CNC, recordando o percurso de Maria João Pires desde a sua primeira actuação
em público, aos quatro anos, até à consagração nas décadas de 1980-1990.
Após a conquista do primeiro prémio
do concurso internacional Beethoven, em 1970, o seu nome tornou-se recorrente
nos programas das principais salas de concerto a nível mundial e nos catálogos
das maiores editoras de música clássica: a Denon, primeiro, para a qual gravou
a premiada integral das Sonatas de Mozart (1974); a Erato, a seguir, nos anos
de 1980, onde deixou Bach, Mozart e uma das mais celebradas interpretações das Cenas
Infantis, de Schumann; e depois aDeutsche Grammophon, em 1989.
Nesse ano, fundou o Centro Belgais para o Estudo das Artes, em Escalos de Baixo, Castelo
Branco, projeto educativo, pedagógico e cultural dedicado à música, onde
oferece workshops interdisciplinares, concertos e gravações que, no futuro,
segundo o CNC, podem vir a ser “partilhados com a comunidade digital”.
Em 2012, na Bélgica, iniciou dois
projetos complementares: os Partitura Workshops e os Partitura Choirs,
destinados a coros infantis de crianças oriundas de ambientes desfavorecidos,
como o Hesperos Choir.
De acordo com o CNC, “todos estes
projetos têm como objetivo criar uma dinâmica altruísta entre artistas de
diferentes gerações, propondo uma alternativa a uma realidade demasiado focada
na competitividade”.
No passado mês de junho MARIA JOÃO PIRES
anunciou um afastamento dos palcos “por algum tempo”, devido a um “problema de
saúde cerebrovascular”. Na altura, cancelou concertos e recitais que tinha
agendados para Portugal e para diversas salas europeias e do Japão.
Em agosto, em nova mensagem, mostrou
entusiasmo “com a ideia de dar de novo aulas online”: “Dar aulas […] é muito
mais do que isso, é uma forma de diálogo através da música, ‘um dar e
receber’, uma troca de impressões, uma aprendizagem partilhada na arte de
ouvir, uma procura de equilíbrio… Procurar em conjunto obriga a um acordo na
experiência. Um trabalho sobre nós próprios, que nos dará certamente mais
lucidez”.
Ao longo da carreira, MARIA JOÃO PIRES
recebeu o prémio do Conselho Internacional da Música, da Organização das Nações
Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, 1970), o Prémio Pessoa
(1989), a Medalha de Mério Cultural do Governo português e o Prémio
Personalidade do Ano/Martha de la Cal da Associação da Imprensa Estrangeira em
Portugal (2019), o Praemium Imperiale (2024), da Associação de Arte do Japão.
A nível discográfico, foi distinguida
quatro vezes pela Academia Charles Cross, nomeada regularmente para os Grammy e
recebeu um prémio Gramophone, destacando-se as suas interpretações de Sonatas e
dos “Impromptus”, de Schubert, dos “Nocturnos”, de Chopin, e de Concertos de
Mozart e Beethoven.
O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva foi
instituído em 2013 pelo CNC, com a organização Europa Nostra e o Clube
Português de Imprensa, com apoio dos ministérios da Cultura, Juventude e
Desporto, e dos Negócios Estrangeiros, da Fundação Calouste Gulbenkian e do
Turismo de Portugal.
Além de Maria Calado, o júri foi
composto por Francisco Pinto Balsemão, fundador do grupo Impresa, Piet
Jaspaert, vice-presidente da Europa Nostra, João David Nunes, pelo Clube
Português de Imprensa, Guilherme d’Oliveira Martins, administrador da Fundação
Gulbenkian, Irina Subotic, presidente da Europa Nostra Sérvia, e Marianne
Ytterdal, do Conselho da Europa Nostra.
A entrega do prémio a Maria João Pires
realizar-se-á na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, em 1 de novembro, às
17h.
