É o que faz Tiago Dores,
que se vai divertindo com as nossas intromissões por aí, em malabarismos pretensiosos, por vezes…
Trump cancela tão mal como Israel comete genocídio
Afinal, Jimmy Kimmel voltou. E esta
presidência já leva meses, e nada de censurar ex-presidentes dos EUA nas redes
sociais e assim. Confirma-se: Trump é o fascista mais "pussy" da História.
TIAGO DORES Colunista do OBSERVADOR
OBSERVADOR, 24 set.
2025, 00:1630
Sinto que se deve tornar um hábito
abrir com notícias da flotilha, por isso aqui vai. A grande
notícia de hoje é Mariana Mortágua ter pedido a substituição no Parlamento.
Para tal, terá pesado a constatação de
que navegar de Barcelona até Gaza é quase tão duro como fazer Barreiro-Terreiro
do Paço em dia de greve da Transtejo. Mas não façamos pouco. A decisão é trágica, pois põe fim a uma
fase histórica: nunca, como nestas semanas em que o Bloco de Esquerda se viu
representado na Assembleia da República por uma cadeira vazia, tinha a
contribuição do partido para a vida democrática sido tão produtiva. Foram o pináculo do Bloco, estes dias em
que tudo o que podíamos esperar do partido no hemiciclo eram os contributos de
um monte de madeira, cola e pregos. Deixa saudades, a cadeira vazia.
(Minuto de silêncio.)
Infelizmente,
para o lugar de Mariana Mortágua vai entrar outra pessoa do Bloco de Esquerda. Isto
enquanto a substituída deputada única
se dedica a uma carreira internacional, disputando um lugar cimeiro na comuna
flutuante. Numa altura em que a pequena Greta “Pavel Nedved”
Thunberg (para aficcionados da bola do virar do século) parece afastada da
corrida, mas a já famosa Barbie Gaza ganha protagonismo a cada sunset party em ilhas
do Mediterrâneo que passa. Força,
Mariana! Portugal, Portugal! Peço desculpa, isto foi inadmissivelmente
nacionalista, obviamente fascista, e potencialmente colonialista.
E já que falo de Gaza e colonialismo,
que tal o reconhecimento, pelo governo de Portugal, do estado da Palestina? Eu qualificaria o reconhecimento de
“tortuoso”. Uma vez que, ainda em julho, o executivo de Montenegro apresentou um conjunto de exigências para
reconhecer o estado da Palestina, das quais exactamente zero foram, entretanto,
cumpridas. Creio poder dizer que esta decisão, anunciada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, foi
ainda mais tortuosa do que aquela caminhada
nocturna de Paulo Rangel pelas vielas de Bruxelas, popularizada na internet. Claro
que, depois, ainda há aqueles pormenorzinhos de Portugal reconhecer um estado
terrorista que, escassas horas após o
“nosso” gesto de boa vontade, executou
mais três “colaboradores de Israel” nas ruas de Gaza e publicou o vídeo nas redes,
que mantém há dois anos 50 reféns, e
cujos líderes politico-religioso-assassinos amealham tal riqueza que só não são
considerados unicórnios porque ocorrem outros nomes de animais muito mais
apropriados para os apodar. E,
de novo, agora todos: Portugal! Portugal!
Um mérito reconheço a este
reconhecimento por parte de um governo que tenho
vergonha de reconhecer ter recebido o meu voto. Portugal reconheceu o estado da Palestina e, tumba!,
instantaneamente, o genocídio levado a cabo por Israel em Gaza parou. É verdade
que o genocídio nunca havia começado. Mas ninguém pode negar que, desde que
Portugal reconheceu a Palestina, não há qualquer indício de genocídio em Gaza. Além, claro, daquele “genocídio” que
consta do relatório da ONU encomendado a um grupo de activistas, e elaborado,
para aí, no intervalo entre as aulas de Raptar Judias II e Introdução ao
Estupro de Judias, num qualquer estabelecimento de ensino gerido pela UNRWA e
pago com os nossos impostos.
Ao nível dos genocídios cometidos por
Israel em Gaza, só mesmo os
cancelamentos feitos por Trump nos Estados Unidos da América. Olha o Obama, por exemplo: continua com a
conta suspensa no X! Como é possível, um ex-presidente dos EUA ter a
conta cancelada, para mais quando inúmeros terroristas continuaram a publicar
conteúd… Mentira. A presidência de Trump já leva meses e nada
(ainda!) de censurar ex-presidentes nas redes sociais e assim. Até o programa do Jimmy Kimmel, afinal,
voltou à ABC. Nem um semi-recôndito show
televisivo nocturno, com menos espectadores
que inúmeros semi-célebres podcasts, Trump é capaz de cancelar. Quer
dizer, vai-se a ver e só ainda não cancelou por não ter encontrado outro
conteúdo apalermado-político, ou vice-versa, para o substituir. É alguém
fazer chegar à Casa Branca os conteúdos alusivos à pega entre o Isaltino e o
Ventura.
PALESTINA MUNDO PAULO RANGEL POLÍTICA DONALD TRUMP ESTADOS
UNIDOS DA AMÉRICA AMÉRICA
COMENTÁRIOS (de 30)
graça Dias: Caro
Tiago Dores: Hoje
contempla os leitores com uma crónica em 2 capítulos: 1 o habitual humor sarcástico com criatividade: 2 está bem evidenciado o seu desconforto e
desapontamento com tão incoerente e indigna decisão do Dr. Paulo Rangel e do
1°Ministro Luís Montenegro, em que ambos CERTIFICARAM o ataque do dia 7
de Outubro perpetrado pelos terroriiisstaaass do Hamas contra 1200 judeus indefesos
e pacíficos! São muitos os portugueses, também eles zangados e
perplexos... Obrigada. Rui Lima: Parabéns Tiago pela tua crónica que me lembrou o sarcasmo elegante e implacável de Eça, em que
a ironia nunca é gratuita. Mas
esta tua Memória certeira é a cereja topo da crónica ‘ “ Creio poder dizer que esta decisão, anunciada pelo
Ministro dos Negócios Estrangeiros, foi ainda mais tortuosa do que aquela
caminhada nocturna de Paulo Rangel pelas vielas de Bruxelas, popularizada na
internet.” Manuel
Gonçalves > Anz Sousa: Até acho que teve muita piada. José B
Dias > Manuel Gonçalves: E fomos, pelo menos, dois!! Rui Lima > Américo Silva: O que escreves é pouco
significativo no mundo ocidental numa sondagens os números mostram ninguém quer
dar a vida pela nação, o individualismo , a mudança de valores faz com que poucos aceitem a ideia de morrer
pela nação, já no mundo muçulmano 100% estão dispostos a morrer pelo país ou
pelo seu Deus . Francisco
Almeida: Além de não
ser humorista, a única coisa que me separa de Tiago Dores foi não ter votado
neste governo. Mas, confesso, nunca imaginei este asco que sinto. Jose
Pires: Muito bom.
Arrependido como eu, de ter dado o meu voto a quem envergonha Portugal, na
glorificação do massacre de 7 de Outubro! João Diogo: Fabulosos, um dos melhores cronistas deste jornal, o
humor inteligente, assertivo, infelizmente deste PSD woke, não se esperaria
outra coisa, senão o reconhecimento da Palestina, essa suíça do médio oriente,
garante dos direitos humanos e da liberdade das mulheres e dos gays. J Sal: Parabéns
pela crónica, e coragem de expor esta situação. Parabéns ao Observador por dar
voz a estas pessoas. Coxinho: Tiago, a 1ª parte do teu sarcasmo, culminada com o
minuto de silêncio, levou-me às lágrimas... de tanto rir! João
Diogo > Américo Silva: Pois está claro o que faz sentido é tomar o chá das
5 com o hamas , com o patrocínio da ONU e do toneca Guterres. João Floriano
> Jose Pires: Nem queira saber as coisas de que me arrependo, mas
dessa não. Desde 2019 que não voto PSD seja em que tipo de eleição for. João
Floriano: Excelente. A
curiosidade levou-me a pesquisar a Barbie de Gaza. Trata-se de Ana
Alcalde, granadina, 46 aninhos, mãe de seis filhos (já estou mesmo a
imaginar alguns adeptos da má língua que por aqui abundam a rosnar entre dentes:
«cada um de seu pai e alguns nem sabem quem é!»). Trata-se de adeptos do heteropatriarcado
a cheirar a naftalina.
Que fique bem claro que nunca tal coisa me passaria pela cabeça. O que não pude
deixar de reparar foi na boca da Ana Barbie, nas duas fotos a que tive acesso.
Há ali qualquer coisa de «Haraam». Para já a sua popularidade cresce em Gaza. E
assim como uma boa garagem que se preze tem fotos de mulheres nas paredes,
calculo que haverá fotos da Barbie nos túneis de Gaza, que podem ser lugares
muito solitários. É que duvido muito que os árabes usem fotos de mulheres
de burka para baterem uma...... Bem adiante, porque a conversa já está a
descambar. As boquinhas haraam da Barbie de Gaza levam-me no entanto a dar
uma ideia que eu acho genial: o calendário da flotilha. Modelos, modelas e modeles é coisa que não deve
faltar. Deve haver para todos os gostos. E as p....ta.....s das orcas que andam
aqui por Vila do Conde, quando deviam estar a fazer guarda de honra à flotilha!
Uma coisa é certa. Com Mariana Mortágua, o reconhecimento do estado da
Palestina pelo governo português e o discurso brilhante de Marcelo na ONU em
que o mundo ficou a saber que o reconhecimento não era contra Israel mas a
favor da paz, acaba-se o genocídio, o vilão Netanyahu vai assinar o tratado de
paz e desactivar o Iron Dome já na sexta feira para todos terem um fim de
semana descontraído, vai convidar o ayatolla do Irão para discursar no Knesset
e vai condecorar o Guterres, como um dos Justos ao nível de Schindler e do
nosso Aristides. E tudo isto porque Marcelo discursou na ONU e até achou
que Guterres está em grande forma, embora o nosso querido PR do qual já todos
começamos a ter saudades não seja médico para perceber que eu tinha uma
estenose na lombar mas Guterres tem uma estenose no cérebro. Agora que
Rangel e Marcelo já resolveram o problema de Gaza, vamos ao conflito entre a
Rússia e a Ucrânia. E antes do 5 de Outubro está tudo resolvido. Agora vão
lá ver as boquinhas da Ana Alcalde e digam lá se aquilo não sugere pensamentos
impuros. Haraam! Haraam! Haraam!....... Ai que alívio. Estava mesmo a precisar! Nota: Quando disse que o discurso de Marcelo na ONU foi
brilhante, estava a querer dizer que foi ao nível de outro Brilhante bem nosso
conhecido. João Floriano
> José B Dias: Oh José que desilusão! Então eu não conto?
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