quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Fofocas do nosso mundo

 

É o que faz Tiago Dores, que se vai divertindo com as nossas intromissões por aí, em malabarismos pretensiosos, por vezes…

Trump cancela tão mal como Israel comete genocídio

Afinal, Jimmy Kimmel voltou. E esta presidência já leva meses, e nada de censurar ex-presidentes dos EUA nas redes sociais e assim. Confirma-se: Trump é o fascista mais "pussy" da História.

TIAGO DORES Colunista do OBSERVADOR

OBSERVADOR, 24 set. 2025, 00:1630

Sinto que se deve tornar um hábito abrir com notícias da flotilha, por isso aqui vai. A grande notícia de hoje é Mariana Mortágua ter pedido a substituição no Parlamento. Para tal, terá pesado a constatação de que navegar de Barcelona até Gaza é quase tão duro como fazer Barreiro-Terreiro do Paço em dia de greve da Transtejo. Mas não façamos pouco. A decisão é trágica, pois põe fim a uma fase histórica: nunca, como nestas semanas em que o Bloco de Esquerda se viu representado na Assembleia da República por uma cadeira vazia, tinha a contribuição do partido para a vida democrática sido tão produtiva. Foram o pináculo do Bloco, estes dias em que tudo o que podíamos esperar do partido no hemiciclo eram os contributos de um monte de madeira, cola e pregos. Deixa saudades, a cadeira vazia.

(Minuto de silêncio.)

Infelizmente, para o lugar de Mariana Mortágua vai entrar outra pessoa do Bloco de Esquerda. Isto enquanto a substituída deputada única se dedica a uma carreira internacional, disputando um lugar cimeiro na comuna flutuante. Numa altura em que a pequena Greta “Pavel Nedved” Thunberg (para aficcionados da bola do virar do século) parece afastada da corrida, mas a já famosa Barbie Gaza ganha protagonismo a cada sunset party em ilhas do Mediterrâneo que passa. Força, Mariana! Portugal, Portugal! Peço desculpa, isto foi inadmissivelmente nacionalista, obviamente fascista, e potencialmente colonialista.

E já que falo de Gaza e colonialismo, que tal o reconhecimento, pelo governo de Portugal, do estado da Palestina? Eu qualificaria o reconhecimento de “tortuoso”. Uma vez que, ainda em julho, o executivo de Montenegro apresentou um conjunto de exigências para reconhecer o estado da Palestina, das quais exactamente zero foram, entretanto, cumpridas. Creio poder dizer que esta decisão, anunciada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, foi ainda mais tortuosa do que aquela caminhada nocturna de Paulo Rangel pelas vielas de Bruxelas, popularizada na internet. Claro que, depois, ainda há aqueles pormenorzinhos de Portugal reconhecer um estado terrorista que, escassas horas após o “nosso” gesto de boa vontade, executou mais três “colaboradores de Israel” nas ruas de Gaza e publicou o vídeo nas redes, que mantém há dois anos 50 reféns, e cujos líderes politico-religioso-assassinos amealham tal riqueza que só não são considerados unicórnios porque ocorrem outros nomes de animais muito mais apropriados para os apodar. E, de novo, agora todos: Portugal! Portugal!

Um mérito reconheço a este reconhecimento por parte de um governo que tenho vergonha de reconhecer ter recebido o meu voto. Portugal reconheceu o estado da Palestina e, tumba!, instantaneamente, o genocídio levado a cabo por Israel em Gaza parou. É verdade que o genocídio nunca havia começado. Mas ninguém pode negar que, desde que Portugal reconheceu a Palestina, não há qualquer indício de genocídio em Gaza. Além, claro, daquele “genocídio” que consta do relatório da ONU encomendado a um grupo de activistas, e elaborado, para aí, no intervalo entre as aulas de Raptar Judias II e Introdução ao Estupro de Judias, num qualquer estabelecimento de ensino gerido pela UNRWA e pago com os nossos impostos.

Ao nível dos genocídios cometidos por Israel em Gaza, só mesmo  os cancelamentos feitos por Trump nos Estados Unidos da América. Olha o Obama, por exemplo: continua com a conta suspensa no X! Como é possível, um ex-presidente dos EUA ter a conta cancelada, para mais quando inúmeros terroristas continuaram a publicar conteúdMentira. A presidência de Trump já leva meses e nada (ainda!) de censurar ex-presidentes nas redes sociais e assim. Até o programa do Jimmy Kimmel, afinal, voltou à ABC. Nem um semi-recôndito show televisivo nocturno, com menos espectadores que inúmeros semi-célebres podcasts, Trump é capaz de cancelar. Quer dizer, vai-se a ver e só ainda não cancelou por não ter encontrado outro conteúdo apalermado-político, ou vice-versa, para o substituir. É alguém fazer chegar à Casa Branca os conteúdos alusivos à pega entre o Isaltino e o Ventura.