A primeira edição do Prémio Europeu
Helena Vaz da Silva, em 2013, distinguiu o escritor italiano Claudio Magris. No
ano passado o vencedor foi o fotógrafo alemão Thomas Struth.
MÚSICA CULTURA PAÍS SOCIEDADE
PRÉMIOS E GALARDÕES ARTE
II TEXTO:
Do lado errado da História
Charlie Kirk era um combatente das ideias, era civilizado,
inteligente, tranquilo. Morreu “a combater o bom combate” ao serviço da sua fé,
do seu país, das suas convicções – e da sua e nossa liberdade
JAIME NOGUEIRA PINTO Colunista do
Observador
OBSERVADOR, 13 set. 2025, 00:186
CHARLIE KIRK, um intelectual americano de 31 anos,
cristão evangélico, fundador do movimento nacional-conservador Turning Point
USA, foi assassinado na quarta-feira, quando falava na Utah Valley University. KIRK derivava das suas convicções religiosas os
valores e princípios éticos, com implicações políticas, que eram o centro da
sua militância. Tinha 7,3 milhões de seguidores no TikTok, mais de 5 milhões na
plataforma X, 6,9 milhões no Instagram e 3,8 no Youtube. Era convicto e eficaz.
Gostava de debater com civilidade, de trocar ideias, de ouvir, de responder a
perguntas, num país dividido onde já quase ninguém quer saber o que “a outra
metade” pensa.
Começara a sua militância aos 18
anos, uma militância patriótica e cristã de alguém que achava que a América era
“o melhor país do mundo” e a Constituição americana “o melhor documento
político”.
As reacções à sua morte não se
fizeram esperar. A crer em grande parte da comunicação social, Kirk, “o aliado
de Trump”, era um proeminente emissor de discurso de ódio, que defendia o
direito dos cidadãos americanos a usar armas e criticava a ideologia libertária
da Esquerda; enfim, alguém que, tendo semeado ventos, acabaria inevitavelmente
por colher tempestades (tal como, por aqui, para alguns “animalistas”, o
jovem forcado que morreu no Campo Pequeno só teve o que merecia).
Não
surpreende. A Esquerda – e parte do Centrão – tendem a barricar-se num mundo
cada vez mais cheio de “outros”, mas onde “os outros”, aparentemente, não
existem ou não deviam existir. Para esses “outros” não há
inclusão possível. A vaga eleitoral que cada vez mais tende a ser-lhes
desfavorável é puro fruto da manipulação das “forças do mal”. Não tem razão de
existir e não devia existir. O voto do “povo”, que outrora era quem mais
ordenava, já conta pouco, dada “a alienação” do povo. De um lado e de outro
sucedem-se as teorias da conspiração. É assim nos Estados Unidos, onde,
“incompreensivelmente” e apesar da “boa opinião”, governa Trump.
Na Europa o panorama não é muito
diferente. Na Alemanha, a AFD,
no Reino Unido, o Reform Party, em França, o Rassemblement National são os primeiros partidos em caso de
eleições gerais. Em Itália, os Fratelli de Meloni já governam; como na Hungria governa o Fidezs e na Eslováquia o SMER-SD.
Nas eleições na Noruega, o Partido do
Progresso ficou em segundo lugar, tendo dobrado a votação; e de acordo com o El
Mundo de Domingo passado, em Espanha, se as eleições fossem agora, o Vox já
passaria os 15%, reduzindo a distância que o separa do Partido Popular. Para
completar o quadro, em França, uma convergência de votos da direita e da
esquerda radicais levou à queda do Governo Bayrou, e o presidente Macron,
apesar da sua agitação internacional, não parece capaz de arrumar a casa. Entretanto,
neste nosso “país de Abril”, o Chega
fica pela primeira vez à frente nas
intenções de voto, segundo o barómetro DN/Aximage – uma verdadeira “happy meal”
para Ventura, esta preferência dos concidadãos, e um grande amargo
de boca para a generalidade dos mediadores de opinião. Porque
tudo isto perturba os eleitos do sistema, a classe dirigente, a classe
dominante, os seus intelectuais, os seus comunicadores, os seus comentadores,
os seus atarantados e exaltados pivots.
