A BBC, afinal, parece aceitar sabiamente, também, as novidades – e necedades
- do que por esse mundo vai, no mesmo repúdio pelas velharias dos preceitos
clássicos, que se vai generalizando, para mostrarmos subserviente zelo
modernizador. Não, não tem esse direito, como farol da Humanidade que sempre se
revelou… Fora os ameaços, é certo …
O rigor mortis da BBC
O problema não se esgota na BBC, no
fundo um (grande) rolamento numa monumental traquitana de falcatruas. O problema é os “media” terem decidido que
lhes compete educar as massas.
ALBERTO GONÇALVES Colunista
do Observador
OBSERVADOR, 15 nov. 2025, 00:224
Sabiam que, em 2014, a BBC relatou as
violações de Rotherham chamando aos
muçulmanos paquistaneses que as perpetraram “gangues asiáticos”? Sabiam que, em 2024, a BBC revelou uma discriminação racial no preço do seguro dos
carros que afinal não existia? Sabiam
que, em 2008, a BBC censurou uma ligeiríssima alusão a Maomé (e à montanha) na
série “Blackadder” enquanto permitia abundantes piadas alusivas ao
cristianismo? Sabiam
que, em 2025, a BBC transmitiu um documentário sobre Gaza em que o narrador era
filho de um dirigente do Hamas? Sabiam que, de 2023 a 2025, a BBC
evitou reportagens que pudessem beliscar o movimento “trans”? Sabiam que, em 2012, a BBC acusou um “lord” conservador
de abusar sexualmente de crianças em “contexto de racismo” e em que o
desgraçado era completamente inocente? Sabiam que, em 2014, a BBC eliminou
do programa “Free Speech” (ai, a ironia pesada) a questão “Será
possível ser muçulmano e gay?” Sabiam
que, em 2020 e 2021, a BBC calou, distorceu, exagerou e, sim, mentiu em tudo o
que pôde de modo a alimentar a cantilena oficial em volta da Covid? Sabiam
que, em 2012, a BBC produziu uma história acerca do “racismo estrutural” no
futebol europeu através de manipulação de dados com “racistas” interpretados
por figurantes? Sabiam
que, em Julho de 2024 e em Novembro de 2025, a BBC repreendeu formalmente
duas “pivots” que exibiram desdém pela expressão
“pessoas que engravidam”? Sabiam que, em 2021, a BBC cobriu o
assalto anti-semita a um autocarro em Londres e apresentou como “atenuante” (?)
o pormenor de o áudio do incidente incluir “insultos anti-muçulmanos”, de facto
o som de uma criança judia a gritar por socorro em hebraico? Sabiam que, em 2022 e com repetição em 2024, a BBC
mutilou severamente um discurso de Donald Trump para dar a entender que ele
apelara à invasão do Capitólio?
Desta última manigância vocês sabiam. E
sabem quem sabia de todas, estas e outras, desde sempre, embora fingissem o
contrário? As cúpulas e as tutelas da
BBC. O estratagema é similar vai para 20
anos, pelo menos. A BBC falsifica notícias, inventa
“casos”, difunde patranhas convenientes às “causas” que serve, suprime
informação comprometedora para essas “causas” e, em suma, esforça-se por
aldrabar tanto quanto possível os espectadores que, por ingenuidade ou
perversão, ainda consomem semelhante miséria.
Se uma determinada aldrabice suscita
excessivo escândalo, a BBC invariavelmente adopta o código de honra do larápio
que só se arrepende quando o roubo é descoberto. Primeiro, lança um pedido de desculpas mais
esfarrapado que as bandeiras portuguesas após o Euro 2004. De seguida, demite ou aceita a demissão de um director
ou dois e troca-os por criaturas igualmente devotas ao viés em voga e
empenhadas em perpetuar a fraude, uma fraude que anualmente custa seis mil
milhões, e que, de tão preocupada em não ofender “sensibilidades”, ofende
brutalmente o bom senso.
Sucede que, por incúria do
Todo Poderoso, o bom
senso não é distribuído com equidade – o bom senso e a vergonha na cara. Mesmo
confrontada com a infantil truncagem do discurso de Trump, houve muita gente a
relativizar o episódio, que em última instância não teria passado de um erro
jornalístico ou, vá lá, de um exemplo reprovável e inconsequente de mau
jornalismo. Até eu, que levo a sério o Efeito Borboleta, acho extraordinário acreditar-se que
colar frases soltas e escolhidas à medida do que se pretendia dizer que Trump disse é um “erro”, no
sentido de lapso. E acho abusivo que se fale em “mau jornalismo”. O
que a BBC tem andado a fazer, com Trump, Gaza, o “racismo”, o Islão, o
“transgenderismo” e o que lhe apetece, não é nada que se pareça com jornalismo, bom,
sofrível, mau ou péssimo. Aquilo é propaganda, o exacto tipo de propaganda que
se espera das televisões da Venezuela, de Cuba e da Rússia. E que já ninguém se
espanta por encontrar nas televisões do Reino Unido e do Ocidente em geral.
Claro que hoje o problema não
se esgota na BBC, no fundo um (grande) rolamento numa monumental traquitana
de falcatruas. O
problema também não se prende com o engajamento ideológico dos “media”, que era comum com maior ou menor franqueza à direita e à esquerda e ao
centro. O problema é os “media”, quase
todos os “media”, terem decidido que lhes compete educar as massas, e
educá-las num sentido bastante específico, invariavelmente subjugado às
directivas dos governos que, com raras e odiadas excepções, mandam na Europa e
arredores. É possível discutir quem manda nos
governos. É impossível negar que, por fragilidade, anacronismo e ideologia, o “quarto
poder” aliou-se aos restantes e, em vez de
escrutínio, desatou a promover a bajulice. Uma
considerável parte dos jornalistas actuais não são jornalistas, mas cortesãos. E se
os “jornalistas” defendem a corte, é natural que a corte ampare os
“jornalistas”. Em ambas as esferas, já demasiado misturadas, adoptou-se esta
semana a cartilha habitual com o habitual descaramento: a BBC e o jornalismo e a democracia e quiçá o sistema
solar estão sob ataque cerrado de “radicais”, fatalmente de “extrema-direita”. Por
sorte, temos os moderados para nos proteger – da “desinformação” e do resto.
COMENTÁRIOS:
Miguel Santos: Por cá é ainda pior - pelo
menos a BBC sabe que está a aldrabar. O jornalismo por cá copia cegamente as
aldrabices sem sequer pensar. Reflexos pavlovianos de um jornalismo largamente composto
de gente de extrema-esquerda, fã do LIVRE, BE ou PCP, incapaz de discernir a
realidade 2 palmos à frente do nariz, se isso contrariar o mantra do partido. Maria Paula
Silva: "Cortesãos copy-pasters avençados". É caso para perguntar quais
são, hoje em dia, os meios de Comunicação Social isentos que honrem os
Princípios básicos do Jornalismo? Mesmo o
Observador deixa muito a desejar, à excepção de meia dúzia de cronistas que
justificam, por enquanto, o pagamento da assinatura. O Observador devia
divorciar-se da Lusa e livrar-se de alguns infiltrados que por aqui navegam e
que não dignificam o verdadeiro Jornalismo. p.s. - escreve-se os Media e
deve ler-se "média" e não "midia", já que a
palavra é latina.
Maria Eduarda Vaz Serra: Obrigada por mais um bom
artigo. Joana
Quintela: Bravo!!!! Paulo Maio: Quantas BBCs desta vida não
existem por este (ainda) nosso Portugal.
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