Num momento preocupante, e demonstrada num
discurso elegante e sagaz, apelativo de bom senso e de consciência vivencial, num
tempo de luz eléctrica, mais potente que a da tal lanterna e apesar disso tão
inútil como ela, quando uma sociedade, que tantas escuridões atravessou,
embarca com tanta inércia na permissividade da prepotência e da malvadez de
quem se julga acima de toda a luz – terrena ou divina - numa ridícula empáfia
sem pejo. Diógenes que fôssemos, seríamos bem, postos a ridículo em vez de
ridicularizar se hoje fosse. E é o que somos, não há dúvida, Diógenes ridículos,
mesmo sem lanterna.
HENRIQUE SALLES DA FONSECA
A BEM DA NAÇÃO 25.11.25
Filosoficamente cínico e, portanto
socialmente disruptivo, Diógenes deambulava pela Ágora de Atenas em
pleno dia com uma lanterna acesa em busca de quem vivesse de acordo com a Natureza
e não se guiasse pelas absurdas (no parecer dos cínicos) regras da “deturpante
Civilização”.
* * *
Na
nossa Ágora também temos disruptivos mais ou menos cínicos mas todos eles pugnando pela destruição do modelo
humanista em que é o Estado que serve o cidadão, em que a liberdade é conceito
unitário e não fragmentado
(ao contrário das «mais amplas liberdades» do Dr. Cunhal). Tudo
envolto num quadro legal do domínio público e aplicação universal com rejeição de particularidades de
pertenças mais ou menos secretas, ou seja, numa clara opção democrática,
pluripartidária de inspiração liberal e repúdio de toda autocracia fascista de
qualquer extremo da nossa Ágora e da homóloga europeia.
Faça-se luz ao centro, não se percam na floresta da laurisilva
nem adormeçam ao som das canções dos Faunos mais ou menos faladas - mais ou
menos gritadas.
Não podemos tergiversar na afirmação
e defesa das nossas convicções em que a nossa moderação é a nossa força.
Não
hesitemos em denunciar os cínicos que abusam da liberdade que lhes permitimos e
com ela tentam destruir-nos.
Armemo-nos para a nossa própria
defesa e não apenas para enviarmos munições para a Ucrânia. O inimigo
ataca pelas costas e nesta guerra as costas somos nós.
Diógenes
foi um símbolo apalhaçado que não conseguiu destruir a Civilização Grega, uma
das nossas próprias bases civilizacionais.
Vivam
Platão e Aristóteles (ao outro
não me refiro para evitar confusões histórico-numismático-cambiais)!
25 de Novembro de 2025
Henrique Salles da Fonseca
COMENTÁRIOS:
A P
MACHADO 25.11.2025 15:17: Pobre Sócrates que, ao tempo, não
tinha como registar a marca filosófica do
seu ilustre nome. Mal sabia ele que iria ser dado por padrinho de gente de mau porte, mesmo
sem ter sido convidado para esses tais baptizados.
Manuel
Guedes-Vieira 25.11.2025 17:19: Gostei e fico feliz por ver que continuas com a tua verve. Manuel José Vieira
Anónimo 25.11.2025 17:55: Excelente
a sua apreciação: correcta, actual, oportuna e bem humorada! Com os meus
melhores votos Fernando Catarino
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