Sobre as políticas de empatia económica entre o
Sul e o Norte americanos.
Trump e a América do Sul
A América do
Sul tem sido historicamente a grande ameaça à democracia. Mas as esquerdas mais
radicais também têm ameaçado a democracia.
JOÃO MARQUES DE ALMEIDA Colunista do Observador
OBSERVADOR, 17 nov. 2025, 00:1611
A relação dos Estados Unidos
com a América do Sul está a tornar-se cada vez mais relevante.
Há, hoje, três questões essenciais para essa relação. A
primeira são as relações
comerciais, sobretudo entre Washington e Brasília. No fim da semana
passada, Trump recuou nalgumas tarifas que tinha imposto ao Brasil. Trump e a sua equipa perceberam que o
aumento dos preços de alguns produtos alimentares contribuiu para a derrota nas
eleições em Nova Jérsia e na Virgínia. Os preços do café, da carne de vaca e de muitas frutas (como a
banana e a laranja) aumentaram mais de 10% (muito acima da inflação).
O recuo de Trump nas tarifas vai
melhorar as relações comerciais com o Brasil. As exportações de café, carne de vaca e laranjas do
Brasil para os Estados Unidos vão aumentar. Além
disso, os dois grandes países do continente americano estão a negociar um acordo comercial benéfico para os
dois lados. Os Estados Unidos querem
acesso aos metais críticos, cujas reservas são abundantes no Brasil, como cobre,
terras raras e mesmo lítio. Por outro lado, o governo brasileiro quer investimento americano e diversificar
os seus mercados de exportação para não ficar demasiado dependente do mercado
chinês.
O segundo grande tema são as alterações políticas e económicas que acontecem nos países da América do Sul, com uma
viragem política para a direita e reformas liberais na economia. Milei
é, obviamente, o grande exemplo da viragem à direita e das reformas económicas. Foi o vencedor das
recentes eleições parlamentares na Argentina e a partir de agora pode formar
maiorias de direita (ou pelo menos anti-Peronistas) nas duas Câmaras
parlamentares. Esta
maioria política será indispensável para as reformas económicas.
Ontem, realizou-se a primeira volta das eleições presidenciais e
as eleições parlamentares no Chile. No
momento em que escrevo este artigo, ainda não há resultados finais. Nas
eleições presidenciais, apesar da
provável vitória da candidata da coligação de esquerda na primeira volta, na
segunda volta (em Dezembro) deverá ganhar o candidato de direita. No
parlamento, é provável, segundo as últimas sondagens, que haja uma maioria
de direita.
Em traços gerais, na
América do Sul, a direita (na sua versão extremista de ditaduras militares) tem
sido historicamente a grande ameaça à democracia. Mas as esquerdas mais radicais também têm ameaçado a democracia (Venezuela), são incapazes de fazerem reformas económicas, e têm
sido demasiado corruptas. Espera-se que as direitas
civis a chegar ao poder sejam impecavelmente democráticas e que tenham sucesso
nas reformas económicas. Mais uma vez, Milei é um bom
exemplo. Não há nada de anti-democrático no seu
comportamento político.
O terceiro
tema é o narcotráfico e o regime de Maduro na
Venezuela. A
ditadura Chavista da Venezuela transformou-se numa organização que lidera
o narcotráfico na América do Sul. As
redes transnacionais do narcotráfico na região contam com o apoio do Presidente
e das esquerdas radicais colombianas e infiltram-se cada vez mais no Brasil. Se Lula quiser ser reeleito, terá
que ser muito firme na luta contra o crime organizado; e o Presidente
brasileiro já percebeu. Os venezuelanos ganhariam, e muito, se
houvesse uma mudança de regime, de um Presidente que perdeu as últimas
eleições, mas ficou no poder através de uma ditadura militar. E ainda
ganhariam mais se a oposição democrática formasse governo sob a liderança da prémio Nobel da Paz, Maria Corina Machado. A propósito da Venezuela, é
incompreensível ver muitos que atacam o regime de Pinochet defenderem o regime
de Maduro. Seria bom que explicassem por que razão
uma ditadura
militar no Chile é
condenável,
mas na Venezuela já é aceitável.
Em geral os países da América do Sul
têm condições extraordinárias para enriquecerem. Têm populações jovens, muita gente empreendedora e
muitos e variados recursos naturais. Só precisam mesmo é de governos
competentes com as políticas correctas. Hoje,
essas políticas só podem vir das direitas, e não das esquerdas, que fracassaram
completamente desde o início deste século.
AMÉRICA MUNDO BRASIL VENEZUELA ESTADOS
UNIDOS DA AMÉRICA ´
COMENTÁRIOS
Silva: BRASIL. Caro JMA, não se preocupe com a
ausência de comentários. O artigo é muito relevante. Com 230 milhões de falantes de
Português, o Brasil deveria ser um mercado prioritário para as exportações
Portuguesas de serviços e Portugal, através de empresas e instituições, um
facilitador do Brasil na Europa, situações que não estão a acontecer por 3
motivos: - O governo
Lula com a sua ideologia das
reparações e preconceitos coloniais vocalizados pela sua nomenclatura woke só
tem ajudado a agravar a percepção de Portugal como um país atrasado, retrógrado
e a evitar. - O governo Lula tem consciência que a maior parte da imigração Brasileira em
Portugal dos anos 2000 para cá é não só refugiada económica dos seus governos
como da guerrilha social existente no país e que os seus governos se recusam a
reconhecer com medo de erosão da sua base social de apoio. - Marcelo e
os governos socialistas Portugueses nada
fizeram para contrariar este estado de coisas e agravaram-no ainda mais ao se
recusarem a ter uma relação normal com o governo de Bolsonaro. Esperemos que Montenegro perceba que este
estado de coisas não é do nosso interesse, e que se impõe uma
normalização das relações,
isto independentemente de Lula ser um ignorante igual a Bolsonaro. Paulo Machado: Quais as ditaduras de
direita na América do Sul? Está
tudo doido? Nuno Filipe: “Só precisam mesmo é de governos competentes com as
políticas correctas” está a falar de
Portugal 🇵🇹, certo? revejo-me completamente nas palavras não me revejo no PS nem no PS Dois… L Faria: Oh João Marques de Almeida, não o tomava por ingénuo. Desde quando Lula quer livrar-se da China e se preocupa com o crime
organizado? Ele é o chefe do crime organizado e está a
vender o Brasil à China por tuta e meia. Um
dos cabecilhas, que está no supremo tribunal, Gilmar Mendes, disse à
boca cheia que todos admiravam o regime chinês. Você estava a ser
irónico? É que se foi isso, tudo certo. Mais de cinquenta milhões de
brasileiros estão sob o jugo do crime organizado. O Lula é o Flávio Dino, e a
irmã da Mariele entram nas favelas sem
segurança. E está a dizer-nos que o criminoso, corrupto Lula, está preocupado
com o crime organizado? É para rir.Nuno Filipe
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