PALESTINA      MUNDO      PAULO RANGEL      POLÍTICA      DONALD TRUMP      ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA      AMÉRICA

COMENTÁRIOS (de 30)

graça Dias: Caro Tiago Dores: Hoje contempla os leitores com uma crónica em 2 capítulos: 1 o habitual humor sarcástico com criatividade: 2 está bem evidenciado o seu desconforto e desapontamento com tão incoerente e indigna decisão do Dr. Paulo Rangel e do 1°Ministro Luís Montenegro, em que ambos CERTIFICARAM o ataque do dia 7 de Outubro perpetrado pelos terroriiisstaaass do Hamas contra 1200 judeus indefesos e pacíficos! São muitos os portugueses, também eles zangados e perplexos... Obrigada.                      Rui Lima: Parabéns Tiago pela tua crónica que me lembrou o  sarcasmo elegante e implacável de Eça, em que a ironia nunca é gratuita. Mas esta tua Memória certeira é a cereja topo da crónica ‘ “ Creio poder dizer que esta decisão, anunciada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, foi ainda mais tortuosa do que aquela caminhada nocturna de Paulo Rangel pelas vielas de Bruxelas, popularizada na internet.”                   Manuel Gonçalves > Anz Sousa: Até acho que teve muita piada.                   José B Dias > Manuel Gonçalves: E fomos, pelo menos, dois!!        Rui Lima > Américo Silva: O que escreves é pouco significativo no mundo ocidental numa sondagens os números mostram ninguém quer dar a vida pela nação, o individualismo , a mudança de valores faz com que poucos aceitem a ideia de morrer pela nação, já no mundo muçulmano 100% estão dispostos a morrer pelo país ou pelo seu Deus .                      Francisco Almeida: Além de não ser humorista, a única coisa que me separa de Tiago Dores foi não ter votado neste governo. Mas, confesso, nunca imaginei este asco que sinto.                       Jose Pires: Muito bom. Arrependido como eu, de ter dado o meu voto a quem envergonha Portugal, na glorificação do massacre de 7 de Outubro!                        João Diogo: Fabulosos, um dos melhores cronistas deste jornal, o humor inteligente, assertivo, infelizmente deste PSD woke, não se esperaria outra coisa, senão o reconhecimento da Palestina, essa suíça do médio oriente, garante dos direitos humanos e da liberdade das mulheres e dos gays.                   J Sal: Parabéns pela crónica, e coragem de expor esta situação. Parabéns ao Observador por dar voz a estas pessoas.                       Coxinho: Tiago, a 1ª parte do teu sarcasmo, culminada com o minuto de silêncio, levou-me às lágrimas... de tanto rir!                       João Diogo > Américo Silva: Pois está claro o que faz sentido é tomar o chá das 5 com o hamas , com o patrocínio da ONU e do toneca Guterres.                     João Floriano > Jose Pires: Nem queira saber as coisas de que me arrependo, mas dessa não. Desde 2019 que não voto PSD seja em que tipo de eleição for.                           João Floriano: Excelente. A curiosidade levou-me a pesquisar a Barbie de Gaza. Trata-se de Ana Alcalde, granadina, 46 aninhos, mãe de seis filhos (já estou mesmo a imaginar alguns adeptos da má língua que por aqui abundam a rosnar entre dentes: «cada um de seu pai e alguns nem sabem quem é!»). Trata-se de adeptos do heteropatriarcado a cheirar a naftalina. Que fique bem claro que nunca tal coisa me passaria pela cabeça. O que não pude deixar de reparar foi na boca da Ana Barbie, nas duas fotos a que tive acesso. Há ali qualquer coisa de «Haraam». Para já a sua popularidade cresce em Gaza. E assim como uma boa garagem que se preze tem fotos de mulheres nas paredes, calculo que haverá fotos da Barbie nos túneis de Gaza, que podem ser lugares muito solitários. É que duvido muito que os árabes usem fotos de mulheres de burka para baterem uma...... Bem adiante, porque a conversa já está a descambar. As boquinhas haraam da Barbie de Gaza levam-me no entanto a dar uma ideia que eu acho genial: o calendário da flotilha. Modelos, modelas e modeles é coisa que não deve faltar. Deve haver para todos os gostos. E as p....ta.....s das orcas que andam aqui por Vila do Conde, quando deviam estar a fazer guarda de honra à flotilha! Uma coisa é certa. Com Mariana Mortágua, o reconhecimento do estado da Palestina pelo governo português e o discurso brilhante de Marcelo na ONU em que o mundo ficou a saber que o reconhecimento não era contra Israel mas a favor da paz, acaba-se o genocídio, o vilão Netanyahu vai assinar o tratado de paz e desactivar o Iron Dome já na sexta feira para todos terem um fim de semana descontraído, vai convidar o ayatolla do Irão para discursar no Knesset e vai condecorar o Guterres, como um dos Justos ao nível de Schindler e do nosso Aristides. E tudo isto porque Marcelo discursou na ONU e até achou que Guterres está em grande forma, embora o nosso querido PR do qual já todos começamos a ter saudades não seja médico para perceber que eu tinha uma estenose na lombar mas Guterres tem uma estenose no cérebro. Agora que Rangel e Marcelo já resolveram o problema de Gaza, vamos ao conflito entre a Rússia e a Ucrânia. E antes do 5 de Outubro está tudo resolvido. Agora vão lá ver as boquinhas da Ana Alcalde e digam lá se aquilo não sugere pensamentos impuros. Haraam! Haraam! Haraam!....... Ai que alívio. Estava mesmo a precisar!  Nota: Quando disse que o discurso de Marcelo na ONU foi brilhante, estava a querer dizer que foi ao nível de outro Brilhante bem nosso conhecido.        João Floriano > José B Dias: Oh José que desilusão! Então eu não conto?

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