Em destaque, a submissão só aparente…
O anúncio oficial ainda não foi feito, mas Paddy Cosgrave já abriu o jogo nas
redes: o futuro da tecnologia joga-se na China, e o da Web Summit também. Na
10.ª edição lisboeta até teve palco próprio.
CÁTIA ROCHA Texto
ANA SANLEZ Texto
OBSERVADOR, 11 nov. 2025, 21:1812
Índice
China passou de “seguidora rápida a inovadora” e Europa está entre
dois pólos
“A China não é uma concorrente, é uma professora”, diz fundador da ‘super app’ do Qatar
Durou
apenas algumas horas, mas teve direito a inauguração pelo próprio CEO da Web Summit. À décima edição em Lisboa, o evento
de tecnologia dedicou um palco à China. Ao início da tarde desta
terça-feira, empreendedores,
investidores e economistas debateram na China
Summit a presença
tecnológica chinesa, tarifas e inovação. Até figuras ligadas ao Ministério
de Comércio da China e ao Gabinete de Cooperação Internacional da Administração
do Ciberespaço vieram a Portugal fazer promessas sobre cooperação e
transformação digital.
“Acho que é difícil negar ou ignorar as
conquistas da China, não só na última década, mas até no último ano”,
afirmou Cosgrave já em cima do palco. “É muito importante que a Web Summit dê a todos os participantes a
oportunidade para se reunirem com os que estão a desenvolver as empresas de
tecnologia de ponta na China, mas também oportunidades para ouvirem oradores
com visões diferentes sobre a razão para a China estar a conquistar o que está
a conquistar”.
Quem já tinha ouvido Paddy Cosgrave
na noite de abertura da Web Summit não estranhou o destaque. Quando subiu ao palco esta segunda-feira para as tradicionais boas vindas aos milhares de
participantes da Web Summit, foi menos efusivo do que é costume. Deixou de lado o número que repete há anos,
no qual pede a quem está na plateia que se apresente a quem está à sua
volta. E também não se estendeu
nos elogios a Portugal, país que acolhe a cimeira desde 2016 e onde vai
continuar até, pelo menos, 2028. Nos últimos dias, aliás, as
palavras sobre Portugal têm sido pouco amigáveis, desde a polémica sobre a
escassez de slots para jactos privados, que motivou uma resposta dura do ministro das
Infraestruturas, às queixas sobre o aumento dos preços dos
hotéis nos dias do evento.
A aparição de Paddy na abertura da Web
Summit 2025 será, em vez disso, lembrada pelos avisos que deixou: o domínio tecnológico do Ocidente está em declínio.
É a China que vai ganhar a corrida pela
inteligência artificial, acredita.
A explicação para a viragem no discurso e a rendição ao oriente é simples. Quem já
ganhou a corrida ao investimento chinês foi a própria Web Summit. O
anúncio surgiu discreto no LinkedIn de Paddy Cosgrave há cerca de um mês. E não
foi bem um anúncio. “China + Web Summit = 2027. Que cidade chinesa escolherias para a Web
Summit”? perguntou aos seus seguidores na rede social.
Essa mesma
publicação de outubro (em plena guerra de tarifas entre a China e os EUA),
na qual revelava que ia passar 10 dias
na China a visitar “grandes cidades” e a manter encontros com “oficiais do
Governo, fundadores e media para decidir onde organizar a Web Summit na China
em 2027”, foi o primeiro sinal de que a cimeira com origem irlandesa
(e que já tem edições no Rio de Janeiro, no Qatar e em Vancouver) estava de
olhos postos no oriente.
Seguiram-se, na mesma rede social de Cosgrave, vários posts sobre o périplo no gigante asiático e considerações sobre como a Europa está “condenada”. Uma entrevista à televisão em Pequim com “muitas questões sobre as diferenças entre a inovação no Ocidente e na China”. Uma fotografia no Ministério chinês do Comércio com a promessa de um anúncio “grande” para “breve”. Uma visita ao maior centro de conferências do mundo, em Guangzhou. E paragens na Alibaba, na BYD, na Tencent e na Baidu, algumas das maiores empresas chinesas, assim como na sede da Unitree, “a startup de robótica mais importante do mundo”, que deixou Paddy Cosgrave “de boca a aberta”.
Índice: China passou de “seguidora rápida a inovadora” e Europa está entre
dois pólos
“A China não é uma concorrente, é uma professora”, diz fundador da
‘super app’ do Qatar
No final da visita à China, em outubro, o fundador da Web Summit não tinha dúvidas. “A China ganhou o século XXI. Não há competição entre grandes potências. Acabou”, escreveu no LinkedIn, numa espécie de prólogo do discurso que fez esta segunda-feira em Lisboa. “A China criou um sistema de inovação sem paralelo na história mundial. A lição não é que o Ocidente precisa de startups melhores ou de investidores mais ousados, mas que o Ocidente precisa de um sistema de inovação melhor”, defendeu Cosgrave.
