quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Preocupação natural


Num momento preocupante, e demonstrada num discurso elegante e sagaz, apelativo de bom senso e de consciência vivencial, num tempo de luz eléctrica, mais potente que a da tal lanterna e apesar disso tão inútil como ela, quando uma sociedade, que tantas escuridões atravessou, embarca com tanta inércia na permissividade da prepotência e da malvadez de quem se julga acima de toda a luz – terrena ou divina - numa ridícula empáfia sem pejo. Diógenes que fôssemos, seríamos bem, postos a ridículo em vez de ridicularizar se hoje fosse. E é o que somos, não há dúvida, Diógenes ridículos, mesmo sem lanterna.

A LANTERNA DE DIÓGENES

 HENRIQUE SALLES DA FONSECA

A BEM DA NAÇÃO 25.11.25

Filosoficamente cínico e, portanto socialmente disruptivo, Diógenes deambulava pela Ágora de Atenas em pleno dia com uma lanterna acesa em busca de quem vivesse de acordo com a Natureza e não se guiasse pelas absurdas (no parecer dos cínicos) regras da “deturpante Civilização”.

 * * *

Na nossa Ágora também temos disruptivos mais ou menos cínicos mas todos eles pugnando pela destruição do modelo humanista em que é o Estado que serve o cidadão, em que a liberdade é conceito unitário e não fragmentado (ao contrário das «mais amplas liberdades» do Dr. Cunhal). Tudo envolto num quadro legal do domínio público e aplicação universal com rejeição de particularidades de pertenças mais ou menos secretas, ou seja, numa clara opção democrática, pluripartidária de inspiração liberal e repúdio de toda autocracia fascista de qualquer extremo da nossa Ágora e da homóloga europeia.

Faça-se luz ao centro, não se percam na floresta da laurisilva nem adormeçam ao som das canções dos Faunos mais ou menos faladas - mais ou menos gritadas.

Não podemos tergiversar na afirmação e defesa das nossas convicções em que a nossa moderação é a nossa força.

Não hesitemos em denunciar os cínicos que abusam da liberdade que lhes permitimos e com ela tentam destruir-nos.

Armemo-nos para a nossa própria defesa e não apenas para enviarmos munições para a Ucrânia. O inimigo ataca pelas costas e nesta guerra as costas somos nós.

Diógenes foi um símbolo apalhaçado que não conseguiu destruir a Civilização Grega, uma das nossas próprias bases civilizacionais.

Vivam Platão e Aristóteles (ao outro não me refiro para evitar confusões histórico-numismático-cambiais)!

 25 de Novembro de 2025

Henrique Salles da Fonseca

COMENTÁRIOS:

 A P MACHADO  25.11.2025  15:17: Pobre Sócrates que, ao tempo, não tinha como registar a marca filosófica do seu ilustre nome. Mal sabia ele que iria ser dado por padrinho de gente de mau porte, mesmo sem ter sido convidado para esses tais baptizados.

 Manuel Guedes-Vieira  25.11.2025  17:19: Gostei e fico feliz por ver que continuas com a tua verve. Manuel José Vieira

 Anónimo  25.11.2025  17:55: Excelente a sua apreciação: correcta, actual, oportuna e bem humorada! Com os meus melhores votos Fernando Catarino

Nenhum comentário: