Não é costume por cá a referência a “abdicação”,
mas sim a “petição” no que respeita a “empréstimos”.
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Portugal abdica de 311 milhões em
empréstimos do PRR na última revisão entregue a Bruxelas
Foi entregue a Bruxelas a última
revisão do PRR. Portugal garante que todas as subvenções serão usadas, mas abdica de alguns empréstimos. Saem a linha vermelha do Metro e hospital de
Lisboa Oriental.
OBSERVADOR, 5/11/25
O Governo submeteu esta sexta-feira a
última revisão do PRR a Bruxelas. Em
comunicado, o ministério da Economia garante que
“todas as subvenções previstas no PRR
serão cumpridas”, o que não acontecerá no caso dos empréstimos.
As obras que estavam previstas mas que não podem ser executadas dentro do
prazo, de agosto de 2026, “serão
executadas com recurso a outros empréstimos, com taxas de juro equivalentes”.
É o caso da linha vermelha do Metro de Lisboa e do
hospital de Lisboa Oriental. Em
causa estão 311 milhões de euros.
O cenário já tinha sido antecipado
pelo ministro da Economia esta semana no parlamento. Ouvido no
âmbito do Orçamento do Estado, Castro
Almeida afirmou que “em alguns casos vamos dispensar empréstimo da UE,
porque temos empréstimos no mercado a juros iguais ou mais baratos e ficamos
libertos dos prazos do PRR”. Essa opção fica agora
oficializada.
Segundo a proposta de simplificação
enviada a Bruxelas, “foi libertado o
montante de cerca de 311 M€ da componente de empréstimos respeitante aos
projetos da linha de metro de Lisboa (linha vermelha até Alcântara) e Hospital
de Lisboa Oriental”. A linha vermelha tem um impacto de 285,2 milhões de
euros nos empréstimos, e o hospital de 100 milhões.
O Executivo garante que com esta
revisão, que não é uma reprogramação tão profunda como a que foi feita em
fevereiro, “todas as subvenções previstas no PRR serão cumpridas” e
“todas as subvenções do PRR serão investidas”, sendo que “algumas metas foram
aumentadas e outras diminuídas, garantindo que o valor final se mantém o
mesmo”.
No comunicado enviado na manhã deste
sábado, o ministério adianta que a revisão “permite reforçar investimentos
em áreas importantes para economia nacional como é o caso dos que incidem na inovação, tendo
em vista o seu contributo para aumentar a competitividade das empresas”.
O Governo dá o exemplo do Instrumento Financeiro para a Inovação e
Competitividade (IFIC), criado para absorver verbas de outros programas
do PRR que não foram usadas, e que “assume um papel relevante nesta dinâmica
de crescimento económico e de posicionamento competitivo das empresas no
mercado global”. Este instrumento tem uma dotação inicial de 315 milhões
de euros e tem neste momento quatro concursos abertos.
Segundo
o Governo, nesta revisão “para a simplificação do PRR foram ainda ajustados
prazos e eliminados obstáculos administrativos na comprovação dos marcos e
metas”.
Na mesma linha, continua a nota, “a Comissão Europeia aceitará também, no
âmbito das regras aplicáveis, a eliminação ou fusões de marcos e metas
intermédios ou associados a medidas de reduzido valor”.
Neste âmbito, “fundiram-se metas de construção de
casas novas com as metas de reabilitação de casas impróprias para habitação,
que anteriormente estavam desagregadas. Também estavam desagregadas e passam a
estar fundidas as metas de construção de unidades de cuidados paliativos e
unidades de cuidados continuados”.
Assim, conclui o ministério da Economia,
“fica-se agora com um total de 196 marcos e metas a apresentar no 8º
Pedido de Pagamento ainda durante este ano e nos 9º e 10º Pedidos de Pagamento
a submeter em 2026”.
Castro
Almeida revelou também no parlamento que nesta reprogramação foram antecipadas
10 metas do 9.º pedido de pagamento para o 8.º.
“O PRR é para cumprir e não
para prometer. Portugal tem hoje um PRR mais simples, mais claro e mais
orientado para resultados”, diz Castro Almeida na mesma nota.
PRR ECONOMIA FUNDOS
COMUNITÁRIOS UNIÃO
EUROPEIA EUROPA MUNDO
COMENTÁRIOS (de 5):
Pedro Campos: O actual governo está a recuperar o tempo perdido dos
governos socialistas que revelaram uma total incompetência a gerir o PRR!!! asanlez@observador.pt: Faz muito bem em não nos endividar. Chega
de dívidas! Pertinaz: Queremos a fundo perdido… os empréstimos
têm de se reembolsar. João A: Empréstimo? Mas agora os empréstimos
oferecem-se? Ou pagam-se?
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