E perante o que se vê (ou se dá a ver) como o
perigo existencial das sucessivas vitórias das direitas nas urnas, que
fazer? Recorre-se a estratagemas alternativos: aos
tribunais, com julgamentos políticos, como em França e no Brasil, ou à anulação
e repetição de eleições, como na Roménia. E vai-se insistindo no discurso de ódio dos “outros”, e só dos
“outros”, no perigo fascista, na reencarnação de Hitler no Presidente dos
Estados Unidos, na ameaça à democracia e às instituições que “os outros”, e só
“os outros”, representam… terreno fértil para que radicais e paranoicos se
achem investidos de uma missão secreta de salvação da humanidade e da
democracia e passem a “formas superiores de luta”. Donald
Trump sofreu um atentado e só não morreu por uma orelha negra.
Charlie Kirk não teve essa sorte. Era um combatente das ideias, um homem
civilizado, inteligente, tranquilo. Morreu “a combater o bom combate”, ao
serviço da sua fé, do seu país, da sua família e das suas convicções – e também
da sua e da nossa liberdade.
Mas como era um “activista de
direita”, um “aliado de Trump” facilmente se conclui que “estava a pedi-las”, de onde a tácita absolvição do assassino, quem
quer que ele seja. Kirk tinha-se “posto a jeito”. Como? Apresentando-se
indecorosamente no espaço público com ideias provocatórias, contraditórias e
pouco recatadas, exibindo despudoradamente a sua capacidade argumentativa em
plena universidade e cometendo vários delitos de opinião, entre eles, o de
querer debater opiniões e o de ganhar debates. O que é que ele queria?
Calaram-no
para sempre. Estava do lado errado da História.
ESTADOS
UNIDOS DA AMÉRICA AMÉRICA MUNDO VIOLÊNCIA CRIME SOCIEDADE LIBERDADES
COMENTÁRIOS
klaus muller: Essa da "agitação internacional de Macron"
está óptima. Gostei mesmo. António Costa e Silva: Durante muito tempo, a imprensa e as televisões nas
mãos certas eram poderosos instrumentos de propaganda e controle das
populações. Com a net e as redes descentralizadas, o sistema perdeu a
exclusividade da informação e da comunicação e começou a perder o domínio da
situação. Para controlar os danos, os tribunais são utilizados como expediente
de recurso, com juízes que são funcionários e às vezes parecem agentes de uma
polícia política. Quando falham todos os meios e o poder lhes escapa, o
assassinato, promovido e legitimado pelo discurso de ódio de jornalistas
activistas e comentadores avençados, (fanatizando, manipulando e
instrumentalizando peões disponíveis), é o último argumento. É sinal de desespero,
de fraqueza e anuncia a sua derrota. Carlota
Pereira dos Santos: Sempre
muito lúcido e clarividente. Bem-vindo! Riaz
Carmali: Bem-vindo
de volta ao seu espaço de comentário. Quanto à morte do sr Kirk, todos os
assassinatos, são de lamentar. O Ser Humano deve saber respeitar quem pensa
diferente. Só assim podemos construir uma Sociedade de Paz. Deixo aqui as
minhas condolências à família, amigos e seguidores do sr Kirk. Que a Paz esteja
com todos os que lerem este humilde texto. Joana
Fernandes: Freedom!!!
Dizia a T-shirt de Kirk!! Não o vão silenciar! Não se pode aceitar! Freedom, é
o valor core do Ocidente, se o deixamos abater deste modo vil, profano, amoral,
abatemos todos os nossos valores fundacionais e com eles o humanismo que nos
libertou da era medieval! Freedom, fight for it! António
Rocha Pinto: Ele estava
do lado certo. E não o calaram, pelo contrário, precisamos de heróis e de
mártires para entendermos os limites da realidade
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