Para o “pai” da Web Summit, “sem uma mudança radical e abrangente, o fosso entre as startups chinesas e europeias na próxima década vai explodir a favor da China”, dando como exemplo a indústria automóvel europeia, que está “condenada sem uma mudança radical”. Mas “o mesmo aplica-se a quase todos os outros sectores”. “Mais do mesmo na Europa vai condenar-nos a ficar cada vez mais para trás. As nossas empresas não serão competitivas”.
Avançando no
tempo até esta segunda-feira e no espaço até Lisboa, a mensagem de Paddy Cosgrave foi repetida
quase ipsis verbis. Desta vez, perante milhares de pessoas na
Meo Arena, incluindo o Governo português, que acredita que Portugal pode ser “líder mundial na IA”.
“Nos próximos dias vão conhecer os robôs
humanóides mais avançados do mundo. Não são europeus, não são norte-americanos,
são chineses”. São os robôs da Unitree que Paddy conheceu na viagem à
China, e que passeiam pelo pavilhão 1 da FIL. São desenvolvidos na China mas
estão a ser apresentados em Lisboa por uma empresa baseada na capital
portuguesa, e são os campeões das selfies entre os participantes da cimeira.
Numa das passagens pelo pavilhão da FIL foi possível encontrar o robô humanóide
G1 no centro de uma roda, a cumprimentar os participantes da cimeira.
Índice: China passou de “seguidora rápida a inovadora” e Europa está entre
dois pólos “A China não é uma concorrente, é uma professora”, diz fundador da
‘super app’ do Qatar“Também vão ouvir sobre os modelos de IA mais
avançados do mundo. Não são americanos. Desde as últimas semanas que são quase
todos chineses”, declarou ainda Cosgrave na cerimónia de abertura. E
são gratuitos e de código aberto, ao contrário dos norte-americanos, enfatizou.
“Isto era inimaginável há 12 meses”.
O discurso da “Europa condenada” continuou,
com o fundador da Web Summit a defender que a cimeira já não é uma competição
entre as tecnológicas ocidentais e as startups, mas um espelho de que a “era
do domínio tecnológico do Ocidente está a terminar”.
Na China Summit falou-se sobre o
ciberespaço, a “influência discreta” da China na inovação global, sobre o plano
económico do país a cinco anos e sobre tarifas. Paddy
Cosgrave faz esta quarta-feira a habitual
conferência de imprensa de balanço do evento, e não será de estranhar que
anuncie a cidade chinesa escolhida para acolher a cimeira em 2027. As sessões
sobre a China também vão continuar ao longo da semana.
Esta
quarta-feira, por exemplo, o palco dedicado à política recebe uma palestra
sobre a abordagem chinesa à IA, mais focada
nas possibilidades da tecnologia no curto prazo do que a concorrência
norte-americana de Silicon Valley, que investe no potencial a longo prazo da IA
geral. Para o último
dia da cimeira está ainda reservada uma sessão sobre como a China se posicionou
na liderança do mercado de carros eléctricos.
China passou de “seguidora rápida a inovadora” e Europa
está entre dois pólos
Na
China, “parece que estão a viver
noutra época, em 2050.” É assim que Eszter
Takács, natural da Hungria, resume a experiência de viver em
Chengdu, a quarta cidade mais populosa da
China. Esta
terça-feira, enquanto demonstrava o modelo generativo Hunyuan3D AI, uma “espécie
de ChatGPT para a impressão 3D”, desenvolvido pela gigante chinesa Tencent,
tinha vista para o palco China Summit. Não acompanhou as sessões, mas defende a
sua relevância para se ter “mais informação sobre a China”.
A localização do palco não terá sido deixada ao acaso: encaixado
num dos cantos do pavilhão 1 da FIL e próximo dos stands da Alibaba Cloud, dos
robôs dançarinos da Unitree e ainda de um atarefado espaço da também chinesa
Manus, que este ano deu cartas por desenvolver um “agente geral de IA”.
Ao Observador, Eszter
Takács explica que a adaptação à
China não está a ser difícil, apesar de reconhecer as diferenças culturais.
“A vida é muito fácil devido à
tecnologia”, refere. O trabalho desta responsável de eventos passa justamente pela promoção da ligação cultural entre Europa e China, através da GoGoLocal,
uma organização não governamental sediada em Pequim e que pretende promover a
colaboração entre startups e empresas. A organização tanto ajuda empresas
europeias a entrar no mercado chinês como o inverso. Admite que há “empresas
ainda algo assustadas com a China”. É uma questão de regulação? “A forma
como a China faz negócios é muito específica. É preciso dar mais informação”,
explica.
Índice: China passou de “seguidora rápida a inovadora” e Europa está entre
dois pólos. “A China não é uma concorrente, é uma professora”, diz fundador da
‘super app’ do Qatar
Parece ter sido esse o objetivo das horas de programação dedicada à China na Web Summit. Numa das sessões, quis quebrar-se a ideia de que “os EUA inventavam e a China copiava”. Agora já não é bem assim, afirmou Joleen Liang, co-fundadora da Squirrel AI, uma plataforma educativa com IA, que da China quer agora saltar para os EUA. “Há dez anos não tínhamos tantos cientistas de IA na China, era preciso contratá-los nos EUA. Agora isso mudou”, diz a empreendedora.
“A
China era uma seguidora rápida, mas agora é inovadora”, completou
no mesmo painel o norte-americano Ben Harburg, managing partner da capital
de risco Novo Capital, que também já passou pelo mercado chinês. Em parte, essa mudança está ligada a “talento
que foi obrigado a regressar a casa por más decisões de imigração dos EUA”, defendeu.
“A batalha pelo talento é tudo”, acrescentou. “Pessoas como Sam Altman [CEO da OpenAI] fizeram um desserviço ao fazer uma digressão a dizer que não era possível competir com eles”, afirmou. “Depois deu-se o que chamo de momento Sputnik da DeepSeek”, referindo-se à empresa chinesa que desenvolve modelos de IA de código aberto, de forma mais rápida e supostamente com menos recursos financeiros do que as rivais norte-americanas Além do talento, o que Harburg considera ser uma “bem definida guerra fria tecnológica” entre EUA e a China também “forçou” as empresas chinesas a “desenvolverem os seus próprios sistemas, hardware e chips”.
No meio desta “guerra fria”, Ben
Harburg
afirmou que “há quem não queira ter de
escolher um lado, mas vão ser forçadas a fazê-lo”. Para já, admitiu que
há uma figura relativamente “diplomática” entre os dois extremos. “Jensen Huang [o CEO da gigante de chips de IA Nvidia] é uma espécie de diplomata tecnológico,
que tenta conciliar a China, a Coreia [do Sul] e vender os seus produtos.”
A sessão
seguinte no palco China Summit deu mais
força à ideia de divisão do panorama tecnológico entre EUA e China. E, de alguma forma, foi ao encontro das
afirmações de Paddy Cosgrave sobre o “declínio”
do Ocidente.
No tema da guerra comercial, o
economista Philip Pilkington acredita que um braço de ferro entre China e EUA
pode vir a terminar “com uma capitulação do Ocidente em todas as frentes”. Após
um pedido para especificar, preferiu manter a generalização. “De todo o
Ocidente. A Europa e a América vão capitular nesta guerra comercial.”
“As tarifas
são uma ferramenta que está numa caixa para proteger sectores. Mas as tarifas não são mágicas, não vão
criar magicamente uma indústria. O mundo não funciona assim”, declarou Philip
Pilkington, economista do Hungarian Institute for International Affairs.
“A administração Trump tentou lançar uma guerra
comercial e os chineses limitaram as terras raras”, referindo-se
aos metais que são usados numa vasta gama de produtos
e sectores, incluindo nos semicondutores que fazem mexer a indústria
tecnológica. “Nem sequer
os restringiram, puseram-nos apenas numa potencial lista de restrições. E todas
as empresas relevantes chegaram à administração Trump e disseram ‘não podemos
sobreviver, a economia americana iria basicamente colapsar se fizer isto’. E
então voltaram atrás”, exemplificou.
E a
Europa? “Fica
algures no meio entre os dois pólos”, completou Einar Tangen do Centre
for International Governance Innovation na mesma sessão. “A Europa agarra-se ao seu passado colonial e acredita que, de
alguma forma, pode existir em ambos os lados.” O velho continente “vai ter de perceber
não para que lado saltar, porque isso não é solução”. “A solução é ter uma
Europa forte e independente, que se afirme, em vez de estar a desempenhar um
papel secundário em relação aos EUA.”
“A China não é uma concorrente, é uma professora”, diz
fundador da ‘super app’ do Qatar
Fora da programação da China Summit também se falou
sobre o gigante asiático. O nome da sessão poderia levar ao engano: “Defender os
nossos mercados durante a era da China”. Tinha apenas uma pessoa como
interveniente, Hamad Al-Hajri, o fundador e CEO da Snoonu.
A Snoonu, apresentada como uma “super aplicação” para pedir comida, compras de
supermercado ou até serviços de lavandaria, está a caminho de se tornar no
primeiro unicórnio do Qatar. Um país onde a Web Summit já tem uma cimeira tecnológica
e que tem uma presença crescente no espaço de exposição da edição lisboeta.
▲ Paddy Cosgrave, fundador da Web Summit, abriu o palco dedicado à China. Sportsfile
Índice: China passou de “seguidora rápida a inovadora” e Europa está entre
dois pólos. “A China não é uma concorrente, é uma professora”, diz fundador da
‘super app’ do Qatar
“Se calhar em breve vamos passar a dizer ni hao [olá
em mandarim]”, declarou o empreendedor ao chegar ao palco. “Como vemos na Web Summit, há uma conversa
frequente sobre a China e sobre a inovação vinda da China”, notou o
empreendedor. Al-Hajri deixou claro em vários pontos da intervenção que a China “não deve ser subestimada”.
“Vamos aprender com eles”,
pediu, “têm cinco mil anos de história
de inovação”, dando como exemplo a pólvora ou o papel. “A
China não é um concorrente, é um professor, aprendam com eles.”
“Alguns
pontos do mundo pensam que a China está a copiar, mas estão errados. Já estão dez anos à frente na inovação”,
reforçou. A startup do Qatar aprendeu a olhar para os casos de sucesso da
China. “Há apenas seis meses enviei uma equipa de mais de 15 gestores de
produto para a China, para que aprendessem com empresas chinesas.”
Uma das
lições mais relevantes e “um ponto de diferença em relação ao Ocidente” é que
“a China não constrói startups, constrói ecossistemas”, dando como exemplo a
Alibaba ou o WeChat, da Tencent. “A Meituan
[outro exemplo de ‘super-app’ chinesa] tem mais de 120 serviços”, acrescentou.
Para se
defender da concorrência chinesa, o fundador que ambiciona ter um unicórnio
decidiu replicar uma ‘super-app’, agrupando vários serviços, mas adaptados às
preferências do Qatar — como os serviços de lavagem de roupa e engomadoria com
entrega em poucas horas. Mas deixou uma lição final: “Nunca, nunca entrem numa guerra de preços
com a China. É o jogo deles. Nós focámos-nos na experiência.”
LISBOA
PAÍS SOCIEDADE CHINA MUNDO EMPRESAS ECONOMIA
COMENTÁRIOS:
Mario Figueiredo: Ainda bem. Os irlandeses
também não o quiseram. E a Web Summit é um evento essencialmente ignorado e sem
qualquer importância no contexto global. Nem Paddy Cosgrave é uma figura reconhecida na
indústria e com as qualificações ou créditos para se pôr a pontificar sobre o
desenvolvimento tecnológico. A sua única criação foi o Web Summit. Não
participa das indústrias e resume o seu currículo a organizador de eventos. O
que fica perfeitamente evidente quando lança postas como o desenvolvimento
tecnológico do Ocidente estar a perder para a China (na verdade, assédio ao
governo chinês). Ele é bem conhecido aqui na Irlanda, por todas as más
razões. Não é difícil ir à internet procurar sobre o currículo desta
personagem. Faça boa viagem. Alex Name: Quanto é que a web summit pagou para escreverem este artigo que mais parece
um guião de um thriller?
Maria Gingeira: Já vai tarde, China com ele! Jose
Nunes: Sempre teve a mão chinesa por trás. Nada de surpresa até agora! Luis
Silva: O futuro está na IA e a Europa é um zero à esquerda. A IA exige grandes
fontes de energia, e os EUA e a China investem fortemente em novas centrais
nucleares. A Europa fecha centrais nucleares e enche a paisagem de inúteis
geradores eólicos e painéis solares. Pertinaz: Goste-se ou não, o “cigano
irlandês” tem faro para o negócio… e o negócio está na China pois a Europa está
falida… síndrome da aristocracia falida… Luis
Freitas > Luis Silva: Os painéis solares europeus
são importados da China, carros elétricos europeus com baterias chinesas e
terras raras chinesas, a Europa fecha as centrais nucleares e tem a energia
mais cara do planeta Terra e arredores, a China está a construir uma carrada de
centrais nucleares assim como os EUA que vão copiar a China e sem electricidade
barata ninguém quer carros eléctricos e não é possível a Europa entrar na
corrida para a IA. Os custos energéticos assim como as leis ambientais europeias estão a
assassinar o que resta da indústria europeia. Df: O nosso problema é a burrice. E burrice cara. Pagamos
100 milhões ao homem para vir para cá fazer a propaganda da China... Nuno
Filipe: O pai da web
summit a validar a escravatura (dissimulada) é certo e dar graxa ao dono. Vá
para a China e não volte. Na Europa
queremos quem queira progredir e avançar. Velhos
do Restelo temos cá muitos e podem morrer todos (longe daqui), se não estão na
Europa para ajudar então estão contra nós e nesse caso podem ir embora (digo ir
embora porque se fosse na China e forem contra o regime são mortos…) David
Pinheiro: Portugal está
no meio, entre o liberalismo irlandês e o comunismo chinês. Portanto fez todo o
sentido, como passo intermédio.
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